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Esportes | Modalidades »

Tem até críquete

A cidade eclética, que reúne diferentes propostas e estilos de vida, mostra também variedade quanto à prática de modalidades esportivas, especialmente as que são tradicionais em outros países

Matheus Teixeira - Redação Publicação:22/03/2013 14:34Atualização:22/03/2013 17:57

Críquete candango: Brasília é uma das poucas cidades do país onde há prática contínua do esporte (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Críquete candango: Brasília é uma
das poucas cidades do país onde há
prática contínua do esporte
É errado dizer que o Brasil é o país do futebol. Sim, parece estranho, mas é que a máxima pode até fazer fama no país, mas, para Brasília, não vale! A capital vai bem além do futebol, basquete e vôlei. Especialmente por causa das comunidades estrangeiras, cada vez mais esportes que fazem sucesso lá fora ganham espaço por aqui. Beisebol, badminton, rúgbi, futebol americano, polo e críquete são exemplos desse fenômeno.


O camaronês Cedric Jackson, presidente do Brasília Rugby, conta que seu time surgiu em 2002, quando um grupo formado por peruanos, britânicos e franceses resolveu se juntar para jogar o esporte, que tem tradição em seus países. “No início só tinha estrangeiro. Mas o rúgbi está ficando conhecido. Atualmente os brasileiros predominam no nosso time, e adoramos isso. Queremos que o rúgbi seja grande por aqui também”, diz. Ele conta que a inclusão da modalidade nas Olimpíadas ajudou na divulgação do esporte. “Grandes competições disseminam a prática, que é muito conhecida em alguns países, mas praticamente desconhecida em outros”, avalia.


A estudante Jéssica Perrone conheceu o rúgbi há um ano por influência de uma amiga e se encantou pelo esporte. “Uma colega sempre me convidava para fazer um treino, mas eu nunca ia. Até que, após muita insistência, vim conhecer e não me arrependi”, revela. Ela tem experiência com judô e handebol, porém foi no rúgbi que encontrou o esporte predileto. “Nunca imaginei que isso aconteceria. Quando falavam o nome da atividade eu não sabia nem do que se tratava. Hoje em dia não vivo sem”, diz.

'Se não amássemos tanto o esporte, ele já teria desaparecido do mapa brasileiro', diz Juliene Melo, da seleção brasileira, reclamando da falta de apoio à prática de críquete (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
"Se não amássemos tanto o esporte, ele já teria desaparecido do mapa brasileiro", diz Juliene Melo, da seleção brasileira, reclamando da falta de apoio à prática de críquete

Professor de educação física, Cedric comenta que é normal algumas pessoas não gostarem dos esportes tradicionais. E sempre convida quem não conhece a modalidade para fazer um treino de rúgbi. “Todo mundo que quiser pode vir treinar, estamos abertos a novatos sempre.”


Yuiti Nijama, estudante, é descendente de japonês e começou a jogar beisebol por influência do pai. Ele já foi da seleção brasileira de base e hoje joga por diversão, além de treinar um time feminino de softbol. Ele explica que o softbol é um beisebol um pouco mais leve, com o campo menor e a bola maior, mais fácil de rebater. “Muitas pessoas gostam do beisebol, mas acham o esporte um pouco perigoso, o que realmente é. Mas isso não é problema. Quem tiver medo pode jogar o softbol, que é mais tranquilo e menos cansativo”, convida Yuiti. O consultor de vendas Tiago Masuda jogava beisebol, mas não conseguia manter o preparo exigido pelo esporte. “Mudei para o softbol. É muito parecido e não cansa tanto”, garante.


O presidente da Federação Brasiliense de Beisebol e Softbol, Valter Takahashi, diz que sente falta de políticas públicas que incentivem tais práticas esportivas. Segundo ele, o governo federal tem focado suas ações nas modalidades olímpicas, postura da qual discorda. “As Olimpíadas estão chegando e todo investimento é importante. Contudo, o governo não pode se esquecer de quem não participa da competição. É injusto. A falta de recursos dificulta a expansão de qualquer esporte”, critica.


