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Pet | Serviço »

Hóspedes exigentes

Com o aumento da oferta de hotéis para cães em Brasília, cresce também a lista de itens a serem observados na hora de escolher um lugar para hospedar seu pet

Gustavo Marcondes - Redação Publicação:19/09/2013 16:28Atualização:19/09/2013 16:38

Para não errar: antes de  deixar seu animal de estimação em um hotel, visite o local, verifique as acomodações e conheça as propostas de atividades oferecidas. No Brasília Park Dog (foto),há amplo espaço para brincadeiras (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Para não errar: antes de deixar
seu animal de estimação em um hotel,
visite o local, verifique as acomodações e
conheça as propostas de atividades
oferecidas. No Brasília Park Dog (foto),
há amplo espaço para brincadeiras
Para grande parte dos brasilienses, a aproximação do fim de ano é motivo de preparação das viagens de férias. Praias, hotéis, passagens… tudo isso entra na conta do planejamento do merecido descanso. Aqueles que têm um cão, porém, têm uma preocupação a mais: quem cuidará do animal no período em que o dono estiver longe? A tarefa é mais fácil para quem conta com amigos ou familiares que possam ficar com o pet. Aos que não têm essa facilidade, um hotel para cachorros pode ser a melhor opção.


Problema resolvido? Não é bem assim. Deixar seu animal de estimação pela primeira vez em uma acomodação especializada pode representar um processo complicado e até traumático. Por isso, a escolha do local, de acordo com o perfil do bichinho, é muito importante para minimizar a saudade do dono e evitar que ele sofra no período de separação.


“A primeira coisa a ser observada por quem busca uma acomodação para cães é o amor que os donos e seus funcionários (dos hotéis) têm pelos animais, além do conhecimento sobre como cuidar deles”, observa o criador Francisco Júnior, do Brasilia Park Dog, no Setor de Mansões do Lago Norte. “Quem tem um estabelecimento assim precisa saber por que o cão está se comportando de determinada maneira, por que está triste, se está precisando de carinho, de brincadeira, etc.”


Na maioria dos bons hotéis do tipo, os cuidadores fazem uma longa entrevista com o dono antes de aceitar o cachorro. “Isso é importante para sabermos se o animal está apto a ficar na companhia de outros, mesmo que separado por canis”, explica a veterinária Yurie Montibello, proprietária da Pousada dos Bichos, na Asa Sul. No local, os “hóspedes” podem até experimentar períodos de adaptação, que duram de algumas horas a um dia, antes de passar a noite.


“O questionário inclui perguntas sobre os hábitos cotidianos do cão, se ele está acostumado com o convívio com outros animais, se o dono aprova essa socialização e os hábitos de alimentação”, enumera Daniel Braga de Queiroz, veterinário responsável e dono do Cão Forto, no Setor de Mansões do Park Way, perto de Águas Claras. Também é indispensável uma avaliação de pele, ouvidos, pelagem, boca e olhos.

'Meu Paul McCartney fica superfeliz quando vai para o hotel. Melhorou demais 
a socialização com outros cães e gasta toda a energia guardada', conta Ana Carolina (Bruno Pimentel / Encontro / DA Press)
"Meu Paul McCartney fica superfeliz quando vai para o hotel. Melhorou demais a socialização com outros cães e gasta toda a energia guardada", conta Ana Carolina

Mas tão importante quanto os cuidados de proprietário e funcionários das hospedagens é a atenção do dono do cão. Antes de deixar seu animal de estimação em um hotel, é recomendável visitar o local, observar as acomodações e conhecer as propostas de atividades oferecidas.


Segundo especialistas, a limpeza é o primeiro fator a ser considerado. Os canis devem ser iluminados, bem arejados, sem sinais de mofo e umidade excessiva. Confira se o local onde o cachorro ficará tem espaço condizente com o porte dele. Observe, na medida do possível, se o trato dos funcionários é feito com cuidado e carinho. Busque referências de quem já utilizou o serviço.


O hotel tem a obrigação de exigir o cartão de vacina do cão em dia, com a proteção contra a raiva e a múltipla, além do vermífugo. “Considero ainda mais importante a vacina contra a rinotraqueíte, ou gripe canina, que se propaga facilmente em ambiente de alta densidade populacional”, observa o veterinário Fernando Moraes, do consultório Melhores Amigos, na Asa Norte. Importante também é a aplicação de produto contra pulgas e carrapatos antes ou no momento que o animal entra na hospedagem.


