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Entidades do bem

Brasília tem 300 instituições beneficentes, com as contas em dia, que vivem de doação. Encontro selecionou 10 delas, que fazem um trabalho notável e no qual você pode confiar. Saiba quais são e como reconhecer iniciativas que merecem sua ajuda

Leilane Menezes - Colunista Publicação:21/12/2012 15:31Atualização:21/12/2012 17:24

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)

Coberta por uma toalha branca, a primeira mesa usada no Centro Comunitário da Criança, há 26 anos, em Ceilândia, fica guardada no corredor. Seria um móvel como qualquer outro e teria o lixo como destino, caso não guardasse muito da história do lugar. Antes de ser mesa, a madeira era porta. A fundadora da creche, Luzia de Paula, diante da falta de dinheiro e da necessidade das crianças de se sentarem para estudar e fazer refeições, não hesitou: retirou uma das portas do galpão no qual prestava assistência voluntariamente à comunidade e transformou-a em mobília. Com as próprias mãos, fixou pregos e serrou tábuas até alcançar seu objetivo. Para finalizar, cobriu cuidadosamente a mesa com tinta verde, para ir além do básico.

O episódio simboliza muito da realidade não apenas do Centro Comunitário, mas de todas as entidades filantrópicas que transformam e lapidam diariamente a vida de famílias com esforço individual e coletivo, caridade, assistência social e educação gratuita. Essas instituições sobrevivem de pequenas e grandes doações. Boa parte da ajuda chega no fim do ano, quando a solidariedade aflora. Há quem tenha dúvidas na hora de escolher uma entidade para qual destinar recursos, por não saber medir a seriedade dessas iniciativas.

A Promotoria de Justiça de Tutela das Fundações e Entidades de Interesse Social (PJFEIS), do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), publica anualmente em seu site nomes das associações e federações com contas aprovadas e funcionamento regular. Atualmente, há cerca de 300 na lista. "O procedimento é complexo, inclui apresentação de documentos contábeis, relatório de atividades, extrato de contas bancárias e inspeção in loco. Na lista, figuram as entidades em funcionamento regular, idôneas, que realmente desenvolvem atividade socia", explica o promotor Nelson Faraco de Freitas.
 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)

Encontro Brasília selecionou 10 dessas instituições como exemplos de lugares para os quais é possível doar com a certeza de ver seu dinheiro e tempo investidos com responsabilidade. Elas foram escolhidas por critérios de relevância social, além de ter sua importância reconhecida pelos brasilienses.

Poucos na cidade nunca ouviram falar no Lar dos Velhinhos Maria Madalena, onde quem carrega no corpo as marcas do tempo e da vida recebe cuidados especiais. Muitos já quebraram os próprios preconceitos ao conhecer o trabalho de fibra de Vicky Tavares, a mantenedora da organização não governamental Vida Positiva, voltada a crianças e adolescentes com HIV, infectados durante o parto. É nas creches comunitárias, criadas e mantidas pela sociedade, que crianças têm proteção e afeto, enquanto os pais trabalham. As linhas a seguir relatam um pouco da rotina desses lugares e mostram a importância do envolvimento dos doadores nessa transformação.

Abrace

 

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
A solidariedade constrói. A afirmação não é subjetiva e pode ser comprovada diante dos  nossos olhos. Cada detalhe do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, inaugurado há um ano, foi comprado com dinheiro de doações enviadas à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadora de Câncer e Hemopatias (Abrace).

O governo local cedeu apenas o terreno. Portanto, há um pouco da bondade de cada pessoa ou empresa doadora entre as paredes do lugar. A obra, no Setor de Áreas Isoladas Norte, custou R$ 15 milhões e tem 7 mil metros quadrados.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Ali, crianças de todo o país são acolhidas e recebem tratamento para uma série de doenças. O Hospital da Criança é um dos exemplos de quão longe se pode ir com apoio da sociedade e boa administração. Em um ano de funcionamento, 257 mil crianças receberam tratamento nesse centro de saúde.