Para casos como esse, o esporte depende de ações voluntárias como a do empresário Marcelo Nakaudakari, que dá aulas gratuitas de beisebol para as crianças da comunidade Vargem Bonita. “É um trabalho que beneficia a comunidade e também o nosso esporte”, exalta. No início, apenas filhos de conhecidos faziam as aulas, mas Marcelo conta que ultimamente muitos pais têm procurado o beisebol a pedido dos filhos.

Yuiti Nijama é descendente de japoneses e adora o beisebol: já foi da seleção brasileira de base e hoje treina um time feminino de softbol (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Yuiti Nijama é descendente de japoneses e adora o beisebol: já foi da seleção brasileira de base e hoje treina um time feminino de softbol

Histórias de superação não fazem parte somente dos esportes famosos aqui no Brasil. Geraldo Oliveira sequer conhecia o badminton até 2007, quando sofreu um acidente de motocicleta e perdeu o movimento do braço esquerdo. “O fisioterapeuta falou que o badminton ajudaria na minha recuperação. Eu perguntei: O que é isso? Não sabia nem como pronunciar o nome”, conta. A partir daí Geraldo passou a praticar badminton diariamente, pois, além de auxiliar na recuperação, o exercício substituiu sua paixão, o futebol.


O que era para simplesmente ajudar na reabilitação virou um vício.

 “Treino todos os dias”, diz. Além de proporcionar experiências que ele diz nunca ter imaginado. “Vou participar de um campeonato de para-badminton (badminton para deficientes) na Guatemala, no final deste mês. E com o apoio do governo distrital. Não gastarei um centavo”, conta. Geraldo ainda brinca: “Não dizem que há males que vêm para o bem? O meu caso é um exemplo”, conclui.


Cristiano Chew assumiu a presidência da Federação de Badminton de Brasília no ano passado, e diz que o objetivo é massificar o esporte. “Em agosto haverá um curso de capacitação de professores de badminton. Serão 40 vagas. Queremos espalhar esses professores pelo DF”, afirma.


Entre as modalidades estrangeiras praticadas em Brasília, a mais conhecida no país é o futebol americano, que ganha novos times e praticantes a cada ano. E a capital é uma das pioneiras no esporte. Hoje a cidade tem quatro times, sendo um deles um dos melhores do Brasil, o Tubarões do Cerrado.

Geraldo Oliveira joga badminton diariamente por sugestão da fisioterapeuta: o exercício substituiu sua paixão pelo futebol (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Geraldo Oliveira joga badminton diariamente por sugestão da fisioterapeuta: o exercício substituiu sua paixão pelo futebol

Apesar de ser um dos favoritos para ganhar o campeonato nacional deste ano e estar com o time completo, o Tubarões não rejeita novos jogadores, mesmo que ainda não conheçam o esporte direito. “Temos uma espécie de equipe de base, mas sem limite de idade. Quando alguém se destaca ou um atleta do time principal se machuca, usamos como peça de reposição”, explica o jogador Augusto Oliveira.


Enquanto o futebol americano cresce, o críquete patina quando o assunto é espalhar o esporte pelo país. Brasília é uma das únicas cidades em que é possível encontrar gente praticando o esporte. O número de atletas é restrito e, mesmo não tendo tanta estrutura, o time feminino brasiliense Calangos representa o Brasil em competições internacionais.


Carolina Dela Passe, designer de interiores, que faz parte do time, comenta as dificuldades de jogar críquete no Brasil. “Nós trazemos os equipamentos de proteção e o taco de fora, não vende no Brasil”, diz.
Em fevereiro passado o time participou do campeonato sul-americano, mas, se dependesse de incentivos ou patrocinadores, nem teria competido. “Tivemos de comprar nossas passagens para a Argentina. Tiramos o dinheiro do nosso bolso. Se não amássemos tanto o esporte, ele já teria desaparecido do mapa brasileiro”, critica a nutricionista Juliene Melo, que também é da seleção.

