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Os pastores do rebanho brasiliense

Às vésperas da Jornada Mundial da Juventude, mostramos quem são os padres que conquistam, a cada dia, mais fiéis, cantando, reunindo a comunidade ou fazendo sermões provocadores

Dominique Lima - Redação Diego Amorim - Redação Publicação:23/07/2013 13:52Atualização:24/07/2013 17:26

Grupo de jovens peregrinos em frente a Catedral Metropolitana de Brasília sai da cidade para a Jornada Mundial da Juventude - JMJ, no Rio de Janeiro (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
Grupo de jovens peregrinos em frente a Catedral Metropolitana de Brasília sai da cidade para a Jornada Mundial da Juventude - JMJ, no Rio de Janeiro
 

Fora das missas, os padres de Brasília raramente usam batinas – trocam-nas por ternos, camisas e calças jeans. O look casual pode causar estranheza em quem se prende a estereótipos sobre os religiosos católicos. Mas não se engane: a falta das vestes típicas não denota menor devoção. Responsáveis por cuidar do bem-estar espiritual dos católicos do Distrito Federal, esses homens imprimem a suas vidas um ritmo que deixaria surpreso o mais entusiasmado workaholic. São, em suas palavras, evangelizadores, representantes divinos, instrumentos de Deus.


Na prática, seu trabalho consiste em se dedicar ao outro: celebram missas, recebem confissões, aconselham, estudam e ensinam. E, apesar do que se lê sobre o decréscimo de fiéis do catolicismo, esses membros da Igreja têm de atender a muitos. Mesmo que indicadores mostrem uma queda importante da popularidade da maior religião do Brasil nas últimas décadas – entre os censos de 2000 e 2010, o número de pessoas que se definiram como católicos apostólicos romanos diminuiu nove pontos percentuais –, 56% dos moradores do Distrito Federal se declararam católicos no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010. O índice corresponde a mais de um milhão e 400 mil pessoas. Em todo o país, são 123,2 milhões católicos.


Para atender a esses fiéis, a Arquidiocese de Brasília soma 133 paróquias divididas em quatro vicariatos e conta com 153 padres residentes na cidade, além dos 69 em missão fora do DF. A centena e meia de eclesiásticos enfrenta desafios, que inclui administrar o choque entre as tradições de uma instituição milenar e as práticas da vida moderna. Muitas das atividades mais populares entre os padres de Brasília são aquelas que justamente tentam diminuir a distância entre os dois polos. Missas carismáticas, sermões provocadores, música, atividades comunitárias. As ações aproximam a imagem da Igreja mais àquela que promove a Jornada Mundial da Juventude do que a de uma instituição em decadência.


A jornada, evento bianual que reúne jovens católicos de todo o mundo, tem sido um marco positivo para os católicos apostólicos romanos. O último encontro, de 2011, teve como sede Madri, na Espanha, reuniu mais de 2 milhões de moças e rapazes dos cinco continentes e ganhou amplo espaço na mídia. Para manter o ritmo positivo, a edição deste ano, a ser realizada no Rio de Janeiro, terá a presença do papa Francisco e marca a primeira grande viagem dele desde que foi eleito. São aguardados 2,5 milhões de participantes.


Com o intuito de atrair as novas gerações, o evento traz, além dos momentos de oração, pregações direcionadas ao público jovem e shows com bandas católicas. Essas estratégias são também usadas no dia a dia de padres brasilienses. E o resultado desse trabalho é visto em todo o DF. Em Taguatinga, vive o padre Moacir Anastácio. Pouco mais de 16 anos depois de iniciar trabalho em pequena paróquia, o religioso reúne milhares de pessoas em suas missas de libertação e chega a atrair milhões para as celebrações de Pentecostes.


Líder do movimento denominado Renascidos em Pentecostes, ele teve infância e juventude de privações, chegou a Brasília ainda adolescente, analfabeto, e foi na capital que decidiu seguir a vocação religiosa. Ouviu uma voz que ganhou força e mudou sua vida. “Minha missão evangelizadora é de 24 horas por dia. Procuro ser padre 100% do tempo e sou muito realizado”, conta.


