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Decoração | Ambientes »

Viver sem paredes

Modernos e versáteis, os lofts urbanos são boas opções para quem busca um estilo de vida prático, sem barreiras

Vanessa Aquino - Redação Publicação:03/05/2013 14:51Atualização:03/05/2013 15:28

Neste loft, projetado por Helaine Caloête, um dos destaques é o revestimento das paredes em tijolos aparentes. Para garantir harmonia na integração dos ambientes, a dica da arquiteta é utilizar alguns elementos que fazem toda a diferença em recintos menores, como um único piso para todos os espaços. (Causem Bonifácio/Divulgação)
Neste loft, projetado por Helaine Caloête, um dos destaques é o revestimento das paredes em tijolos aparentes. Para garantir harmonia na integração dos ambientes, a dica da arquiteta é utilizar alguns elementos que fazem toda a diferença em recintos menores, como um único piso para todos os espaços.
 

Quem não se lembra da charmosa casa sem paredes onde morava a personagem de Demi Moore em Ghost: Do Outro Lado da Vida? Foi o cinema que popularizou o estilo de morar nova-iorquino, apresentando os lofts urbanos. Os mezaninos, a ausência de repartições e os espaços integrados, que permitem acesso e visibilidade de todos os cômodos da casa, fizeram com que os lofts caíssem no gosto de quem busca uma vida prática.

No espaço projetado por Cybele Barbosa, o objetivo é criar ambientes em que o morador possa receber amigos e, ao mesmo tempo, tenha a sensação de um espaço ainda maior e se sinta bem. (Clausem Bonifácio/Divulgação)
No espaço projetado por Cybele Barbosa, o objetivo é criar ambientes em que o morador possa receber amigos e, ao mesmo tempo, tenha a sensação de um espaço ainda maior e se sinta bem.

Os arquitetos e designers de interiores Otto Brill e Rebeca Maaldi explicam que a ideia do loft surgiu há mais de 20 anos, quando jovens artistas adaptaram galpões industriais e os transformaram em espaços onde moravam e trabalhavam sem barreiras especiais. “Hoje, um loft é ambiente contemporâneo e urbano que prioriza a integração entre ambientes com pouca ou nenhuma limitação de barreiras físicas e visuais entre espaços de uso íntimo e social. Pensamos que, na decoração desse tipo de espaço, devemos propor uma unidade entre os ambientes, e não considerar cada área de atividade (como comer, dormir ou receber pessoas) isoladamente”.

Loft Garagem, projetado por Otto Brill e Rebeca Maaldi. Destaque do ambiente por meio da cartela de cores: preto/cinza/fendi nos revestimentos e mobiliário planejado; blocos de azul e tons terrosos para quebrar a monotonia dos sóbrios. (Clausem Bonifácio/Divulgação)
Loft Garagem, projetado por Otto Brill e Rebeca Maaldi. Destaque do ambiente por meio da cartela de cores: preto/cinza/fendi nos revestimentos e mobiliário planejado; blocos de azul e tons terrosos para quebrar a monotonia dos sóbrios.

De acordo com o arquiteto Raffael Inneco, em Brasília, no entanto, o conceito mais comum não vem de espaços originalmente industriais. “A cidade tem um zoneamento de uso bem restrito, isto é, temos uma área destinada às residências, outra destinada às indústrias”, esclarece, explicando ainda que na capital federal os lofts são, normalmente, quitinetes grandes, que medem cerca de 50 m², e são menores que os lofts convertidos de galpões.

Neste projeto, o arquiteto Raffael Inneco usou uma TV embutida e móvel %u2013 pode servir de divisória entre quarto e sala e estar voltada para qualquer ambiente. É possível ver TV da cama, da sala, ou da cozinha: é só girar a divisória. ( Raffael Innecco Arquitetura e Design/Divulgação)
Neste projeto, o arquiteto Raffael Inneco usou uma TV embutida e móvel %u2013 pode servir de divisória entre quarto e sala e estar voltada para qualquer ambiente. É possível ver TV da cama, da sala, ou da cozinha: é só girar a divisória.

A arquiteta Cybele Barbosa explica que, por aqui, a procura por esse tipo de imóvel é maior entre executivos, mulheres que adquiriram a independência mais cedo, casal sem filhos, parlamentares e assessores que ficam pouco tempo na cidade e pessoas que querem vida prática. Versatilidade é a maior característica do loft e, para garanti-la, tudo é permitido: “Temos de tirar as barreiras de espaço, sem regras”, diz Cybele.

Neste loft, a arquiteta Maria do Carmo Araujorge utilizou pisos de materiais diferentes e uma divisória destacada pela cor vibrante e pela transparência do vidro. Para ela, mesmo com divisórias, é importante deixar um vão aberto. (Clausem Bonifácio/Divulgação)
Neste loft, a arquiteta Maria do Carmo Araujorge utilizou pisos de materiais diferentes e uma divisória destacada pela cor vibrante e pela transparência do vidro. Para ela, mesmo com divisórias, é importante deixar um vão aberto.

Helaine Caloête, também arquiteta, vai mais além: “Tudo é permitido, banheira no meio do quarto, banheiro sem porta ou closet aberto”. Mas é necessário bom senso para que a decoração agregue funcionalidade e beleza. “É preciso ter harmonia entre os móveis, um bom espaço para circulação e praticamente nenhuma parede”, orienta a arquiteta Maria do Carmo Araujorge.

A arquiteta Beatriz Del Giudice criou, em 52 m2­, um espaço com ambientes integrados. O objetivo era reunir tudo o que fosse útil para o morador e que identificasse a personalidade e as preferências de um jovem atleta, como diversos tipos de aparelhos de ginástica. (Haruo Mikami/Divulgação)
A arquiteta Beatriz Del Giudice criou, em 52 m2­, um espaço com ambientes integrados. O objetivo era reunir tudo o que fosse útil para o morador e que identificasse a personalidade e as preferências de um jovem atleta, como diversos tipos de aparelhos de ginástica.

Para garantir harmonia na integração dos espaços, a arquiteta Beatriz Del Giudice dá a dica: “Gosto da utilização de uma base neutra, como tons de cinzas, por exemplo, com toques pontuais de cor. Elas podem definir os ambientes, sendo utilizados, por exemplo, os detalhes vermelhos na cozinha e amarelos no quarto”, orienta, ao explicar que a falta de privacidade é intencional, mas, para garantir o isolamento de espaços de intimidade, o banheiro e o closet podem ser separados.

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