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Lições de vida

O que de mais importante você aprendeu com seu pai? Encontro Brasília ouviu notórias personalidades da cidade e obteve emocionantes respostas para essa pergunta. Herdeiros apontam os pilares que solidificaram relações de orgulho e reconhecimento

Jéssica Germano - Redação Publicação:07/08/2013 14:53Atualização:07/08/2013 15:37

Ele tem um dia só para si. Como se bastasse. Fosse por direito, possivelmente todos os domingos seriam dias de homenageá-lo. Assim como todas as datas no calendário que marcam as primeiras partidas de futebol, a valsa em público, o pedido de casamento, a presença em meio à plateia cheia. Figura grande, preenchida de conhecimento e virtude. Justo, firme, forte. Detentor, talvez, da primeira onipotência a qual aprendemos a acreditar e, consequentemente, a impor expectativas. Na definição mais enraizada, o criador, a origem, o homem que exerce funções paternas. Na mais ampla, a personalização do poder de mudar o mundo. Um herói com feições de super-humano, com anseios, demandas e – como não? – defeitos. Figura doce, cuidadosa, que em determinado momento é capaz de levar por terra qualquer vestígio de tirania.


Nas páginas a seguir, uma lista de definições que vão além do clichê quando os olhos brilham e anunciam emoções sinceras. Filhos orgulhosos de pais humanos em nove histórias que falam, sobretudo, de carinho, aprendizado e admiração. Relatos simples e firmes sobre o primeiro homem que nos ensina a ir além.

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 (Minervino Junior/ Encontro/ DA Press)
Pai: Sepúlveda Pertence


Idade: 78 anos


Profissão: advogado na Sociedade de Advogados Sepúlveda Pertence


Casado com: Suely Pertence


Filhos: Pedro, Evandro e Eduardo


“Aqui no escritório, uma vez por semana, pelo menos, a gente tem uma aula, uma nova razão para admirá-lo. São vários os momentos em que meu pai se afirma como pessoa, como humanista e como grande profissional
e jurista que é.” (Evandro Pertence, 43 anos)

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“O João Felipe gosta das mesmas coisas que eu: moto, rali, quadriciclo, automobilismo.” Passa pouco das 9h da manhã de sábado e o relato sobre o filho mais velho vem com um fundo perceptível de orgulho na voz empolgada de Elsinho Cascão (como é mais conhecido o empresário Elson Cascão II). Pai, com 53 anos de disposição constante e fisionomia enxuta, ele tem um tom natural ao falar sobre os inúmeros pontos que ligam sua relação com o único rapaz entre os filhos. Ele tem também duas meninas, mais novas.


O primogênito, com recém-completados 19 anos, por sua vez, expõe um jeito sereno ao falar das lembranças que divide com o pai. Um dos raros pontos, talvez, que se afaste da lista de características que satisfatoriamente o relaciona ao genitor. E que se estende. Da paixão por velocidade ao empenho em crescer em um negócio próprio. “É até difícil falar de semelhanças quando é o seu pai. Eu me vejo tão igual a ele...” A ênfase na frase vem acompanhada de um encantamento nítido que João guarda por Elsinho, mesmo com a distância entre a capital federal e a paulista, que os separa atualmente.

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 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Pai: Paulo Octávio


Idade: 63 anos


Profissão: empresário (Organizações PaulOOctávio)


Casado com: Anna Christina Kubitschek


Filhos: Paulo, Catarina, Felipe e André


“Eu já vi muito meu pai ajudando as pessoas. Isso  uma das coisas marcantes da personalidade dele para im e que me inspira: o jeito e o carinho com que ele trata as pessoas” (André Octávio Kubitschek, 20 anos)

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Estudante de administração em uma das mais conceituadas faculdades do ramo no país, o primogênito atualmente mora em São Paulo, vivendo pela primeira vez uma experiência longe da família. Momento que, para os dois, é visto como consequência da escolha, nascida sem obrigatoriedade, pela mesma área profissional do pai. “Abra sua mente para trabalhar aqui, na China, nos Estados Unidos”, era parte dos conselhos que João Felipe ouviu desde menino.


Apesar de acreditar e investir – na mesma proporção – na formação do herdeiro, Elsinho assumiu o desafio de lidar com a saudade do primeiro filho a sair de casa. “É o preço a se pagar”, diz. E determina, como quem vê uma receita ganhando vida: “A gente tem de primar pela melhor vida profissional que ele puder ter”.

