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Brasilienses do ano I Capa »

Eles fizeram a diferença

Da redação - Redação Publicação:22/01/2013 14:14Atualização:28/01/2013 15:49

 

Em 2012, seu 52º ano de vida, Brasília enfrentou inúmeros desafios nas mais diversas áreas. E assistiu a brasilienses se apresentarem para ajudar a enfrentá-los. Se a cidade precisa de maior segurança, melhor saúde, mais apoio à cultura, incremento do cuidado com o meio ambiente, são os cidadãos que vivem nela os únicos capazes de transformar a realidade.

Entre os muitos que contribuíram para melhorar o espaço em que vivem, Encontro Brasília escolheu 14 para contar suas histórias de sucesso. É o caso da luta contra o câncer infantil da presidenta da Abrace, Ilda Peliz, destaque do ano em ação social. E também das personalidades do ano, os ministros do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e Ayres Britto, que ao cumprirem corajosamente o dever de julgar um dos maiores casos de corrupção do país ganharam legiões de admiradores no país.

Conheça mais sobre os três e outros onze importantes protagonistas da história recente da capital federal.

 

AYRES BRITO

por José Carlos Vieira

 

Apesar de ter ficado à frente do Supremo Tribunal Federal por apenas sete meses, o ministro liderou o mais importante julgamento político do Brasil. Foi firme e conciliador, mas não abdicou da poesia.

'Minha trajetória de vida, inclusive no Supremo, sempre foi marcada por atração e repulsão', diz o poeta Ayres Britto, ministro aposentado (Adauto Cruz / CB / DA Press)
"Minha trajetória de vida, inclusive no
Supremo, sempre foi marcada por atração
e repulsão", diz o poeta Ayres Britto,
ministro aposentado
A primeira impressão ao conversar com Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto é a de que se está diante de um homem finamente simples, em seus movimentos, gestos e até nas escolhas das palavras. Responsável por comandar o Supremo Tribunal Federal (STF) entre abril e novembro de 2012, ele teve pulso firme para uma gestão marcada por julgamentos polêmicos e importantes.

Ministro na Corte há nove anos, foi no período em que Ayres Britto esteve na presidência que foi julgada a ação penal contra os 38 réus suspeitos de envolvimento no esquema de compra de votos parlamentares em troca de apoio político ao governo Lula, conhecido como mensalão. Ganhou fama de conciliador ao apaziguar os ânimos exaltados do então relator Joaquim Barbosa e do revisor Ricardo Lewandowski, mas se aposentou compulsoriamente no último mês de novembro, depois de completar 70 anos, e deixou para o sucessor a missão de concluir o processo.

Vegetariano e adepto da meditação, ele se deixa levar por uma paixão: a poesia. Nascido em Propriá, no Sergipe, numa família de 11 irmãos, apaixonou-se pelos versos na infância. “Minha mãe gostava de arte, tocava piano e violão. Meu pai era um juiz e integrava a Academia Sergipana de Letras. Com 12 anos, já escrevia poesia, porém, tinha mais intimidade com a filosofia”, destaca.

Ayres Britto se destacou como um ministro moderno. Gostava de usar frases e poemas em seus despachos, de Chico Buarque a Fernando Pessoa, ainda que não agradasse a todos. “Minha trajetória de vida, inclusive no Supremo, sempre foi marcada por atração e repulsão. Há pessoas que adoram meu jeito de ser, me acham leve, mais novo. Outras não aceitam o meu modo dual de ser, poeta e jurista, acham que uma coisa briga com a outra.”

Pronto para lançar seu sétimo livro de poesia, com o título de DNAlma, ele se mostra otimista. Será a obra mais volumosa, que incluirá pequenos poemas, os oximoros, e longos trechos poéticos. “Gosto dos oximoros, um tipo de verso curto, impactante, aparentemente paradoxal, que corresponde a um transitar por um fio de navalha, entre o lógico e o ilógico.”

Ayres Britto ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe em 1962, onde fez também pós-graduação em aperfeiçoamento em direito público e privado. O mestrado e o doutorado em direito constitucional ele concluiu na PUC de São Paulo.  Foi professor de direito em universidades e publicou obras jurídicas. Entre suas metas para 2013, está o convívio com os integrantes da Academia Brasiliense de Letras, onde ocupa uma cadeira. Diz que gosta do ambiente acadêmico, onde o clima é de instigação criativa. “Em tudo o que faço, já não faço questão de ser reconhecido. O que faço questão é de me reconhecer.” A poesia agradece.

JOAQUIM BARBOSA

por Helena Mader

 

A história de vida do primeiro negro a presidir o Judiciário brasileiro o transformou em
um exemplo de perseverança para os brasileiros e em uma espécie de ícone da luta contra a corrupção

A cega determinação, aliada à inteligência prodigiosa, fez com que Joaquim Barbosa derrubasse todas as estatísticas e os prognósticos que o afastavam de seus sonhos (Breno Fortes / CB / DA Press)
A cega determinação, aliada à inteligência
prodigiosa, fez com que Joaquim
Barbosa derrubasse todas as estatísticas
e os prognósticos que o afastavam de
seus sonhos
Nas ruas pobres do bairro do Santana, em Paracatu (MG), o menino Joaquim Benedito Barbosa Gomes sonhava em ser doutor. O desejo do garoto negro, de família humilde e aluno de escola pública parecia inalcançável. As horas vagas eram escassas e a rotina,  dura: ele dividia o tempo entre os estudos e o trabalho na olaria do pai. Mas a determinação aliada à inteligência prodigiosa fez com que Barbosa derrubasse todas as estatísticas e prognósticos que o afastavam de seu sonho.