Também exemplifica o fortalecimento da comunidade em torno da Igreja o frade Alexandre Silva, da paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, no Novo Gama. Ele conseguiu, em oito anos, estreitar os laços da paróquia com fiéis e a população em geral por meio de projetos sociais e atividades próprias da Igreja, como missas, aconselhamentos e confissões. Bem-humorado e de discurso simples e sincero, conseguiu mudar a vida de muitos jovens, dando-lhes esperança e incentivo.


Sua congregação proporciona espaço para descontração num lugar com poucas opções de lazer, como as populares festas junina e de Dia das Mães. Há ainda projetos como o curso gratuito preparatório para o vestibular. Nele, como em todo o desenvolvimento da paróquia nos últimos anos, o trabalho voluntário e engajado da comunidade é imprescindível. Ao apresentar o altar da igreja, o padre mostra orgulhoso os cuidados investidos em cada detalhe. Descreve a intenção por trás da instalação e cada ponto de luz: “Foi um projeto doado por um jovem arquiteto aqui mesmo da comunidade”, comemora.


Entre os padres de Brasília, há ainda aqueles cujo trabalho ultrapassa os limites da paróquia. É o caso do frei Vicente, alemão de 67 anos. Além da formação teológica, seu amplo estudo em educação lhe garantiu afazeres paralelos. Hoje, além de celebrar missas aos domingos, representa no Brasil a Ordem de Malta, instituição milenar que hoje se responsabiliza por ações sociais ligadas principalmente às áreas de saúde e educação, além de ser secretário de planejamento da Escola Superior do Ministério Público da União.


De todas as atividades que exerce, são suas homilias que mais chamam a atenção dos fiéis. Durante o sermão, é possível ver as pessoas por vezes rindo, concordando com a cabeça ou mesmo imóveis, vidradas até. São as palavras do clérigo sozinhas que conseguem o feito de prender a atenção dos cerca de mil participantes. Sem alegorias, o frei permanece sentado durante todo o sermão. A intenção, segundo ele, é trazer para esse momento de reflexão as provocações que as escrituras causam nele mesmo. Por isso, ele não se esquiva de temas polêmicos. Segundo casamento, prostituição, infidelidade e homossexualidade são temas ouvidos em seus sermões. Uma atitude que pretende conciliar melhor a realidade dos fiéis com a filosofia da Igreja.


A música e a popularidade do padre Alessandro Campos, conhecido como “o padre sertanejo”, são outra forma de inovar a relação entre padres e devotos. De barba feita, camisa personalizada e sob medida, chapéu, bota e cinto com fivela, o jovem e pop Alessandro, de 30 anos, assinou contrato com a gravadora Universal Music. Ele não se cansa de falar da própria história e do seu maior sonho: fazer com que todo mundo cante sua música, O que é que eu sou sem Jesus?, e se convença da resposta apresentada pela letra escrita por ele.


Sua rotina se parece muito com a de qualquer outro músico no auge da carreira. Ele mora em Brasília, onde toda quarta-feira à noite celebra a famosa missa sertaneja no Oratório do Soldado, mas está sempre com o pé na estrada para cumprir a extensa agenda de shows pelo país. “Pode ser de uma maneira diferente, mas o que faço é levar o Evangelho a toda criatura”, sustenta ele, que diz não se incomodar com as críticas de quem se espanta com o “jeito de artista”. “Sou obediente ao meu bispo e à Igreja”.


E ele não é o único a usar a música para evangelizar. Com álbum lançado em março deste ano e 1,5 mil cópias distribuídas, o frade Alex Nuno também conseguiu realizar o projeto musical com sucesso. Veio de Salvador para Brasília para frequentar o seminário da ordem franciscana. Aqui encontrou grande diversidade cultural e teve maior contato com a renovação carismática da Igreja. Somou, então, o dom para a música, que veio antes mesmo da vocação religiosa, às novas experiências e a percepção de que é possível fugir do estereótipo tradicional de padre, que para ele em muito se distancia da juventude. Chegou a vencer um festival nacional de música, o Música e Cia., de 2011. “A importância da arte para a religião é inegável. Deus foi o primeiro, o artista da criação. Por meio da música.”