A Abrace existe em Brasília há 26 anos, graças à habilidade de converter a própria dor em boas ações. A história da instituição se confunde com a trajetória pessoal da presidente, Ilda Peliz.

Quando tomou frente do trabalho social, ela passava pelo momento mais temido na vida de uma mãe: a perda do filho. Rebeca, filha de Ilda, tinha 1 ano e meio, em outubro de 1995, e não resistiu ao câncer no cérebro.

O tratamento foi no Hospital de Base. Lá, Ilda, que era bancária e vivia confortavelmente, conheceu a realidade de outras mães com menos condições.

“Conheci o sofrimento muito de perto. Muitas vezes, era eu quem tinha de comprar o quimioterápico, não só para Rebeca. Atravessava a rua, ia à farmácia e voltava com as caixas. Naquele tempo, não tinha tratamento particular”, lembra.

Ilda Peliz, presidente da Abrace, entre algumas das 1,5 mil crianças atendidas 
na instituição: 26 anos de solidariedade (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Ilda Peliz, presidente da Abrace,
entre algumas das 1,5 mil crianças
atendidas na instituição: 26 anos de
solidariedade
Após a morte de Rebeca, Ilda decidiu lutar por outras vidas. Hoje, a Abrace atende em Brasília 1,5 mil crianças e jovens de todo o país.

A instituição oferece transporte aéreo, hospedagem na Casa de Apoio a quem é de fora de Brasília, remédios e acesso aos hospitais. Além disso, reforma as casas dos pacientes e mantém o projeto Willian, que consiste em oferecer cuidados ao paciente em fase terminal e realizar o último desejo daqueles que não conseguem a cura.

FUNDAÇÃO
1986

Missão
Prestar assistência social a crianças e adolescentes com câncer e hemopatias, bem como a suas famílias. Visa à qualidade de vida e garantia de acesso às melhores condições de tratamento

Onde fica

SCS Quadra 2, nº 164,
Bloco C, 4º e 5º andares. Edifício Wady Cecílio II

CONTATO

(61) 3212-6070

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Apae-DF

 

Há 20 anos, Devane do Carmo do Nascimento frequenta a Apae-DF. Era tímida quando chegou. Hoje, aos 40 anos, faz teatro, aula de dança do ventre e aprendeu a tocar instrumentos musicais.

Ali, Devane aprendeu um pouco mais sobre ela mesma e se abriu para o mundo. Descobriu-se capaz de ser admirada e também de gostar de si mesma. Mais do que isso: encontrou o amor. Há quatro anos, ela namora o também aluno da Apae, Ercílio Marques Lima. Os dois convivem com a síndrome de Down.

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Devane é negra, uma característica rara entre os que têm essa alteração genética. Superou todos os preconceitos acumulados e leva uma vida cheia de possibilidades.Ela é um exemplo entre as 650 pessoas que passam pela Apae todos os anos. A associação existe há 25 anos, graças ao apoio da comunidade. São quatro unidades em todo o Distrito Federal – a sede fica na Asa Norte.

O trabalho começou no Rio de Janeiro, em 1953. Hoje, são mais de 2 mil Apaes no país. Em Brasília, todo o prédio da sede foi construído com recursos da comunidade. São dois pavimentos e incontáveis salas de aula e laboratórios.

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As famílias das pessoas com deficiência também ajudam na manutenção. “O maior patrimônio da Apae é o nome da instituição, por isso prestamos contas e zelamos pela seriedade e relevância dos serviços. A comunidade é nossa grande parceira”, definiu a diretora pedagógica e administrativa Maria Helena Alcântara. Ela ajudou a fundar a Apae-DF, pois era professora do ensino especial e identificou a necessidade de ter um espaço como esse para seus alunos se desenvolverem.

