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Retratos da cidade »

História abandonada

Leilane Menezes - Colunista Publicação:25/03/2013 14:19Atualização:25/03/2013 14:29

 (Luis Xavier de França/Esp. CB/D.A Press)
 

O batismo espiritual de Brasília ocorreu em 3 de maio de 1957, quando Juscelino Kubitschek mandou rezar a primeira missa, para abençoar a construção da cidade. Cerca de 1,5 mil pessoas participaram da celebração. Tempos depois, o espaço onde o fato ocorreu ganhou nome de Praça do Cruzeiro, onde uma cruz marca o ponto escolhido para começar o Eixo Monumental. O lugar está entregue ao acaso. Toda noite, é ponto de consumo de drogas. Restos de garrafas e até seringas são deixados ao redor do Cruzeiro, ao amanhecer. A água suja acumulada em volta da cruz pode servir como reservatório para mosquito da dengue. As administrações de Brasília e do Cruzeiro atribuem a responsabilidade pelo local uma a outra e ninguém soluciona o problema. Enquanto isso, turistas assustam-se com a má conservação.

Piquenique-se

 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)

Escondida entre grandes árvores, em frente ao Palácio do Buriti, do outro lado da rua, a placa indica um novo lugar: o Setor de piqueniques. O letreiro obedece o formato dos tradicionais, que indicam as vias e monumentos de Brasília: é verde com letras brancas e com ares de oficial. Não se sabe, porém, quem encomendou a placa e nomeou o espaço sobre a grama, às margens do Eixo Monumental, com essa finalidade. É certo que a ideia quer chamar a atenção do brasiliense para o melhor uso dos espaços urbanos. É um convite ao brasiliense para desfrutar do verde e da sombra: é de graça e faz bem.

Cidade poética

 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)

É difícil dizer se Brasília é da poesia ou se é ela que é da cidade. Em lugar de papel e caneta (ou teclado e tela), paredes e tinta. Estes itens, somados ao desejo de se expressar, constroem a alma da capital.Versos gratuitos, expostos sem discriminação, estão espalhados pelas tesourinhas, nos muros das mal cuidadas passagens subterrâneas, debaixo de viadutos, nas paradas de ônibus e até no chão, sendo pisados em meio ao vaivém. No túnel para pedestres da 103 Sul, o grande drama cabe em uma frase curta, sem assinatura, na parede. “Paixão é palavra inventada para um suicídio cometido a dois”.A autora é a poetisa brasiliense Patrícia Del Rey, do Coletivo Transverso, formado ainda por Patrícia Bagniewski e Cauê Maia.“Queremos distribuir gentileza, nas ruas. A poesia não deve estar só nos livros. O muro branco é um convite a preenchê-lo com poemas. Não assinamos, para que as pessoas de identifiquem mais com a mensagem”, explica Patrícia. Muita gente fotografa as intervenções. Alguns apenas suspiram. Brasília e a poesia se pertencem.

Para todas as idades

 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)

Jogar peteca não é apenas uma brincadeira de criança. No Brasília Country Club respeita-se o status de esporte dessa prática. Há adeptos de todas as faixas etárias, mas os idosos são maioria. Às terças, quintas-feiras, sábados e domingos, sempre a partir das 10h, as quadras começam a receber empolgados atletas. O ginásio coberto também serve como espaço para os petequeiros. Esses encontros ocorrem há mais de 30 anos, no clube. “É um esporte 100% brasileiro, adaptado de práticas indígenas e muito democrático. Faz bem para a saúde, queima calorias e diverte”, afirmou o coordenador da atividade Ederson Fernandes. Quem não é sócio também pode participar, mas precisa ser convidado por um dos integrantes da associação.

Direto da horta

 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press
)

Instaladas nas entradas das quadras residenciais, as barracas de frutas e verduras tornaram-se tradição, no Plano Piloto. As mini-quitandas funcionam à moda antiga. Oferecem variedade de itens, sempre recém-colhidos. O preço quase sempre é maior do que o praticado em mercados comuns. Os moradores das asas Sul e Norte, porém, não se incomodam em pagar mais caro pela comodidade. “Tem gente que nem desce do carro e para pegar o produto ou então grita da janela e a gente manda levar. Vem tudo de Brazlândia, colhido no dia”, conta Sidnei Abreu, que há 20 anos atende habitantes da 312 Sul. Na mesma quadra, há venda de queijo fresco e doces caseiros, em uma kombi. A relação entre quem compra e quem vende é de confiança. Alguns clientes, os mais fiéis, anotam as compras em um pequeno caderno, para pagar só no fim do mês.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017