A importância de atingir os mais jovens vale ainda para os bem mais jovens. Entre os mais conhecidos em Brasília pela capacidade de se comunicar na linguagem das crianças está o mexicano Juan Carlos. Depois de uma juventude de rebeldia e anos de formação religiosa passados em diferentes países, ele se estabeleceu na capital federal. Além das missas e confissões na paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Sul, ele atua em uma das escolas mais badaladas da cidade. E aproveita para fazer um alerta aos pais: “Muitos filhos se sentem sozinhos e vazios, apesar de terem tudo em casa. Eles querem algo a mais, e é aí que entra a espiritualidade”.


Empolgado com o papa Francisco e o ensinamento de que, “na Igreja, poder é serviço”, o padre mexicano prega a importância de “ser amigo de Jesus”, sair da zona de conforto e apostar no valor da caridade. “Sou padre, mas não quero passar a ideia de que não tenho problemas, de que tudo é felicidade. Tenho minhas lutas, como todo mundo tem, mas encontrei o sentido da minha vida. Sei para onde estou indo, e isso me dá ânimo para acordar e viver”, acrescenta.


A disposição fez a diferença no trabalho do padre Godwin Uchego, da paróquia Nossa Senhora do Rosário, no Lago Sul. O nigeriano de 38 anos chegou à freguesia atual depois de conhecer diferentes realidades do Distrito Federal e entorno. Em quase quatro anos, conseguiu criar congregação coesa e reúne cerca de 700 pessoas, em média, nas missas de domingo. Ele acredita que a Igreja sem comunidade não tem sentido. Num sistema econômico que força cada um a ser individualista, é papel do pároco unir as pessoas.


Citando filósofos católicos, como Santo Agostinho, enumera três passos para os religiosos atuais conseguirem enfrentar esse desafio: “Um dos principais é buscar uma espiritualidade em Cristo e se afastar de projetos pessoais. É preciso também ser sensível diante da realidade e não se isolar. E terceiro, tem de ser padre pastor. Saber o que o povo está sentindo”.

 (Pedro de Souza/Divulgação)

O frei artista
Frei Alex
Origem: Bahia
Idade: 27 anos
Atua em Brasília há um ano e estuda na cidade há nove

 

Em sintonia com sua geração, o jovem frei Alex, de 27 anos, sabe a força que o movimento carismático traz para a Igreja. Ele mesmo se encantou com a Igreja por meio dessa frente. Com fala eloquente e segura, explica com calma a história que o trouxe de Salvador para Brasília. Veio para frequentar o seminário da ordem franciscana. Além de passar tempo no Santuário São Francisco de Assis, na Asa Norte, viveu em Águas Lindas, na Cidade Ocidental, e atualmente está na paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, no Novo Gama.


Além do trabalho com a música, sua paixão, que rendeu um álbum lançado em março com 2 mil cópias produzidas e 1.,5 mil já distribuídas, ele conta que percebe que muitas vezes cabe à paróquia suprir muitas das necessidades que a prefeitura deixa a desejar. Assistência a jovens e adultos nos mais diversos aspectos é regra. “Nosso papel é despertar esperanças”, resume.

 

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press
)
A força da comunidade
Frei Alexandre

Origem: Brazlândia
Idade: 38 anos
Atua em Brasília há 8 anos

 

Desde que entrou para o seminário, aos 19 anos, frei Alexandre não parou. O mais jovem pároco do DF assumiu a posição em 2008, aos 33 anos. Seu intuito é mostrar para quem vê de fora, mas também – e principalmente – para quem está dentro do Novo Gama, tudo o que há de bom e o enorme potencial da região onde se encontra sua paróquia, a Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Ele confessa que, às vezes, o cansaço toma conta. A rotina de acordar cedo, dedicar tempo para as orações, administrar a paróquia, dar atenção aos fiéis e tentar encaixar uma caminhada algumas vezes por semana, para melhorar a saúde, não é fácil.


Apesar de não esconder os reveses da vocação que escolheu, também não consegue disfarçar o bom humor com que leva o dia a dia. Lembra, com sorriso no rosto, as vezes em que é reconhecido caminhando pelo parque no Gama. Conta com orgulho a história de alguns dos jovens que ajudou a tirar de situações de risco. E explica em detalhes a importância do uso dos meios de comunicação para atingir os fiéis.