 

Foi seguindo os passos trilhados e deixados pelo pai que André construiu parte da personalidade que carrega hoje ao cursar Business and Management (algo como administração avançada, no Brasil), na Lynn University, em Miami. Filho mais novo do empresário Paulo Octávio, o rapaz de 20 anos não refuta as semelhanças e deixa nítido, em todo o relato, o orgulho que sente do chefe da família. “O carinho que ele tem pelas pessoas e o jeito com que ele as trata é uma coisa muito rara. Eu admiro muito isso nele”, diz, demonstrando grande respeito e encantamento.


Dono de um império que reúne seis hotéis, cinco empresas de comunicação, quatro shopping centers e mais de 2 milhões de metros quadrados construídos em Brasília, além de uma concessionária e uma corretora de seguros, Paulo se aproxima muito da figura de um pai ocupado. Porém, mesmo com a rotina atribulada, o empresário manteve a consciência de se fazer presente na vida dos quatros filhos que tem. “Ele sempre foi muito presente, por incrível que pareça”, conta André, para mencionar um perfil que facilmente se opõe à figura de magnata. “Ele é brother, parceiro”.

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 (Arquivo Pessoal)

Pai: Milton Seligman


Idade: 62 anos


Profissão: diretor de relações corporativas da Ambev


Casado com: Graça Seligman


Filhos: Felipe e Catarina


“As principais lições que ecebi dele vieram do cotidiano. Em tratar igualmente bem as pessoas independentemente de uem elas são” (Felipe Seligman, 29 anos)
“Nunca estamos na nossa zona de conforto. Meu pai nos desafia sempre a sermos melhores para nós e para  próximo. E ele sempre diz: ‘as coisas só acontecem se você trabalha para que elas aconteçam’” (Catarina Seligman, 26 anos)

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Na lista de momentos divididos, dois pontos se destacam e seguem entre os itens que o caçula deteve para si: a admiração pela natureza e a paixão pelo tênis. A segunda frente guarda para o pai, em especial, um dos momentos mais marcantes na relação entre os dois. “A primeira partida de tênis dele disputando um campeonato nacional”, destaca. “Foi um belo momento em que eu, que adoro o esporte e sempre fui esportista, vi o meu filho em um nível muito mais avançado do que eu consegui alcançar”, frisa, seguido por uma pausa de orgulho.


Para o patriarca, a transmissão de valores aconteceu naturalmente e com a própria convivência que se estreitava nas férias, quando fazia questão de viajar e se dedicar integralmente aos filhos. “Eu sempre procurei estar presente em todos os momentos das vidas dos quatro. Acompanhei a escola, a vida esportiva e sempre procurei tirar dois períodos de 15 dias por ano com todos eles. Porque eu sei que minha vida sempre foi muito tumultuada”, completa.


Observador e tranquilo – qualidades que Paulo Octávio também enxerga em si –, André parece ter entendido bem o contexto em que cresceu e o amor recebido. “Eu morro de saudade”, assume, sincero, incluindo a mãe e o irmão mais velho no sentimento que nutre, enquanto vive na ponte aérea Brasília-Miami.

 

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 (Arquivo Pessoal)
Pai: Agnelo Queiroz


Idade: 54 anos


Profissão: governador do Distrito Federal


Casado com: Ilza Queiroz


Filhos: Fernanda e Guilherme


“Aprendi com ele o valor da paciência. Ouvimos muito dele o conselho de sermos pacientes, por que, no fim das contas, a verdade sempre prevalece” (Fernanda Queiroz, 27 anos)

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Nem tudo, porém, são flores, como já diz o antigo ditado. Antes de os filhos chegarem, a primeira missão que surgiu para José Celso Gontijo foi a de chefe e responsável pela nova família. Sob esses preceitos, ele não enxergou outras possibilidades, além de se dedicar ao máximo à JC Gontijo para prover o que fosse preciso e oferecer o melhor lar, em meio a um ritmo intenso de trabalho. As três filhas não titubeiam ao defini-lo como um workaholic ainda não em recuperação. As herdeiras Tamara, de 27 anos, Isabela, de 36, e Melissa, de 40, entretanto, não deixaram de notar todos os cuidados e momentos cruciais em que só a presença do pai poderia ajudar. E ajudou. “Eu acho que não é tanto a coisa do todo dia. Mas é uma coisa muito forte quando precisa”, resume a mais velha. “Você vê que, quando é necessário, tem aonde ir. É um porto seguro.

Para mim, isso já está mais do que suficiente”, atesta Melissa.


