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Novos brasilienses na Associação da Boa Lembrança

Dom Francisco e Villa Tevere passam a integrar o seleto grupo de restaurantes que seguem a tradição, vinda da Itália, de aliar suvenires artísticos à alta gastronomia

Rônia Alves - redacao@encontrobrasilia.com.br Publicação:08/04/2013 16:46Atualização:08/04/2013 16:55

Jubileu de prata: a estreia do Dom Francisco na associação tem o bacalhau como protagonista 
e coincide com os 25 anos do restaurante na cidade (Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Jubileu de prata: a estreia do Dom Francisco na associação tem o bacalhau como protagonista e coincide com os 25 anos do restaurante na cidade
 

Há 17 anos em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, surgia a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. O projeto foi idealizado por um italiano, Danio Braga, que veio ao Brasil em 1978 com a missão de comprar bebidas e comidas para a seleção de futebol de sua terra natal, e no litoral carioca decidiu morar. Quando se radicou por aqui, trouxe um costume dos restaurantes italianos: além da conta, um suvenir para o comensal levar de recordação, proposta da Associazione dei Ristoranti del Buon Ricordo.


Atualmente, 99 restaurantes espalhados pelo Brasil são associados. Três deles estão em Brasília: Oliver e, desde o mês passado, Dom Francisco e Villa Tevere. Todos os anos, cada uma das casas deve criar uma receita exclusiva, que não exista no cardápio, mas que expresse bem o seu estilo culinário. A criação comestível ganha toque artístico, em peça pintada no ateliê Cerâmica Van Erven, em Petrópolis, comandado pela artista Olga Maria Sales. Pelas mãos dela foi criado o conceito do Prato da Boa Lembrança. Por conta da demanda, nos dias de hoje, a produção recebe o apoio da também artista Margot de Gramado (RS) e do design Denis Marinho, do Rio de Janeiro.

Giuliana Ansiliero, filha do chef Francisco, explica que o prato integrante do Boa Lembrança é representativo: 'Escolhemos o Bacalhau Prata da Casa pela qualidade do pescado que servimos' (Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Giuliana Ansiliero, filha do chef Francisco, explica que o prato integrante do Boa Lembrança é representativo: "Escolhemos o Bacalhau Prata da Casa pela qualidade do pescado que servimos"

A estreia do Dom Francisco na associação tem o bacalhau como protagonista e coincide com os 25 anos do restaurante na cidade. “Por isso, escolhemos o Bacalhau Prata da Casa, pela qualidade do pescado que servimos. Na receita, o peixe é assado com batatas, cebolas e, depois, gratinado”, explica Giuliana Ansiliero, filha do chef Francisco. “O nome do prato é uma referência ao nosso jubileu de prata”, finaliza. Como possui mais de uma unidade, o restaurante da 402 Sul, primeiro do grupo, é o associado.


No italiano Villa Tevere, o primo do bacalhau, o hadoque, com consistência de mousseline, recheia quatro ravioloni artesanais, servidos com molho velouté do próprio pescado, acompanhados por camarões e pesto de rúcula com castanha-do-Brasil. Segundo Flávio Leste, sócio de sua mãe, a chef Suzana, a escolha desse peixe vai além da nobreza do ingrediente. “O hadoque escocês não está sujeito à sazonalidade e poderemos manter bom estoque do produto congelado para produzirmos os ravioloni”, diz.

Flávio Leste comemora ao lado da mãe, a chef Suzana: 'Entrar na Associação da Boa Lembrança é uma chancela de qualidade e de um selo de confiança', diz o sócio (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Flávio Leste comemora ao lado da mãe, a chef Suzana: "Entrar na Associação da Boa Lembrança é uma chancela de qualidade e de um selo de confiança", diz o sócio

Ele afirma ainda que esse não é o pescado mais servido na casa, ficando atrás do salmão e do robalo, mas o volume aumentou bastante por conta do Prato da Boa Lembrança. Sobre a associação, Flávio diz que se trata de uma chancela de qualidade e de um selo de confiança. “De certa forma, é uma compensação pela imensa dedicação que nossa atividade requer, pois sem paixão não se sobrevive muito tempo neste segmento. Além, é claro, da satisfação de levarmos nosso nome aos lares de inúmeras pessoas”, diz.
O veterano Oliver apresentou, nas duas primeiras edições, o Camarão à Moda Bombaim com purê de mandioquinha ao curry e o bacalhau thai – ao estilo tailandês, cozido no leite de coco e gengibre, capim-limão e molho de tomate. Com exclusividade à Encontro Brasília, o proprietário do restaurante e presidente regional da Boa Lembrança, Rodrigo Freire, antecipa que este ano é a vez do Steak à Fiorentina, corte de ancho de gado precose, grelhado e escoltado por capellini ao molho de tomates, vinho tinto e azeite trufado.

 

Caçadora de tesouros

Experimentar pratos de restaurantes que fazer parte da Associação da Boa Lembrança é especialidade da promotora de justiça Liz Liberato: tudo para receber seu 'troféu' e colocar 
na parede de recordações (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Experimentar pratos de restaurantes que fazer parte da Associação da Boa Lembrança é especialidade da promotora de justiça Liz Liberato: tudo para receber seu "troféu" e colocar na parede de recordações

A promotora de justiça Liz Liberato viu pela primeira vez um Prato da Boa Lembrança em 1996, quando era estudante no Rio de Janeiro. “A realidade financeira de uma universitária não me permitiu ir ao restaurante para levar a cerâmica para casa”, lembra.


Onze anos depois, numa viagem a Maceió viu no hall do hotel um folder do restaurante Divina Gula e a imagem do prato 2007. Não pensou duas vezes, foi ao estabelecimento degustou a criação exclusiva e conseguiu sua primeira peça. “Sai do restaurante com o prato e o objetivo de conhecer os associados da região”.


Conhecer os demais associados pelo Brasil não levou muito tempo. Há seis anos, ela e um grupo de amigos programam roteiros turísticos que envolvam os restaurantes da Boa Lembrança. Em um único tour, de carro, já foi a Belo Horizonte, Tiradentes, Parati e Campos do Jordão. Chegou a comer duas vezes a mesma refeição só para receber o troféu duplicado.


Hoje, as paredes e armários de casa e do trabalho são pequenos para guardar os 914 pratos de sua coleção. Questionada se comeu alguma das criações sem gostar, simplesmente para ter a cerâmica, respondeu sem titubear: “sim”. “Geralmente, um restaurante por ano tem um prato da ‘má lembrança’”, brinca. “Estou me preparando mentalmente porque vou ter que parar minha coleção, não tenho mais paredes suficientes. A coleção demanda muito espaço”, lamenta.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017