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Decoração | Casa de solteiro »

Só e bem acomodado

Projetos de decoração elaborados para pessoas que moram sozinhas são cada vez mais comuns em Brasília. Principais interessados são jovens funcionários públicos, recém-aprovados em concursos, além de homens e mulheres que buscam autonomia e conforto no dia a dia

Vanessa Aquino - Redação Publicação:08/05/2013 15:41Atualização:08/05/2013 15:47

Projeto da arquiteta Sara Volpato para a cobertura de um cliente: na parte inferior, espaçoso living, escritório e área para hóspedes (Haruo Mikami/Divulgação)
Projeto da arquiteta Sara Volpato para a cobertura de um cliente: na parte inferior, espaçoso living, escritório e área para hóspedes

Ter uma casa confortável e funcional é o desafio de muitas pessoas que optam por morar só. Em Brasília, o número dos que precisam ou escolhem viver sem dividir espaço com outra pessoa é grande, por ser uma cidade que abriga jovens recém-aprovados em concursos e até políticos que decidiram ter uma casa montada na cidade, embora a família tenha permanecido no estado de origem. Para atender à demanda, escritórios de arquitetura e construtoras têm dado atenção especial a projetos elaborados exclusivamente para clientes com esse perfil. “Esse tipo de projeto é muito comum e o mercado é amplo. As construtoras têm se especializado nessa área também”, explica a arquiteta e designer de interiores May Moura.


De acordo com Yeda Garcia, também arquiteta e designer de interiores, a procura por profissionais para orientar e elaborar um projeto de decoração para pessoas que moram sozinhas é cada vez mais comum. “Tenho feito muitos projetos assim, o que me dá prazer. É mais fácil imprimir a personalidade de uma só pessoa em um ambiente do que de uma família. Normalmente, são pessoas que querem ter os amigos por perto. Não são pessoas solitárias, elas optaram por viver sozinhas”, destaca.

Amante das artes e da gastronomia, o cliente da arquiteta Yeda Garcia pediu espaços amplos: projeto valoriza os objetos e se destaca pela integração de ambientes (Edgar César/Divulgação)
Amante das artes e da gastronomia, o cliente da arquiteta Yeda Garcia pediu espaços amplos: projeto valoriza os objetos e se destaca pela integração de ambientes

A arquiteta Gislaine Garonce aponta outra razão de tal demanda: a metragem reduzida dos apartamentos dificulta na hora de decorar e o morador acaba procurando a orientação de um profissional. “Muitas vezes, esses clientes não podem contar com ninguém para dar uma opinião a respeito”, acrescenta.


Tornar o espaço aconchegante, funcional e com a cara do dono é a principal preocupação dos arquitetos e decoradores. Para chegar a um resultado satisfatório, é preciso entender as necessidades do morador e adequar cada espaço às atividades dele. No caso do cliente de Gislaine Garonce, a exigência era por um espaço acolhedor para receber amigos e familiares. “Elaborei um ambiente prático, jovial e com funcionalidades que facilitam a arrumação mesmo em um espaço com metragens reduzidas”, esclarece.


Já o arquiteto Marcus Vinicius Godoy teve de se preocupar em montar um ambiente integrado, com espaços bem aproveitados, além de priorizar cores sóbrias para o acabamento. Desse modo, de acordo com Godoy, foi mais fácil garantir uma casa versátil, com objetos fixos mais neutros e peças móveis – que podem ser trocadas com maior frequência – mais ousadas. “Dividir dois ambientes sem perder sua integração talvez foi o maior desafio. Foi criada uma parede para o uso de mobiliário da sala, trabalhando com nichos para evitar o fechamento total do ambiente. A cozinha ficou levemente separada por uma bancada/mesa, mas de forma a não fixa-lá, dando mobilidade e dinamismo de acordo com a necessidade de visitas ou uso da cozinha”, detalha.

Loft decorado por Marcus Vinicius de Godoy: 'A cozinha ficou levemente separada por uma bancada/mesa da sala, mas sem fixá-la dando mobilidade e dinamismo ao espaço' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Loft decorado por Marcus Vinicius de Godoy: "A cozinha ficou levemente separada por uma bancada/mesa da sala, mas sem fixá-la dando mobilidade e dinamismo ao espaço"

Godoy explica que, no caso de um loft, é preciso comportar tudo o que é útil ao morador, para que seja funcional, mas também é necessário que o ambiente seja agradável para receber os amigos.

