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Carta do Editor »

O global e o local

André Lamounier - Editor Publicação:04/12/2012 14:12Atualização:04/12/2012 14:43
A década de 1990 se iniciava quando a globalização no mundo dos negócios dava seus primeiros passos. Eis que surge um sujeito chamado Percy Barnevick com uma estranha tese: pensar global e agir local. Barnevick era o principal executivo de uma multinacional que se alastrava pelos quatro continentes, à época. Foi nesse contexto que ele lançou um conceito curioso para o período, mas óbvio nos dias de hoje. Mais de duas décadas se passaram, a globalização avançou e o desafio proposto por Barnevick continua de pé. Vale para empresas, países e para uma revista como Encontro. Somos uma publicação voltada para as questões locais, de quem vive em Brasília. Mas também uma revista que fala para uma comunidade de pessoas que, cada vez mais, rompe fronteiras - e Brasília é um extrato perfeito de uma cidade multicultural.

Para chegar ao equilíbrio de retratar a vida local, sem perder o contexto global, é necessário estar bem informado e ter visão de mundo. Exemplo disso está na matéria sobre o projeto Brasília 2060, ou projeto Cingapura, na página 30, de autoria do cuidadoso jornalista Fred Bottrel.

Foi investindo horas em conversas com os mais destacados nomes da indústria da beleza da capital federal que a repórter Dominique Lima pôde compreender como funciona esse mercado e o que está por trás de um dos setores que mais cresce e emprega na capital. Dominique pôde perceber na prática que os conceitos de Barnevick estão na essência de toda a pujança desse setor. Como o caso de um salão que cresce inspirado num conceito vintage que o dono viu na Califórnia. Não se trata de um exemplo isolado. Ideias, estilos e trejeitos foram importados e adaptados para a realidade dos consumidores brasilienses. Mas apenas as técnicas não foram suficientes para fazer crescer os salões, foi necessário o envolvimento do dono. Criar cumplicidade com seu público. Era exatamente isso o que pregava Barnevick.

Dominique: experiência internacional  para destrinchar o mundo da beleza local (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
Dominique: experiência internacional
para destrinchar o mundo da beleza local
E é essa a proposta de Encontro Brasília: pensar global, mas agir de forma absolutamente local. Dominique é, ela própria, um exemplo de profissional globalizada. Nascida em Brasília, essa jovem de 28 anos estudou na França e fala fluentemente três línguas, fora o português: inglês, francês e alemão. "Também arranho no espanhol", afirma ela, que se formou em 2008 na UnB. Depois trabalhou em sites, foi jornalista do Correio Braziliense por três anos e, agora, faz parte de nossa equipe. Enquanto Dominique respirava o mundo da beleza, a subeditora Leilane Menezes, juntamente com o subeditor de fotografia Minervino Júnior, embrenhava-se na Chapada dos Veadeiros para desvendar o mistério do único lugar que, segundo os maias, estará a salvo do "fim do mundo" . A descrição e as fotos feitas do lugar são surpreendentes porque mostram um pedaço dos arredores da capital que muitos de nós não conhecemos. Mas que, acredite, está intimamente ligado ao que acontece no resto do mundo - ainda que as profecias maias não se confirmem. 
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017