• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Negócios | Beleza »

Só o verniz é pouco

Esmalterias investem em produtos importados e antialérgicos, serviços de spa e de festinhas, poltronas massageadoras e barman. Assim, fazer as unhas transformou-se em momento de puro relaxamento, evento para amigas e até happy hour

Lilian Taham - Publicação:02/05/2013 14:55Atualização:02/05/2013 15:22

Pioneira no ramo das esmalterias em Brasília, Andressa Pádua não se arrependeu do negócio: hoje, conta com 5,6 mil clientes (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Pioneira no ramo das esmalterias em
Brasília, Andressa Pádua não se arrependeu
do negócio: hoje, conta com
5,6 mil clientes
Para que simplificar se é possível sofisticar? Hábito quase universal entre as mulheres, fazer as unhas ganhou novo status na agenda de muitas delas, o de evento. Bem mais do que a obrigação de manter as mãos bem-cuidadas, o processo subiu na escala social e agregou valores, como os de spa, confraternização, divã e happy hour. Esse conceito surgiu com as chamadas esmalterias, espaços especializados nos serviços de manicure e pedicure. Vedete dos salões tradicionais, nesses ambientes, cabelo não tem vez.


As esmalterias chegaram a Brasília há menos de dois anos e no Brasil há não mais que cinco. Os salões de beleza próprios para tratar das unhas e equipados para associar bem-estar são uma referência trazida de cidades da Europa, como Londres, Paris, Amsterdã, e também dos Estados Unidos. Inspiradas em experiências estrangeiras, empreendedoras interessadas no setor de estética passaram a pesquisar cores para esmalte; tamanhos, formas e modelagens das unhas e tipos de spa para pés e mãos. Assim surgiram as primeiras esmalterias.


Foi com o propósito de atuar na área da beleza, mas sobretudo de montar um negócio sob medida para uma característica muito pessoal, o fascínio pelas unhas, que Andressa Pádua se tornou pioneira no segmento de esmalterias no Distrito Federal. Ela é dona da Unha de Gata, que funciona na 108 Sul, uma das primeiras quadras de Brasília, tradicional por ser o endereço da igrejinha Nossa Senhora de Fátima, assinada por Oscar Niemeyer.


O ponto, embora central, não é grande, mas chamou a atenção a ponto de reunir, hoje, uma carteira de clientes com 5,6 mil cadastros. A novidade do serviço e o atendimento diferenciado foram os alicerces para o sucesso do negócio. Mulheres acostumadas há anos a frequentar os salões tradicionais passaram a migrar para a esmalteria de Andressa.

Na loja de Haline e Melissa, fazer as unhas transforma-se em happy hour: um bar à disposição e o primeiro drink de graça (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Na loja de Haline e Melissa, fazer as unhas transforma-se em happy hour: um bar à disposição e o primeiro drink de graça

Na universidade, a empresária se preparou para ser advogada. Formada, chegou a trabalhar no Ministério Público de Goiás. Mas decidiu seguir o instinto de que daria certo montar uma esmalteria por acreditar que “fazer as unhas não é uma obrigação, mas um prazer”.
Andressa era tão vidrada em fazer as unhas que sempre andou com maleta de esmaltes no carro. “Quando falei que ia abrir um lugar especializado em unhas, minha mãe me alertou sobre o mercado: ‘Minha filha, o que dá dinheiro é cabelo’”, lembra Andressa, que contou com o apoio da família e do namorado para levar adiante o sonho de testar o novo formato de negócio. Deu tão certo que ela chegou a pensar em abrir outra unidade no Lago Sul, endereço de muitas clientes. Mas, para não perder a qualidade, a proprietária decidiu esperar o prazo de dois anos exigidos formalmente para abrir franquias de seu negócio.


A prosperidade da primeira esmalteria incentivou várias outras empreendedoras. Dona da Esmalte e Unha, lançada em janeiro, na 104 Sul, Cristina Aguiar também trocou atuar em sua área de formação — ela é economista — para apostar nos esmaltes e no encantamento que o verniz causa sobre as mulheres. Cristina queria oferecer o serviço que sempre teve vontade de ter à sua disposição: “Sonhava com mais flexibilidade para fazer as unhas, chegar ao salão e ser atendida mesmo não estando agendada. Desde que abri, sempre procuro encaixar as clientes que aparecem de surpresa”, conta Cristina. Ela cita os encaixes como um entre tantos atrativos do lugar: “Tem música, petisco, bebidinha, massagem, poltrona do papai, uma infinidade de cores e de formas. Qual mulher resiste a isso?”.


Há três meses no mercado, as sócias Melissa Sobral e Haline Frejat agregaram mais um diferencial ao já ousado conceito dos salões especializados em unhas. O Miss Nail, que funciona na comercial da 110 Norte, apresenta-se como um bar nail. Enquanto as clientes são atendidas, há um barman a postos para atender os pedidos, que vão dos convencionais espumantes a drinques mais elaborados. “Servimos caipirinha, caipiroska, kir royal, sucos, chás, cappuccino, o que for do agrado das clientes”, diz Melissa. Entre quinta e sábado, das 17h às 20h, o primeiro drinque é cortesia e fazer as unhas vira um agradável happy hour.


A ideia de aliar o momento de cuidar das unhas a ações de relaxamento e entretenimento foi tão bem aceita que algumas esmalterias oferecem também sala reservada para eventos sociais. Funciona assim: a cliente quer fazer uma reunião para comemorar o aniversário, por exemplo, e reserva o mesmo horário para um grupo de amigas. Elas se reúnem, fazem as mãos e os pés, enquanto são servidas com bebidas e comidinhas.


