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Dez perguntas para | Marcelo Lins »

Direto da Alemanha

Preparador físico do Bayern de Munique, um dos maiores clubes de futebol do mundo, Marcelo Lins, carioca criado em Brasília, já foi duas vezes vice-campeão da Europa e bicampeão alemão. Agora, quer voltar para a capital do Brasil

Matheus Teixeira - Redação Publicação:10/05/2013 17:27Atualização:10/05/2013 17:37

Marcelo Lins durante treino no Bayern de Munique, onde está há cinco temporadas: 'Meu relacionamento com os jogadores é extremamente profissional. Raramente 
os encontro fora do campo' (imago/Lackovic FC Bayern München)
Marcelo Lins durante treino no Bayern de
Munique, onde está há cinco
temporadas: "Meu relacionamento com
os jogadores é extremamente profissional.
Raramente os encontro fora do campo"
Qualquer um que acompanha e gosta de futebol sabe dizer facilmente quem são os brasileiros em destaque na Europa. Sabe em que times eles jogam e até lembra de jogadas e gols de placa que os craques fizeram e foram reproduzidos mundo afora. No entanto, quase ninguém sabe que tem brasileiro se destacando no esporte no Primeiro Mundo, porém fora das quatro linhas do campo.


Carioca criado em Brasília, Marcelo Lins, de 40 anos, é preparador físico do Bayern de Munique há cinco temporadas. Duas vezes vice-campeão da Europa e duas vezes campeão alemão e da Copa da Alemanha, Marcelo é responsável pelo condicionamento físico de um dos maiores clubes do mundo.


Nascido no Rio de Janeiro, veio para Brasília aos 6 anos e, por aqui, aprendeu quase tudo o que pratica hoje. Estudou em colégios tradicionais da cidade e formou-se em educação física pela Universidade Católica de Brasília (UCB).


Há cinco temporadas no clube alemão, Marcelo prepara o desembarque: pediu demissão para voltar a morar em Brasília. O motivo é pessoal: quer ficar mais próximo do pai, que passa por problemas de saúde.


Para Encontro Brasília, o preparador físico conta um pouco sobre a convivência com grandes estrelas do futebol mundial, fala da sua relação com a nossa capital e dá alguns palpites sobre a Copa do Mundo do ano que vem.


1 | ENCONTRO – Você nasceu no Rio de Janeiro, mas morou muitos anos em Brasília. Você se considera carioca ou brasiliense? Vem a Brasília com que frequência?


MARCELO LINS – Sou mais brasiliense do que carioca. Morei em Brasília dos 6 aos 24 anos. Estudei e me formei na capital, e tenho muito orgulho disso. Todo ano volto para visitar minha família. Também mantenho as amizades que fiz no tempo em que morava na cidade. Quando eu venho, fico no máximo 10 dias, como é pouco tempo, infelizmente não consigo rever todo mundo.

2 | Seu pai foi jogador do antigo time profissional do Ceub de futebol. Qual a influência dele para você ter seguido carreira no meio do futebol?


Meu pai era servidor público e, depois que eu nasci, ele não jogava mais profissionalmente. Porém, sempre estava envolvido com o futebol. Jogava peladas, participava de campeonatos amadores, e eu sempre o acompanhava. Com certeza, influenciou muito para eu também ser apaixonado pelo esporte.

3 | Qual sua formação?


Em Brasília, estudei nos colégios Objetivo e Alvorada. Depois, entrei para a UCB e fiz educação física. Formado, fui para os Estados Unidos fazer mestrado em fisiologia do exercício. Lá consegui emprego na Athletes Performance, empresa de assessoria esportiva que trabalha com diversos esportes, entre eles o futebol.

4 | E como foi parar no Bayern de Munique?


Quando eu estava na Athletes Performance, trabalhava diretamente com o Chivas, time da primeira divisão de futebol dos Estados Unidos, que era treinado pelo Martin Vásquez. Anos depois, as seleções do Catar e da Alemanha contrataram a Athletes. Eu fui para o Catar, e o Shad Forsythe, meu amigo, para a Alemanha. Na época, a Alemanha era treinada por Jurgen Klinsmann. Em 2007, Klinsmann foi contratado pelo Bayern de Munique e exigiu alguém da Athletes Performance para ser o preparador físico do time. Martin Vásquez me indicou. Shad Forsythe, que trabalhou com ele na seleção e é até hoje o preparador da Alemanha, reforçou a indicação e eu me tornei preparador físico do Bayern.

5 | Como foi a adaptação na Alemanha?


Acredito que, para qualquer brasileiro, seria difícil se acostumar com a Alemanha. Mas, como anteriormente eu estava no Catar, e, antes ainda, nos Estados Unidos, já estava ambientado com o frio e não senti tanto o choque cultural. Sem falar que o clube ajuda muito. Propicia uma série de facilidades para que os estrangeiros se adaptem bem.

6 | Como é trabalhar em um dos maiores times do mundo, que tem craques internacionais no elenco? Teve problema de relacionamento com algum jogador?


Tenho orgulho de fazer parte do Bayern. O ambiente de trabalho é gratificante. Meu relacionamento com os jogadores é extremamente profissional. Raramente os encontro fora do campo. Mas todos são muito tranquilos e profissionais. Sabem que, para estar ali, em um dos melhores times do mundo, têm de dar o máximo, se empenhar em todos os treinamentos. Cobro muito para que eles fiquem com o melhor preparo possível, e nunca ouvi reclamação. Em cinco temporadas, não tive nenhum problema.

7 | Os brasileiros são conhecidos por não gostarem de treinamento físico. Preferem estar com a bola no pé e têm a fama de fugir de treinamentos mais puxados. Isso é verdade?


Quando cheguei ao Bayern, o Lucio e o Zé Roberto estavam no time. Hoje, trabalho com o Dante, com o Rafinha e com o Luis Gustavo. Sei da fama dos brasileiros, mas não tenho nada para falar sobre os que passaram por aqui. São extremamente profissionais, não perdem em nada para os alemães.

8 | E qual a expectativa para a chegada de Josep Guardiola, que assumirá o comando do time em junho e é considerado um dos melhores técnicos do mundo? Você seguirá na comissão técnica?


A comissão foi informada de que não haverá mudança com a chegada do Guardiola. Eu poderia continuar na equipe, porém, voltarei para Brasília assim que acabar a temporada. Meu pai está com um problema de saúde e optei por voltar ao Brasil para acompanhá-lo nesta luta.

9 | Pretende continuar trabalhando com futebol em Brasília? Quais são seus planos profissionais?


Não sei ao certo o que vou fazer. Como todos sabem, Brasília não é o lugar ideal para trabalhar com futebol. Em princípio, penso somente em ajudar meu pai.

10 | Qual sua aposta para a Copa do Mundo do próximo ano? O que tem a dizer sobre a Seleção da Alemanha, que você acompanha de perto há cinco temporadas?


Algumas seleções estão na frente do Brasil. Têm equipe formada, jogam juntos há anos, e isso conta muito. Um exemplo é a Alemanha. A base da seleção é o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund. Os jogadores se conhecem, são entrosados. Mas Brasil é Brasil. Cresce em momentos decisivos e tem atletas diferenciados. Quero ver a seleção levantar o hexa no Maracanã, mas não apostaria em ninguém. Ambas as seleções, ao lado de algumas outras, estão entre as favoritas.

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