Ele está na mais alta Corte de Justiça do país. Com o julgamento do mensalão, do qual foi relator, o ministro Joa-quim Barbosa ganhou notoriedade. Em novembro de 2012, chegou ao topo: tomou posse como o novo presidente do Supremo Tribunal Federal e passou a ser o quarto nome na linha sucessória da República. Primeiro negro a presidir o Judiciário, teve de superar muitas barreiras. O racismo, inclusive. Antes de ingressar no Ministério Público, ele queria ser diplomata. Foi oficial de chancelaria e serviu na embaixada brasileira na Finlândia. Fez o concurso do Instituto Rio Branco e passou com folga nas etapas. Acabou reprovado na entrevista, o que atribui à cor da pele.

A pobreza é outra trincheira derrubada na trajetória de sucesso. A mãe do presidente do Supremo, Benedita, é dona de casa e se dedicou à criação dos oito filhos. O pai, Joaquim, era pedreiro e teve uma olaria. Primogênito da família, trabalhou no negócio do pai, mas nunca desgrudou dos livros. Os amigos contam que, desde pequeno, ele tinha certeza de que seria advogado.

Aos 16 anos, Joaquim Barbosa deu um passo ousado para realizar o seu sonho. Foi morar com uma tia na periferia da capital federal. Concluiu o ensino médio no Centro Educacional Elefante Branco e, em 1975, em meio à ditadura militar, passou no vestibular de direito da Universidade de Brasília (UnB). Na mesma instituição, fez mestrado em direito e estado e logo seguiu para a França. Saiu de lá com três diplomas de pós-graduação. Domina o francês, o inglês e alemão.

Em 2003, Lula não conhecia Barbosa, mas se impressionou com o currículo do então procurador e fez o convite para uma vaga no STF. Havia na época o interesse de trazer um negro para a Suprema Corte, mas Barbosa não gosta de associar a nomeação à cor de sua pele. Três anos depois, ele assumiu a relatoria da denúncia contra os acusados do mensalão. Desde o início do julgamento, deixou claro seu estilo e rigor. Proferiu votos duríssimos em prol da condenação de réus e se transformou em uma espécie de ícone da luta contra a corrupção. Nas redes sociais, são comuns manifestações de admiração e internautas que pedem “Joaquim Barbosa para presidente do Brasil”. A fama causa certo incômodo ao ministro, que desmente qualquer pretensão política.

ELLEN OLÉRIA

por Gabriela de Almeida

 

Ao vencer o reality show global The Voice Brasil, ela estourou nacionalmente. O país finalmente conhece “a voz” que já cativara os brasilienses

Ninguém segura: denominada como 'Pelé da voz' por Carlinhos Brown, a performática Ellen Oléria é também atriz e compositora (Monique Renne/CB/D.A Press)
Ninguém segura: denominada como
"Pelé da voz" por Carlinhos Brown, a
performática Ellen Oléria é também atriz
e compositora
Criada em uma fazenda em Uruaçu, município localizado a 249 km de Brasília, Eva de Castro se mudou com a família para a capital do país aos 21 anos. Filha do violeiro Valdemar da Silva, passou toda a sua influência musical para os filhos Eliene, Adailson e Ellen Oléria em canções de ninar. As modas de viola embalaram as crianças. Dos três, quem decidiu abraçar a música foi Ellen Oléria, a cantora brasiliense mais comentada dos últimos meses.

Participante do reality show The Voice Brasil (TV Globo), Ellen alcançou fama nacional ao ganhar o prêmio de “a voz” e garantir um contrato com a Universal Music, um carro zero-quilômetro, R$ 500 mil e a apresentação no réveillon de Copabacana, no Rio. No palco, estavam seu lado os músicos Paula Zimbres, Célio Maciel, Felipe Viegas e Pedro Martins, que juntos formam a banda a Pret.utu. Ao resumir o que achou dela, Carlinhos Brown disse que ela é a “Pelé da voz”.

A voz de Brasília também cresceu sob o feitiço da sanfona do pai Adalvêncio. Os olhos da menina criada no Chaparral (entre Taguatinga e Ceilândia) brilhavam quando ela ouvia o pai tocar. A mulher-cantora surgiu nos corais de igreja. Profissionalmente, Ellen conta 13 anos de carreira. Depois do The voice, ela vai encarar o desafio de não cair no esquecimento: “A música brasileira não precisa de mim, sou eu que preciso dela. Vou me empenhar bastante”.

O som que costura samba, afoxé, jazz, soul e rap, em letras impactantes, resultou no disco Peça, lançado em 2009. O DVD do álbum, gravado no Teatro Garagem, tem a participação do rapper paulistano Emicida. “Peça é resultado de trabalho duro ao longo dos últimos anos. Para concebê-lo, me vali de cachês de shows, prêmios de festivais e da força do Fundo de Apoio a Cultura”, desabafa Ellen, que venceu como intérprete e compositora  o Prêmio Sesc de Música, em 2006 e 2007.

Formada em artes cênicas pela UnB, deseja voltar aos palcos. “Talvez no cinema.” No teatro, já foi dirigida pelo uruguaio Hugo Rodas em Preciosas Promessas - O Caminho de Amalfi, no qual tomou de assalto o público quando emprestou a sua voz para cantos de escravos. Em 2006, durante performance no festival Cena Contemporânea, artistas comentavam a força de Ellen no palco e a viam como a próxima cantora a estourar, seguindo os passos de Cássia Eller e Zélia Duncan. Seis anos depois, centenas de shows se passaram e a profecia, enfim, se confirmou.