O foco da Apae é a colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A associação tem parceria com órgãos como Câmara dos Deputados e Senado Federal, e com a Universidade de Brasília, para empregar, por meio de contratos especiais, homens e mulheres.
Maria Helena Alcântara (ao centro), diretora administrativa e pedagógica da Apae-DF: foco na colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Maria Helena Alcântara (ao centro), diretora
administrativa e pedagógica da Apae-DF:
foco na colocação de pessoas com
deficiência no mercado de trabalho
Alavanca também a prática do esporte profissional, com academias voluntárias e centros olímpicos. A lista de medalhistas que saíram dali cresce a cada dia. Na Apae, sempre é tempo de descobrir talentos.

FUNDAÇÃO
1964

Missão
Promover e articular ações de defesa de direitos e prevenção, orientações, prestação de serviços, apoio à família, direcionadas à melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária.

Onde fica
SEPN 711/911, Conjunto E

CONTATO
(61) 2101-0460

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Casa Azul Felipe Augusto


 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Uma mensagem simples inspira a caridade na Casa Azul. “Em alguns momentos da vida, o melhor é se importar.” Quem doa qualquer quantia ou passa algum tempo com as crianças, mais do que proporcionar alimentação adequada ou educação, demonstra envolvimento com o futuro de cada um dos 900 alunos educados nesse espaço por dia.

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Os trabalhos são divididos em programas. O Crescer atende crianças de 4 meses a 6 anos, em formato de creche e educação infantil. O Construindo Vidas recebe famílias para cursos e atividades como artesanato. Já o De Olho no Futuro oferece a adolescentes educação profissional e o Brincando e Educando dá reforço escolar e incentiva a prática de esportes.

Como na maior parte dos projetos sociais, a história pessoal do criador se mistura com a do lugar. A Casa Azul começou com o desejo de Daise Lourenço Moisés de ajudar a quem precisa. Depois de perder o filho Felipe Augusto, que tinha, à época, 16 anos, essa vontade aumentou. “Foi uma forma de enxergar a dor do outro e esquecer um pouco a minha. Quando vemos os problemas que existem, aceitamos um pouco melhor os nossos”, diz. A decisão de chamar o local de Casa Azul veio de um sonho. “Tinha uma amiga, parceira nessa vontade de ajudar, que sonhou com duas mãos que apontavam uma casa azul”, relata Daise.

Em 2011, a casa encerrou convênio com o governo local. A partir daí, passou a depender ainda mais de doações. Enfrenta dificuldades para manter a qualidade do ensino e assistência que oferece às famílias.

Após perder o filho, Daise Lourenço fundou a Casa Azul e transformou dor em caridade: Quando vemos os problemas de outros, aceitamos melhor os nossos, diz (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Após perder o filho, Daise Lourenço fundou
a Casa Azul e transformou dor em caridade:
Quando vemos os problemas de outros,
aceitamos melhor os nossos, diz
Os salários dos mais de 20 funcionários não podem atrasar, assim como as contas de água, luz e a compra de alimentos. Ao aderir a um projeto chamado Entrando na Roda, doando R$ 200 por mês, a pessoa garante a permanência de um “afilhado” na creche pela manhã e à tarde.

Quem quiser ajudar deve assinar um termo por meio do qual se responsabiliza a contribuir durante o ano inteiro. Afinal, as aulas não podem ser interrompidas.

FUNDAÇÃO
1989

 

Missão
Ser um espaço prazeroso e de referência no atendimento a crianças e adolescentes, voltado para a formação humana, solidária e cidadã. Promover melhoria da qualidade de vida e inclusão social

Onde fica
QN 315, Conjunto F, Samambaia

CONTATO
(61) 3359-2098



Casa de Ismael

Valdemar Martins da Silva preside a Casa de Ismael há 22 anos: lares sociais para reconstruir a vida de crianças abandonadas (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Valdemar Martins da Silva preside a Casa de Ismael há 22 anos: lares sociais para reconstruir a vida de crianças abandonadas

Cuidar de quem a vida não cuidou: esse é o objetivo da Casa de Ismael, na Asa Norte. A iniciativa surgiu em Taguatinga, como ramificação de um centro espírita. O fundador, Adelmo das Neves, idealizava trabalhar com crianças e idosos por princípios religiosos.