Pontualmente, o arquiteto explica os cuidados que precisou tomar para que o projeto agradasse e suprisse os anseios do dono da casa.

“Sala e cozinha precisaram ser bem distribuídas, mostrando toda a sua funcionalidade e convidando os visitantes a usá-las. A lavanderia foi realocada para a área do box do banheiro e fechada de maneira a parecer inexistente. No pavimento inferior, onde ficou toda a área íntima da residência, foi locado primeiramente uma parede, criando um amplo closet, que serve de painel para TV e móvel de home.

Havia dois banheiros nesta parte inferior, e um deles foi retirado para utilização de um escritório ou sala de estudos. E, por último, mas também com muita importância, foi feito todo o projeto de forro e luminotécnico a fim de evidenciar todo o projeto de design com uma iluminação adequada e dinâmica”, destaca Godoy.

O perfil do dono desta casa, assinada por May Moura, deu o tom do projeto: solteiro, estável financeiramente e com apreço por tecnologia, ele quis espaços conectados, mas bem definidos (Edgar César/Divulgação)
O perfil do dono desta casa, assinada por May Moura, deu o tom do projeto: solteiro, estável financeiramente e com apreço por tecnologia, ele quis espaços conectados, mas bem definidos

No caso do projeto elaborado por May Moura, houve a intenção do uso de peças com excelente padrão de acabamento e design, porém, com a preocupação de não ter um aspecto desatualizado. “O cliente tem gosto por tecnologia, mas foge do perfil nerd ou high-tech, preza fluidez e conectividade dos ambientes. Não abre mão de ter espaços bem definidos. O projeto se destaca pela semelhança com um loft”, descreve a arquiteta. “É um solteiro, estabilizado financeiramente e que não leva trabalho para casa. Gosta de desfrutar os espaços com qualidade. Aprecia bons vinhos, mesmo que sua adega não precise comportar mais que 20 garrafas. Recebe amigos com frequência e é um romântico que prioriza a intimidade de um relacionamento. Exige praticidade na manutenção e se incomoda com exageros e modismos.”


O cliente da arquiteta Yeda Garcia tem duas características marcantes que nortearam o projeto: é um amante das artes e adora cozinhar para os amigos. Por isso, a cozinha integra-se totalmente ao living. “As obras de arte estão por todos os lados. No escritório, foram criados nichos para abrigar objetos étnicos, garimpados em viagens.” Yeda explica que o cliente solicitou espaços amplos e o projeto se destaca, essencialmente, pela integração. “Um dos quartos do apartamento foi integrado à sala, criando o escritório. A cozinha também integra-se à sala. Essa é a grande virtude desse apartamento. Os espaços são generosos, amplos e integrados”, define.

A metragem reduzida deste apartamento norteou o desafio da arquiteta Gislaine Garonce: ambiente prático, jovial e acolhedor, que permite receber os amigos (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
A metragem reduzida deste apartamento norteou o desafio da arquiteta Gislaine Garonce: ambiente prático, jovial e acolhedor, que permite receber os amigos

A personalidade funcional do cliente da arquiteta Sara Volpato foi fundamental no momento de fazer o projeto. “Ele sabia exatamente o que queria e aproveitamos todos os móveis que ele tinha.” Sara precisou, porém, adequar o duplex de cobertura às necessidades do cliente. “Cozinha e serviço, assim como quartos de hóspedes, ficaram no sexto andar, juntamente com um espaçoso living e escritório. Já a cobertura é um imenso quarto, com uma pequena cozinha gourmet, varandas com ofurô e sauna. Quarto, closet e banheiro ficam separados, mas integrados por meio de grandes portas de correr. Um homeoffice conjugado com a TV fecham as necessidades do apartamento e do cliente”. Além disso, a pedido do morador, a arquiteta projetou uma cobertura que mantém a privacidade, mesmo com hóspedes ou funcionários no andar inferior.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017