JORGE HEREDA

por Victor Martins

À frente do quarto maior banco do país, ele cumpriu o que prometeu à presidente Dilma:  a Caixa influenciou o mercado a reduzir os juros, expandiu a carteira de crédito e se livrou da inadimplência

Jorge Hereda rebate críticas recebidas em 2012: 'O ano fechou, o mundo não acabou, a inadimplência da Caixa não subiu. Acho que isso muda um pouco o patamar da discussão' (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Jorge Hereda rebate críticas recebidas em 2012: "O ano fechou, o mundo não acabou, a inadimplência da Caixa não subiu. Acho que isso muda um pouco o patamar da discussão"

Quando cursou arquitetura na Bahia, nos anos 1980, Jorge Fontes Hereda não sonhava em se tornar “banqueiro”. Defendia os direitos humanos e acreditava que o urbanismo podia mudar a vida das pessoas. Apesar da vocação, abandonou os desenhos e cálculos para seguir carreira política no PT, decisão que o alçou ao posto de presidente do quarto maior banco do país, a Caixa Econômica Federal, em 2011.

Nascido em 27 de setembro de 1956, o presidente da Caixa é torcedor do Bahia. “Agora, porém, sou Corinthians desde pequeno”, brinca, ao se referir ao patrocínio da Caixa ao time paulista, campeão mundial de clubes. Segundo funcionários, é um homem justo e direto nas palavras. A escolha dele para o cargo foi parte de uma estratégia da presidente Dilma Rousseff, que precisava de um nome de confiança para tocar o projeto que desenhou ainda na campanha. O objetivo era modernizar a Caixa e usar a instituição para influenciar o mercado a reduzir juros de financiamentos e empréstimos.

Hereda cumpriu o prometido: diminuiu o custo das operações e expandiu a carteira de crédito em 2012. “A Caixa fez isso com competência ao baixar o spread (diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que ele cobra ao emprestar). E, assim, ampliou sua base de clientes”, afirma. Nesse processo, porém, Hereda enfrentou críticas. “É impressionante a capacidade que as pessoas têm de falar bobagem. O que era uma grande polêmica agora não é mais. O ano fechou, o mundo não acabou, a inadimplência da Caixa não subiu. Acho que isso muda o patamar da discussão”, diz.

Na visão de Hereda, o grande desafio foi fazer a carteira de crédito e a base de clientes se expandir, principalmente devido ao cenário desafiador aos bancos, com margens de lucros reduzidas. Considera-se vitorioso por ter conduzido esse processo e, ao mesmo tempo, ter contido a inadimplência. “É um crescimento seguro. Em nenhum momento nós tivemos de flexibilizar nossos modelos de risco para expandir as operações”, garante.

ANTÔNIO CARLOS LINS

por Ceília Garcia

Com perfil técnico na área ambiental e jurídica, Lins tem feito mudanças importantes à frente da Terracap: a empresa voltou a alimentar o mercado, sobretudo com o Noroeste, o novo bairro da capital

 De acordo com Antônio Carlos Lins, 2012  foi o segundo ano de maior venda na história da Terracap: 'Passou de R$ 1 bilhão'
 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
De acordo com Antônio Carlos Lins, 2012
foi o segundo ano de maior venda
na história da Terracap: "Passou de
R$ 1 bilhão"
Combater a grilagem e promover o desenvolvimento nas terras do Distrito Federal foram objetivos firmados pelo engenheiro florestal e advogado Antônio Carlos Lins desde que tomou posse da presidência da Agência de Desenvolvimento da Capital (Terracap), em novembro de 2011. Com pouco mais de um ano de mandato, ele diz que está fazendo sua parte para atingi-los. Mas suas conquistas em 2012 vão bem além.

O Noroeste, que está sendo construído desde 2009 em área nobre da capital, começou a sair do papel. A primeira etapa do projeto foi entregue no fim do ano e a visibilidade extrapolou fronteiras: a Terracap recebeu o prêmio Oracle Eco-Enterprise Innovation de 2012, concedido às melhores iniciativas sustentáveis do mundo. “Esse é um marco para Brasília. Não é à toa que tem atingido os preços mais elevados em termos de imóveis no DF”, comenta Lins.

Outro destaque foi a inauguração da Torre de TV Digital. Com 180 m de altura, o cartão-postal, projetado por Oscar Niemeyer, pode ser visto de quase todos os pontos da cidade. É um exemplo de parceria: “Pela primeira vez, concorrentes se uniram para atingir um objetivo, que é muito bom para a sociedade”, comenta Lins sobre o fato de as emissoras de televisão terem adquirido uma antena comum – o que evitou a poluição visual.

Um de seus orgulhos foi ter conseguido regularizar a Estrutural, com cerca de 9 mil lotes. Também em 2012, o presidente criou uma diretoria específica para a área de regularização dos imóveis rurais. A empresa voltou a alimentar o mercado e a Terracap fechou o ano como sendo o segundo de maior venda na história. “Passou de R$ 1 bilhão”, conta Lins. Para o futuro, planeja um programa que levará o plantio de seringueiras às terras ociosas no DF, evitando assim a ocupação ilegal dos terrenos.  A expansão do Polo JK e a implantação de um centro financeiro internacional também estão nos planos.

A princípio, hesitou em aceitar o cargo. “Nunca tive a pretensão de me tornar presidente da Terracap. Não tenho filiação partidária. Mas foi o governador Agnelo me assegurou que precisava de alguém com meu perfil, que conhecesse a área ambiental e jurídica”, relata.