O nome da instituição veio da leitura do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, do espírito Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier. Nele, falava-se sobre o espírito de Ismael, que teria recebido de Jesus a missão de evangelizar o Brasil.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Desde 1968, a Casa de Ismael funciona como um departamento autônomo do centro espírita O Consolador. São recebidas crianças a partir dos 2 anos, que podem ficar até os 18, se for preciso.

O lar divide-se em cinco tipos de serviços, com 430 beneficiados. A creche tem convênio com a Secretaria de Educação, o que não é suficiente para sustentar as crianças mensalmente.

O abrigo, também chamado de acolhimento, recebe crianças órfãs ou que foram afastadas de suas famílias por problemas como pobreza extrema ou violência. Há várias casas iguais espalhadas pelo terreno. Cada uma das residências têm duas funcionárias chamadas de mães sociais.

“Adotamos esse padrão para dar a essas crianças um formato mais parecido com o de uma família”, esclarece o presidente da casa, Valdemar Martins da Silva. Há ainda o programa de convivência social, no qual crianças de 6 a 14 anos fazem atividades complementares às da escola; o ensino profissional e o programa de orientação sociofamiliar, no qual psicólogos e outros profissionais visitam as famílias.

Cerca de 60% de toda a verba da Casa de Ismael vem de doações. Fora a ajuda de voluntários. Valdemar, que preside a instituição há 22 anos, é um deles. “Alguém tem de fazer algo pelas crianças que estão em desvantagem perante a sociedade. A Constituição está cheia de direitos, mas quem os executa?”, questiona.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
FUNDAÇÃO

1964

Missão
Cuidar e educar crianças, adolescentes e respectivas famílias, em situação de risco e vulnerabilidade social, mediante sua inclusão na sociedade com qualidade de vida, por meio de uma proposta transdisciplinar e assistência, educação preparação e capacitação para o mercado


Onde fica
913 Norte, S/N / CONTATO (61) 3272-4731

Centro Comunitário da Criança


 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
A vulnerabilidade social que acompanha a pobreza ou a falta de estrutura familiar é digna de atenção especial no Centro Comunitário da Criança e do Adolescente. Por esse motivo, esse espaço serviu como modelo para o projeto de creches públicas do governo do Distrito Federal (GDF), que ainda está em fase de implantação. O próprio governador já visitou o centro para conhecer um exemplo bem-sucedido nesse setor.

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A sede da instituição – que tem outras três filiais – fica na EQNP 9/13, região carente de investimentos, em Ceilândia. “Estamos em uma área perigosa da cidade, mas não usamos cercas, nem muros altos. Mesmo assim, nunca sofremos com a violência. As pessoas nos respeitam e acreditam no nosso trabalho. A comunidade sabe que tudo isso é dela”, orgulha-se a presidente do centro, Hellen Louise Moreira, que herdou da mãe o comando.

O trabalho começou em um galpão, com mulheres da comunidade que precisavam trabalhar, mas não tinham com quem deixar os filhos. Hoje, são quatro casas voltadas para a filantropia, nas quais 900 crianças recebem cinco refeições por dia e têm aulas do ensino infantil, além de acesso a uma biblioteca. O local oferece ainda oficinas de artesanato, de corte e costura para as mães, que aprendem um ofício e complementam a renda.

