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ARTIGO | MÁRCIO COTRIM »

Uma fonte em cada quadra

Márcio Cotrim - Redação Publicação:05/09/2013 16:46Atualização:05/09/2013 16:56

 

A superquadra é nossa matriz urbana. Ela abriga a população de uma cidadezinha e favorece a prática da convivência pela comunidade. Não foi por outra razão, aliás, que em 1977 surgiu a primeira prefeitura de superquadra, na SQS 303.

 

Na superquadra vivem brasilienses de todas as idades que padecem, durante quatro meses por ano, os efeitos de forte seca que assola a saúde e o próprio humor das pessoas, além do prejuízo estético que causa ao verde de que tanto nos orgulhamos.

 

Para minimizar esse flagelo com data marcada, que tal pequenas fontes nas superquadras? Esses equipamentos podem fazer surgir nelas um microclima que beneficiará diretamente as crianças e vai agradar aos idosos, que terão local ameno e umidificado para sua fruição vital.

 

Parcerias com a iniciativa privada – as comerciais locais adjacentes – podem ajudar a viabilizar a sugestão, sendo até desejada a colocação de placa registrando seu apoio como forma de contrapartida.Quanto à manutenção das fontes, pode ficar a cargo da prefeitura comunitária local, que cuidará de seu adequado funcionamento. Aos possíveis críticos, saibam que o consumo de água será diminuto, pois apenas 3% do líquido se evapora.

 

Voltemos no tempo. Brasília já conheceu a alegria que as fontes proporcionam à população, a começar pela saudosa sonoro-luminosa, perto da torre de TV, que atraía centenas de pessoas. Nela curtiam namoro e não é exagero dizer, uma geração de brasilienses foi concebida ali...

 

Nas superquadras, claro que as fontes não vão acabar com a seca em Brasília. Mas, com certeza, vão atenuá-la. Neste mês de agosto, aliás, somos testemunhas de suas consequências. Uma horrorosa mescla cromática nos gramados, um tom indefinido entre o bege, o marrom, a cor de palha ou de feno.

 

Do céu não desaba um mísero pingo d’água, as nuvens que aparecem são vã esperança de chuva. Volúveis, logo se desfazem e dão lugar aos mais acintosos dos sóis.

 

Crianças se desidratam, ministros e embaixadores são vistos praticamente nus caminhando pela fresca orla do lago, eis o desolador quadro na mais bela capital brasileira.

 

Brasília está esturricada. Eclodem pequenos incêndios em cada pedaço de mato. Até parece que estamos vivendo o imaginário e dantesco momento pós-nuclear. Por isso, considero-me um chafarizeiro de carteirinha.

 

Como sabe até um bebê de colo, a solução para a seca é água, simplesmente água. Não precisa vir em catadupa, condição reservada a hidrelétricas. Basta que chegue leve, linda e que traga a alegria de um chafariz que jorre felicidade.

Perto de água, tudo é feliz. (Guimarães Rosa) 

 

*Todo mês, Márcio Cotrim, diretor cultural da Fundação Assis Chateaubriand, apresenta uma sugestão de sua "Usina de Ideias" 

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017