Com a mesma eloquência com que conta a história de sua família, vinda de Nova Russas, no interior do Ceará, para melhorar a vida dos filhos no entorno do Distrito Federal, ele cita Heidelberg para explicar de onde vem a crença que tem na humanidade. “Os homens são seres de possibilidades”, diz sem afetação, mas com um sorriso.

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

O conciliador das diferenças
Frei Vicente

Origem: Alemanha
Idade: 67 anos
Atua em Brasília há 16 anos

 

A vida de Volker Egon Bohne, conhecido como frei Vicente, lembra uma aula de história do século 20. Ele nasceu duas semanas após o fim da Segunda Guerra Mundial na Alemanha Oriental. Presenciou ditaduras de esquerda, em sua terra natal, e de direita, ao chegar no Brasil. Com mãe católica e pai luterano, viveu até os 15 anos sob o governo comunista da União Soviética. Aprendeu desde cedo a importância da boa convivência com o que é diverso. “Minha experiência com ditaduras me ensinou que o importante não é a ideologia, mas a humanidade.”


Decidido a se tornar padre, foi viver sozinho na Bélgica. A mesma razão o fez, alguns anos mais tarde, em 1965, atravessar o oceano em direção ao Brasil, onde terminou os estudos religiosos. Fez pós-graduação em educação e estudou psicanálise. Viveu em São Paulo, no Paraná e no Rio de Janeiro, antes de passar alguns anos fora do Brasil. Trabalhou com ensino religioso em escolas públicas e teve  experiências gerenciais na Igreja, como a presidência da editora Vozes.


A Brasília, veio convidado para representar 32 congregações religiosas com atividades filantrópicas, o que continua a fazer até hoje. Também é o representante da Ordem de Malta no Brasil, instituição que se responsabiliza por ações sociais ligadas a educação e saúde. É responsável por cursos de capacitação de servidores como secretário de planejamento da Escola Superior do Ministério Público da União. Aos domingos, reúne mil pessoas para a missa que celebra na Paróquia e Santuário Santo Antônio, com sermões instigantes e questionadores, que não fogem de temas polêmicos.

 

 (Bruno Pimentel/Esp. Encontro/DA Press)
O arrebanhador de multidões
Padre Moacir Anastácio

Origem: Ceará
Idade: 52 anos
Atua em Brasília há 18 anos

 

Aos pés do padre Moacir, os degraus que levam ao altar são tomados por garrafas de água e fotografias. Muitos dos milhares de fiéis que acompanham suas missas deixam ali os objetos para serem abençoados por ele. O clima é de reverência, adoração. Com muita música e coreografias, as celebrações religiosas parecem catárticas para aqueles que, de olhos fechados, repetem sem hesitação cada letra musical. Muitas curas acontecem ali, segundo relatos.


É difícil acreditar que, no fim da década de 1970, o jovem Moacir Anastácio, então com 16 anos, poderia imaginar a realidade do padre Moacir de hoje. Analfabeto, veio para Brasília fugindo da situação de pobreza. E conta que, após anos trabalhando num hotel, recebeu o chamado divino. Sentiu o fogo do Espírito Santo. Conseguiu se educar e ordenou-se padre em 1996. Com trabalho carismático focado em missas de cura e libertação, foi atraindo cada vez mais pessoas. Iniciou seu próprio movimento, chamado Renascidos em Pentecostes.


A igreja ficou pequena. Foram necessárias obras e melhorias, que não mais comportam o número de participantes das celebrações, vindos de todas as partes do Distrito Federal e também de fora. “O intuito agora é construir o Santuário Renascido em Pentecostes”, ressalta.

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press
)

O padre sertanejo
Padre Alessandro

Origem: Guaratinguetá (SP)
Idade: 30 anos
Atua em Brasília há cinco anos

 

De vocação precoce, Alessandro iniciou a vida religiosa aos 13 anos, idade com a qual decidiu virar padre, para euforia da avó que o criou e desconfiança do restante da família. Nascido em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, terra de Frei Galvão (o primeiro santo brasileiro), ele conta que muito cedo se apaixonou por Jesus e tomou posse da vontade de ser um “padre diferente”. Não jogava videogame nem brincava de carrinho. A diversão era juntar os primos na sala de casa e encenar a missa a que assistia todos os domingos.


