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De prancha, no Paranoá

Sem exigir que os praticantes sejam atletas, o stand up paddle vira febre em Brasília. Aumenta a cada fim de semana o número de interessados em saber como é a sensação de surfar no lago

Matheus Teixeira - Redação Publicação:02/05/2013 16:36Atualização:02/05/2013 16:53

Diego Recena leva a namorada, Marina Campelo, para o stand up paddle no lago: o casal se diverte enquanto ele faz um exercício complementar à malhação na academia (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Diego Recena leva a namorada, Marina Campelo, para o stand up paddle no lago: o casal se diverte enquanto ele faz um exercício complementar à malhação na academia
 

Quem disse que precisa ter onda para surfar? E mar? Basta um lago, uma prancha e um remo. O stand up paddle, também chamado de SUP, permite essa sensação e, não por acaso, tornou-se a mais nova moda entre os amantes de esportes aquáticos na cidade. A modalidade é de fácil aprendizagem e tem atraído inúmeros adeptos. “Fui morar na Austrália em 2009 e nem sabia o que era SUP. Conheci naquele país e me encantei. Quando voltei para o Brasil, em 2011, achando que traria a novidade, todo mundo aqui já estava surfando”, conta a advogada Helena Barbosa.


O esporte surgiu no Havaí nos anos 1960, quando os nativos se mantinham em pé na prancha para conseguir fotografar os turistas. Existem até outras versões para a história, mas o negócio de conseguir se deslocar no mar remando em cima da prancha foi evoluindo e os surfistas começaram a fazer grandes travessias desse modo – assim nasceu o stand up paddle.

Para toda a família: o SUP faz sucesso porque é um esporte saudável e faz todo mundo interagir (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Para toda a família: o SUP faz sucesso porque é um esporte saudável e faz todo mundo interagir

E o fato de ser possível praticá-lo em outras águas que não o mar fez com que o SUP se espalhasse para lugares distantes do litoral, como Brasília.


A prancha é grande e estável, e por isso não é tão difícil equilibrar-se sobre ela. Júlia Paes, de 17 anos, conheceu o esporte no começo do ano e incentivou o irmão João Pedro Paes, de apenas 8 anos, a começar também. “Desafiei-o. Disse que ele não conseguiria ficar de pé na prancha. Mas me enganei. Logo no primeiro dia ele já estava mandando bem”, conta. Agora, o pequeno João se apaixonou pelo SUP e quer praticá-lo todos os fins de semana. E ele diz que não tem medo de entrar no lago. “Vou até o fundo. É muito divertido.”

Anderson Bró faz ioga na pracha: 'Não há sensação melhor do que meditar cercado de água', diz (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Anderson Bró faz ioga na pracha: "Não há sensação melhor do que meditar cercado de água", diz

O proprietário do clube Katanka, Marcello Morrone, que aluga equipamentos de SUP, windsurfe e kitesurf, destaca que o stand up paddle é um ótimo programa para se fazer em família. “Muita gente traz os filhos para surfar, tomar um banho de sol na beira do lago. É legal e não tem restrição de idade”, diz.


Marcello Morrone, do clube Katanka, aluga equipamentos de SUP: 'É um ótimo programa para se fazer em grupo', garante (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Marcello Morrone, do clube Katanka, aluga
equipamentos de SUP: "É um ótimo programa
para se fazer em grupo", garante
Ele conta que, atualmente, uma média de 800 pessoas surfam no clube por mês. E diz que impressiona o quão rapidamente o esporte virou febre: “Cinco anos atrás, não tínhamos nem prancha de SUP para alugar, ninguém sabia do que se tratava. Agora está na moda”.
Marcello acredita que o interessante do SUP é que, mesmo sendo um esporte individual, ele acaba reunindo os amigos. “A pessoa fica sozinha na prancha, mas é um exercício que sempre se faz em grupo. Ninguém surfa sozinho. Isso que é legal, pois reúnem-se os amigos e ainda faz bem para saúde”, exalta.


O militar Marco Frota, do Movimento dos Sem Praia, atesta o que Marcello diz: “Fizemos uma pesquisa para entender a moda do SUP e identificamos duas razões claras: as pessoas estão à procura de um esporte saudável e querem a interação com familiares e amigos. E o SUP proporciona isso”, acredita.


O movimento surgiu em 1992 e começou com uma turma de amigos surfistas que praticavam esportes no lago para manter o condicionamento físico enquanto estavam longe da praia. As pessoas foram se identificando com os Sem Praia, inclusive os que não surfavam. Hoje, o grupo tem mais de 7 mil seguidores no Facebook.
Rafaella Costa, coordenadora administrativa, exalta as vantagens do esporte contemplativo e as vantagens de ser um ótimo meio de manter o corpo em dia. “Força todos os músculos. É um exercício completo, e a pessoa ainda pode se refrescar no Paranoá”, destaca.


Com a expansão do esporte, surgem algumas variações. A última invenção é o ioga no stand up paddle. O empresário Anderson Bró já fazia ioga e surfa há cinco anos. Ele diz que não há sensação semelhante a meditar cercado de água. “É incrível. Um pouco difícil, mas nada que algumas horas de treino não resolvam”, exalta. Mesmo tendo começado a surfar só depois dos 40 anos, Anderson se apaixonou pelo esporte e agora participa até de campeonatos profissionais. “Na etapa brasiliense do Campeonato Brasileiro de SUP, fiquei em terceiro em 2011 e em quarto lugar em 2012. Pretendo melhorar esse resultado até ser campeão”, diz.


O jornalista Diego Recena conheceu o SUP há dois anos e adorou. Ele faz do exercício um complemente para sua atividade física diária, a malhação. “Surfo, em média, duas vezes por semana. Para quem acha o ambiente de academia entediante, eu recomendo conhecer o stand up paddle”, indica. Além de fazer bem à saúde, ele vê no SUP um ótimo programa para fazer com a namorada, Marina Campelo. “Incentivei que ela começasse também. Ela adorou e agora me acompanha. Vamos em pranchas diferentes ou na mesma, o que é mais cansativo, porém mais prazeroso”, diz.

Os irmãos João Pedro Paes e Julia Paes de Andrade são novos no SUP e só têm elogios ao esporte: 'Vou até o fundo, é muito divertido', diz João, de 8 anos (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Os irmãos João Pedro Paes e Julia Paes de Andrade são novos no SUP e só têm elogios ao esporte: "Vou até o fundo, é muito divertido", diz João, de 8 anos

Em qualquer lugar que dê acesso ao lago é possível surfar. Um deles é o Parque das Garças, no final do Lago Norte. Mesmo que pareça meio abandonado, lá tem aluguel de prancha de SUP, além de outros esportes como slackline e kitesurf. Junto a alguns moradores dos arredores e com o lucro das pranchas, os esportistas organizaram o Projeto Raia Norte Sports, de revitalização do parque. Eles puseram lixeiras, placas de conscientização, entre outras iniciativas para a limpeza e manutenção do parque.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017