Carioca, Lins começou sua vida profissional como engenheiro florestal em São Felix do Xingu (PA). Depois, foi aprovado em concurso para a Embrapa. Fez mestrado e doutorado na Inglaterra. Foi consultor, professor e orientador na Universidade de Durban, na África do Sul. A experiência na área jurídica veio com a perda do filho mais velho. Às vésperas de completar 18 anos, o jovem foi atropelado e morto por dois rapazes que faziam um racha. Para colaborar com as investigações, estudou direito entre 1998 e 2002. Foi a primeira vez que um homicídio no trânsito foi a júri popular em Brasília.

DARIO GRATTAPAGLIA

por Rodrigo Craveiro

 

Se depender da determinação de Grattapaglia, boa parte da reserva florestal brasileira estará preservada para as futuras gerações. Ele acaba de ser eleito titular da Academia Brasileira de Ciências

Renome: Dario Grattapaglia já conseguiu captar R$ 10 milhões para pesquisas ( Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Renome: Dario Grattapaglia já conseguiu captar R$ 10 milhões para pesquisas
Italiano de nascimento, brasileiro por adoção, brasiliense por afinidade. Dario Grattapaglia é um daqueles cientistas que deixam sua marca em benefício do próximo.

Formado em engenharia florestal pela UnB e pós-doutor em genética pela North Caroline State University, o especialista da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia foi eleito em dezembro membro titular da Academia Brasileira de Ciências, por suas contribuições científicas e tecnológicas na genética florestal e pelos avanços pioneiros na genética de populações de espécies florestais nativas e plantadas.

Um reconhecimento a quem trabalha pela conservação da natureza. “Uma vez que essas espécies têm papel importante no equilíbrio dos ecossistemas e dos biomas aos quais pertencem, a conservação genética delas acaba contribuindo, de forma importante, para a conservação ambiental”, explica o pesquisador.

Suas pesquisas incluem o desenvolvimento de sistemas mais avançados de análise de DNA para árvores usadas na produção florestal, como o eucalipto e a araucária. “A aplicação mais imediata é dar continuidade aos nossos avanços recentes na área de seleção genômica, ou seja, na capacidade de predizer, em idade ultraprecoce, o desempenho de produtividade e a qualidade da madeira de árvores em idade adulta (6 a 10 anos), visando à produção de celulosa, bioenergia e madeira sólida em florestas plantadas”, explica o cientista. O projeto envolve uma parceria com empresas de papel, celulose e aço.

Em 2013, Dario e sua equipe pretendem implantar essa tecnologia genômica no Brasil – um avanço pioneiro na área florestal em nível mundial. Ele já captou R$ 10 milhões para pesquisas. Com 27 anos de carreira, acumula mais de 100 artigos publicados em revistas internacionais especializadas.

Grattapaglia contribuiu, de forma decisiva, para a construção do primeiro mapa genético do eucalipto em 1994. Oito anos depois, concebeu a Rede do Genoma do Eucalipto, que disponibilizou, em 2011, o completo sequenciamento genômico da espécie tropical. Ele garante não existir segredos para o sucesso na área. “Trata-se de trabalhar muito, estudar sempre e, principalmente, saber colaborar o tempo todo, pois a ciência é produzida desta forma”, explica, sem esconder a humildade.

JOE VALLE

por Lilian Tahan

 

Ele apostou nos produtos orgânicos em uma época em que quase não se falava nesse tipo de cultivo. E se deu bem. A Malunga é hoje a marca mais lembrada do país entre produtores de hortaliças.


'Não quero entregar um pé de alface, nosso objetivo é levar um alimento seguro e saudável aos clientes', diz Joe Valle (Ed Alves / CB / DA Press)
"Não quero entregar um pé de alface,
nosso objetivo é levar um alimento
seguro e saudável aos clientes",
diz Joe Valle
Foi com a muda de uma crise que o engenheiro florestal Joe Valle fez brotar o segredo de seu sucesso no campo. Em 1985, ano em que resolveu viver do plantio, teve duas decepções que poderiam ter desviado seu caminho do campo. Durante pulverização em uma cultura de repolho, Joe foi intoxicado com organofosforado, inseticida altamente tóxico para o organismo humano. Chegou a desmaiar e precisou de ajuda para recobrar os sentidos.

A recuperação física, no entanto, não foi o suficiente para manter o negócio. Com a agricultura tradicional, ele quebrou financeiramente. Em vez de desistir, persistiu com uma diferença que se tornou fundamental para sua consolidação no agronegócio. Apostou nos produtos orgânicos, numa época em que quase não se falava nesse tipo de cultivo.

Já matriculado no curso de engenharia florestal da UnB, Joe buscou conhecer mais sobre a técnica que se tornaria em pouco tempo seu meio de vida. Pesquisou atividades que haviam dado certo e montou a Malunga em 1987, fundada junto a uma Associação de Agricultura Ecológica, ainda na ativa.

Ao lado de produtores com o mesmo ideal, montou uma feira na 306 Sul e começou a vender produtos orgânicos. A demanda por hortaliças sem agrotóxico crescia a cada nova crise, como a da Vaca Louca, da febre aftosa e da Gripe do Frango. O pânico da contaminação tornou as pessoas mais dispostas às mudanças de hábito. E o que, no começo dos anos 1990, se apresentava como uma aposta no futuro, firmou-se como realidade.

