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Delícia de bairro

Do segundo semestre do ano passado para cá, a administração de Águas Claras emitiu 80 alvarás para a área de culinária. Empresários impressionam-se com tamanho movimento e já veem o local como um novo polo gastronômico

Rodrigo Craveiro - Redação Publicação:03/05/2013 16:25Atualização:03/05/2013 16:54

 

Dez anos atrás, Águas Claras era um amontoado de lotes vazios e um grande canteiro de obras. Um ou outro comércio surgia no bairro, ainda que timidamente. A cidade, antes dormitório, cresceu e ganhou vida própria. Além de abrigar ao menos 150 mil pessoas em 31,5 km², tornou-se um polo gastronômico capaz de agradar a todos os gostos. Da culinária árabe à japonesa, o leque de opções é amplo e os preços, muitas vezes mais acessíveis.


De 2009 até o primeiro semestre de 2012, a Administração Regional de Águas Claras havia emitido 122 alvarás para a área de gastronomia. Do segundo semestre do ano passado até agora, já foram liberados 80 documentos. Em janeiro passado, o Mirante Plaza Gourmet, um empreendimento de 1,4 mil m², que dispõe de três lanchonetes, dois restaurantes, uma cervejaria, uma confeitaria e um açougue, impulsionou ainda mais o setor na região.

Os amigos Guilherme e Letícia comemoram as novas opções de Águas Claras: não é preciso 
mais ir ao Plano Piloto para comer e beber bem (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Os amigos Guilherme e Letícia comemoram as novas opções de Águas Claras: não é preciso mais ir ao Plano Piloto para comer e beber bem

Com capacidade para 300 pessoas, a terceira loja da cervejaria Devassa no Distrito Federal funciona no centro comercial do bairro. Desde a inauguração, costuma ficar lotada nos fins de semana, com filas enormes. “O público de Águas Claras nos proporcionou uma grata surpresa. Fomos muito bem acolhidos e estamos trabalhando para retribuir essa acolhida”, diz Leonardo Arantes Lessa, sócio operacional da franquia no local. Aos sábados e domingos, a casa recebe uma média diária de 850 clientes. Nos dias de semana, cerca de 650.
O estudante Guilherme Anchieta Peixoto, na companhia da amiga Letícia Fontes Borges, elogia o atendimento. “Aqui tem chopes que não encontramos facilmente em outros bares”, diz.


O jornalista Fernando Luz e a mulher, a economista Christiane Fleury, decidiram investir em uma marca já consolidada em Brasília. O resultado foi uma clientela fiel, com filas imensas na porta de uma das seis franquias do restaurante Peixe na Rede na capital, situada também no Mirante Plaza Gourmet e inaugurada em 6 de fevereiro. “Eu acompanhei a trajetória do colega jornalista Leonel da Mata e de sua mulher, Maria Luíza, que elaboraram pratos de tilápia cujo criadouro é deles mesmos, em sistema de piscicultura. Quando resolvi parar com o jornalismo, coincidiu com a abertura de franquias”, conta Fernando, referindo-se à criação da marca.

'Dadinhos de Tapioca': petisco diferente no Primeiro Cozinha de Bar (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
"Dadinhos de Tapioca": petisco diferente no Primeiro Cozinha de Bar

Ele conta que a decisão de apostar em Águas Claras se deu pelo fato de ela ser uma localidade em “ascensão”. “Há um público muito numeroso e ávido em encontrar alternativas por perto, pois a locomoção para o Plano Piloto é complicada. Além disso, a Lei Seca se tornou um desestimulador para que as pessoas saiam para outras regiões”, comenta. “Nós esperávamos um bom movimento, mas não tão avassalador.”


Com preços acessíveis e pratos sofisticados, como o “Filé Tropical” (acompanhado de arroz com gergelim, vinagrete, cebola roxa e abacaxi grelhado), o Peixe na Rede também se preocupa com a renovação frequente do cardápio. A franquia em Águas Claras tem capacidade para 118 clientes e mantém 36 funcionários. “O público de Águas Claras tem sido muito hospitaleiro, não apenas com meu restaurante, mas com o empreendimento como um todo, graças ao mix que temos”, conta.

Prato de 'Picanha Arretada': um dos mais pedidos da Devassa, em Águas Claras (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Prato de "Picanha Arretada": um dos mais pedidos da Devassa, em Águas Claras

E as opções não se restringem ao novo complexo. O bairro tem quatro shoppings e galerias comerciais com bons restaurantes, além de estabelecimentos já tradicionais e com um público cativo. No Shopping Quê, o Restaurante Kojima já é um dos mais requisitados de Águas Claras. Especializado em culinária japonesa, foi aberto no fim de janeiro e tem capacidade para 90 pessoas. Proprietário e chef do Kojima, o pernambucano Alexandre Faeirstein, explica que o restaurante teve início em Recife. “Comecei como empresário e me tornei chef. Hoje, todos os pratos são elaborados por mim”, explica.