Aos sábados, o time de futebol americano Tubarões do Cerrado treina com uma bela paisagem: a Esplanada dos Ministérios (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Aos sábados, o time de futebol americano Tubarões do Cerrado treina com uma bela paisagem: a Esplanada dos Ministérios

Diferente e inusitado: o rúgbi costuma conquistar atletas que não gostam de outras modalidades esportivas (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Diferente e inusitado: o rúgbi
costuma conquistar atletas
que não gostam de outras
modalidades esportivas
A desinformação é outro empecilho para que esportes desconhecidos ganhem espaço no mercado, segundo Fábio Estrela, vice-presidente da Federação Brasiliense de Polo. “Há o mito de que o polo é um esporte muito caro, inacessível. Mas não é bem assim. Alguns esportes têm o custo muito maior e não têm essa fama”, defende.

 

Fábio diz que o Distrito Federal (DF) concentra muitos jogadores de polo (bem mais que a média de outras regiões do país) e acredita que a tendência é de crescimento. “Temos cinco times aqui no DF. Isso não é pouca coisa”, fala. Ele comenta a situação do esporte no país: “Tem campeonato nacional que reúne até 50 times. Estamos mais fortes e competitivos a cada dia”, comemora.

 

MEXA-SE 

 

Onde e quando você pode começar a praticar as principais modalidades de esportes estrangeiros em Brasília.

 

Rúgbi

 

Marcelo Nakaudakari dá aulas de beisebol para as crianças da comunidade Vargem Bonita: 'Beneficia a comunidade e também o nosso esporte', diz (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Marcelo Nakaudakari dá aulas
de beisebol para as crianças
da comunidade Vargem Bonita:
"Beneficia a comunidade e
também o nosso esporte", diz
Onde treinar: Centro Olímpico
da Universidade de Brasília (UnB)

Quando: às terças e quintas-feiras, das 21h às 23h, e aos sábados
das 15h às 18h

Contato: (61) 9288-8726

 

Beisebol e softbol

 

Onde treinar: Setor de Clubes Sul (SCES), Trecho 1, Lote 1, no Clube Nipo

Quando: aos sábados
e domingos à tarde,
a partir das 14h30

Contato: (61) 9984-0621

 

Badminton

 

Cristiano Chew, presidente da Federação de Badminton de Brasília, quer massificar o esporte: capacitação de novos professores de badminton (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Cristiano Chew, presidente
da Federação de Badminton
de Brasília, quer massificar o
esporte: capacitação de novos
professores de badminton
Onde treinar: Centro Interescolar
de Educação Física, na SQS 907/908

Quando: às terças
e quintas-feiras,
das 19h às 21h

Contato: (61) 9966-5888

 

Polo

 

Onde treinar: Setor Militar Urbano,
no 1º Regimento de Cavalaria
de Guarda

Quando: sem dias prédefinidos

Contato: (61) 9979-5911

 

Mito: praticantes garantem que a fama de que o polo é um esporte caro e inacessível é equivocada (Edílson Rodrigues/CB/DA Press)
Mito: praticantes garantem que a fama de
que o polo é um esporte caro e inacessível
é equivocada
Críquete

 

Onde treinar: Setor de Clubes Sul (SCES), Trecho 1, Lote 1,
no Clube Nipo

Quando: às terças, quartas
e quintas-feiras, a partir das 18h

Contato: (61) 8402-7504

 

 

Futebol americano

 

 

'No início só tinha estrangeiro. Agora brasileiros predominam no nosso time', conta o camaronês Cedric Jackson, presidente do Brasília Rugby (Fotos: Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
"No início só tinha estrangeiro.
Agora brasileiros predominam no
nosso time", conta o camaronês
Cedric Jackson, presidente
do Brasília Rugby
Onde treinar: No Setor de Clubes Norte e Esplanada dos Ministérios

Quando: às terças e quintas-feiras,
das 20h às 22h, e aos sábados,
das 15h às 18h

Contato: (61) 8209-5514

 

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017