Com área de 129 hectares, a Fazenda Malunga reúne hoje a força de trabalho de 200 pessoas que produzem por mês 200 toneladas de alimentos, entre hortaliças, leites e laticínios. Ao todo, são 120 produtos vendidos no DF e em Goiás. Para o idealizador da Malunga, o comércio de orgânicos está agregado à qualidade de vida: “Não quero entregar um pé de alface, nosso objetivo é levar um alimento seguro e saudável aos clientes”. Hoje, a Malunga está em todas as redes de supermercado do DF que usam em suas marcas próprias alimentos orgânicos produzidos pela fazenda.

Desde que entrou para política – Joe foi eleito deputado distrital em 2010 –, teve de se afastar da administração da empresa, agora a cargo da mulher, Clevane Valle. O afastamento, contudo, não distanciou Joe do campo, um de seus lugares preferidos para estar nos fins de semana.

O pioneirismo de alimentos produzidos pela Malunga foi reconhecido em uma pesquisa sobre o comportamento do consumidor de alimentos orgânicos no Brasil, realizada pela Organic Services. Em um universo de 350 pessoas em seis estados, inclusive o DF, a marca criada por Joe Valle está entre as cinco mais lembradas do país, sendo a primeira entre produtores de hortaliças.

 
JANETE VAZ
por Rodrigo Craveiro

Sob o comando de Janete Vaz, o Grupo Sabin consolida-se como uma potência na área de saúde, com 107 unidades no Brasil e 1,8 mil colaboradores

Janete Vaz levou seus valores familiares para o Grupo Sabin: gestão e emoção são dois dos pilares da filosofia de suas empresas (Minervino Júnior/Encontro/D.A Press)
Janete Vaz levou seus valores
familiares para o Grupo Sabin:
gestão e emoção são dois dos
pilares da filosofia de suas empresas
Ela chegou a Brasília em 1980 disposta a crescer e a agregar valores familiares ao seu próprio negócio. Farmacêutica bioquímica formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a anapolina Janete Ana Ribeiro Vaz enfrentou o preconceito por ser mulher à frente de um laboratório clínico e pelo escasso conhecimento em administração. Com a ajuda da colega de profissão Sandra Soares Costa, Janete fundou em 1984 o Laboratório Sabin de Análises Clínicas.

A luta pela excelência fez com que as amigas buscassem as melhores referências nacionais e internacionais para otimizarem o negócio. Também se especializaram em administração e gestão de processos e de pessoas, além de investirem na capacitação de colaboradores.

O esforço deu certo. Quase três décadas depois da fundação do laboratório, o Grupo Sabin tornou-se uma potência. São mais de 1,8 mil colaboradores e 107 unidades espalhadas pelo Brasil, além das empresas Sabinvacinas e Sabinbiotec. Os ideais de Janete foram incorporados ao negócio e contribuíram para a criação, em 2005, do Instituto Sabin. Não bastava apenas fornecer análises clínicas de excelência. Era preciso ir além: a entidade começou a promover a qualidade de vida nas comunidades beneficiadas, com ações nas áreas de saúde, educação, cultura, lazer, esporte, pesquisa e meio ambiente.

“Atualmente, vivemos um momento de expansão nacional. O novo e maior desafio é levar nossa cultura organizacional, nosso conhecimento, nosso modelo de gestão e nosso parque tecnológico para as unidades recém-inauguradas”, explica Janete, sócia e presidente do Grupo Sabin. De acordo com a executiva, o negócio é guiado por seis pilares: qualidade, tecnologia, inovação, sustentabilidade, gestão e emoção.

O ambiente saudável de trabalho reflete-se no atendimento ao cliente. “Ao fazer uma coleta de sangue, é natural que as pessoas tenham medo e ansiedade. Por isso, oferecemos um atendimento humanizado (café da manhã, animador para crianças, música ao vivo) para que os clientes saiam satisfeitos”, comenta.

Janete aprendeu com o tempo que, assim como as flores, cada pessoa tem o seu tempo para crescer. Por isso, ela encoraja os funcionários e colaboradores a tirarem seus sonhos da gaveta. “Liderar uma equipe é dar exemplo, fazer junto, ouvir e treinar. Nossas lideranças são orientadas a garantir que todos os colaboradores estejam alinhados e engajados com a estratégia do negócio”, afirma. Um bom líder, na sua opinião, deve cuidar para que sua equipe seja feliz, divertida, amorosa, criativa, cooperativa, atenciosa e motivada.

DEPUTADO PATRÍCIO

por Dominique Lima

 

O mandato de presidente da Câmara Legislativa foi um marco na carreira do deputado Patrício  na estrutura da Casa. O fim dos 14º e 15º salários e a lei da Ficha Limpa são exemplos para o país.

Também conhecido como Cabo Patrício, o político diz que os papéis se confundem: 'Se o deputado não prende de fato, ele tem de combater a corrupção e zelar pelo patrimônio e pelo bem público'
 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Também conhecido como Cabo Patrício,
o político diz que os papéis se confundem:
"Se o deputado não prende de fato,
ele tem de combater a corrupção e zelar
pelo patrimônio e pelo bem público"
O último dos dois anos do deputado Patrício como presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal foi marcado por mudanças na estrutura da Casa. Entre elas, destacam-se as que ocorreram em prol do endurecimento contra práticas antiéticas e corruptas. A mais emblemática foi o fim dos 14º e 15º salários para os deputados distritais. “Foi um marco em resposta ao anseio da sociedade. A decisão sem precedentes no país foi votada por unanimidade”, relata o deputado, que lembra ainda a campanha da população em favor do fim do privilégio, que custava aos cofres públicos R$ 960 mil por ano.

