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A nova cara da Esplanada

Dez obras, entre elas a construção de uma ciclovia e o plantio de mais de 350 árvores no Eixo Monumental, prometem mudar a cara da Zona Central da capital federal. Afora os pareceres contra e a favor, conheça o projeto que já está sendo tocado

Matheus Teixeira - Redação Publicação:03/10/2013 14:38Atualização:03/10/2013 14:51

Revitalização: as obras custarão R$ 330 milhões e devem ficar prontas até junho de 2015 (Escritório Burle Marx / Divulgação)
Revitalização: as obras custarão R$ 330 milhões e devem ficar prontas até junho de 2015
Quando inaugurada, Brasília ainda não estava completamente pronta. Apenas algumas quadras residenciais e a Zona Central da cidade já haviam sido construídas. De lá para cá, porém, muita coisa mudou. As Asas Sul e Norte se desenvolveram; Juscelino Kubitschek ganhou um memorial; as cidades satélites e o Entorno cresceram desordenadamente; mas uma área, em especial, manteve-se intacta: a Esplanada dos Ministérios. Cinquenta e três anos depois, no entanto, um conjunto de 10 obras anunciadas pelo governo do Distrito Federal (GDF) promete mudar a cara da rua mais emblemática da capital e de todo o Eixo Monumental.

'Essas obras melhorarão muito a vida do brasiliense', diz a diretora de Obras Especiais da Novacap, Maruska Lima (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
"Essas obras melhorarão muito a vida do brasiliense", diz a diretora de Obras Especiais da Novacap, Maruska Lima

As obras – algumas em execução, outras em processo licitatório – custarão R$ 330 milhões e têm previsão de ficarem prontas em junho de 2015. No canteiro central da Esplanada está sendo construída uma ciclovia de 3,2 km e já foram plantadas 359 árvores. As calçadas que ficam ao lado dos ministérios passarão por reforma e as paradas de ônibus ganharão um recuo para facilitar o trânsito.

 

 

Antes e depois

 

 

Quem trabalha na Esplanada tem gostado da iniciativa. “Não tem sombra, e a calçada que existe fica na beira da pista. Os carros passam raspando na gente. É perigoso”, conta o militar Pablo Gonçalves. O jardineiro do Ministério do Trabalho e Emprego Edenílton Carneiro também aprova: “É muito ruim subir para rodoviária com o sol na cabeça. Falta sombra na avenida que determina o futuro do país”, critica.

Obras em andamento: mudanças importantes na avenida que determina o futuro do país (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Obras em andamento: mudanças importantes na avenida que determina o futuro do país

Mas o plantio das árvores não agrada a todos. Maria Elisa Costa, filha do urbanista que projetou Brasília, Lucio Costa, ficou revoltada. Para ela, as árvores, que devem chegar a 20m de altura, desfiguram o plano original da cidade, que prevê uma “pausa verde” no espaço entre o Congresso Nacional e a Torre de TV. “Seria muito simples preservar o Eixo Monumental como foi concebido por Lucio Costa. Bastaria não inventar nada, apenas preservar o belo gramado contínuo no canteiro central”, diz.


O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) também se opôs à obra. Assim como Maria Elisa, o instituto acredita que, quando as árvores crescerem, a visão do conjunto de monumentos presentes na Esplanada ficará comprometida.

 

Antes e depois

 

 

Por outro lado, a diretora de Obras Especiais da Novacap, Maruska Lima, defende a realização das obras: “Elas melhorarão muito a vida do brasiliense”, justifica. E garante que elas não ferem o projeto original do Plano Piloto. “Não vamos contra a legalidade. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que é responsável pelo tombamento, deu parecer favorável. Eles têm razão”, afirma.


Outra novidade anunciada pelo governo é o projeto paisagístico Burle Marx. Já em construção, ele ficará entre a Rodoviária e a Torre de TV. Criado pelo escritório Burle Marx a partir de desenhos feitos pelo paisagista na década de 1960, o projeto prevê a implantação de vegetação, calçadas, espelho d’água e espaços de convivência no local. Maria Elisa também é contra e afirma que, apesar de ser um desenho do próprio Burle Marx, o pai dela, na época, convenceu o paisagista de que a ideia não era compatível com a proposta do Plano Piloto. “Lucio Costa fez esse apelo ao Burle Marx e ele concordou”, relembra.

Filha do urbanista que projetou Brasília, Maria Elisa Costa é contra a reforma: 'Seria simples preservar o Eixo Monumental como foi concebido por Lucio Costa. Bastaria não inventar nada'
 (Gustavo Moreno/CB/DA Press)
Filha do urbanista que projetou Brasília, Maria Elisa Costa é contra a reforma: "Seria simples preservar o Eixo Monumental como foi concebido por Lucio Costa. Bastaria não inventar nada"

Maruska Lima destaca as melhorias para o trânsito que duas das obras trarão para a região central da cidade. “Também faremos duas ligações viárias para desafogar o trânsito. Uma entre a W4 Sul e a W5 Norte, e outra entre o Mané Garrincha e o Autódromo”, explica. E defende as árvores típicas do cerrado que foram plantadas na Esplanada: “Deixarão a cidade mais bonita. Elas não são tão altas para atrapalhar a vista que se tem da Esplanada”, diz

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017