Ali, o maior destaque é o comportamento sustentável. Da casca à polpa da fruta, nada vai para o lixo. A direção montou horta comunitária e produz boa parte do que é consumido. “Minha mãe (Luzia de Paula) nasceu na roça, mas nunca passou fome. Aprendeu a ser criativa, a aproveitar o talo da couve, a casca da banana e a enriquecer o arroz com casca de abóbora. Fazemos tudo isso aqui e conseguimos economizar em alimentos”, conta Hellen. Depois que Luzia de Paula se tornou deputada distrital, como suplente, a filha assumiu a gerência.

A presidente do Centro Comunitário da Criança, Hellen Louise Moreira: A comunidade sabe que tudo isso aqui é dela (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
A presidente do Centro Comunitário da
Criança, Hellen Louise Moreira: A comunidade
sabe que tudo isso aqui é dela
No Distrito Federal, há 42 entidades filantrópicas registradas pelo Conselho de Assistência Social (CAS), ligado à Secretaria de Transferência de Renda (Sedest), ou à Secretaria de Educação. Uma delas é o Centro Comunitário da Criança. Outras 80 esperam pelo cadastro para receber verba do governo. A administração pública repassa, em média, R$ 500 por criança.

FUNDAÇÃO
1986

Missão
Atender crianças carentes da comunidade e suas famílias, promover o desenvolvimento físico-psicológico e social, em distinção de cor, raça, condição social, credo político ou religioso, de forma gratuita, diária, planejada e sistemática, não se restringindo apenas a distribuição de bens  benefícios ou encaminhamentos

Onde fica

913 Norte, S/N

CONTATO

(61) 3272-4731

Creche Maria de Nazaré (Cenol)

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Quem olha a Creche Maria de Nazaré pode não acreditar, mas até meses atrás ela não tinha condições para receber crianças e educá-las. Hoje, há paredes coloridas, salas cheirando a tinta de tão novas e as mesas e cadeiras infantis estão para chegar.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
A creche começará 2013 com ânimo e instalações renovados. Antes, podia atender menos de 40 crianças. O número aumentou para 60, graças às doações recebidas esse ano. Um dos principais parceiros do local é o programa Correio Solidário, do jornal Correio Braziliense.

Antes da creche, o Centro Espírita Nosso Lar, onde fica a instituição, já mantinha outros programas de cunho social, como a distribuição de alimentos e o curso que ensina a gestantes como fazer o próprio enxoval. “Todos os dias alguém pede ajuda na porta do Cenol. Nosso intuito, porém, é ensinar uma profissão, nada aqui é dado de graça: se as mães querem cesta básica, ajudam na limpeza, por exemplo. Queremos criar valores, e não apenas prestar assistência”, explica a coordenadora da creche, Valda Moreira. O fundador do projeto, Raimundo Nonato, segue à frente da presidência da casa.

Raimundo Nonato cuida da Creche Maria de Nazaré, é exemplo 
de persistência, apesar da falta 
de recursos: Queremos criar valores (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Raimundo Nonato cuida da Creche
Maria de Nazaré, é exemplo de
persistência, apesar da falta de
recursos: Queremos criar valores
O Cenol avalia a situação das famílias com visitas domiciliares antes de aprovar o ingresso das crianças. Além disso, somente mães que trabalham fora podem deixar os filhos ali. “Se não, perderia a função de ajudar, de dar total apoio para que elas possam trabalhar para oferecer condições melhores de vida à família”, conta Valda. Fora as crianças da creche, outras 45 crianças recebem atendimento no turno contrário ao da escola.

A manutenção da creche, considerando salários dos funcionários, alimentação, água, luz, telefone, transporte e limpeza, entre outros gastos, custa cerca de R$ 15 mil mensais. Só é possível honrar compromissos com a contribuição de pessoas físicas e empresas. “O que mais precisamos agora é de dinheiro, pois há contas a pagar”, diz Valda.