A instituição da lei conhecida como Ficha Limpa para servidores da Câmara, que resultou na exoneração dos condenados pela Justiça, e o fim do nepotismo para deputados e para servidores se somam às medidas em favor da moralidade da Casa.

Outra frente importante de trabalho para Patrício foram os projetos que tratam diretamente da melhora de vida do brasiliense. A primeira foi a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial. Em seguida, a aprovação da lei do regime único para o servidor do governo do DF trouxe maior estabilidade jurídica para a categoria.

Primeiro presidente da Câmara Legislativa nascido no DF, Patrício destaca ainda a austeridade na condução da Casa, que levou à economia de R$ 190 milhões. “Nos dois anos, nós aprovamos todos os projetos estruturantes. Projetos que, em governos anteriores, não tinham sido aprovados ou que tinham alguma mácula que impedia sua aprovação. Assim, acredito que cumpri minha missão.”

Patrício começou a trajetória política em 2001. Então policial militar filiado ao PT, liderou movimento de policiais e bombeiros militares por melhores condições de trabalho. Foi preso por promover greve de militares por 131 dias e, em seguida, foi excluído da corporação. Anistiado em 2010, voltou a fazer parte da polícia. Concorreu à primeira eleição em 2002. Mas só se elegeu, como Cabo Patrício, em 2006, com 19 mil votos. Em 2010, foi reeleito com 22 mil.

Os papéis de policial militar e de deputado, segundo ele, confundem-se. Nas ruas, tinha a obrigação de prender quem cometesse qualquer ilegalidade. Como distrital, a responsabilidade é ainda maior. “Se o deputado não prende de fato, ele tem de combater a corrupção e zelar pelo patrimônio e pelo bem público”, define.

Agora, o deputado quer fortalecer o trabalho iniciado na Câmara. Mesmo fora dela. Nos planos de Patrício, está a expectativa de integrar o secretariado do governador Agnelo Queiroz. “O governador é piloto do DF e eu posso ir para ajudá-lo a fazer o avião decolar. Além disso, em 2013 vou trabalhar diuturnamente para a reeleição dele, compromete-se o deputado.

LÚCIA WILLADINO BRAGA

por Leilane Menezes

 

O ano foi de conquistas para a Rede Sarah. Em 2012, estudantes do mundo inteiro vieram para a capital aprender com Lucinha os segredos de sucesso nos tratamentos conduzidos por ela e sua equipe.

'Estávamos acostumados a buscar referências lá fora e agora invertemos o avião. Europeus vêm estudar aqui', conta Lucinha (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
"Estávamos acostumados a buscar referências lá fora e agora invertemos o avião. Europeus vêm estudar aqui", conta Lucinha

Uma caricatura estampada no quadro branco na parede do escritório de Lúcia Willadino Braga chama a atenção. São os integrantes do Paralamas do Sucesso. O autor dos traços é Herbert Vianna. Enquanto esteve no Sarah, para se tratar após o acidente de ultraleve que o deixou tetraplégico em 2001, ele desenhou e escreveu uma dedicatória para Lúcia. Acostumado a ter fãs, Herbert tornou-se admirador. “O conhecimento da doutora Lúcia está passos adiante do padrão da medicina e traz muita confiança. O talento e sua dedicação aos mais carentes são inquestionáveis”, relatou à Encontro Brasília. Não são poucos os que concordam.

A presidente e diretora-executiva da Rede Sarah, Lucinha, como é conhecida, é uma das neurocientistas mais respeitadas do mundo. É graduada em psicologia e em música, tem mestrado em educação e doutorado em neuropsicologia, pós-doutorado em neurociências. Atualmente, dedica-se a descobrir métodos alternativos de terapia para reabilitar quem sofre com problemas locomotores.

O ano passado foi de conquistas para a Rede Sarah. Estudantes do mundo inteiro vieram para a capital em busca de conhecimento. “Estávamos acostumados a buscar referências lá fora e agora os europeus vêm estudar aqui”, conta. A técnica desenvolvida por ela chama-se método ecológico de neurorreabilitação. Significa usar o que é familiar à pessoa para reabilitá-la. Com Herbert Vianna, a música foi o estímulo. “Família ou amigos são envolvidos. Eles participam, com apoio profissional. Trata-se de transferir conhecimento. Por isso os resultados são tão significativos.”

Em 2012, o Sarah recebeu 30 mil crianças no programa educativo sobre prevenção de acidentes de trânsito ou domésticos. “Investimos na educação de quem tem o poder de cobrar uma postura mais responsável dos pais. Recebemos os pacientes com toda dedicação, mas seria muito melhor se não fosse necessário tratá-los”, diz. Além de dirigir a Rede Sarah, a doutora se debruça sobre pesquisas e edita revistas científicas.

Neste ano, Lucinha vai divulgar os resultados de dois estudos concluídos em 2012 e que, provavelmente, terão repercussão internacional. Um mostra que, mesmo depois dos 45 anos, é importante aprender habilidades novas, pois o cérebro pode criar redes neurais. O outro analisa os impactos da ampla exposição à internet no cérebro das pessoas.

