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Cinema I Coluna »

A força está com a Disney

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:20/12/2012 16:56Atualização:20/12/2012 16:57
A compra da Lucasfilm pela gigante The Walt Disney Company, envolvendo a vultosa quantia de mais de quatro bilhões de dólares, representa o reaquecimento da franquia, que pela primeira vez ousou conjugar entretenimento com tecnologia. Aliás, é bem mais que isso. Muito delicado traçar limites para este recomeço. Poderíamos gastar uma quantidade imensa de papel e tinta com as possibilidades e razoáveis devaneios da colossal e aguardada nova reunião da trupe de rebeldes, defensores da República, e da sombria casta do Império, antes associado ao inesquecível ícone Lord Darth Vader.

O que se contorna em demasiado exagero ajuda a explicar o mais importante fato ocorrido no cinema norte-americano em 2012. No longínquo ano de 1977, o mundo conheceu na prática com Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança o que era o cinema-pipoca. Sem rodeios, George Lucas arriscou juntar um roteiro, digamos, mais substancioso, para os padrões pop, com uma câmera inquieta e um visual riquíssimo de elementos. O sucesso foi como a velocidade das naves vistas na tela.

Passados 35 anos, Lucas, como se esperava, mordeu a língua. As especulações sempre foram certeiras e lógicas demais. Mas o “criador” era taxativo em afirmar que a saga fora concebida em seis episódios. Os rumores vindos dos sets de filmagem e os mais próximos a Lucas iam no sentido contrário: a série geraria no mínimo 12 longas-metragens, divididos em quatro etapas. E essas etapas seriam separadas por um prazo de uma década. A promessa confirmada de uma trilogia a partir de 2015 arrebentou novamente a febre nerd, que não sossegava em ver sua “religião” Star Wars amarrada e restrita a games e animações de curta duração.

Com o conglomerado Disney no comando, na pessoa da consagrada produtora Kathleen Kennedy, reduzindo as obsessões e rabugices de Lucas, agora no mero papel de consultor, o material interplanetário Star Wars tem a absoluta possibilidade de crescimento.

As apostas para o primeiro projeto, com data fixada para as férias de verão nos EUA em 2015, são incontáveis. Dificilmente um diretor mais centralizador, com mãos de ferro e perfil independente, assumirá a empreitada. Podemos descartar J. J. Abrams, Christopher Nolan, Peter Jackson ou David Fincher. Confirmado mesmo até agora, apenas o roteiro, a cargo do jovem Michael Arndt, de Toy Story 3 e Pequena Miss Sunshine. A Disney deve escolher um nome para a direção, nos mesmíssimos moldes de Joss Whedon, responsável por Os Vingadores, o maior êxito do cinema em 2012. Seria um excelente sinal.

Se a Disney quiser arriscar a escalação de um Spielberg, o filme terá todas as condições de sepultar a controversa impressão deixada pelos últimos filmes de 1999, 2002 e 2005. É bom lembrar: a Lucasfilm também é Indiana Jones. Ou seja, o grande legado de Lucas foi entregue ao melhor grupo de mídia e entretenimento da América. Se Mickey Mouse usar um quimono e empunhar um sabre de luz será uma permissiva e descontraída licença que ousarão fazer da complexa obra.

O diamante Star Wars é muito precioso, e o respeito por sua história e representatividade conta com a constante vigilância de uma horda incontida de aficionados. Mas nunca é o bastante concluir: a Disney não brinca em serviço. Que o Império ascenda forte e perverso em 2015!
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017