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Aposta de sucesso

Estudo aponta que Brasília é a quarta melhor cidade brasileira para se instalar uma franquia. Os setores mais promissores são alimentação, vestuário, acessórios, infantil e livrarias. Quem investe nesse modelo de negócios enumera as vantagens

Cecília Garcia - Redação Publicação:12/08/2013 14:42Atualização:12/08/2013 15:36

Ana Paula Bandeira tem nove franquias de três marcas: administração familiar (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Ana Paula Bandeira tem nove franquias de três marcas: administração familiar
 

Brasília não tem indústrias, mas não falta vocação para o comércio. Consumidores com renda per capita elevada alavancam as vendas nos estabelecimentos espalhados pela cidade. Apesar da distribuição, a capital tem uma peculiaridade. Nos 17 shoppings da região, 50% de suas lojas são franquias, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Distrito Federal. Esse modelo de negócios também prospera no chamado comércio de rua, onde há bastante espaço para crescer. “Esse é um enorme mercado potencial à disposição”, atesta o superintendente do Sebrae-DF, Valdir Oliveira, que vê nas franquias um cenário bastante promissor para quem quer montar um negócio de baixo risco.

Não só ele. Os resultados da pesquisa “100 Melhores mercados para Franquias”, feito pela Rizzo Franchise Consultoria, atestaram o potencial de Brasília, apontada como a quarta melhor cidade do país para se instalar uma franquia. O estudo listou ainda, em cada cidade, os setores mais vantajosos para se investir. Na capital, os negócios com boa oportunidade de mercado e indicadores de consumo consistentes são alimentação, vestuário e acessórios, infantil e livrarias.

Júlio Cesar Alonso tem 10 franquias  de uma só marca: 'Quis aproveitar o potencial de expansão deles' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Júlio Cesar Alonso tem 10 franquias
de uma só marca: "Quis aproveitar o
potencial de expansão deles"
Atualmente, o Distrito Federal é o quinto colocado no país em número absoluto de unidades de franquias: são 1.520 no total. Quem optou pelo modelo não se arrepende. Há 30 anos, Lucélia Pinheiro investe nesse setor. Começou aos poucos, com uma loja de O Boticário inaugurada em Sobradinho. A segunda marca que representou foi a Arezzo. Hoje, é dona de nove franquias da marca de cosméticos e de todas as lojas da marca de sapatos em Brasília, sete no total. A seu patrimônio, adicionou ainda uma loja da Schutz e a primeira franquia da marca Quem disse, Berenice?, de maquiagem, da cidade.

Das 18 lojas de que é dona, 11 estão localizadas em shoppings. Mesmo sendo mais caro, para Lucélia, o ambiente oferece benefícios como ter público frequente e abrir todos os dias, além de ser mais seguro. Para coordenar tudo isso, conta com 120 funcionários e com a ajuda dos filhos e do marido. “Sozinha, não daria conta”, admite Lucélia, que vê o fato de ter mais de uma franquia, de ramos distintos, como uma forma de conseguir fontes de renda complementares.

O consultor empresarial, Breno Cury, da Saffi Consultoria, recomenda a prática de Lucélia. “É o mesmo conselho dado para quem vai entrar no mercado financeiro: nunca invista tudo no mesmo produto.” É importante diversificar, ter franquias de setores diferentes, não apenas de marcas distintas, já que o comércio tem características sazonais, como é o caso da venda do chocolate na Páscoa. Quando um ramo está mal, o outro segura as pontas. “Eles têm de se balancear”, ensina.


Aline Diniz, dona de 22 franquias das Óticas Diniz: aposta maior no comércio de quadra ( Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Aline Diniz, dona de 22 franquias
das Óticas Diniz: aposta maior no
comércio de quadra
Contudo, administrar setores distintos não é tarefa fácil. “Dois ramos são o dobro de trabalho. É preciso uma logística muito maior”, comenta a empresária Ana Paula Bandeira Braga. Na área de alimentação, a jovem tem lojas da Jin Jin Wok – restaurantes fast-food de comida asiática. De acessórios, representa a Morana e a Balonè. São nove unidades no total, distribuídas entre as três marcas. Para organizar tudo isso, estabeleceu-se uma administração familiar. Desde 2003, mãe, irmão e padrasto da empresária estão juntos na empreitada.