FUNDAÇÃO
1978

Missão
Atender às necessidades das mães que precisam trabalhar para manter o seu sustento
e não têm como nem onde deixar os seus filhos enquanto estão fora de casa

Onde fica
Área especial, Lote 19, Setor Central, Lado Oeste, Gama

CONTATO (61) 3556-0239

Idinaldo Mirabeau de Oliveira, fundador 
da Lamana: A caridade é o que enche minha alma (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Idinaldo Mirabeau de Oliveira, fundador
da Lamana: A caridade é o que enche
minha alma
Lar Assistencial Maria de Nazaré
(Lamana)

“A arte deve ser o belo criando o bom.” A frase estampada em um painel na parede da sala de música do Lamana descreve bem a função daquele lugar. A citação é atribuída a André Luiz, psicografado por Chico Xavier. No mesmo recinto, ocorrem as aulas do projeto Formando Músicos para a Vida Toda. Nele, crianças e adolescentes de baixa renda se envolvem, a maioria pela primeira vez, com instrumentos musicais de percussão e metais.

As 116 crianças de 2 a 5 anos matriculadas ali também assistem a aulas da educação infantil, graças a um convênio com a Secretaria de Educação do DF. Os mais velhos fazem curso de informática, oficinas e ganham reforço para disciplinas aprendidas no colégio.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Há ainda previsão de ministrar curso profissionalizante de design gráfico para os adolescentes, mas antes disso é preciso conseguir computadores e os programas adequados. O Lamana também sobrevive de doações. São 140 contribuintes fixos. “O voluntariado é o que toca a obra. Nunca temos o recurso necessário de outra maneira”, explica o presidente do lar Idinaldo Mirabeaude Oliveira.

Há 11 anos, ele fundou o lar depois de uma intuição espírita. “Estava no Rio Grande do Norte, na praia, e um homem idoso se aproximou de mim. Disse que eu devia fundar algo ligado a Maria de Nazaré. Sugeriu que fosse um lar assistencial. Era um espírito”, relata. Doutrinado nessa crença, Idinaldo seguiu à risca o conselho. “O trabalho no Lamana é o que enche minha alma de satisfação. É minha própria vida”, diz.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
O sonho de Idinaldo é apoiado por gente que  acredita na caridade. Há cozinheiros, contadores de história, médicos, assistentes sociais e psicólogos voluntários que atuam no Lamana. Tudo isso para fornecer uma rede de apoio às famílias. Mais de 90% dos alunos não têm sequer renda fixa familiar. A maioria são filhos de mães solteiras, que trabalham como domésticas. No Lamana, são consumidos 10 kg de arroz por dia e 9 kg de feijão. Uma fome que só a solidariedade pode saciar.

FUNDAÇÃO
2002

Missão
Ser um local que apoie o desenvolvimento das aptidões humanas, visando gerar nas pessoas dignidade e objetivos definidos para uma vida plena e para que possam se sentir sujeitos do contexto da inclusão social

Onde fica
QS 608, Conjunto A,
Lotes 1/3, Samambaia

CONTATO
(61) 3034-4118

Lar da Criança Padre Cícero

Quando tinha 3 anos, Maria da Glória foi abandonada pela família na porta de uma igreja, em Juazeiro do Norte (CE). Os outros seis irmãos tiveram destino parecido e foram entregues a famílias da região. Glorinha, como ficou conhecida, tornou-se filha do sacristão da paróquia, que por sua vez era filho adotivo de um ícone religioso, o padre Cícero, considerado milagroso pelo povo de Juazeiro.

Ela não conheceu o avô de consideração, morto em 1934, mas nutre por ele carinho genuí-no. Glorinha parece ter a caridade correndo nas veias. Há quase 40 anos, mantém uma creche e abrigo em Taguatinga. O lar leva o nome do avô.