Para o bem-estar do cão, é bastante recomendável – e algumas vezes exigido – que o dono leve alguns pertences dele, como a cama, tapete ou qualquer outra coisa onde o animal esteja habituado a dormir; e as vasilhas em que ele come e bebe, algum brinquedo e até uma peça de roupa do dono, para causar uma sensação de tranquilidade. “Na primeira vez que fica em um hotel, o cão acha que foi abandonado, então, toda ação que minimize esse sentimento é válida”, explica o veterinário Alexandre Lima, do hotel Lex & Lulu.


Com relação à comida, a maioria dos hotéis pede que o dono leve a ração e os “petiscos” a que o pet está acostumado. “A rotina do cão será alterada ao entrar em um hotel, o que já influencia na sua alimentação – ou come pouco ou não come no primeiro dia –, por isso é importante não mudar a ração”, opina Francisco Júnior, do Brasilia Park Dog.


Alguns hotéis aceitam apenas cães de porte pequeno, enquanto outros recebem grandes e médios também, mas com separação de ambiente por tamanho e personalidade dos cachorros. Há também diferenciação nas atividades propostas. Há acomodações que deixam os cães livres a maior parte do tempo, em quintais, inclusive com brinquedos e equipamentos para exercícios, enquanto outras só liberam os animais dos canis para passeios duas ou três vezes ao dia.

Para o  criador Francisco Júnior, a primeira coisa a ser observada por quem busca uma acomodação para cães é o cuidado que os funcionários dos hotéis têm com os animais (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Para o criador Francisco Júnior, a primeira coisa a ser observada por quem busca uma acomodação para cães é o cuidado que os funcionários dos hotéis têm com os animais

Tomados os cuidados necessários, a experiência pode ser bastante positiva, tanto para o pet quanto para o dono. É o caso de Ana Carolina Lacerda, que precisa deixar o schnauzer Paul McCartney num hotel sempre que vai visitar a família em Belo Horizonte. “No começo fiquei meio receosa, mas hoje considero a opção mais prática e segura”, conta a administradora, que até levou o cão de avião para Minas, mas desistiu depois que “ele chegou ao destino em estado de choque”. “Ele fica superfeliz quando vai para o hotel. Melhorou demais a socialização com outros cães e gasta toda a energia guardada”, conta Ana Carolina.


O período mais lotado nos hotéis começa nas festividades de fim de ano e vai, muitas vezes, até o carnaval. Em junho e julho, durante as férias escolares, as vagas também são escassas. Para não ser pego de surpresa, é recomendável reservar a estadia para essas épocas com bastante antecedência. O preço da diária varia de R$ 35 a R$ 50, dependendo do porte do animal.

Opções de hotéis em Brasília

Brasília Park Dog
Tem a filosofia de deixar os animais soltos a maior parte do dia, com atividades em playgrounds e brincadeiras coletivas. Valoriza a socialização entre os animais. Amplo espaço de gramado. Recebe cães de pequeno, médio e grande porte.
www.hotelbrasiliaparkdog.com

Pousada dos Bichos
Os animais ficam em canis e passeiam, separadamente, cerca de cinco vezes ao dia em dois jardins. Não há atividades coletivas. Recebe animais de todos os portes, com a exceção de algumas raças, como bull terrier e pit bull.

www.pousadadosbichos.com.br


Cão Forto
Tem dois espaços diferentes, um para cães de pequeno porte, dentro de uma casa, e outro para animais maiores, em canis separados. Só socializa os animais com a autorização do dono. Há atividades separadas para cada perfil.
www.hotelcaoforto.com.br

Lex & Lulu
Tem duas estruturas. No Lago Sul, em uma casa, recebe os animais de pequeno porte, e outra, no Núcleo Bandeirante, pode abrigar cães maiores. Os passeios são controlados, em grupos pequenos, algumas vezes ao dia.
www.lexelulu.com.br

Motivos para usar um hotelzinho


Viagem é o principal motivo pelo qual os donos recorrem aos hotéis para cachorros, mas não é o único. Confira as situações em que pode ser recomendável tirar o seu cão de casa:

Reformas
Para impedir que o pó da obra
seja prejudicial ao animal

Dedetização
O veneno é bastante
perigoso aos cães

Aplicação de sinteco no piso
Os produtos usados são extremamente tóxicos

Cadela no cio
Quando o dono tem mais de um animal e quer evitar o cruzamento

Festas
Para evitar que o cachorro
seja uma preocupação a mais
em um grande evento

Day care para cães ociosos

O novo serviço que começa a ganhar clientes dos hotéis para cachorros é o day care. Nele, o animal passa o dia na hospedagem, realizando uma série de exercícios e atividades com outros pets, e volta para casa no fim do dia. É indicado, principalmente, para animais cujos donos não podem dar muita atenção no dia a dia

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