Aberta em outubro de 2011, a República das Unhas, na 302 Sul, é outro exemplo de esmalteria com agenda de eventos. Um exemplo: duas empresas contrataram pacotes que somaram 200 serviços de manicure e de pedicure para presentear suas funcionárias no Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. “Trabalhamos ainda com despedida de solteiro, chá de lingerie e aniversário”, informa Christiane Peçanha, administradora da República das Unhas.
Dividida em três ambientes com decoração que mistura peças retrô com estilo romântico, a República das Unhas oferece, além dos serviços para pés e mãos, espaço próprio para reuniões agendadas pelas clientes. Na recepção, é possível comprar esmaltes importados, de tratamento, além de acessórios como unhas postiças, adesivos, nécessaires. E, assim, levar para casa o pedacinho de um luxo que chegou para criar raízes no universo feminino.

 

O QUE FAZ A DIFERENÇA

 (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)

São especializadas nos cuidados com as unhas das mãos e dos pés.
Não oferecem serviços de cabelo, embora várias trabalhem com depilação, design de sobrancelhas, escalda-pés.


 - Os ambientes são mais sofisticados e aconchegantes, com música ambiente e TV com DVDs.

 

 - Usam a mesma tecnologia de consultórios odontológicos para esterilizar metais como alicates.


 - Em vez de cadeiras convencionais, as clientes dispõem de poltronas reclináveis, algumas elétricas, que fazem massagem.


 - Água e café são o básico. Sucos, cappuccino, espumantes e drinks mais rebuscados estão no cardápio.


 - Os esmaltes são as vedetes, por isso há estantes bem posicionadas com dezenas de vidros coloridos, para facilitar o acesso das clientes.


 - Há marcas nacionais, mas também uma boa variedade de esmaltes importados, hipoalergênicos, para tratamento, em geral cobrados à parte.


 - Entre os serviços, são oferecidas várias técnicas, como o gel e a fibra de vidro para aumentar, fortalecer e modelar artificialmente as unhas.


 - Alternativas de cores estão entre as possibilidades de variar, mas há ainda adesivos e design com palitos, que tornam o visual ainda mais diferenciado.


 - Em geral, as manicures e pedicures das esmalterias são treinadas para um atendimento mais caprichado e que, portanto, costuma ser um pouco mais demorado.


 - Atendimento diferenciado, preço também. Enquanto salões tradicionais cobram pé e mão de R$ 35 a R$ 45, em média, nas esmalterias esses valores variam de R$ 48 a R$ 50. Se a cliente escolher esmalte importado, é cobrada uma taxa extra entre R$ 5 e R$ 12. 

 

Por que frequentar?

Soraya Lacerda, 32 anos, gerente de marketing (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Soraya Lacerda, 32 anos, gerente de marketing
 

Soraya fugia um pouco do padrão quando o assunto eram as unhas. Até ia ao salão, mas sem o compromisso das visitas semanais. “Era uma vez ao mês; às vezes, passava até mais tempo sem fazer a mão”, conta. Mas essa rotina mudou desde que a manicure de Soraya, há dois anos, comunicou-lhe que mudaria de salão, pois havia sido convidada para trabalhar em uma esmalteria. Soraya tornou--se cliente. Desde então, nunca mais foi ao salão convencional e passou a marcar horário de uma a duas vezes na semana. O estilo também mudou. “Sou do tipo mais convencional, mas perdi o pudor de usar cores fortes, da moda. Adoro”, anuncia.

 

Por que frequentar?

Luciana Ribeiro Penna, 30 anos, servidora pública (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Luciana Ribeiro Penna, 30 anos, servidora pública

Para Luciana, fazer as unhas é um processo muito mais elaborado do que apenas tirar cutícula, lixar e esmaltar. "É uma terapia, em que aproveito para relaxar, ouvir uma música, assistir a um DVD. A vida é tão corrida que, às vezes, essas são as brechas para a gente respirar", considera a servidora pública. Luciana curte um dos diferenciais das esmalterias para os salões convencionais: a oportunidade de aliar o encontro entre amigas com o momento de fazer as unhas. "Já fui atendida com três amigas ao mesmo tempo.
Foi ótimo", recomenda.

 

Por que frequentar?

Patrícia Viana de Bulhões, 43 anos, advogada  (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Patrícia Viana de Bulhões, 43 anos, advogada

Acostumada a viajar, não é de hoje que Patrícia conhece os serviços das esmalterias. Mas foi só recentemente que a advogada adotou um espaço em Brasília especializado nas mãos e nos pés. Alérgica a produtos químicos, ela está entre as mulheres que apoiam o sistema salão para cabelos e esmalterias para as unhas.

 

"Não tenho muita tolerância para os cheiros e os barulhos dos salões tradicionais. Ter um lugar só para cuidar das unhas é sensacional", considera Patrícia. Moradora da 108 Norte e com uma rotina bastante corrida, a advogada aproveita o horário marcado das mãos para curtir. Prefere o chá ao champanhe, o que lhe agrega uma sensação de conforto: "Sinto aconchego e bem-estar. Fazer a unha é um detalhe de um processo bem mais completo de relaxamento."

COMENTÁRIOS
Os comentários estão sob a responsabilidade do autor.

EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017