Gontijo não é do tipo que faz mea-culpa e assume que há ausência em lacunas maiores do que gostaria. Mineiro de tom firme, ele lembra, porém, que foi com esse perfil que pôde conquistar os sonhos que projetou lá atrás. “Eu considero a vida uma corrida de obstáculos, sabe? Você começa pulando 20 cm, depois passa para 1 m e quando vê está pulando 2 m e indo em frente.” A metáfora, que reflete bem o jeito determinado do empresário de construção civil, virou modelo para as filhas.

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 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)

Pai: Marco ntônio Attie


Idade: 51 anos


Profissão: comerciante e proprietário da Pedrart


Casado com: Adriane Attie


Filhos: Marcos Vinícios e Matheus


“O fato de ele ter perdido os pais cedo, er assumido uma família com quatro irmãos e tê-los encaminhados para  vida me ensinou sobre o senso de responsabilidade” (Marcos Vinícios Attie, 27 anos)

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Isabela, que, quando adolescente, vivia momentos tensos com o pai, causados pelo desinteresse nos estudos, ganhou consciência e estímulo. O apoio nas horas críticas veio em forma de confiança, em via dupla. “Ele acredita nela”, comenta a primogênita sobre a irmã do meio. As duas concordam, e Isabela vai além, pontuando que passou a acreditar mais em si mesma por meio das apostas do pai.


Para a empresária Melissa, o exemplo foi de persistência. “Se você perder, lutou até o fim. Tendo lutado até o fim, você concluiu. Se não conseguir, tenta de novo”, repete o conselho que ouviu do pai quando, por insegurança, quase desistiu da segunda etapa do vestibular, achando que não havia passado na primeira. “Ele não nos deixa desistir”, lembra Melissa, grata pelo incentivo que lhe permitiu entrar na Universidade de Brasília (UnB).

 

Engenheiro eletricista na área de tecnologia da informação, ministro da Justiça e atualmente diretor de relações corporativas da Ambev (Companhia de Bebidas das Américas), Milton Seligman se encaixa bem no perfil de pai e marido dedicado ao trabalho. Os filhos cresceram com essa referência em casa. “Ele sempre viajou muito, trabalhou muito”, reconhece Felipe, o mais velho, de 29 anos, jornalista. “Mas conheço poucas pessoas na vida mais presentes do que ele”, pondera. Tido como carinhoso, mas rígido quando necessário, o patriarca teve como linha de frente a amizade e o diálogo, desde sempre, dentro de casa. “Meu pai está com o radar 24 horas ligado para fazer com que eu e o Felipe sejamos sempre pessoas melhores.” O relato é de Catarina, caçula, de 26 anos, que não esconde a paixão pelo homem que define como “o mais generoso” que conhece. Longe do pai há dois anos, quando foi morar em São Paulo para trabalhar (como o irmão, fez jornalismo), ela continua enxergando o genitor como seu melhor amigo. “Meu pai, sem medo de clichês, é meu herói. Aquele que vibra com cada vitória nossa e que, quando erramos, nos faz enxergar o melhor caminho de como conduzir.” Mais contido, Felipe é breve, mas pertinente quando menciona sensivelmente as lições de Milton. “Uma coisa eu sei bem: vai ser muito difícil ser melhor do que ele é.”

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 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Pai: Elson Cascão II


Idade: 53 anos


Profissão: empresário (Rede Gasol)


Casado com: Ana Luísa Cascão


Filhos: João Felipe, Maria Clara e Maria Luísa


“Na 8ª série, estava meio mal na escola e comecei a me afastar muito dele. Um dia, ele foi me buscar no colégio e começou a conversar sobre isso. Essa conversa me ajudou a amadurecer muito. Ele me mostrou a importância de voltar a ter mais contato com ele” (João Felipe, 19 anos)

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A distância, somada à vida pública, pode tornar uma relação ainda mais complexa, mas não menos próxima. Para Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, não há dúvidas de que assumir um posto político acaba por sacrificar a vida pessoal com a família. Todavia, uma decisão tomada no início de sua carreira define a relação que ele tem com Fernanda e Guilherme, hoje com 27 e 24 anos, respectivamente. “Eu valorizo muito cada momento em que estamos juntos. É uma forma de compensar com qualidade o tempo que conseguimos ficar juntos”, observa o governador. Nesse caso, a palavra-chave é intensidade e se estende por várias de suas frases que declaram o amor e a admiração que sente pelos dois herdeiros. “Eu sou apaixonado pelos meus filhos. Tenho muito orgulho da personalidade e das escolhas que fizeram para a vida deles”, declara.


