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Brasília 53 anos | Homenagens »

Ele jamais será esquecido

Nos quatro cantos da capital, a memória de Juscelino Kubitschek está preservada. Seu nome salta das fachadas mais imponentes aos letreiros dos mais simples comércios, um sinal de que o tempo não apagou o carisma do fundador

Matheus Teixeira - Redação Publicação:19/04/2013 18:12Atualização:19/04/2013 18:28

Juscelino Kubitschek surge imponente sobre Brasília: esculturas do Memorial JK atraem turistas e sãode cartão-postal na capital (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Juscelino Kubitschek surge imponente
sobre Brasília: esculturas do Memorial
JK atraem turistas e sãode cartão-postal
na capital
Quando o dalai-lama, Hillary Clinton e o casal Kirchner estiveram em Brasília, deram de cara com um sujeito que é praticamente onipresente na capital: Juscelino Kubitschek. O retrato emoldurado do mineiro que, em cinco anos, plantou a capital do país no Planalto Central, está pendurado na suíte presidencial do hotel Kubitschek Plaza, onde tantas celebridades já ficaram hospedadas. O eterno e mais importante mestre de cerimônias de Brasília está em todos os lugares no prédio de 15 andares e 250 acomodações, inaugurado em 1990, com a ideia de homenagear o fundador de Brasília.


Também está em pontos turísticos e monumentos. Está nas ruas, em escola, aeroporto, ponte, museu e todo tipo de comércio, dos mais exclusivos, como um hotel cinco estrelas, aos mais simples, como chaveiros, oficinas mecânicas e por aí vai. “JK está presente em todos os andares do hotel. Tem fotos do ex-presidente espalhadas pelos corredores”, descreve o diretor-geral da Rede Plaza Brasília Hotéis, Helder Carneiro. No restaurante do Kubitschek Plaza, situado no Setor Hoteleiro Norte, algumas receitas são da própria família do ex-presidente – a neta de JK, Anna Christina, é casada com o empresário Paulo Octávio, proprietário do hotel. Os segredos culinários de dona Sarah, ex-primeira-dama, não são revelados nem sob tortura. “São receitas passadas de geração para geração. Quem come aqui tem de experimentar, obrigatoriamente, o pudim Kubitschek. É o melhor da cidade”, garante a gerente comercial do estabelecimento, Salete Soares.

Helder Carneiro, diretor-geral da Rede Plaza Brasília, mostra o atrativo 
do hotel que homenageia o fundador: vista cinco estrelas da Esplanada (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Helder Carneiro, diretor-geral da Rede Plaza Brasília, mostra o atrativo do hotel que homenageia o fundador: vista cinco estrelas da Esplanada

Detalhe da suíte presidencial do Kubitschek Plaza: retratos do ex-presidente estão espalhados por todo o hotel (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Detalhe da suíte presidencial do Kubitschek Plaza: retratos do ex-presidente estão espalhados por todo o hotel

Pertinho dali, no Setor Comercial Sul (SCS), coração do Plano Piloto, é onde mais se vê referência ao nome JK. Há um chaveiro, uma banca e um prédio. O edifício foi inaugurado em 1961 e foi a primeira construção da iniciativa privada da capital. “O SCS é a cara de Brasília. Talvez por isso tenha tantos lugares com o nome dele”, arrisca o chaveiro Márcio Oliveira, fã incondicional do ex-presidente. “O Hildeo de Oliveira, primo do JK, me ajudou muito quando abri meu negócio. Achei que, ao pôr o nome do seu primo no estabelecimento, demonstraria gratidão. Ele adorou”, diz.

Beleza imponente: inaugurada em 2002, a Ponte JK é considerada uma das mais belas do mundo (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Beleza imponente: inaugurada em 2002, a Ponte JK é considerada uma das mais belas do mundo

As iniciais do ex-presidente dão nome a vários negócios do Setor Comercial Sul,
coração de Brasília: o edifício JK foi o primeiro prédio construído (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
As iniciais do ex-presidente dão nome
a vários negócios do Setor Comercial Sul,
coração de Brasília: o edifício JK foi o
primeiro prédio construído
Além dos estabelecimentos particulares, endereços oficiais também têm o nome do ex-presidente. E não são poucos. A começar pelo aeroporto, inaugurado em 1957. Também virou endereço na Vila Planalto, onde está a avenida Juscelino Kubitschek.


