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COMPORTAMENTO | HOBBY »

Remoto controle

Miniaturas que alcançam a velocidade de 300 km/h atraem cada vez mais praticantes de modelismo. Alguns transformaram o hobby em investimento. O retorno parece garantido

Matheus Teixeira - Redação Publicação:20/08/2013 18:35Atualização:20/08/2013 18:51

O nautimodelismo só cresce: Antônio de Santi tem 34 barcos, 16 aviões e 25 carrinhos (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
O nautimodelismo só cresce: Antônio de Santi tem 34 barcos, 16 aviões e 25 carrinhos
 

“A sensação é de voar com os pés no chão”, define o comerciante Humberto Bonfim, referindo-se ao aeromodelismo. “Sabe aquele sonho de dirigir em alta velocidade, derrapar, fazer curvas radicais? Fazemos tudo isso sem correr risco de vida nem de ser multado”, descreve o empresário Marcos Guimarães sobre o automodelismo. A paixão por controlar miniaturas de carros, aviões e até lanchas, e fazer com elas o que não se tem coragem de fazer – ou não se pode fazer – na vida real atrai praticantes para o modelismo há muitos anos. Mas, ultimamente, cresceu o número de adeptos do hobby.

“Tenho cerca de 5 mil clientes cadastrados. Nunca tive tanto. Vejo um aumento exponencial no número de modelistas”, atesta o proprietário da loja especializada RCSuper, Fabiano de Abreu. Para ele, os motivos para o crescimento do passatempo são claros. Brasília e boa parte das capitais, hoje, têm estrutura para atender às necessidades daqueles aficionados por miniaturas. Antes, a escassez de modelos dificultava a evolução da prática no Brasil. Com a oferta maior, também ficou mais acessível para o bolso.

Desde a adolescência, Marcos Guimarães é louco por carros de controle remoto. Porém, ficou sete anos sem pilotar porque considerava tudo muito caro. “Para comprar uma peça era uma fortuna. Se o carro estragasse, não havia quem consertasse. Também não tínhamos um espaço adequado para correr”, lembra. Agora, segundo ele, o cenário mudou. Por isso, voltou a se dedicar à paixão.

O servidor público Airton Júnior transformou a paixão em fonte de renda: é instrutor de helimodelismo (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
O servidor público Airton Júnior transformou a paixão em fonte de renda: é instrutor de helimodelismo

“Atualmente, há seis lojas especializadas em Brasília. Temos um clube de modelismo e estão construindo outro em Taguatinga. Ficou bem mais barato e ainda tem mais opções de locais onde os adeptos podem se reunir”, avalia. Presidente da Associação Brasiliense de Aeromodelismo (Abra), Humberto Bonfim, conta que está nos planos da entidade fazer, neste ano, uma festa em comemoração pelo milésimo associado. “Estamos crescendo. Hoje, temos mais de 900 pessoas com a mensalidade em dia. Chegaremos a mil”, garante.

O comerciante Ronaldo Sardinha pilota há 28 anos. Ele se lembra de quando começou e diz que o fato de estar mais acessível ajuda muito a conquistar novos praticantes. “Está bem mais barato do que alguns anos atrás. Os valores não assustam mais tanto”, acredita. No entanto, mesmo que tenha barateado por causa da redução de impostos e da produção nacional, ainda pesa no bolso. “É necessário um investimento que não é baixo, e isso não tem como negar”, admite Fabiano. Para o corretor Antônio de Santi, tudo é questão de prioridade. “Minha esposa fica brava porque eu gasto dinheiro com isso. Mas aí eu pergunto se ela prefere que eu faça igual ao meu vizinho, que todo santo dia deixa um trocado no boteco da esquina”, argumenta.

Dono de uma loja que vende as miniaturas, Fabiano comemora o crescimento das vendas: 5 mil clientes (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Dono de uma loja que vende as
miniaturas, Fabiano comemora o
crescimento das vendas:
5 mil clientes
O avanço da tecnologia também ajudou o modelismo a evoluir. E o segmento mais favorecido foi o nautimodelismo. O desenvolvimento de motores à prova d’água fez com que as lanchas virassem febre. “É a modalidade que mais cresce”, afirma Fabiano. Um importante fator de atração é a velocidade a que elas chegam. “Vão a 150 km/h. É incrível”, exalta.

A paixão também passa de pai para filho. Antônio de Santi não tem lembrança de sua vida sem o modelismo. “Meu pai adorava e eu gosto desde que nasci. Também passei, claro, a paixão para o meu filho”, conta.

Santi tem 34 barcos, 16 aviões e 25 carrinhos. “Gosto de todas as modalidades”, confessa. O apreço pelas miniaturas é tamanho que a brincadeira ficou séria. Ele resolveu abrir uma empresa que fabrica as carenagens. “Desenvolvo o que chamam de bolha, que é a carenagem. Fazemos réplicas de carros famosos ou como o cliente preferir”, explica. O investimento foi grande, mas ele diz que tem dado bastante retorno.
Os irmãos Davi Gonçalo e Daniel Silva, de 13 e 11 anos: eles têm sete carrinhos e disputam com os adultos (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Os irmãos Davi Gonçalo e Daniel Silva, de 13 e 11 anos: eles têm sete carrinhos e disputam com os adultos

O modelismo une gerações. Não tem idade mínima nem máxima. Os irmãos Davi Gonçalo e Daniel Silva, de 13 e 11 anos, respectivamente, têm sete carrinhos e disputam com os adultos. “Não temos idade para ter carteira de motorista, mas pilotamos os carros que vão a mais de 100 km/h. É muita adrenalina”, empolga-se Davi. Eles contam que já gastaram bastante dinheiro com a brincadeira e que o pai não vê problema em presenteá-los com isso, desde que tenham boas notas na escola. “Estudamos para que ele nos dê mais carrinhos. É um grande estímulo”, conta Daniel.
Humberto e Ronaldo têm longa história com o modelismo: 'É voar com os pés no chão', define Humberto (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Humberto e Ronaldo têm longa história com o modelismo: "É voar com os pés no chão", define Humberto

Há também quem consiga garantir uma renda extra com a prática. Airton Junior é funcionário público e, no ano passado, teve um tumor na cabeça. Ficou afastado do emprego e, por alguns problemas, não conseguiu repor o salário por meio do INSS. Foi com o dinheiro de instrutor de helimodelismo – antes coadjuvante do aeromodelismo, mas hoje em franca expansão – que conseguiu manter a casa. “Estava afastado por determinação médica, mas conseguia dar aula. Se não fossem as aulas, não sei como pagaria as despesas de casa”, lembra.
O quadricóptero em pleno voo: para Raphael Silveira, o hooby virou profissão e agora ele faz protótipos
 (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
O quadricóptero em pleno voo: para Raphael Silveira, o hooby virou profissão e agora ele faz protótipos

A tecnologia fez bem aos helicópteros. Surgiram os voadores com mais hélices. O quadricóptero, com quatro hélices, ganhou irmãos: hoje, há helicópteros com seis, oito e até 12 hélices. Os modelos não servem apenas para diversão. Com câmeras instaladas neles, podem ser feitas filmagens aéreas. Muitas empresas têm se interessado pelo serviço. Foi o que motivou Raphael Silveira a investir no ramo. Ele era tabelião substituto de Rio Branco (AC) e largou tudo para começar a fabricar os modelos. Raphael ainda está testando alguns protótipos que desenvolveu e logo pretende entrar no mercado. “Esse é o futuro. Dá para fazer filmagem aérea de maratonas, grandes shows ou qualquer coisa do tipo”, destaca.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017