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Minicasamentos

Para o dia do sim, noivos selecionam os melhores serviços para oferecer a seus convidados, ainda mais quando é um seletíssimo grupo. Menos gente não significa menos gastos quando a intimidade vira sinônimo de luxo

Leilane Menezes - Colunista Publicação:23/08/2013 18:07Atualização:23/08/2013 18:15

Júlia Menezes e Carlos Henrique Bastos casaram-se em duas ocasiões, ambas 'intimistas'. Na casa dos tios dele (foto) e na Itália: depois da cerimônia religiosa no Vaticano, festa em um hotel da região (Tainá Frota/Chá das Duas)
Júlia Menezes e Carlos Henrique Bastos casaram-se em duas ocasiões, ambas "intimistas". Na casa dos tios dele (foto) e na Itália: depois da cerimônia religiosa no Vaticano, festa em um hotel da região
Somente amigos de longa data e familiares próximos são bem-vindos. Esqueça as típicas listas de convidados, quilométricas, que incluem colegas dos pais dos noivos e primos distantes. Nada de tapete vermelho, véu, grinalda e outros itens considerados obrigatórios pela maioria. Quem dita regras é o desejo dos noivos. Ostentar não é o objetivo dos casais que escolheram unir-se na presença daqueles que consideram importantes. Quando sobem ao altar, eles desejam estar cercados de olhares sinceros, que conheçam e tenham participado da história dos dois.


Optar por um minicasamento, ou mini wedding, como chamam os norte-americanos, pode não ser uma escolha econômica. “Quem prefere esse padrão, geralmente, está focado em qualidade. O céu é o limite”, explica o dono do bufê Sweet Cake, Celso Jabour.


Renata La Porta, dona do bufê homônimo, afirma que os valores chegam a, em média, R$ 200 por pessoa, sem vinhos. “O mais pedido é o menu degustação, harmonizado com vinhos. São seis a oito pratos servidos em sequência, com sorbets entre eles para limpar o paladar. O serviço, é claro, é absolutamente impecável, com um garçom para atender a cada quatro convidados, o que resulta em muito cuidado a cada detalhe.”

'Não nos víamos em um casamento enorme. Queríamos apenas as pessoas que realmente participaram das nossas vidas', diz Chloe Young, na foto com o marido, Guilherme Fitzgibbon  (Tainá Frota/Chá das Duas)
"Não nos víamos em um casamento enorme. Queríamos apenas as pessoas que realmente participaram das nossas vidas", diz Chloe Young, na foto com o marido, Guilherme Fitzgibbon

Em Brasília, os locais preferidos de quem privilegia esse formato, a depender das escolhas do cliente, têm orçamentos tão caros quanto os de uma festa para centenas de pessoas, mas suportam cerca de 80. Restaurantes de alta gastronomia são os primeiros da lista, pois concentram vários serviços. Em segundo lugar, vem a casa dos pais ou de parentes. Juízes de paz comandam o ritual. A originalidade transparece na decoração, usam-se peças que têm valor sentimental, como um móvel herdado dos avós, e muita criatividade. “Já fotografei dezenas de casamentos e afirmo: quanto menor, mais emocionante. Já fiz para 900 pessoas e para 60. No menor, são só as pessoas mais próximas, é mais forte”, diz Tainá Frota, fotógrafa especializada em casamentos.


Os diplomatas Chloe Yong e Guilherme Fitzgibbon escolheram o Aquavit como cenário. Nascidos em São Paulo, eles vieram para Brasília depois de aprovados no concurso público do Instituto Rio Branco. Conheceram-se enquanto estudavam para conquistar a vaga. Na capital, saborearam os talentos do chef Simon Lau, responsável pelo restaurante. “Adoramos a cozinha dele. É um lugar agradável, à beira do lago, e não seria necessário aluguel de bufê ou móveis para a cerimônia”, explica Chloe.
Inicialmente, os dois queriam convidar 30 pessoas. Tornaram-se 45, ao final. “Não nos víamos em um casamento enorme. Queríamos apenas as pessoas que realmente participaram das nossas vidas. Foi difícil fazer a lista, mas conseguimos”, relata a diplomata. O cardápio foi servido à francesa, com entrada, prato principal e sobremesa, harmonizados com vinhos, entre eles champanhe. Eles trocaram o bolo tradicional por cupcakes. O vestido da noiva foi comprado no shopping e recebeu reparos ao gosto dela.

