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Viagem boa pra cachorro!

Vai pegar o carro para sair de férias e não sabe se leva ou não o animal de estimação? Surpreenda-se! Com a devida prevenção, seu pet pode se tornar um ótimo companheiro de estrada

Juliana Contaifer - Encontro Publicação:17/12/2012 15:43Atualização:17/12/2012 16:13

Os golden retrivier do casal Flávia e Mauro Rocha costumam viajar mais de mil quilômetros de carro: Thorus e Apple ficam animados ao ouvir o barulho da caminhonete (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A.Press)
Os golden retrivier do casal Flávia
e Mauro Rocha costumam viajar mais de
mil quilômetros de carro: Thorus
e Apple ficam animados ao ouvir o
barulho da caminhonete
Fim do ano é a época perfeita para viajar. Período de férias nas escolas, feriados para as festas e sol nas praias são as desculpas perfeitas para pôr o pé na estrada e descansar um pouco da rotina.

E uma das formas mais baratas e divertidas de encarar a aventura é de carro, percorrendo as estradas, ouvindo música em alto volume e conhecendo várias cidades até o destino final.Mas, para quem tem um animal de estimação, a hora da viagem é complicada.

Deixar o cão ou gato em casa exige uma logística difícil, que envolve um lugar para hospedá-los e a prevenção de qualquer possível necessidade no período da ausência dos responsáveis, além da preocupação e da saudade de deixá-los para trás.

Muita gente prefere esse trabalho a levar os pets para conhecer novos lugares. Uma viagem com bichinhos no carro parece caótica. Eles enjoam, ficam agitados e barulhentos. Tentam colocar a cabeça para fora da janela, sobem no colo de quem está perto e alguns até latem para outros veículos. Mas quem não consegue ficar longe dos cachorros ou gatos e viaja constantemente com eles pensa o contrário.

É um prazer levá-los para passear em lugares diferentes. A viagem precisa de organização e pode demorar mais tempo, mas com certeza é mais divertida. “Quando compramos a Moleca, a moça que nos vendeu disse que ela adorava andar de carro. Mas na primeira viagem a Vitória, ela ficou totalmente nervosa, tremia, ficou toda mareada”, conta a psicóloga Rosilea Wille.

Em uma das primeiras paradas da viagem, Rosilea encontrou uma senhora com um cachorro pequeno, que afirmou nunca viajar com seu cão sem dar um medicamento para acalmá-lo. A psicóloga não pensou duas vezes e deu algumas gotinhas para sua cachorrinha. “Ela foi apagada o resto da viagem. Fiquei desesperada, toda hora verificava se o coração dela estava batendo direitinho.

O veterinário não havia me dado nenhuma orientação, mas hoje vejo que a melhor forma de viajar com cachorro é mesmo dando um sedativo. Eles sofrem menos e eu fico mais tranquila”, explica.
Rosilea e o marido, Johannes, adoram levar seus dachshunds, Paco e Moleca, para encontrar a família em Vitória – mas os dois só vão quando a viagem é curta. “Fica ruim para eles mudar a rotina por tanto tempo, e não queremos dar trabalho para quem nos hospeda.

Adoramos viajar com eles, é uma odisseia para organizar tudo, mas parece que a família fica completa. Se deixamos os dois em Brasília, é só preocupação, ficamos ligando toda hora para ver se está tudo certo”, conta. Para a psicóloga, uma das dicas mais importantes é entender como cada cão se comporta dentro do carro e garantir que a rotina não seja muito alterada – o que significa paradas para passear mais ou menos no mesmo horário, a cama do pet, com seus panos e travesseiros, e os brinquedos preferidos.

Rosilea Wille não deixa de levar seus cães, Paco e Moleca, em suas viagens: Hoje vejo 
que é melhor dar um sedativo. Eles sofrem menos e eu fico mais tranquila (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A.Press)
Rosilea Wille não deixa de levar seus cães,
Paco e Moleca, em suas viagens:
Hoje vejo que é melhor dar um
sedativo. Eles sofrem menos e eu fico
mais tranquila
O uso de medicamento é uma dica dos veterinários para uma viagem tranquila. Animais costumam ficar enjoados em passeios de carro, e a administração de um remédio pode inclusive tranquilizá-los, deixando-os mais sonolento. Cachorros maiores e mais agitados podem tomar um tranquilizante forte para dormir a viagem inteira. “É um sedativo semelhante àquele dado em viagens de avião”, explica a veterinária Bárbara Lopes.

