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Mais perto do céu

Governo planeja reabertura do Planetário de Brasília, que ficou 17 anos fechado, no segundo semestre. Nova estrutura conta com a cúpula reformada, novos projetores e tecnologia de última geração

Rodrigo Craveiro - Redação Publicação:24/06/2013 14:00Atualização:24/06/2013 14:12

R$ 11 milhões: total de investimentos aplicados no Planetário de Brasília, sendo R$ 7 milhões na parte física e R$ 4 milhões na instalação do SpaceMaster, na reforma da cúpula, na aquisição dos projetores digitais, sistema de sonorização e mobiliário (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
R$ 11 milhões: total de investimentos aplicados no Planetário de Brasília, sendo R$ 7 milhões na parte física e R$ 4 milhões na instalação do SpaceMaster, na reforma da cúpula, na aquisição dos projetores digitais, sistema de sonorização e mobiliário
 

Um espetáculo de qualidade inimaginável. O céu projetado em um teto côncavo, com tecnologia de última geração, apenas comparável à usada em Munique, na Alemanha. Depois de 17 anos fechado, as obras no Planetário de Brasília estão em fase de acabamento, e o novo centro de pesquisas e de lazer do Distrito Federal deverá ser inaugurado no segundo semestre.


O governo do Distrito Federal investiu R$ 11 milhões – R$ 7 milhões aplicados pela Novacap na reforma física e estrutural e R$ 4 milhões em equipamentos e mobiliários, que partiram da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e Inovação (Secti). A sala de projeção terá capacidade para 86 espectadores, além de espaço para acomodar pessoas com necessidades especiais.

Obras estão em fase de acabamento: prédio terá três pavimentos, com sala de projeção, laboratório de pesquisa digital e biblioteca (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Obras estão em fase de acabamento: prédio terá três pavimentos, com sala de projeção, laboratório de pesquisa digital e biblioteca

O sistema de projeção será composto pelo projetor astronômico central SpaceMaster, por oito projetores laterais digitais afixados às paredes laterais e um sistema de som formado por 12 caixas acústicas. “São equipamentos de ponta, vindos da Alemanha, que oferecem ótima qualidade”, explica Renata de Souza, secretária adjunta da Secti-DF. Os dois sistemas atuarão juntos, em perfeita sintonia e compatibilidade.


“Nós usaremos o antigo projetor ótico SpaceMaster, sincronizado com um projetor digital de última geração”, afirma o astrônomo e astrofísico Airton Lugarinho, coordenador do Projeto de Reabertura do Planetário de Brasília. Quando estiver em funcionamento, o Planetário de Brasília oferecerá sessões diárias, nos períodos matutino, vespertino e noturno, incluindo sábados e domingos. Em um primeiro momento, as sessões serão gratuitas.

Operários dão os retoques na cúpula: sistema de projeção será composto pelo projetor astronômico central SpaceMaster, por oito projetores laterais digitais e um sistema de som formado por 12 caixas acústicas
 (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Operários dão os retoques na cúpula: sistema de projeção será composto pelo projetor astronômico central SpaceMaster, por oito projetores laterais digitais e um sistema de som formado por 12 caixas acústicas

Renata admite que faltou vontade política nos governos anteriores para reabrir o planetário. “O prédio ficou fechado por 17 anos e não houve a atenção necessária para priorizar investimentos na reforma e na revitalização do local. “O governador Agnelo Queiroz, desde que assumimos a secretaria, nos pediu prioridade para esta questão”, reconhece.


 A ideia é que o Planetário de Brasília se torne um espaço multiuso. Além da sala de projeção, estarão disponíveis um laboratório digital de pesquisa, uma sala para exposições, oficinas e telescópios para visualização real dos astros. Todas as atividades serão acompanhadas por profissionais.

Além de espaço para oficinas, o ambiente contará com áreas de convivência: lanchonete e terminais de acesso à internet (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Além de espaço para oficinas, o ambiente contará com áreas de convivência: lanchonete e terminais de acesso à internet

O projetor SpaceMaster leva a assinatura da Carl Zeiss Yena, a mais famosa e completa fábrica de planetários do mundo, baseada na Alemanha. A empresa também produziu o Power Dome VIII, tecnologia de última geração de projeção e controle de luz da cúpula. “Somos o primeiro planetário a comprar o sistema. Durante algum tempo, seremos o único a utilizá-lo em todo o mundo”, comemora Lugarinho.


O Planetário de Brasília foi projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes e inaugurado em março de 1974. Com três pavimentos, o novo prédio também contará com biblioteca e terminais de acesso à internet, no piso superior. No subsolo, estarão as salas de oficinas didáticas e uma parede para exposições. A sala de projeção e uma lanchonete ficarão no térreo, com facilidade de acesso.

O astrônomo e astrofísico Airton Lugarinho, coordenador do Projeto de Reabertura do Planetário de Brasília: 'Será um poderoso instrumento de ensino' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O astrônomo e astrofísico Airton Lugarinho, coordenador do Projeto de Reabertura do Planetário de Brasília: "Será um poderoso instrumento de ensino"

 

A ciência dos olhos

 

Renata de Souza, secretária adjunta da Secti-DF: 'Faltou vontade política de governos anteriores. O prédio ficou fechado por 17 anos' (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Renata de Souza, secretária adjunta
da Secti-DF: "Faltou vontade política de
governos anteriores. O prédio ficou
fechado por 17 anos"
A projeção no Planetário de Brasília deverá se beneficiar de uma “deficiência visual”. De acordo com o astrônomo Airton Lugarinho, os humanos têm a vantagem de ter os olhos na parte frontal da face, o que lhes garante uma visão tridimensional. “Os animais que têm seus olhos laterais (como os cavalos e as aves, por exemplo) enxergam em duas dimensões. Os pássaros comem com a cabeça de lado, pois, com um dos olhos, veem a comida no chão e, com o outro, vigiam o céu para saber se vem algum gavião”, explica. “Nossa visão tridimensional funciona em distâncias pequenas. Somos capazes de saber se a caça está antes ou depois da árvore no campo. Sabemos se o carro está mais próximo de nós do que a calçada. Mas, quando olhamos para o céu, a coisa muda de figura. Não temos mais visão de profundidade, não sabemos se um avião vai ‘bater’ na Lua ou não”, acrescenta.


Quando olhamos para o céu, vemos todas as estrelas lado a lado, mesmo sabendo que elas estão em distâncias diferentes. “É esse o conceito utilizado pelo planetário. Ele projeta as estrelas em uma tela curva – na verdade, côncava – e nossa ‘deficiência visual’ faz o restante do trabalho. Então, acreditamos que estamos vendo um céu real. Essa é a única deficiência que nos leva a um lindo e gratificante passeio”, afirma Lugarinho.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017