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Cidade poliglota

De exposições a cursos de gastronomia e aulas de dança, a capital do Brasil tem vasta gama de opções para quem quer mergulhar em idiomas e costumes de outros países

Dominique Lima - Redação Publicação:13/12/2012 16:51Atualização:13/12/2012 17:15

Fernanda Vitorino Vieira pratica seu alemão em um bar da Asa Sul: ela fala também inglês e francês e aproveita as oportunidades de aprendizado fora sala de aula (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Fernanda Vitorino Vieira pratica seu alemão em um bar da Asa Sul: ela fala também inglês e francês e aproveita as oportunidades de aprendizado fora sala de aula

Aos 18 anos, a estudante de ensino médio Fernanda Vitorino Vieira pratica seu alemão em um bar da Asa Sul. Ela participa de um encontro mensal promovido pela Embaixada da Alemanha e pelo Goethe-Zentrum, escola vinculada ao governo alemão, que reúne praticantes de todos os níveis e falantes nativos em um ambiente para lá de descontraído. Fluente no idioma que estuda há três anos, ela também fala inglês, francês e arranha conversas em italiano.

O segredo para falar tantos idiomas ainda tão jovem é mais simples do que se imagina. Dedicação e esforço, claro. Mas também saber aproveitar toda e qualquer oportunidade de praticar o que se aprende em sala de aula. Se for possível fazê-lo em diferentes contextos, descobrindo ainda mais sobre a cultura de outro país, tanto melhor.

Com a terceira maior concentração de embaixadas e organizações internacionais do mundo, de acordo com a Assessoria de Assuntos Internacionais do Governo do Distrito Federal, Brasília conta com ampla gama de opções para agradar a aprendizes de variadas línguas e amantes dos mais diversos hobbies: seja numa aula da culinária, num festival gratuito de filmes franceses seja num curso de danças hispânicas (veja quadro com programação para as próximas semanas).

O historiador Jean-François Sirinelli, do Instituto de  Estudos Políticos de Paris, em palestra promovida  pela Aliança Francesa: genuína cultura francesa para brasilienses (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O historiador Jean-François Sirinelli, do Instituto de
Estudos Políticos de Paris, em palestra promovida
pela Aliança Francesa: genuína cultura francesa
para brasilienses
“Para o aprendizado da língua, experimentar a face cultural é importantíssimo. É assim que se compreendem os modismos e se consegue pôr em prática a estrutura gramatical aprendida durante a aula”, diz Pedro Eusébio, diretor do Instituto Cervantes de Brasília, que tem apoio do governo para divulgar a cultura hispânica.

Ao som da cúmbia, ritmo colombiano, a servidora pública Jacirá Garuni mantém o espanhol afiado. As entusiasmadas instruções em castelhano da professora colombiana Martha Chaparro parecem fazer parte das canções. Formada pelo Cervantes, Jacirá fica atenta à agenda cultural da escola. Foi assim que soube do curso. “É também uma maneira de conhecer ótimas pessoas”, completa.

Ao som da cúmbia: a servidora  pública Jacirá Garuni mantém o espanhol afiado nas  aulas de dança (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Ao som da cúmbia: a servidora pública Jacirá
Garuni mantém o espanhol afiado nas
aulas de dança
Os cursos de culinária são os favoritos e costumam lotar. Este ano, o Instituto Cervantes oferece o festival Descobrir Sabores da Hispano-América, com encontros mensais até dezembro. Na aula para ensinar pratos típicos da América Latina, alunos e professores aprendem sotaques, palavras peculiares e tradições de regiões específicas. “Cada país da América Latina tem um nome para abacate, por exemplo”, conta David Lechtig, chef peruano do restaurante El Paso e um dos responsáveis pelo festival.

Outra proposta interessante são as exibições de filmes, como as promovidas pelas embaixadas da França e Alemanha. “Estando a 10 mil km do país onde se fala a língua, é preciso criar espaços em que se possa ouvi-la”, explica a gerente do Goethe-Zentrum, Sabine Plattner.