ILDA PELIZ

por Leilane Menezes

 

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar, fundado e presidido por Ilda Peliz, foi uma das principais conquistas da cidade em 2012. Já foram mais de 257 mil atendimentos


'Hoje, podemos afirmar que em Brasília existe a garantia da assistência à saúde de crianças e adolescentes', comemora a voluntária Ilda Peliz (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
"Hoje, podemos afirmar que em Brasília
existe a garantia da assistência à saúde
de crianças e adolescentes", comemora a
voluntária Ilda Peliz
Quem entra no Hospital da Criança de Brasília José Alencar logo percebe: aquele não é um centro de saúde como os outros. Paredes coloridas, cata-ventos e até um piano compõem a decoração do hall. A intenção é que os pacientes se sintam confortáveis, mesmo durante o tratamento contra o câncer e outras doenças. O hospital foi inaugurado em novembro de 2011, mas iniciou as atividades efetivamente em 2012. Até novembro último, foram 257 mil atendimentos.

Construído com doações enviadas à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace), o hospital é mantido com recursos dos governos local e federal. Não teria saído do papel sem o esforço da presidente dessa instituição sem fins lucrativos, Ilda Peliz. Foram R$ 15 milhões investidos nas obras.

Ilda perdeu a filha, há quase duas décadas, para o câncer. Conheceu de perto a realidade de mães que precisam da rede de saúde pública, mas não podem contar com o acesso a seus direitos. Ao transformar dor em compaixão, tornou-se solidária. Ilda não é do tipo que se rende aos problemas.  “O trabalho foi árduo. O hospital ficou três anos com as portas fechadas. Hoje, podemos afirmar que em Brasília existe a garantia da assistência à saúde de crianças e adolescentes”, comemora.

Um hospital nesses moldes era um sonho antigo.  “Antes, era preciso esperar meses, ou até anos na fila por atendimento especializado. Hoje, em 15 dias eles têm consulta marcada, retorno garantido, fazem exames, enfim, tudo que é necessário. É a contribuição para o resgate da saúde de crianças e adolescentes, a garantia de acesso a seus direitos”, afirma Ilda, que não recebe salário.

Erguer paredes brancas e corredores frios não bastava. A vontade de ir além é umas das marcas da personalidade solidária da presidente da Abrace. Ela conseguiu brinquedoteca e reuniu voluntários para alegrar o dia a dia. À época da inauguração, recebeu elogios do governador Agnelo Queiroz: “Este hospital reúne tudo o que há de mais amoroso e humano em termos de cuidados e acolhida”. Em 2013, Ilda terá mais um desafio: concretizar a segunda etapa do Hospital da Criança, com a construção do Bloco 2, com UTIs, centros cirúrgicos e quartos para acomodar pacientes pelo tempo necessário.

CARLA AMORIM

por Dominique Lima

O ano foi de grandes conquistas para uma das mais reconhecidas designers de joia do país. A grife Carla Amorim extrapolou as fronteiras do Brasil e conquistou celebridades internacionais


'A inspiração do meu trabalho vem da arquitetura de Brasília, da natureza e todas as suas formas e de minha religiosidade', conta Carla Amorim (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
"A inspiração do meu trabalho vem da
arquitetura de Brasília, da natureza e todas
as suas formas e de minha religiosidade",
conta Carla Amorim
Agregar à lista de clientes ícones de estilo como a primeira-dama norte-americana, Michelle Obama, e as atrizes Angelina Jolie e Diane Kruger é um feito para qualquer marca no mundo. Em 2012, quem pôde comemorar essa conquista foi a designer de joias brasiliense Carla Amorim. E ela recebeu a notícia com a alegria e a simplicidade que lhe são características. “Tenho muito para agradecer. É uma bênção e o resultado do trabalho de toda nossa equipe.”

Nesse mesmo ano, a marca brasiliense abriu as portas para o mercado do Oriente Médio com novos pontos de venda na Turquia. E conquistou de vez o Leste Europeu, com representantes na Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. Apesar da grande demanda, a designer optou por continuar na cidade onde nasceu. “A inspiração do meu trabalho vem de um tripé: a arquitetura de Brasília, a natureza e minha religiosidade”, conta.
Há 20 anos, que Carla Amorim começou a desenhar joias como hobby. A primeira loja foi aberta dois anos mais tarde, em 1994, e há 12 anos teve início a expansão da marca, que começou em Belo Horizonte. Em seguida, a marca ganhou notoriedade nacional.

As primeiras aparições em novelas contribuíram para a popularidade das joias de Carla. A originalidade e os traços contemporâneos não demoraram a cair nas graças das atrizes. Na lista de clientes fiéis estão Maria Fernanda Cândido, Lília Cabral e Camila Pitanga.

Tamanho crescimento exigiu mudanças. A parte administrativa da empresa se mudou para São Paulo, sob o comando da sócia e irmã, Kelly Amorim, responsável pela expansão internacional da marca, que, em 2012, alcançou 17  países. Um evento em particular chamou a atenção: um jantar beneficente organizado pelas fundações do príncipe Albert de Mônaco e do ex-presidente norte-americano Bill Clinton. Carla doou a gargantilha Coroa Boreal, arrematada pelo ator Joshua Jackson, que presenteou a namorada, a também atriz Diane Kruger, da Alemanha.