A música sertaneja entra nessa história depois que Alessandro, já padre de verdade, resolveu cantar e tocar nas missas celebradas no Colégio Militar, em Brasília. Milhares de jovens se sentiram atraídos por aquele sacerdote inusitado. “Olhava para aquela multidão e dizia para mim mesmo: ‘Quero levantar esse povo’”, lembra ele, que tem contrato com a gravadora Universal Music.


Com o dinheiro arrecadado nas apresentações, Alessandro já construiu três creches em Mogi das Cruzes (SP), onde, ao todo, 380 crianças são atendidas. Com pique para aumentar a quantidade de shows e participar de mais feiras agropecuárias, o padre sertanejo afirma não ter medo de estar na mídia. “Deus cuida de mim com muito carinho”, comenta ele.

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

O agregador
Padre Godwin Uchego

Origem: Nigéria
Idade: 42 anos
Atua em Brasília há nove anos

 

Uma sucessão de acontecimentos levou padre Godwin Uchego da Nigéria à paróquia Nossa Senhora do Rosário, onde conseguiu conquistar uma comunidade de fiéis. Teve infância e adolescência típicas de jovem nigeriano, não pensava em ser padre e chegou a jogar futebol com os campeões olímpicos Okocha e Kanu, conta orgulhoso. Apenas mais tarde a vocação floresceu. Foi quando veio para o Brasil estudar no mosteiro de Santa Cruz, em Anápolis. Sua intenção de se tornar monge, no entanto, foi frustrada por conta de problemas de saúde.


Uma insuficiência renal crônica e o tratamento exigiram saídas frequentes e tornaram impraticável a vida monástica. Essa realidade o levou à Aparecida, ao hospital Frei Galvão, onde recebeu os primeiros tratamentos. Voltou para Brasília para os votos temporários e fez seus estudos filosóficos. Depois de anos de sofrimento, que incluem um transplante malsucedido e muita hemodiálise, conseguiu um transplante que salvou sua vida.


Saudável, assumiu a paróquia em São Sebastião, onde ficou por cinco anos. Há quatro, foi transferido para o Lago Sul. Para ele, essa região, devido à pouca densidade populacional e à melhor condição social, é tradicionalmente mais distante. Conseguiu, no entanto, fortalecer o grupo. Oferece missas em inglês para estrangeiros. “É preciso trabalhar na perspectiva de que o Evangelho é para todo mundo”, diz.

 

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press
)
Multicultural
Padre Juan

Origem: México
Idade: 37 anos
Atua em Brasília há quatro anos

 

Ele tem 2 metros de altura, fala português ainda com um forte sotaque castelhano, usa as gírias da garotada e faz todo mundo rir com suas histórias contadas de maneira espontânea. O padre mexicano Juan Carlos Cortês, de 37 anos, não adota postura de artista. Tudo o que parte dele soa muito natural. É por isso que, mesmo se dedicando a evangelizar crianças e adolescentes, cativa os pais.


Nascido e criado em uma família católica de classe média de Guadalajara, Juan não tinha a pretensão de ser padre. A vida religiosa só começou a ganhar forma durante uma Semana Santa vivida em um mosteiro. “Vi que os monges eram felizes. Aquilo ‘quebrou meus esquemas’”, conta. Depois da palestra de um padre, Juan topou fazer retiro vocacional. “Achava que não ia rolar. Eu tinha uma ideia muito distorcida do que era ser sacerdote”, comenta. Aos 18 anos, entrou para o seminário. Foi estudar na Itália, viveu na Espanha e passou pelos Estados Unidos, antes de chegar ao Brasil. Com os pés no chão e a consciência de que a vida do ser humano é uma luta constante, Juan Carlos se diz feliz e realizado em se empenhar na formação humana e espiritual da juventude de Brasília. Atrai centenas de pais e crianças para as missas destinadas ao público infantil na paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017