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50 anos de Beatles

Por que o disco Please, Please Me tornou-se um marco no rock mundial

Cecília Garcia - Redação Publicação:17/04/2013 16:34Atualização:17/04/2013 17:11

Igor Karashima (ao centro), baterista da banda cover Let it Beatles: 'Se estamos falando desse disco até hoje, mesmo depois de 50 anos, é porque ele tem grande importância 
no cenário musical' (Marcelo Ferreira/CB/DA Press)
Igor Karashima (ao centro), baterista da banda cover Let it Beatles: "Se estamos falando desse disco até hoje, mesmo depois de 50 anos, é porque ele tem grande importância no cenário musical"
 

Em uma maratona de 12 horas seguidas, o quarteto mais famoso do mundo gravou 10 das 14 faixas de seu primeiro LP. No dia 11 de fevereiro de 1963, os Beatles entraram em um estúdio da Abbey Road com quatro músicas prontas e saíram de lá com o disco Please, Please Me todo completo. A sessão custou somente 400 libras.


Repleto de curiosidades, o álbum é considerado por muitos uma revolução no rock da época, enquanto outros o comparam às composições dos músicos pop de hoje. Mas, para quem é beatlemaníaco, opiniões contrárias não importam: Please, Please Me, que foi lançado em 22 de março, cinco décadas atrás, apresentou ao mundo a banda que se tornaria um fenômeno, insubstituível até os dias atuais.


Tocando sucessos deste e de outros álbuns do grupo, a banda cover Let it Beatles é uma das mais conhecidas de Brasília. Inclusive, em outros aniversários do disco, fez apresentações tocando-o na íntegra, sempre em shows concorridos na cidade. Para o baterista Igor Karashima, o LP tem uma carga simbólica muito forte, por ter sido o começo de tudo. Além disso, comenta o musicista, se estamos falando desse disco até hoje, mesmo depois de 50 anos, é porque ele tem grande importância no cenário musical.

O casal Fabienne e Fabiano Almeida, beatlemaníacos de carteirinha: o amor pela banda é demonstrado em pôsteres e objetos espalhados pela casa (Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
O casal Fabienne e Fabiano Almeida, beatlemaníacos de carteirinha: o amor pela banda é demonstrado em pôsteres e objetos espalhados pela casa

“One, two, three, four”, a introdução da primeira faixa do disco, I Saw Her Standing There, é um dos mais conhecidos sucessos da banda e tornou-se uma de suas marcas registradas. A música, juntamente com Love Me do e Please, Please Me, é muito pedida nos shows dos covers brasilienses. Mas nada supera Twist and Shout – mesmo não sendo de autoria de Lennon ou McCartney, sua popularidade é uma das mais altas. Favorita de Igor Karashima nesse LP, a canção tem um grande impacto sonoro. Até mesmo por isso, sua gravação foi deixada por último no dia da sessão ininterrupta no estúdio, para que John Lennon pudesse “rasgar a voz” sem prejudicar a captação das outras músicas. Além dela, cinco canções foram escritas por outros autores. “Ou seja, os Beatles também faziam cover”, brinca Igor.


Apesar de famosa e dançante, Twist and Shout não é uma das favoritas do casal Fabienne e Fabiano Almeida. Beatlemaníacos de carteirinha, os dois moradores da Asa Norte dividem o amor pela banda e representam isso por meio de pôsteres espalhados pela casa, porta-copos, livros e outros tantos objetos. Entre eles, está o álbum de fotos da viagem do casal a Liverpool, onde assistiram aos “conterrâneos” do Let it Beatles tocar no pub Cavern Club (onde os Beatles se apresentavam antes da fama internacional). Dos 12 LPs originalmente lançados na Inglaterra, Fabienne coloca o Please, Please Me como seu terceiro favorito. Contudo, no ranking pessoal das quatro melhores músicas da banda, duas são do disco. Misery e There Is A Place estão entre as queridinhas do casal.

Érico Magalhães, professor de guitarra e violão: 'O ritmo contínuo, que marcou 
o rock'n'roll da banda, foi uma novidade trazida pelo Please, Please Me' (Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
Érico Magalhães, professor de guitarra e violão: "O ritmo contínuo, que marcou o rock'n'roll da banda, foi uma novidade trazida pelo Please, Please Me"

Mas Please, Please Me não tem sua importância apenas por ser o primeiro disco da banda. Nele, apareceram características que revolucionaram o rock daquele momento. Uma delas, apontadas pelo professor de guitarra e violão Érico Magalhães, é o uso de acordes característicos do jazz, como em I Saw Her Standing There. Outra é o uso da gaita em Love Me Do. Mesmo sendo bastante usada por Bob Dylan, no rock aquilo era uma novidade.


Para o músico, ainda é possível apontar, a partir desse álbum, alguns aspectos que acompanhariam o estilo musical do grupo. “O backing vocal na maioria das músicas é uma dessas características. O ritmo contínuo, que marcou o rock’n’roll da banda, também”. Outro ponto a ressaltar no disco é a lista de covers que, para Érico, nunca ficariam famosas com seus intérpretes originais. Esse é o caso de Boys, cantada primeiramente pelo grupo feminino The Shirelles, mas que ganhou destaque com a voz de Ringo Starr. E olha que a opinião de Érico não é baseada apenas em seus conhecimentos como músico. Como fã, ele foi muito influenciado pelo quarteto inglês, já que, desde muito cedo, seu professor de música o apresentou à música dos Beatles.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017