CLÁUDIO COHEN

por Leilane Menezes

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional se democratizou como nunca em 2012. O maestro levou músicos para as ruas e pessoas que não conheciam música erudita para o teatro

O maestro Cláudio Cohen tem a nobre missão de oferecer música de qualidade: 'Como órgão público, a orquestra tem de atender à demanda da sociedade' (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
O maestro Cláudio Cohen tem a nobre missão
de oferecer música de qualidade: "Como
órgão público, a orquestra tem de
atender à demanda da sociedade"
O som dos instrumentos passeia no ar até encontrar ouvidos nunca antes explorados pela melodia. As reações vão da conquista imediata ao estranhamento. Na plateia, ora há crianças, com olhos de brincadeira, ora gente mais velha, que se apoia em bengala para não ser traída pelos degraus na Sala Villa- -Lobos. O cenário muda: pode ser no frio do ar-condicionado ou no calor das ruas, em Ceilândia ou São Sebastião. A linguagem é uma só, a música erudita executada pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

O homem à frente dos trabalhos, maestro Cláudio Cohen, é membro fundador do grupo  há 33 anos. Em 2011, escolhido como regente pelos integrantes da orquestra, assumiu a responsabilidade de democratizar o acesso à música erudita. Em 2012, levou músicos para as ruas e pessoas não iniciadas para o teatro. Criou um festival de ópera gratuito, com público de 17 mil pessoas. A média de apresentações da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional dobrou: em 2011, foram 40. No ano passado, 80.

Cláudio Cohen foi o segundo líder escolhido por votação na história da orquestra – o primeiro havia sido Sílvio Barbato, um dos mentores de Cohen, morto em acidente aéreo em 2009. Assumiu a orquestra em um momento de crise. O antecessor, Ira Levin, teve o nome citado em investigações de desvio de verbas. Cohen firmou compromisso com a renovação. “Como órgão público, a orquestra tem de atender à demanda da sociedade.”

No último ano, recebeu título de cidadão honorário de Brasília. Além de ser formado pela Escola de Música, fez direito. Os pais são advogados e a mãe é também pianista. Aos 5 anos, Cláudio já tocava piano e, dois anos depois, conheceu o violino. Estudou também sopro, percussão e violão. O seu maior orgulho é ver a orquestra com olhos mais democráticos. “Não cabe a nós escolhermos o que a população quer ver. Nosso papel é oferecer a música de qualidade.” Para 2013, o maestro promete a mais internacional das temporadas, com intercâmbio entre talentos brasileiros e nomes aclamados no mundo.

ALEX GARCIA

por Nádia Medeiros

 

2012 foi um ano excelente para o ala  Alex. Ele conquistou o tricampeonato do NBB e foi titular da seleção brasileira de basquete, que voltou aos Jogos Olímpicos depois de 16 anos

A carreira de Alex deu um salto com a vinda para Brasília: aqui tornou-se campeão Sul-Americano, da América e tricampeão do Novo Basquete Brasil (NBB)
 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
A carreira de Alex deu um salto com a
vinda para Brasília: aqui tornou-se campeão
Sul-Americano, da América e tricampeão
do Novo Basquete Brasil (NBB)
Pode um único lance, em uma fração de momento, mudar por completo a vida de uma pessoa? No caso de Alex Ribeiro Garcia, ala do UniCeub/BRB, certamente. Era 2003 e Alex, então com 23 anos, protagonizaria um lance que seria capital na sua carreira.

Defendendo a seleção brasileira no Pré-Olímpico de Porto Rico, contra os Estados Unidos, a derrota para os norte-americanos (110 x 76) seria um detalhe. Tim Duncan, então ala-pivô dos EUA, estava na lateral da quadra, pronto para arremessar a bola na cesta brasileira após passe de Jermaine O’Neal, quando o “baixinho” Alex, de 1,91m, emplacou um bloqueio histórico no jogador MVP (jogador mais valioso) da NBA à época, de 2,11 m.

Reza a prosa dos bastidores que foi esse lance que alçou Alex ao melhor basquete do mundo: a NBA. A cereja do bolo, na opinião do ala. Mas Alex não foi parar no San Antonio Spurs na temporada 2003/2004 por causa do toco em Duncan, e, sim, por outras qualidades mostradas em quadra: a raça, que lhe rendeu o apelido de “Brabo”, a força física, a liderança dentro de quadra e, principalmente, a defesa fortíssima. Cada bola, para Alex, merece ser dividida, mesmo que seja só um treino.

A vida na NBA, porém, foi curta, apesar do talento do brasileiro. Duas lesões o impediram de continuar. No fim da temporada 2004/2005, ele voltou para o Brasil e para o time que o havia consagrado entre 1999 e 2003: o COC. Na equipe de Riberão Preto, Alex ficou somente mais um ano, pois o clube foi dissolvido. Os brasilienses que o veem hoje em quadra pelo UniCeub/BRB têm de agradecer, então, ao destino. Se não fosse pelas lesões na NBA e pelo fim da equipe de Ribeirão, Alex provavelmente nunca teria pisado no Ginásio da Asceb ou no Nilson Nelson defendendo o time de basquete da capital.

Com o Universo e depois UniCeub/BRB, Alex tornou-se campeão Sul-Americano, da América e tricampeão do Novo Basquete Brasil (NBB). É querido pelos fãs de basquete. “Sei da importância do time para a cidade e agradeço o reconhecimento.” Morando no Sudoeste com a mulher e as duas filhas, ele se adaptou bem à cidade onde, no ano passado, conquistou o tricampeonato do NBB e foi titular da seleção, que retornou aos Jogos Olímpicos depois de 16 anos. “Hoje gosto da cidade. Sofri, como todo mundo, com a falta de nome nas ruas, com tesourinhas, porém me acostumei”, diz ele, que costuma levar as filhas para andar de bicicleta no Parque da Cidade.

Com contrato assinado com o UniCeub/BRB para esta temporada e mais duas, o paulista sonha em defender a seleção brasileira em mais uma Olimpíada. “Londres foi muito especial. Tínhamos time para ficar entre os quatro primeiros, mas não deu. Para 2016 temos muitos garotos com potencial, e espero estar lá para ajudar”, diz o cão de guarda de Rúben Magnano, atual treinador da seleção. 

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017