Sonja de Oliveira vai a eventos como o Sexta Musical para relembrar os anos em que viveu fora do Brasil: interesse em línguas e culturas estrangeiras (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Sonja de Oliveira vai a eventos como o
Sexta Musical para relembrar os anos em que
viveu fora do Brasil: interesse em línguas
e culturas estrangeiras
Além de eventos regulares, Brasília recebe artistas e intelectuais estrangeiros. Em 2012, foram muitos, como o grupo francês L’Effet Vapeur, trio que toca ao vivo nas apresentações dos filmes de animação do estúdio Folimage, e o historiador Jean-François Sirinelli, do Instituto de Estudos Políticos de Paris. “O objetivo da nossa instituição é criar ambiente de aprendizado do idioma e da cultura francesa”, aponta o diretor da Aliança Francesa, Jean Bourdin.

A agenda cultural internacional da cidade beneficia ainda quem não tem a pretensão de se tornar fluente em outro idioma. Tradição em Brasília há 25 anos, as Sextas Musicais promovidas pela Casa Thomas Jefferson têm por objetivo servir de espaço livre da expressão de músicos, como explica o produtor cultural da instituição, Luiz Carlos Costa. É o caso do Gardner Duo, formado pela violinista Lilian Raiol e pelo violoncelista inglês David Gardner, com participação especial do clarinetista Marcos Cohen.

A aposentada Sonja Arcírio de Oliveira está entre os frequentadores das Sextas Musicais e aproveita eventos como esse para relembrar os anos em que viveu fora do Brasil. “Eventos como esse são enriquecedores e necessários para manter o interesse em línguas e culturas estrangeiras”, diz.

Ao vivo no CCBB: o grupo francês L'Effet Vapeur, trio musical tocou ao vivo nas apresentações dos filmes de animação do estúdio Folimage (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Ao vivo no CCBB: o grupo francês L'Effet Vapeur, trio musical tocou ao vivo nas apresentações dos filmes de animação do estúdio Folimage


AGENDA

Brasília tem ampla programação para quem quer ir além de aprender novos idiomas em sala de aula

 

Brasil-Alemanha: Stammtisch

Data: sempre na última
terça-feira do mês
Horário: a partir das 19h
Onde: Boteco do Juca, na 405 Sul
Por que vale a pena: sempre anunciado com antecedência
no site brasilia.diplo.de, e organizado pela embaixada da Alemanha
e o Goethe-Zentrum, o Stammtisch tem entrada franca e é um encontro para quem, com qualquer nível
de conhecimento da língua,
quer praticar o idioma alemão

Sextas Musicais

Data: todas as sextas-feiras
Horário: às 20h
Onde: Casa Thomas Jefferson
(606 Norte, acesso pela via L3)
Por que vale a pena: os concertos semanais da Casa Thomas Jefferson são realizados de maneira ininterrupta há 25 anos, a não ser durante os recessos da instituição.
A ideia é oferecer espaço criativo para artistas brasileiros e internacionais. Na última edição
do ano, em 7 de dezembro, o músico convidado é André Mehmari, pianista, arranjador, compositor
e multi-instrumentista brasileiro

Descobrir os sabores da Hispano-América com o chef David Lechtig

Data:  11 de dezembro
Horário: às 19h30
Onde: Centro Cultural Instituto Cervantes (SEPS 707/907
Lote D Asa Sul)
Por que vale a pena: as inscrições custam R$ 50. A aula de 11
de dezembro tem o tema Natal, com receitas da Guatemala, México, Peru e Colômbia. O menu inclui dulce para navidad e drinks latinos (Água de Panela, Chica Morada, Água de Jamaica, Horchata)

Curso de dança em espanhol

Datas: 1º, 5, 7, 8, 11, 13, 21
e 22 de dezembro
Horário: às 17h30
Onde: Centro Cultural Instituto Cervantes (SEPS 707/907
Lote D Asa Sul)
Por que vale a pena: a carga horária
de 20 horas custa R$ 300 e o de 10 horas, R$ 150. Vagas limitadas. As professoras Martha Chaparro e Carolina Santamaría ensinam diferentes estilos de danças hispânicas em aulas ministradas totalmente em espanhol

Werner Herzog - Sou o que são meus filmes

Data: até 9 de dezembro
Horário: diversos horários
de terça-feira a domingo.
Mais informações no site do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
Onde: CCBB Brasília (SCES,
Trecho 2, lote 22)

Por que vale a pena: a obra documental de um dos grandes expoentes do Novo Cinema Alemão, o diretor, produtor, roteirista e ator Werner Herzog, é o foco da mostra, que é gratuita. A programação conta com filmes de diversas épocas de sua carreira, desde os anos 1960 até hoje. Todos os filmes têm legendas em português.
 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017