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Solidariedade online

O uso das redes sociais ajuda bichinhos perdidos a voltarem para casa. Em Brasília, muitas pessoas têm reencontrado os companheiros graças à mobilização em comunidades virtuais

Thaís Cieglinski - Redação Publicação:18/03/2013 18:44Atualização:18/03/2013 18:55

A publicitária Raphaella Alves Silva recuperou seus dois yorkshires, Manu e Léo, depois 
de uma campanha na internet: final feliz depois de um enredo de trama policial (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
A publicitária Raphaella Alves Silva recuperou seus dois yorkshires, Manu e Léo, depois de uma campanha na internet: final feliz depois de um enredo de trama policial
 

A história da separação de Raphaela Alves Silva dos seus dois cachorrinhos da raça yorkshire teve enredo de trama policial. Em 3 de fevereiro, os simpáticos Manu e Léo acompanhavam a dona em um passeio quando foram barrados em um clube que não aceita a presença de animais. Como precisava resolver um problema no local, a única solução foi deixá-los no carro. Preocupada com o bem-estar da dupla, Raphaella escolheu uma vaga na sombra e deixou parte de um dos vidros aberta. Tarefa cumprida, a jovem retornou ao estacionamento e ficou chocada ao perceber que os dois haviam sido levados por ladrões que arrombaram o veículo.


Apaixonada pelos cachorros, a publicitária acionou as redes sociais para tentar recuperá-los. “Fiquei desesperada e comecei a pensar em uma maneira de encontrá-los. Como já tinha visto muitos apelos na internet, fiz um post no Facebook com fotos deles”, conta. Rapidamente, os amigos começaram a compartilhar a mensagem, que acabou replicada 299 vezes. Ela e o marido ainda espalharam panfletos em algumas cidades do Distrito Federal e do Entorno. Chegaram a fazer promessas e oferecer recompensas. A publicitária deixou endereços de e-mail e números de telefone em busca de qualquer pista.


A mobilização virtual deu certo e, 10 dias depois do crime, trouxe Manu de volta para casa. A pequena foi encontrada no Itapoá. Apesar de ter ficado tranquila ao perceber que a cadelinha estava saudável (só um pouco mais magra e bastante suja) e de comemorar o retorno da mascote, Raphaella não conseguia esquecer de Léo. Foram mais sete dias de agonia até receber a notícia que tanto esperava: o cachorro havia sido encontrado no Paranoá. “Recebemos uma ligação anônima e o meu marido foi até lá para conferir e era ele mesmo”, conta, às lágrimas.

Kátia Paiva, do grupo Bicho Foto, recebe o carinho de Pretinho, ao lado dos novos donos dele, 
Wuanderson e Giselle: antes de escapar do Guará, o cãozinho havia desaparecido de outras duas casas (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Kátia Paiva, do grupo Bicho Foto, recebe o carinho de Pretinho, ao lado dos novos donos dele, Wuanderson e Giselle: antes de escapar do Guará, o cãozinho havia desaparecido de outras duas casas

Feliz com o retorno dos yorkshires, Raphaella está certa de que a campanha na internet foi essencial para o sucesso da missão de recuperá-los. “Quero compartilhar também o final feliz com todos que ajudaram.” Depois de passar pela experiência traumática, ela publicou mensagens agradecendo a ajuda e incentivando outras pessoas que, como ela, passam o drama que ela viveu a não desistirem de procurar seus animais de estimação.


Apesar de também ter mobilizado amigos por meio do Facebook e do Twitter quando o seu gato sumiu, a secretária Simone Marques não conseguiu um retorno tão rápido quanto o de Raphaella. Ela só reencontrou o animal seis meses depois.


Seis meses depois que seu gato Che fugiu pela varanda, Simone Marques conseguiu reencontrá-lo: por sorte, uma vizinha se lembrou da foto dele em uma mensagem virtual (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Seis meses depois que seu gato Che fugiu
pela varanda, Simone Marques conseguiu
reencontrá-lo: por sorte, uma vizinha se
lembrou da foto dele em uma mensagem
virtual
Quando visitou um abrigo para escolher um bichinho para adotar, ela se encantou por um gato preto que chamou a atenção por sua personalidade forte. “Enquanto todos os outros estavam quietinhos, ele pulou em mim. Achei bem ousado, quase revolucionário, e coloquei o nome de Che Guevara”, diverte-se.


Cinco meses depois da adoção, na madrugada de um domingo, ele pulou pela varanda e fugiu.  O apartamento não possuía tela de proteção. “Acordei às 6h, preocupada, e comecei a procurá-lo. Até o meio-dia, fui a várias quadras próximas, mas nem sinal dele”, lembra.


O animal não era castrado e Simome acredita que ele tenha saído à procura de uma fêmea. Nos dias seguintes ao desaparecimento, ela ainda percorreu muitas ruas na esperança de achá-lo. Colou cartazes com foto em petshops e no comércio do bairro. Na internet, colocou fotografias e informações que pudessem auxiliar nas buscas.


O tempo foi passando e, sem notícias, ela acabou adotando outro gatinho. “Tinha prometido que não pegaria mais nenhum bicho, mas não resisti. Coloquei tela no meu apartamento e escolhi um castrado. Já estava conformada de que não o veria mais.” Quando Simone não tinha mais esperanças, veio a surpresa. Em agosto, ela recebeu uma ligação sobre o possível paradeiro de Che. Uma moradora de uma quadra próxima à sua encontrou um gato preto de olhos verdes e se lembrou da mensagem postada na internet.


“Quase não acreditei, pois já havia passado muito tempo, mas fui até lá. Quando o vi, tive certeza de que era ele. Miava alto como de costume”, conta. Apesar de alguns machucados, o estado de saúde era bom.


Um descuido é quase sempre o motivo que leva alguém a perder um animal de estimação. Foi o que aconteceu com Pretinho, um vira-lata adotado por uma moradora do Guará no ano passado.

 

Em dezembro, o cão passeava sem coleira pelas ruas da cidade quando fugiu. “A dona tinha costume de deixá-lo andar solto”, diz Kátia Paiva, que abrigou o animal antes de ele ser encaminhado ao novo lar.


Coordenadora do grupo Bicho Fofo, que ajuda a divulgar informações de bichos que precisam de uma família, assim como de mascotes perdidas, assim que recebeu a notícia, postou em redes sociais os dados e fotos de cachorro. “Em menos de 24 horas, ele reapareceu. Uma pessoa que havia visto o apelo na internet reconheceu o Pretinho”, relembra a funcionária pública. O fujão estava distante cerca de 13 km de onde vivia.


Depois do susto, Kátia procurou novamente uma dona para o vira-lata. Entre as pretendentes estava a empresária Giselle Oliveira, que acabou escolhida para tentar pôr um fim à tendência do bichinho.

 

Antes de escapar do Guará, ele havia desaparecido de outras duas casas. “Fizemos um alambrado demarcando uma grande área para ele circular. Em breve, começará a fazer aulas de treinamento específico para não sair pelo portão sozinho”, diz Giselle. Prevenida, ela também colocou uma coleira com uma plaquinha devidamente identificada com nome e telefone.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017