Maria da Glória sustenta centenas de meninos 
e meninas no Lar daCriança Padre Cícero: 
de criança abandonada a presidente de um abrigo (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Maria da Glória sustenta centenas
de meninos e meninas no Lar da
Criança Padre Cícero: de criança
abandonada a presidente de um abrigo
O abrigo recebe crianças encaminhadas pela Vara da Infância que estavam em situação de risco junto aos pais biológicos. São quase 40 meninos e meninas, alguns com menos de 1 mês de vida. “Sempre que um deles vai embora, a gente chora”, diz Maria da Glória, enquanto cuida dos pequenos. A maior parte retorna à família biológica.

O restante segue para adoção. Na creche, outros 300 são atendidos e ao fim do dia voltam para casa. Ali, além da educação infantil, elas aprendem informática e têm noções de cidadania.

O trabalho social começou na casa de Glorinha. Ela cuidava de 90 crianças de rua e arrecadava alimentos para 400 famílias. Pouco tempo depois, o lugar se popularizou e passou a receber dezenas de meninos e meninas abandonados. Glorinha criou, como se fossem seus filhos, 36 dessas crianças.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Hoje, quase todos trabalham no abrigo e creche. “Nossos pais nos deixaram à porta dela. Hoje me considero uma pessoa de sorte por ter encontrado uma nova mãe. Devo tudo a ela”, disse Paulo Roberto Pereira de Lima, de 32 anos, que atualmente é coordenador financeiro do abrigo. O lar sobrevive de doações, apesar de manter convênio com o governo local.

FUNDAÇÃO
1974

Missão
Acolher, resgatar e devolver
a criança à sociedade. Fazer um trabalho de resgate de valores, não só com a criança, mas com toda a família

Onde fica
QNG 27, AE 4

CONTATO
(61) 3354-8290

Lar dos Velhinhos Maria Madalena

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
O sorriso infantil estampado no rosto de Jorgina Gonçalves, de 83 anos, contrasta com os olhos melancólicos de quem viu muito. Mapeada pelas linhas do tempo, a feição permanece feliz, a não ser nos momentos em que Jorgina relembra o passado.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
De tudo que ficou para trás, o que mais incomoda é não ter com quem dividir histórias. Quando alguém lhe dá atenção e afeto, o papo se estende até onde a memória alcança. Jorgina aprendeu a ser grata. Agradece até por ser ouvida.

Coordenadora do Lar dos Velhinhos Maria Madalena, Michele Aparecida é enfática: Se não fosse pela caridade, isso tudo não existiria (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Coordenadora do Lar dos Velhinhos
Maria Madalena, Michele Aparecida
é enfática: Se não fosse pela caridade,
isso tudo não existiria
Há 10 anos, ela vive no Lar dos Velhinhos Maria Madalena. “As pessoas nos doam alegria. A gente é ensinada a não pedir nada a quem nos visita, mas tudo que vem é aceito com muita felicidade”, conta.

No último Natal, Jorgina recebeu um celular de presente. Guardou-o com zelo. Outros itens mais baratos, como cobertores e roupas de frio, parecem ter o mesmo valor. “Quanto mais a gente ganha, mais eles (doadores) são abençoados”, diz Jorgina.

Uma centena de idosos vive abrigada ali. O local é arborizado e tem grama verde, tudo para amenizar a sensação de estar em um abrigo. O terreno tem 35 mil metros quadrados e divide espaço com o Instituto de Gerontologia de Brasília (IGB) e com a Creche Irmã Elvira.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Os idosos ficam alojados em três pavilhões distintos – um só para homens, outro para as mulheres e um terceiro para aqueles que não têm mais condições de se locomover. O lar foi fundado por Jorge Cauhy, que morreu em 2005 e era espírita, cuja doutrina religiosa prega a caridade como forma de salvação.

O lar dispõe de uma sala equipada para fisioterapia, onde quem é encaminhado pelo médico recebe massagens e faz ginástica. Durante todo o dia, há atividades como pintura, filmes e crochê. Tudo isso, é mantido principalmente com doações. “Não precisamos comprar arroz e feijão, por exemplo.

