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PET | Saúde »

No stress!

Para que seu animalzinho não fique estressado, você deve, primeiramente, procurar entender os sinais de que isso está prestes a acontecer. Mas, se o diagnóstico se confirmar, há várias saídas para curá-lo: de creche à acupuntura e florais de Bach

Renata Rusky - Redação Publicação:17/04/2013 13:55Atualização:17/04/2013 14:10

Medicina alternativa: a estudante Nayara Güércio, dona de Nynah, recorreu aos florais de  Bach para acalmar sua cachorrinha (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Medicina alternativa: a estudante Nayara
Güércio, dona de Nynah, recorreu aos florais de
Bach para acalmar sua cachorrinha
Dizem que a vitalidade do animal de estimação reflete o estado de saúde do seu dono. A máxima vale também para o quesito estresse, como indica a médica veterinária Eliane Cruz. Segundo ela, o indivíduo com estilo de vida muito corrido interfere diretamente na qualidade de vida do seu pet: “Há troca de energia entre os seres o tempo todo, e os bichos de estimação são sensíveis também a energias mais pesadas”, explica Eliane.


Além disso, é difícil, em meio à maratona que é o dia a dia de uma pessoa estressada, parar um pouco para dar atenção ao animal. “Ele precisa de companhia e estar junto dele não é só ficar assistindo à TV”, ressalta. Os animais precisam de mais do que isso: precisam correr, brincar e descobrir lugares diferentes. O quintal de casa, por maior que seja, já é conhecido e, com o tempo, torna-se apenas um grande canil.


“Ninguém consegue ficar em casa o tempo todo. Com os animais, é a mesma coisa”, compara a veterinária Patrícia Velho. Na melhor das hipóteses, um animal estressado desenvolverá um comportamento ruim (e o dono deve saber identificar o problema): urinar onde não deve, destruir objetos e latir demais são as reações mais comuns. Eles podem adquirir, inclusive, hábitos que colocam em risco a própria vida, como a automutilação e a gula ou a falta total de apetite.


Cada bicho demanda mais ou menos atenção, dependendo da raça e da personalidade. “Cachorro de caça, por exemplo, precisa correr muito. Uma pessoa que não tem tempo para passear com ele não pode, de jeito nenhum, ter um desses”, exemplifica Eliane. Ela não descarta variações nos motivos pelos quais os animais desenvolvem o estresse, mas sua experiência diz que na maioria dos casos se trata só de energia acumulada.

A poodle Mell tem 16 anos e fica estressada com as dificuldades que a velhice lhe impõe, mas a dona, Zilda Morgado, aprendeu a lidar com a situação (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
A poodle Mell tem 16 anos e fica estressada com as dificuldades que a velhice lhe impõe, mas a dona, Zilda Morgado, aprendeu a lidar com a situação

A poodle Mell sempre foi geniosa, segundo sua dona, Zilda Morgado: “Ela é ciumenta e me adotou como dona, apesar de eu tê-la comprado para minha filha”, conta. De uns tempos para cá, com o avançar da idade (tem 16 anos), ela começou a ficar ainda mais nervosa, rosnar para as pessoas que chegam perto da dona e não deixar que cheguem perto de seus brinquedos. A audição e visão muito prejudicadas preocupam Zilda: “Ela deixou de ser independente e acho que isso é difícil para qualquer um”, lamenta a funcionária pública.


O estresse do maltês Enrico foi consequência de uma mudança brusca na rotina. A solução encontrada por sua dona, a bancária Adriana de Lucca, foi deixar que ele brincasse o dia todo em uma creche. Os dois vieram de São Paulo, onde viviam em uma casa com quintal, para Brasília, onde moram em um apartamento. A adaptação foi complicada. “Aconteceu tudo muito de repente para ele. Num dia, chegamos a Brasília, no outro, já fui trabalhar”, conta Adriana.


Enrico aborrecia os vizinhos com latidos para todos os barulhos vindos de fora do apartamento, principalmente de crianças que passam o dia brincando embaixo do bloco. “Como eu não estava em casa, nem sabia que ele fazia tanto barulho, até receber as reclamações”, explica Adriana. Atualmente, de segunda a sexta-feira, ele entra na creche por volta das 8h e sai no fim do dia. Lá, além de dois passeios de cerca de 1h por dia, ele tem espaço para correr e companhias, humanas e caninas. “Ele está muito mais calmo”, relata a dona.


Para não adoecerem: os animais precisam de mais do que atenção. Precisam correr, brincar e descobrir lugares diferentes daqueles que costumam frequentar (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Para não adoecerem: os animais precisam
de mais do que atenção. Precisam correr,
brincar e descobrir lugares diferentes
daqueles que costumam frequentar
Já a estudante Nayara Güércio, dona de Nynah, encontrou nos florais de Bach a solução para acalmar sua vira-lata. Ela identificou em sua cadela características como ansiedade e medo do abandono, e por isso recorreu à medicina alternativa. O floral de Nynah é manipulado com essências voltadas para calmantes. Desde então, ela ficou muito mais tranquila, sua família não vê mais a necessidade de prendê-la quando tem visita em casa. Satisfeita, Nayara sabe que o bom resultado é um conjunto de vários fatores: “Ela estar melhorando é uma união do floral, de nós sermos mais preparadas para lidar com a situação e de ela estar crescendo e ficando mais segura de que não será abandonada”.


Depois de uma fase em que Estrela deixou de ser a gata tranquila que sempre fora, sua dona, a estudante Rachel Autran, procurou várias alternativas para evitar que ela continuasse a fazer xixi por toda a casa.


A melhora substancial só foi vista depois que Estrela começou a ir a sessões de acupuntura. A gata assustou-se um pouco com as agulhas no início, mas logo se acostumou. O acupunturista veterinário Rodrigo Fagundes explica que estresse é sintoma de algum desequilíbrio no organismo, portanto a acupuntura trabalha nesse ponto: “Com a agulha, estimulamos mecanicamente o ponto que vai mandar uma mensagem ao cérebro”, explica Rodrigo. No caso do estresse, o objetivo pode ser estimular a produção de serotonina e endorfina, por exemplo, hormônios que trazem a sensação de felicidade.

Rachel Autran leva sua gatinha Estrela para sessões de acupuntura: 'Ela se assustou um pouco com as agulhas no começo, mas logo se acostumou', conta a dona (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Rachel Autran leva sua gatinha Estrela para sessões de acupuntura: "Ela se assustou um pouco com as agulhas no começo, mas logo se acostumou", conta a dona

 

Evite o problema

 

O diagnóstico de estresse só é confirmado depois que é eliminada a possibilidade do animal estar sofrendo com qualquer outra doença. O tratamento pode ser complicado, pois, na maioria das vezes, exige mudança na rotina de todos que convivem com o bichinho. Eles terão que dar mais atenção e brincar mais. A medicina pode ajudar, mas a mudança de comportamento do dono é fundamental.


Entre as dicas para evitar que chegue a esse ponto, a veterinária Eliana Cruz sugere que as pessoas deixem de tentar “humanizar” os pets: “De tanto cuidado, alguns donos deixam a vida deles entediante. Por exemplo, os animais devem estar sujos depois de uma semana do banho, se houver muitas medidas para evitar a sujeira, o animal chega a ponto de sentir falta de brincar”, diz.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017