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De olho na tela? Só com o pé no freio

A popularização dos DVDs automotivos traz uma série de perguntas sobre as permissões para o acessório. Especialistas esclarecem o que pode e o que não pode

Diego Amorim - Redação Publicação:13/08/2013 17:52Atualização:13/08/2013 18:23

Jonathan Andrade não poupou para deixar seu carro mais interessante para os caroneiros: investiu R$ 1,6 mil em três DVDs (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Jonathan Andrade não poupou para deixar seu carro mais interessante para os caroneiros: investiu R$ 1,6 mil em três DVDs
 

O trânsito cada vez mais pesado nas grandes cidades desafia os motoristas a terem paciência e, mais do que isso, a usarem de criatividade para aproveitar melhor o tempo que gastam parados nos longos engarrafamentos. A tecnologia tem ajudado nesse processo, e muitos carros já trazem como opção de acessório, além do bom e velho rádio, aparelhos sofisticados com entradas USB, minitelas para assistir a filmes, novelas e videoclipes.


Em Brasília, os DVDs automotivos começam a se popularizar. Pelas normas de trânsito, vale lembrar, os veículos podem ter equipamentos tocadores de mídia, desde que as telas não sejam visíveis aos passageiros da frente, ou seja, motorista e carona. Trata-se de uma questão de segurança, uma vez que as imagens provocam uma desatenção semelhante à de quando se dirige falando ao celular.


O desenvolvimento tecnológico, no entanto, flexibilizou um pouco a legislação brasileira (veja mais no box ao lado). Especialista em segurança no trânsito, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques reforça o risco de dirigir com a tentação de ficar de olho no DVD. “Desvia a atenção, não tem jeito”, sustenta ele, que cita ainda os dispositivos com acesso a redes sociais. “As autoridades de trânsito têm pela frente o desafio de lidar com a modernidade. Por isso, o papel da conscientização se torna muito importante”, completa.


Liberados para serem usados nos bancos traseiros desde 2007, sem qualquer restrição, os DVDs fazem a festa dos passageiros, principalmente da criançada.
Pela internet e em lojas de acessórios automotivos, os aparelhos são vendidos a preços entre R$ 300 e R$ 1,7 mil, a depender do modelo. O tamanho da tela, a maioria delas com a tecnologia touchscreen, costuma variar de 6 a 9 polegadas.


Jonathan da Silva Andrade, bombeiro civil, investiu R$ 1,6 mil para dispor de três DVDs no automóvel, dois atrás e um na frente, que ele garante não ligar quando está dirigindo. “Meu carro ganhou um clima diferenciado”, diz ele, que com frequência viaja com amigos para cidades vizinhas, como Caldas Novas e Pirenópolis. “Todo mundo agora só quer ir no meu carro, dizem que a viagem passa mais rápido”, comenta.


Ao contrário do que muitos pensam, ver DVD no carro não traz prejuízo à visão nem causa deslocamento da retina ou outros problemas. “Isso é mito”, afirma, categoricamente, o oftalmologista Sérgio Kniggendorf, do Hospital Oftalmológico de Brasília.


Assim como ler em movimento, pondera ele, o que pode ocorrer é um desconforto porque a pessoa precisa focar o olho a todo instante. Por isso, alguns sentem enjoo ou dor de cabeça.


No banco de trás!


Desde 2006, a instalação de DVDs nos espaços dianteiros dos automóveis é permitida, mas somente para uso de GPS com imagem cartográfica, para indicar a direção ao condutor. Se for um aparelho de DVD comum, ele deve ter um mecanismo automático que desligue as imagens quando o carro estiver em movimento.


Quem desrespeita essa norma e dirige com o DVD da frente ligado comete infração grave, conforme consta no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que no inciso 12 do artigo 230 veta a condução de veículo “com equipamento ou acessório proibido”. Sujeito à fiscalização, o motorista pode perder cinco pontos na carteira, além de pagar multa de R$ 127,69 e ver o veículo ser removido para depósito.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017