No fim de 2002, foi inaugurada a Ponte JK. Assim como a Costa e Silva e a das Garças, a ponte também liga a parte central de Brasília ao Lago Sul. Mas, diferentemente de ambas, ela chama a atenção por outro aspecto: a beleza. Com um design inspirado em uma pedra quicando sobre a água, foi eleita a ponte mais bonita do mundo pela Sociedade dos Engenheiros do Estado da Pensilvânia.


Para não deixar que a história se perdesse ao longo do tempo, em 1981 foi construído o Memorial JK. No espaço, estão expostos objetos pessoais, condecorações, placas, entre outros pertences do ex-presidente. Também está exposta a biblioteca com mais de 3 mil livros do acervo pessoal, além de uma infinidade de fotos. Os restos mortais de Juscelino estão numa câmara mortuária, também no memorial.

Vista aérea do terminal aeroportuário, que também foi batizado com o nome do fundador: hoje é um dos mais movimentados do país (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Vista aérea do terminal aeroportuário, que também foi batizado com o nome do fundador: hoje é um dos mais movimentados do país
 

 

Ao mestre, com carinho

 

A lista de marcas JK é tão variada quanto os motivos que levam comerciantes a escolherem este nome. Em uma questão, no entanto, todos concordam: consideram Juscelino Kubitschek o maior estadista da história do país. “No ano passado, respondi a enquete: ‘qual é o maior brasileiro de todos os tempos?’ E não tive dúvidas”, diz Enock José Góes, proprietário da Tabacaria JK.

Neila Siqueira, diretora do colégio JK: 'Assim como o ex-presidente, somos vanguardistas, procuramos estar sempre à frente do nosso tempo' (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Neila Siqueira, diretora do colégio JK: "Assim como o ex-presidente, somos vanguardistas, procuramos estar sempre à frente do nosso tempo"

Francisco Tibúrcio também reverencia o ex-presidente, mas para decidir o nome da Capotaria e Tapeçaria JK usou muito mais a razão do que a emoção. “Não foi uma escolha simples. A história dele é incrível, mas não foi só isso que pesou na escolha”, explica. “Minha loja fica às margens da EPIA; todos os que passam pela avenida a veem. Achava que tinha de ser um nome simples, forte e conhecido. Pensei em JK e acertei na mosca”, comemora. Ele afirma que o nome ajudou muito para que a tapeçaria ficasse conhecida.

Capotaria e Tapeçaria JK, de Francisco Tibúrcio: 'É fácil de memorizar o nome. Ninguém esquece' (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Capotaria e Tapeçaria JK, de Francisco Tibúrcio: "É fácil de memorizar o nome. Ninguém esquece"

Uma das redes de ensino mais conhecidas de Brasília também leva o nome do fundador. A diretora da filial da Asa Norte do Colégio JK, Neila Siqueira, diz que Juscelino não inspirou apenas o nome, mas a filosofia da escola. “Ele é um exemplo e nos inspirou. Assim como ele, somos vanguardistas, procuramos estar sempre à frente do nosso tempo”, exalta. O espírito humanista é outra qualidade que a diretora diz que o colégio herdou. “Pensamos tanto no saber quanto na formação do homem”, garante.
O proprietário da mecânica JK, Wanderley Neves, aponta outro motivo para usar a marca. “É fácil de memorizar.  Ninguém esquece. Se fosse abrir outro negócio, com certeza teria o mesmo nome”, aponta.

O nome da Tabacaria JK foi uma homenagem: para o proprietário, Enock Góes, o ex-presidente é o 'maior brasileiro de todos os tempos'
 (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
O nome da Tabacaria JK foi uma homenagem: para o proprietário, Enock Góes, o ex-presidente é o "maior brasileiro de todos os tempos"

Há quem pense que as iniciais do ex-presidente caíram na mesmice, mas ainda assim querem associar o comércio ao legado do fundador recorre a variações. O comerciante Adalberto Silva inovou na maneira de escrever e batizou sua loja de utilidades do lar de Jotaká. “Fiz diferente dos demais e me dei bem. O nome desperta a curiosidade da clientela”, conta. Ele também exalta outra relevância da homenagem: “Só de o empreendimento ter esse nome já atrai coisas boas”, acredita.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017