'Eu e meu marido (Getúlio) dissemos aos nossos convidados que todos eram padrinhos', conta Lívia Padilha (Rebecca Omena / Divulgação)
"Eu e meu marido (Getúlio) dissemos aos nossos convidados que todos eram padrinhos", conta Lívia Padilha

O Patu Anu, que tem espaços disponíveis no Lago Norte e no Park Way, é um dos mais concorridos em número de agendamentos para esse tipo de cerimônia. A economista Lívia Padilha e o servidor público Getúlio Padilha casaram-se ali, em junho. “Convidamos só as pessoas que chamamos para nossa casa, para nosso aniversário.

Queríamos que todos estivessem na mesma sintonia e compartilhassem da nossa alegria. Dissemos aos nossos convidados que todos eram padrinhos”, diz Lívia.
Lívia e Getúlio estão juntos há pouco mais de dois anos. Eles mimaram os convidados: serviram camarões no coquetel de entrada, dois tipos de pratos principais para todos e opções vegetarianas. Na saída, cada convidado ganhou um minibolo decorado. Lívia fez questão do suco de melancia, o preferido dela, entre as bebidas. Também serviram vinhos e uísque. “O melhor de tudo foi poder conversar com todo mundo, aproveitar a festa. Quando fazem um casamento grande demais, os noivos não conseguem curtir tanto”, diz Lívia.


Os advogados Rosana Rodrigues Marques e Romualdo Silva estão juntos há 14 anos. A convivência não diminuiu a vontade de celebrar a relação. Há um ano, fizeram festa de casamento, no jardim de casa, no Lago Sul. Entre amigos e familiares, 80 receberam convite. “Comecei a pesquisar e me surpreendi com os casamentos faraônicos, que mais parecem um show da Broadway. Não era nada disso que queríamos. Nenhum lugar teria mais o nosso jeito que a nossa casa”, explica Rosana.


O lugar onde eles moram guarda histórias afetivas. Pertence à família de Romualdo há décadas. “Minha cunhada se casou nesse jardim, há 18 anos”, lembra Rosana. “Já fui a vários casamentos nos quais a noiva nem conversa com os convidados. O que percebo é que os noivos, muitas vezes, não ouvem, não comem e não veem. Quando é intimista, você se lembra de todos os detalhes, porque participa mais”, avalia a advogada.

'Nenhum lugar teria mais o nosso jeito que a nossa casa', conta Rosana Rodrigues, sobre o casamento com Romualdo Silva 
 (Gentil Magalhães / Studio Art Fotografia)
"Nenhum lugar teria mais o nosso jeito que a nossa casa", conta Rosana Rodrigues, sobre o casamento com Romualdo Silva

Romualdo é admirador da alta gastronomia. A única exigência do noivo, entre os preparativos, era um bom bufê de frutos do mar. Serviram três tipos de ostras, lagosta, massas, diversos pratos quentes e comida vegetariana (inclusive opções veganas, sem qualquer produto animal). “Quem aprecia a boa mesa quer ser bem servido, não importa se é no Fasano ou num botequim. Nós nos preocupamos com as restrições alimentares de cada um e planejamos o cardápio com todo o cuidado”, diz Rosana.


Há quem escolha fazer as duas versões da cerimônia: uma mais luxuosa e outra privativa. Júlia Menezes e Carlos Henrique Bastos fizeram o casamento civil na casa dos tios dele, às margens do lago. Ornamentaram com velas a árvore do quintal, que Júlia adora, aproveitaram o pôr do sol brasiliense e abriram mão de formalidades. Havia poucas mesas e mais lounges. A comida foi servida em porções menores, para facilitar a degustação. Dois meses depois, os noivos viajaram para a Itália e realizaram a cerimônia religiosa, em igreja do Vaticano. Em seguida, festejaram nos jardins internos de um hotel da região, com um número maior de convidados, especialmente familiares.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017