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Adolescente pode malhar?

Especialistas afirmam que não há nenhuma recomendação médica contrária à prática de musculação nessa fase, mas os cuidados devem ser redobrados. O excesso de peso é um dos principais riscos a que os jovens estão expostos

Matheus Teixeira - Redação Publicação:14/05/2013 15:05Atualização:14/05/2013 15:30

Aos 12 anos e cheio de energia para a academia, Victor comemora: 'Estou mais forte' (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Aos 12 anos e cheio de energia para a academia, Victor comemora: "Estou mais forte"
 

É comum escutar que fazer musculação na adolescência é perigoso porque pode atrofiar os músculos e prejudicar o crescimento do jovem. A crença, no entanto, é um mito sem fundamento, garantem especialistas. Desde que bem orientado, o exercício pode, sim, fazer bem para a saúde do adolescente. Apesar disso, todo cuidado é pouco. Uma lesão facilmente curável no adulto pode ser muito mais grave, e até definitiva, no corpo em formação. Por isso, a atenção aos mais jovens deve ser redobrada.


Aos 16 anos, Isabela Stoffel é adepta dos pesos e aparelhos: 'A orientação do 
instrutor faz toda a diferença' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Aos 16 anos, Isabela Stoffel é
adepta dos pesos e aparelhos:
"A orientação do instrutor faz
toda a diferença"
O principal risco, segundo os profissionais de educação física e médicos, é pegar mais peso do que o recomendado. “O exercício tem de ser, obrigatoriamente, acompanhado por um instrutor. A chance de o jovem se empolgar e aumentar os pesos é grande. E é aí que mora o problema”, explica a hebiatra (subespecialização da medicina em adolescência) Mônica Mulatinho. Apesar de não haver uma recomendação médica contrária à prática da musculação, Mônica acredita que, nessa fase, é mais saudável outro tipo de modalidade, inclusive para a formação da personalidade dos jovens. “No esporte coletivo, o adolescente ganha noção de companheirismo, trabalho em grupo, superação de limites, além de competir de forma saudável com os colegas. Nessa idade, não vejo nada mais importante do que isso”, argumenta a médica.


Para ela, seria mais recomendável a prática da musculação depois de encerrado o ciclo de crescimento. “É na puberdade que eles abrem o peito e os ombros. Ganham corpo, como costumamos falar. A musculação não acelera o processo, como alguns podem supor”, afirma. “A pessoa para de crescer quando completa 17 anos de idade óssea. Um jovem de 15 anos, por exemplo, já pode ter atingida a idade óssea de 17 anos, assim como outro da mesma idade pode não ter nem passado dos 13 anos. Vai do desenvolvimento de cada um. Só um exame pode verificar isso”, destaca.


Emília Alcântara, de 15 anos, sabe dos riscos: consultou-se com um médico antes de começar a malhação
Emília Alcântara, de 15 anos, sabe
dos riscos: consultou-se com um
médico antes de começar a
malhação
A estudante do 1º ano do ensino médio Emília Alcântara tem 15 anos e malha há um ano e três meses. Mas, antes de se submeter aos treinos, consultou um ortopedista. “Sou nova e não quero correr nenhum risco, por isso fui ao médico. Ele garantiu que não tinha problema, mas me orientou a não pegar muito pesado”, justifica. O objetivo de Emília era ficar com o corpo mais bonito: “Não quero ficar musculosa, mas queria ganhar um pouco de massa muscular e definição”. Beatriz Gaudino, de 17 anos, e a amiga Isabela Stoffel, um ano mais nova, também aderiram aos equipamentos e pesos, porém estão cientes dos riscos de uma carga elevada. “Não faço nada além do que o professor recomenda”, admite Beatriz, que começou a malhar incentivada pelo pai. Hoje, vai à academia todos os dias e não pensa em parar: “Criei gosto pela musculação”, conta. Isabela também ressalta a importãncia de ter um bom instrutor ao lado. “Eles nos ensinam os movimentos corretos. Isso faz a diferença”, afirma.


As academias, no entanto, têm recebido alunos ainda mais jovens. Marcellus Peixoto, do Conselho Regional de Educação Física, diz que um dos problemas dos teens nas academias é que alguns não têm o tamanho mínimo para usar os aparelhos. “É preciso ter a altura adequada, senão o exercício será feito de forma incorreta e pode causar alguma lesão”, afirma. Ele também acredita que os exercícios devem ser diferentes nessa faixa etária: atividades mais lúdicas que trabalhem flexibilidade, coordenação motora, equilíbrio e desenvolvimento corporal”, aconselha.

Fabrício tem apenas 11 anos e participa de um programa especial na academia: 
depois do futebol, a musculação é do que ele mais gosta (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Fabrício tem apenas 11 anos e participa de um programa especial na academia: depois do futebol, a musculação é do que ele mais gosta

A academia Bodytech aceita alunos a partir dos 13 anos. O profissional de educação física e instrutor André Lima acredita que a academia pode até ajudar no amadurecimento. “Ensinamos a eles que não basta ter a idade mínima para estar aqui. É preciso ter consciência e responsabilidade para não exagerar nos exercícios e saber se portar num ambiente de adulto”, acredita.


Aos 12 anos, Victor Andrade já comemora. "Estou mais forte", diz o pequeno malhador, com cinco meses de experiência. Seu colega de turma Fabrício Fernandes, de 11 anos, também já celebra resultados. “Meu condicionamento físico evoluiu”, acredita. “Depois do futebol, é o que mais gosto de fazer”, garante. Os dois participam de um programa da Companhia Athletica que oferece atividades específicas para meninos entre 11 a 14 anos. Uma parte da academia fica reservada para os garotos e os professores fazem um circuito especial para eles, como explica um dos instrutores, Rafael Brito. “As máquinas são as mesmas, mas colocamos pesos mais leves e fazemos um trabalho mais didático, para o aluno entender qual músculo está trabalhando”, descreve.

A hebiatra Mônica Mulatinho acredita que a chance de o adolescente 
se empolgar e aumentar o peso é grande: 'É aí que mora o problema'         (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
A hebiatra Mônica Mulatinho acredita que a chance de o adolescente se empolgar e aumentar o peso é grande: "É aí que mora o problema"

Apesar dos estímulos que as academias podem oferecer, Marcellus Peixoto, do Conselho Regional de Educação Física, condena a substituição das aulas de educação física pela musculação, medida adotada por algumas escolas. “Sou contra. Os exercícios são complementares. A aula de educação física é muito importante, são jogos coletivos, que ensinam princípios aos alunos”, alerta.

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