Mas os dois golden retrivier da fisioterapeuta Flávia da Costa Rocha não precisam de nenhum tipo de remédio para viajar os mais de mil quilometros que separam a casa da fisioterapeuta da fazenda do pai, em Minas Gerais. “No primeiro ano do Thorus, ele enjoava bastante durante qualquer passeio de carro e nenhum remédio resolvia. Mas agora ele já viaja bem tranquilo, sem qualquer medicamento. Vai sentadinho no carro, com cinto de segurança, bem quietinho, olhando o movimento pela janela. Já o Apple, mais novo, dorme assim que entra no carro, nem precisa de sedativo”, conta Flávia. Acostumados a passear, Thorus e Apple ficam animados ao ouvir o barulho do motor da caminhonete da família.

Uma história engraçada que Flávia passou com seus pets foi na primeira viagem de Thorus. O carro quebrou no meio do caminho, em uma rodovia afastada e sem muito movimento. “A ajuda demorou a chegar, estava muito calor e o acostamento em que paramos estava cheio de cachorros grandes, não tínhamos como descer para esperar ao ar livre. Mas, por mais incrível que pareça, nossos cães ficaram quietinhos dentro do carro, esperando o socorro chegar”, lembra.


Para uma viagem tranquila, a fisioterapeuta aconselha não deixar de fazer paradas para que o cão possa relaxar, fazer xixi e beber água.
Segundo Bárbara Lopes, a dica mais importante para uma viagem com o animal é a instalação dentro do veículo.

De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, os animais devem estar presos por um cinto de segurança ou acondicionados em uma caixa de transporte grande o suficiente para que o pet consiga dar uma volta de 360 graus. “Eu aconselho levá-los com cinto de segurança. Assim eles podem participar da viagem e olhar o movimento, além de ser mais fresco”, explica a veterinária. Algumas raças mais peludas podem sofrer com o calor dentro do carro, o que significa que o ambiente deve estar bem ventilado ou refrigerado pelo ar-condicionado.

O veterinário Hugo Moura aconselha uma alimentação diferenciada para viagens. “É preciso fazer paradas de três em três horas para que o animal possa fazer suas necessidades e descansar um pouco. É interessante dar água de coco, soro fisiológico ou água mineral em menor quantidade para mantê-lo bem hidratado”, explica.

Algumas pessoas, temendo vômitos, deixam os animais em jejum durante a viagem. Hugo avisa que isso é errado, o pet pode entrar em convulsões em razão da queda glicêmica. A dica é administrar alimentos com bastante glicose. “Mamão, manga ou melancia em pequenas quantidades são interessantes para evitar qualquer problema. E se a parada durar cerca de 30 minutos, os proprietários devem alimentar o animal bem no início, para que o sistema digestivo tenha tempo de processar o alimento e evitar mais vômitos.”


Alguns animais não são acostumados com viagens longas de carro; outros choram por associar os passeios à idas ao veterinário ou enjoam com o movimento inesperado. Para tornar as viagens mais agradáveis, a dica é treinar.

Idas de carro a um parque ou a algum lugar divertido podem ajudar com o medo do veterinário ou do pet shop. Vale também brincar com o carro parado para tornar o local mais agradável para os bichinhos. E reduzir a quantidade de comida nas horas próximas à viagem podem diminuir os problemas com vômitos.

É PROIBIDO

 

Para evitar surpresas, preste atenção no que diz a lei sobre o transporte de animais em veículos

 

Artigo 235: Conduzir pessoas, animais ou cargas nas partes externas do veículo, salvo nos casos devidamente autorizados. O veículo pode ser retido para transbordo. A infração é considerada grave, com multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira.

Artigo 252: Dirigir o veículo transportando pessoas, animais
ou volume à sua esquerda ou entre os braços e pernas. Infração média, com multa de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira. 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017