Nossos doadores garantem essa parte. Mas quase não chega carne, peixe e também material de limpeza. Todo mês publicamos um balanço na internet para dizer do que precisamos. Se não fosse pela caridade, isso tudo não existiria”, avalia a coordenadora do lar, Michele Aparecida. Também está em falta algo que não cabe em prateleiras nem se vende em supermercado: o ombro amigo e a fraternidade.

FUNDAÇÃO

1980


Missão
Abrigar idosos desamparados, dando atendimento integral nas áreas de saúde, higiene, alimentação, medicamentos e habitação

Onde fica

SMPW, Quadra 3,
AE 1 e 2, Park Way

CONTATO
(61) 3552-0504 e 8131-6084




Vida Positiva

Vicky Tavares é chamada de avó pelos garotos da Vida Positiva: amor para vencer o preconceito (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
Vicky Tavares é chamada de avó pelos garotos da Vida Positiva: amor para vencer o preconceito

A felicidade pode ser sentida nos corredores da casa onde funciona a Organização Não Governal Vida Positiva, voltada para cuidado de pessoas com HIV. Ali, o preconceito só existe das paredes para fora. Dentro, é esquecido em almoços felizes, com tempero carinhoso, no beijo sincero e no abraço amigo. Só o que contagia é o afeto.  Nada lembra uma instituição comum no quintal da casa, na 711 Sul.

Durante o dia, 17 meninos e meninas portadores do vírus HIV convivem no imóvel alugado pela fundadora da ONG, Vicky Tavares. Nove moram na casa. Outras 45 famílias de pessoas com HIV, de baixa renda, recebem remédios e alimentação. Assim é há seis anos.

A ONG funcionava em Taguatinga e, há cerca de um ano, foi transferida para a Asa Sul pela proximidade com hospitais e postos. Vicky Tavares não é portadora do vírus da Aids, mas se dedica à causa há décadas. Seu primeiro contato com a doença foi ao ver um amigo morrer, nos anos 1980. “Ele se chamava Duda e era cabeleireiro. Cuidava das mulheres mais ricas de Brasília. Começou a definhar e descobriu que tinha Aids. Eu vi Duda morrer praticamente sozinho. Ninguém se aproximava por preconceito. Eu cuidava dele”, relata.

Depois da morte do amigo, Vicky conheceu um trabalho social e o transformou na Vida Positiva. Lembra-se de uma das primeiras crianças que cuidou. “Marina (nome fictício) tinha 9 anos e pesava 9 kg. Ficava jogada em um canto, deixada para morrer. Nós cuidamos dela. Hoje, tem a carga viral zerada, leva uma vida normal, faz poesia e namora”, comemora vovó Vicky.

Uma das meninas, Vicky adotou legalmente. “Ela estava quase morrendo e eu disse a Deus: se ela sobreviver, será minha filha”. E assim foi. A Vida Positiva sobrevive de doações. O aluguel da casa custa R$ 2,2 mil. A conta de água não sai por menos de R$ 1 mil. “Eles têm total assistência de saúde, roupas boas e estudam”, conta Vicky. Ela vende farofa para ajudar na arrecadação. A receita leva cebola, passas ou castanha-do-pará. Há quem diga que a mistura tem gosto de amor.

 (Minervino Junior/ Encontro/ D.A Press)
FUNDAÇÃO

2006

Missão
Atender crianças e adolescentes que vivem ou convivem com HIV-Aids, em acolhimento institucional e regime socioeducativo

Onde fica

711 Sul, Bloco Q, Casa 4

CONTATO

(61) 3034-0040

Seja doador!

Fale com o Ministério Público, tire dúvidas, consulte a situação de instituições e denuncie falsas iniciativas que arrecadam dinheiro em nome da caridade: www.mpdft.gov.br/fundacao/.do e nelsonf@mpdft.gov.br.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017