Hoje, a distância entre Brasília e Buenos Aires separa Fernanda do pai e da mãe, Ilza Queiroz. A experiência longe de casa não é a primeira, mas segue um ciclo iniciado na carreira de modelo, quando saiu de perto dos olhos atentos da família, aos 16 anos. Ali, os exemplos e valores que Agnelo tinha passado adiante tomaram corpo. “Eu pude ver o quanto é importante ter uma base familiar, saber que eu tenho meu canto. Vi meninas sem isso e entendi o que pode acontecer quando não se tem essa referência”, conta, consciente do espaço que tem ainda hoje. Guilherme, jornalista e dono de uma paixão pelo Botafogo – uma das heranças mais fortes do pai –, não pensa muito diferente: “Ele tenta passar a experiência dele, mas nunca tentou prender demais a gente”, conta o caçula, que, com um jeito próprio, se enxerga no pai. “É inevitável, não é?”, indaga, como quem não cogita ser diferente e admira o exemplo que tem.

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 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Pai: José Celso Gontijo


Idade: 69 anos


Profissão: empresário (JC Gontijo)


Casado com: Ana Maria Gontijo


Filhos: Melissa, Isabela e Tamara


“Ele me ensinou a nunca parar no meio de algo. Ele  muito persistente e não deixa a gente desistir. Essa coisa da persistência eu acho que foi o que mais ficou. Quando eu quero uma coisa hoje, eu vou até o fim” (Melissa Gontijo, 40 anos)

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Afinidades e gostos em comum sempre uniram pessoas. Em uma relação de convivência próxima, como de pai e filho, dificilmente esses seguem por outro caminho. Na vida de Marco Antônio Attie, o encantamento por joias veio do pai, ainda em Cristalina, e o acompanhou na bagagem na mudança para Brasília. Depois, perpetuou-se no primogênito, nascido do casamento com Adriane. Dono das joalherias Pedrart, há nove anos, o comerciante tem a companhia de Marcos Vinícios, hoje com 27 anos, por perto, integrando-se aos negócios da família.


“As joias e as pedras têm uma energia muito importante. Nós entramos no sonho de várias pessoas.” A frase do pai soa como explicação para o fascínio pelo negócio, que está prestes a completar 30 anos. Se fosse para convencer o filho mais velho, não precisaria tanto esforço. “Eu ia para a loja ainda criança, depois que ele me buscava na escola. E desde pequeno comecei a fazer coleção de pedras”, conta o herdeiro.


Depois de ter passado por três cursos superiores, caminhando entre o direito, o turismo e a música eletrônica, Marcos Vinícios já assume a pretensão de seguir com o comércio iniciado pelo avô. Para o pai, é uma satisfação nítida. “Eu tenho muito orgulho da minha história, de tudo o que eu consegui, e me alegra muito poder estar com ele aqui”, admite Attie, com o sorriso largo. Na parceria, uma oportunidade de manter a relação fraternal próxima, que conta ainda com Matheus, de 20 anos, estudante de filosofia.


Para Evandro Pertence, a opção pelo caminho profissional não foi uma decisão nada difícil. “Eu já nasci querendo ser advogado”, conta. Filho de um dos maiores profissionais da área jurídica do país – Sepúlveda Pertence teve, entre outros cargos, o de ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República e vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) –, o bacharel em direito cresceu vendo de perto os protagonistas de decisões importantes da democracia brasileira.


Hoje, como um dos líderes do escritório Sociedade de Advogados Sepúlveda Pertence, o filho do meio, antecedido e seguido por outros dois rapazes, afirma-se como profissional realizado por poder atuar ao lado do pai. “Sempre quis esse momento. Viria a aposentadoria dele e nós teríamos a oportunidade de trabalhar juntos”, comemora. “Para mim, é, foi e tem sido a realização de um sonho.”

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 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
 

Pai: Luiz Carlos Bettiol
Idade: 77 anos
Profissão: advogado e fundador do grupo Advocacia Bettiol
Casado com: Betty Bettiol
Filhos: Luiz Alberto, Luiz Antônio e Luiz Renato


“O maior ensinamento foi de ser um excelente pai. Um bom exemplo. Eu me pego sempre tentando copiar algumas coisas” (Luiz Alberto Bettiol, 50 anos)
“Meu pai é muito humilde, sempre teve um relacionamento muito educado, respeitoso, com qualquer ser humano, seja de que representação for” (Luiz Antônio Bettiol, 49 anos)“A lição que carrego comigo é sobre o trabalho. Ele sempre foi um exemplo. Sempre estava de terno, gravata, saindo para trabalhar. A gente acaba absorvendo isso” (Luiz Renato Bettiol, 42 anos)

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O exemplo como jurista bastaria para que Evandro construísse as referências que tem hoje. Mas elas não vieram só. Sobre Sepúlveda, o filho advogado de 43 anos carrega uma contemplação além da carreira sólida do pai, e tem como um dos pontos altos o time do coração e recém-campeão da taça Libertadores da América. “A gente se vê, muitas vezes, nos trejeitos, nas coisas que gosta, no Clube Atlético Mineiro”, enumera, citando a paixão que rendeu ao ministro aposentado do STF um Galo de Prata, homenagem especial recebida da equipe mineira.