Há quem prefira apostar todas as fichas em um só ramo. Júlio Cesar Alonso detém 10 franquias da Cacau Show. O empresário conta com operações logísticas independentes, afinal, para administrar tantas unidades, é preciso um depósito central de distribuição e escritórios próprios. Seu trabalho com franquias começou em 2003, quando inaugurou a primeira. A abertura das novas lojas foi, segundo Júlio, para “acompanhar a evolução da marca”. Ele acredita que a franqueadora está num momento de expansão, mas, no futuro, pretende investir em outras marcas.

O empresário também contribuiu para as estatísticas da cidade. “Mal de paulista é gostar de shopping.” Essa é a explicação que Júlio dá quando perguntado por que todas as suas franquias são instaladas nesses lugares. A esse argumento ele adiciona, entre outros, a questão dos estacionamentos, escassos na cidade e abundantes nesses pontos.
Lucélia Pinheiro tem 18 franquias: investimento nos setores de cosméticos e de acessórios (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Lucélia Pinheiro tem 18 franquias: investimento nos setores de cosméticos e de acessórios

Mas, a depender do negócio, o comércio de rua pode ser até mais atrativo, como no caso da empresária Aline Diniz. O negócio começou nas cidades satélites e lá, de acordo com a proprietária, as comerciais são os locais mais procurados para o varejo. A expansão para o Plano Piloto não mudou muita coisa. Dona de 22 franquias da Ótica Diniz, apenas cinco estão em shoppings. “As clínicas oftalmológicas geralmente estão em ruas comerciais, o que é atrativo para o tipo de negócio”, comenta. Há 15 anos no ramo, Aline explica que a presença nos shoppings serve como vitrine. “É mais para divulgação da marca.”

Por que investir?

O índice de sobrevivência de uma franquia no mercado é 80% maior que a das empresas convencionais. Além disso, como explica o consultor empresarial Breno Cury, o franqueador já pensou nas dificuldades e nas vantagens do negócio. Nesse modelo, é possível comprar em rede com vantagem na negociação, trocar experiências com outros franqueados e compartilhar ações de marketing.

Para escolher uma marca de franquia, é importante saber o que a marca projeta para o futuro, conhecer as regras internas, saber que não se terá 100% do controle da empresa, ver como é o pagamento de royalties e o retorno ao franqueado. “Querer apenas ganhar dinheiro é um tiro no pé. É preciso saber o fluxo financeiro, conhecer os produtos, fornecedores e funcionários”, explica Breno.

Como começar uma franquia
O superintendente do Sebrae-DF, Valdir Oliveira, explica: 'Se quer um investimento com baixo risco, a franquia é o ideal' (SEBRAE/Divulgação)
O superintendente do Sebrae-DF, Valdir Oliveira, explica: "Se quer um investimento com baixo risco, a franquia é o ideal"

Para um negócio dar certo é preciso trabalhar com dois perfis: o de empreendedor e o de administrador. No modelo de franquia, os dois são perfeitamente complementares, é o que explica Valdir Oliveira, do Sebrae-DF. O franqueador é empreendedor, é aquele que teve a ideia e fez todos os estudos necessários para começar o ramo. O gerente é o franqueado, aquele que se vira melhor nos pequenos assuntos do dia a dia.

Sendo um franqueado, o interessado precisará conhecer o poder da marca que representará, a concorrência, o cotidiano do negócio e a relação da franquia com o franqueador. Nessa primeira etapa, “informação é primordial”. Outro ponto é saber que a pessoa não vai ficar milionária sendo franqueada. A rentabilidade é rápida, mas é limitada. “Se seu horizonte é ilimitado, deve buscar outro tipo de negócio. Mas, se quer um investimento com baixo risco, a franquia é o ideal.”

SERVIÇO

O Sebrae tem circuito de palestras e cursos para gerenciamento de franquias.
Mais informações na central de relacionamento: 0800 570 0800

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017