Ele se diz surpreso com o bom retorno. “É outro tipo de público, mais jovem e muito mais família. A casa é um pouco de balada, como na Asa Sul, mas muito mais família”, detalha. Com 110 lugares, o Kojima recebe até três vezes a capacidade de lotação às sextas-feiras. “Nossa proposta era atender todo o público de Águas Claras, uma vez que muitos clientes da região se deslocavam até a Asa Sul para frequentar a filial (inaugurada em 1997)”, afirma o gerente Aguinelo Ferreira. A casa trabalha com dois cardápios: festival e à la carte. No primeiro, o cliente é servido na mesa, em uma espécie de rodízio, com uma variedade enorme de pratos, inclusive criações próprias, como o “Fantasia” – um sashimi com molho à base de azeite quente. O menu inclui combinados de sushis, sashimis e makimonos; além de robatas de camarão, peixe e polvo; tempura de 10 variedades e filé de peixe com camarão gigante ao molho de blueberry. “Temos ainda sobremesas que não estão no rodízio”, completa Faeirstein.

Prato 'Sushi Dragon': parte do cardápio do restaurante Kojima, no Shopping Quê (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Prato "Sushi Dragon": parte do cardápio do restaurante Kojima, no Shopping Quê

O gerente do Kojima acredita que Águas Claras tem um grande potencial para a área gastronômica, especialmente a culinária japonesa. “Muitas vezes, o público tinha de se deslocar para apreciar algum restaurante, e isso mudou. Nos fins de semana, todos os estabelecimentos estão sempre lotados. O mercado está aquecido”, admite Aguinelo.


Um pouco abaixo, na avenida Castanheiras, o Primeiro Cozinha de Bar e Restaurante transformou-se num dos points mais agitados de Águas Claras. Aberto de terça a domingo, recebe até 250 pessoas – em média, são 2 mil clientes por semana. Rebecca Furtado, sócia do Primeiro Bar e Restaurante, observa que o natural é que as pessoas procurem boas opções de bar perto de onde moram. De acordo com o sócio-proprietário Thales Furtado, a localização e a decoração do bar são pontos fortes. “O Primeiro tem em sua marca ‘Cozinha de Bar’ e, por isso, nossa principal preocupação foi com o cardápio, desenvolvido pela chef Adriane Russo, que integra a sociedade com mais seis pessoas. A ideia foi oferecer os clássicos de boteco, como a picanha na chapa, ragu de rabada com agrião, salgados com toques diferenciados e o alho assado.

Filé à parmegiana tamanho família: um clássico do tradicional Restaurante do Rubinho (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Filé à parmegiana tamanho família: um clássico do tradicional Restaurante do Rubinho

Na região norte de Águas Claras, dois tradicionais restaurantes oferecem deliciosas opções em pratos à base de carne vermelha. Uma visita à cozinha da Costelaria Boina Brasa é um convite à abertura do apetite. Suculentas peças de costela bovina assam na grande churrasqueira, enquanto em outra é preparada a picanha grelhada na parrilha. O paranaense Nereu Adelino Lima dos Santos abriu o restaurante há quatro anos e meio. O carro-chefe do cardápio é a costela minga, também chamada de ponta de agulha. “Na parte grossa, ela tem cartilagens e é entremeada com gordura, o que a torna mais saborosa. Uma única costela tem cinco sabores diferentes”, explica o empresário.


A costela, acompanhada de arroz branco, mandioca amarela, farofa e vinagrete, e a picanha classe grill feita na brasa, com os mesmos acompanhamentos, servem até quatro pessoas. Segundo Nereu, a Costelaria Boina Brasa recebe cerca de 500 clientes nos fins de semana. “Águas Claras tem um mercado de potencial muito interessante. Marcas consolidadas estão vindo para cá”, admite.

Picanha na chapa: parte do cardápio da Boina Brasa (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Picanha na chapa: parte do cardápio da Boina Brasa

A apenas 200 m da Boina Brasa, o Restaurante do Rubinho também já se consolidou como um dos locais mais frequentados de Águas Claras. Há sete anos na região, a casa passou por uma expansão recente e, mesmo assim, costuma ficar lotada aos sábados e domingos, com filas de espera. “Inicialmente, éramos só uma pequena pizzaria e, um ano e meio depois, introduzimos os pratos”, lembra o chef e empresário Ruben Ferreira da Costa, mais conhecido como Rubinho. O sucesso da casa está, principalmente, no famoso filé à parmegiana, adaptado com uma receita original à base de filé mignon, tomate San Marzano e queijo muçarela. “A ideia era criar um prato que pudesse ser o carro-chefe. Inovamos no formato: decidimos servi-lo na mesma forma que assamos as pizzas e num tamanho família. Deu certo”, comemora Rubinho.

Prato 'Filé Tropical', do restaurante Peixe na Rede: sofisticação com preço acessível (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Prato "Filé Tropical", do restaurante Peixe na Rede: sofisticação com preço acessível

Rubinho abriu o restaurante em 2005, depois de concluir o curso de artes culinárias no Sheridan Vocational Technical Center, em Hollywood (Flórida). Ele também não tem dúvidas do potencial gastronômico de Águas Claras. “Sempre acreditei que era grande e vejo isso se confirmar na atualidade. A cidade recebe constantemente novas casas e, hoje, já atendemos muitos clientes de outras cidades”, explica. O empresário acredita que o segmento gastronômico se tornou um dos maiores empregadores de Águas Claras.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017