Para o pai, Evandro é uma realização, mesmo com as barreiras que a vida pública lhe impôs no contato com os filhos. “Quando conheci a advocacia dele, percebi que Evandro tinha superado aquela pouca assistência paterna”, orgulha-se. “No mais, é aguentá-lo como chefe no escritório”, brinca, sobre a posição subordinada ao filho que ocupa hoje no escritório.


Na casa de Luiz Carlos Bettiol, não foi muito diferente. Advogado atuante, ele deu forma ao escritório Advocacia Bettiol e inspirou os três filhos que teve com a artista plástica Betty. “Eles não foram criados para serem advogados”, reitera, deixando claro que nunca os condicionou à profissão. Porém, concorda: “É difícil não associar. Assim como podia repelir, podia sugerir”. No cenário descrito, a escolha pelo direito no vestibular veio como consequência. “E todos trabalham com a mesma determinação que o meu pai no início, com muita aplicação”, assegura Luiz Antônio, o filho do meio.


Os nomes, aliás, são também outra inspiração. Além de Luiz Antônio, Luiz Alberto e Luiz Renato completam a homenagem que seguiu ainda com a perpetuação de um dos grandes hobbies do pai: as viagens de aventura. Os passeios, que incluem expedições de carro até a Patagônia, sobre cavalos pelo Pantanal, e, de barco, rios da Amazônia adentro, continuaram na vida dos filhos. “A gente mantém essa unidade, o espírito. Quem sabe a gente não consegue passar para a terceira geração?”, anima-se Antônio.

Para os três, na parte pessoal, o maior legado de Bettiol foi o exemplo. De bom pai, bom profissional, bom marido. “A gente acaba absorvendo isso. Acho que não tem metodologia de ensino maior que essa”, aposta o mais novo, Renato.

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 (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)

Pai: José Carlos Daher


Idade: 68 anos


Profissão: cirurgião plástico, fundador do Hospital Daher


Casado com: Thaís Daher


Filhos: André, Carla, Leonardo e Juliano


“Meu pai me ensinou a ser humilde. A reconhecer quando se erra, reconhecer o seu lugar. E sempre batalhar pelo ue você quer, independentemente de quem você seja,
do que se tenha” (Leonardo Daher, 26 anos)

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Ainda estudando a área médica que deve escolher, Leonardo Daher não descarta a possibilidade de seguir os mesmos passos do pai na cirurgia plástica. Filho de José Carlos, fundador da Clínica Daher e dono do hospital com mesmo nome, ele é outro que nunca cogitou não ter o genitor como modelo. “Meu pai realmente sempre foi um cara muito trabalhador. A gente, desde pequeno, o via chegar de branco todo dia em casa”, conta, citando o irmão mais novo Juliano.


Por conta da rotina corrida nos centros cirúrgicos, logo que Leonardo nasceu, uma regra foi implementada. “A gente sempre teve um horário específico para a união da família, que era a noite, no jantar”, lembra o filho mais velho de Daher e Thaís. Ele pontua o quanto isso foi importante para a estrutura emocional que construiu: “No tempo que ficava com a gente, meu pai sempre procurou aproveitar ao máximo”. Hoje, após concluir o curso superior no fim de 2012, Leonardo consegue enxergar suas prioridades.

“Durante o pouco tempo livre que tenho, fico em casa, almoço ou janto com a minha família, é o momento de maior prazer do meu dia”, assegura, valorizando os preceitos paternos.


Da personalidade bem-humorada e da responsabilidade do pai, Leonardo orgulha-se de um gene específico herdado. “Das pessoas que eu conheci na minha vida, ele é a mais humilde”, diz. Com uma relação sólida, Daher só lamenta não poder se dedicar o tanto que gostaria à função paterna. “Por mais que um médico seja presente na educação dos filhos, será sempre menos presente sob o ponto de vista físico do que qualquer outra profissão”, compara.


Mas, como já poetizara Mário Quintana, em seus versos sensíveis – e que Leonardo Daher viria a concordar –, os pontos negativos acabam se tornando pequenos diante de uma grandeza quase divina. “Porque há, nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.”

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017