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DEZ PERGUNTAS PARA | ÍSIS VALVERDE »

A "menina linda" da telona

Atriz estreia no cinema com um desafio: dar vida a Maria Lúcia, personagem criada por Renato Russo e que fez parte do imaginário de toda uma geração de brasileiros. Ela fala sobre a relação que construiu com Brasília

Renato Alves - Redação Yale Gontijo - Redação Publicação:19/06/2013 15:09Atualização:19/06/2013 15:15

Para conseguir o papel de Maria Lúcia, Ísis Valverde teve de fazer cinco testes: diretor não queria que os protagonistas já fossem famosos (Monique Renne/CB/D.A Press)
Para conseguir o papel de Maria Lúcia, Ísis Valverde teve de fazer cinco testes: diretor não queria que os protagonistas já fossem famosos
 

Aos 13 anos, Ísis Nable Valverde, por influência da mãe, a advogada Rosalba Nable Valverde, aprendeu a cantar, de cor e salteado, os 159 versos de Faroeste Caboclo. Nada demais. Essa era uma moda entre os jovens de sua época e de muito antes. Uma espécie de prova de fogo dos fãs da Legião Urbana. Mas a menina nascida e criada em Aiuruoca, cidade do Sul de Minas Gerais com menos de 7 mil habitantes, cresceu, virou apenas Ísis Valverde, atriz global e estrela nacional. De fã da banda brasiliense, acabou se transformando em personagem de uma das mais famosas canções escritas por Renato Russo. Agora, a intérprete da piriguete-maria-chuteira-suburbana Suellen e da baiana cantora de axé Sereia também é Maria Lúcia.

Desde 30 de maio, todo o país pode conferir o desempenho de Ísis Valverde em Faroeste Caboclo. Mas os brasilienses – ou pelo menos parte deles – tiveram o privilégio de vê-la na pré-estreia nacional da obra, assinada pelo conterrâneo René Sampaio, em concorridíssima sessão para convidados, em 14 de maio. Ísis e todo o elenco principal fizeram questão de vir à capital para também ver o longa-metragem pela primeira vez. Em conversas antes e depois da première, a atriz fez questão de falar de Brasília, onde morou por quase três meses, quando fez incursões pela cidade para construir a personagem e gravou suas cenas.

Faroeste é o primeiro trabalho no cinema da atriz de 26 anos. O rostinho lindo, porém, não garantiu o papel no longa, mesmo se tratando da personagem descrita por Renato Russo como “uma menina linda” a quem João de Santo Cristo o coração “pra ela prometeu”. Ísis Valverde precisou mostrar serviço para convencer René Sampaio. Desde o início, o diretor deixou claro preferir desconhecidos interpretando os protagonistas. Por isso, Ísis disputou a personagem com outras atrizes. Teve de fazer cinco testes. Aprovada, passou por uma longa oficina com o preparador de elenco Sérgio Penna para incorporar o universo, os sentimentos, as motivações e a força de Maria Lúcia.

Pré-estreia do filme Faraoste Caboclo (Monique Renne/CB/D.A Press)
Pré-estreia do filme Faraoste Caboclo
1 | ENCONTRO – Como ganhou o papel de Maria Lúcia?

ÍSIS VALVERDE – Tive de batalhar para convencer o René (Sampaio, diretor do filme). Provei que queria muito o papel e estava disponível. Garanti que não era uma novela ou uma capa de revista que iria me deixar de fora.

2 | Por que batalhou tanto?

Era um anseio meu fazer um filme, foi uma linda imersão. Fiquei mais de dois meses em Brasília, ouvi muito rock e aprendi a cantar os nove minutos de Faroeste Caboclo.

3 | Acha que Maria Lúcia pode dar um impulso ainda maior em sua carreira?

Minha relação com ela (Maria Lúcia) é muito íntima. Precisava de um personagem assim para dar um boom na minha carreira. Queria encontrar outras maneiras de atuar, e a personagem foi esse caminho.

4 | Como dar vida a pessoas que estavam na memória de tanta gente?

Vejo Maria Lúcia, em meio a Jeremias e a João, como uma princesa, uma Rapunzel. Ela é ao mesmo tempo contida e um vulcão, tem uma melancolia no olhar, parece um passarinho preso numa gaiola.

5 | Foi difícil fazer as cenas de sexo?

Não foi complicado, me senti segura o tempo todo. Existia confiança completa na direção do Sampaio e nada ali poderia sugerir uma imagem ruim. Mais complicado foi manter o ritmo diante da repetição do cinema. Há uma cena em que Maria Lúcia e João, ferido, estão dentro de casa. Ambos muito abalados. Aquela cena me exauriu enormemente porque exigia uma carga de emoção muito grande.

6 | Dos pontos de locação em Brasília, de qual você guarda as melhores histórias?

A hora que sentimos a secura de Brasília, que sentimos Renato Russo. Estávamos os três (ela e os atores que interpretam Jeremias e João de Santo Cristo). Nós saímos pelo gramado, todo mundo se abraçando (na Esplanada dos Ministérios). Foi a cena crucial para os três. Essa cena não está no filme, mas foi fundamental para sentirmos os personagens.

7 | Agora, que viu o filme, o que achou do desempenho dele e da reação do público brasiliense?

Era muito importante lançar esse filme aqui e ver a reação do público, dos moradores da cidade onde o Renato escreveu a música e a maioria das cenas foi filmada. Sempre ouvimos falar que o brasiliense é um público exigente, que vaia quando tem de vaiar e aplaude, vibra, se gosta. Dizem que é assim no Festival de Cinema. Durante a sessão, houve risos, aplausos e muitos comentários sobre Brasília. Ao fim, houve muitos aplausos. Fora da sala, muita gente nos procurou e elogiou o nosso desempenho, o trabalho do René. Foi sensacional, lindo! Tinha muita gente nas salas. As filas davam voltas.

8 | Os fãs da Legião Urbana irão ao cinema esperando ver ali a Maria Lúcia, o Jeremias e o Santo Cristo da música. Qual Maria Lúcia eles vão encontrar em Faroeste Caboclo?

Como o próprio René já disse, não fizemos um videoclipe. Fizemos um filme, uma adaptação da música. O filme é uma releitura dos personagens de Faroeste. Minha visão da Maria Lúcia sempre foi de uma mulher envolvente, porém frágil, mas que no final precisa mostrar muita força entrando em um duelo entre dois homens. O momento crucial para mim foi demonstrar toda a melancolia e a força que poderiam existir dentro dessa menina. Isso o espectador pode esperar dela.

9 | Você já coleciona, em seus papéis, uma galeria de mulheres fortes. Como encontra essa força para emprestar às personagens?

Acho que quem vê cara não vê coração. Cresci em um ambiente em que nem sempre podia ser uma menina boazinha. Sou muito tímida e precisei me trabalhar muito para vencer a timidez. Acho que acabei encontrando a força dentro de mim.

10 | Além dos cenários usados no filme e do trabalho para construção da personagem, o que viu de Brasília?

Fui a bons restaurantes e, ao mesmo tempo, a locais bem populares. Conheci uma cidade pouco mostrada na tevê. Vi que as pessoas trabalham, têm os seus desafios, como em qualquer lugar. Passei pela Rodoviária (do Plano Piloto), pela Torre de TV, pelo Setor Comercial. Isso serviu para quebrar um pouco daquele estereótipo que todo brasileiro tem de Brasília.

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