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Eles cuidam dos nossos filhos

Com longas e bem-sucedidas carreiras, muitos pediatras de Brasília não abandonam os consultórios e acabam atendendo até duas gerações da mesma família

Dominique Lima - Redação Publicação:10/10/2013 14:58Atualização:10/10/2013 15:53

 (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press
)
 

ÍSIS MAGALHÃES
Idade: 55 anos
Origem: Fortaleza (CE). Está em Brasília desde 1968
Formação: Completou a graduação em medicina na Universidade de Brasília em 1979. Fez residência em pediatria e se especializou em hematologia e oncologia pediátrica no Hospital de Base.
Tem mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília
Carreira: Médica do Hospital de Base, é diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília
É casada, tem quatro filhos
Ser pediatra é: “Ser dedicado e comprometido, atento e verdadeiro com a criança e os familiares. Ter senso aguçado para as questões humanistas da medicina”

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Em 18 de outubro de 2012, Dia do Médico, o pediatra Jair Evangelista Rocha, 45 anos de carreira, foi surpreendido ao receber no horário destinado a um paciente não só a criança e seus pais, mas 12 pessoas. Eram todas da mesma família e somavam duas gerações de antigos ou atuais pacientes que resolveram homenageá-lo. Levaram histórias, um cartão e muitos abraços. Ele guarda o cartão com orgulho.


Ao fim da entrevista sobre sua profissão, a pediatra especialista em onco-hematologia Ísis Magalhães, diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, recebeu uma ligação da mãe de uma ex-paciente. O semblante da médica se transformou e traduziu preocupação sincera e atenção total aos questionamentos do outro lado da linha. Naquele momento, foi possível ver na prática o que a médica antes tentara traduzir em palavras: “Mais do que a remuneração por um trabalho, escolhi ser pediatra para ser útil”.


Concorda com Ísis o pediatra Carlos Jansen. Formado pela Universidade de Brasília (UnB) em 1975, médico aposentado do Banco do Brasil, ele divide seu tempo entre o consultório particular e a carreira musical, que inclui o lançamento, neste mês, do álbum de canções infantis Novas Cantigas de Roda. “Conheço outros profissionais que atuam em algo que não gostam. Há carreiras que podem ser seguidas sem amar. Nunca conheci um pediatra que não amasse a profissão”, reflete.


A missão do pediatra se inclui no rol daquelas com papel-chave para a sociedade. Afinal, cabe ao cuidador da saúde infantil salvaguardar o bom desenvolvimento das próximas gerações. “O pediatra deve ter a capacidade de avaliar a criança globalmente, na totalidade de seus atributos orgânicos e psíquicos, e em caráter preventivo e curativo. E é preciso fazê-lo de modo a promover a formação de uma pessoa física, mental e emocionalmente sadia”, conceitua a presidente da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal e chefe da unidade de pediatria do Hospital de Base, Elisa Carvalho.

 (Fotos:  Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

CARLOS JANSEN
Idade: 63 anos
Origem: Salvador (BA). Está em Brasília desde 1965
Formação: Graduação e residência pela Universidade
de Brasília, em 1975
Carreira: Atuou como médico do Banco do Brasil por 26 anos até a aposentadoria. Trabalhou no Hospital Naval por 10 anos. Ainda trabalha em consultório próprio desde 1977. “E me divertindo sempre”, conclui
É casado, tem três filhos adultos e cinco netos
Ser pediatra é: “Saber ouvir e dar atenção aos pais, testemunhar as alegrias de ver um ser humano em desenvolvimento”

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O perfil de alguns dos mais conceituados pediatras de Brasília, no entanto, revela mais. A responsabilidade sobre a integridade de futuros cidadãos é apenas parte do que engloba a profissão. Ser pediatra parece muitas vezes abarcar necessidade de engajamento político. A luta pela criança extrapola o organismo em crescimento para incluir a defesa de seus direitos. O médico da infância também mostra nunca prescindir de abordagem humanista. Há, naqueles que moldam a pediatria brasiliense, sensibilidade acima do comum para enxergar a dor do outro. Seja ele o pequeno em desenvolvimento seja um adulto da família.


Sentado em consultório decorado à moda típica da inauguração de Brasília, atrás de uma mesa sem computador, mas com pequeno rádio e a tradicional pasta de médico, Oscar Mendes Moren é um dos principais representantes da classe pediátrica. Mentor de Elisa Carvalho, Jair Evangelista, Ísis Magalhães, entre outros tantos pediatras de Brasília, ele mantém perto de si as evidências das décadas de trabalho bem cumprido. Abaixo do tampo de vidro, dezenas de fotos de crianças de todas as idades condensam um belo mosaico de histórias. Algumas amareladas, com mais de 30 anos, outras recém-impressas.


Nascido em família humilde no Rio de Janeiro em 1929, formou-se na capital fluminense e fez residência nos Estados Unidos. Voltou ao Brasil e, em pouco tempo, era servidor do Hospital Distrital de Brasília, hoje Hospital de Base. Ainda recém-chegado ao Distrito Federal, em 1961, tornou-se chefe da pediatria e responsável pela residência pediátrica em eleição organizada por seus pares. Ocupou o cargo até se aposentar, em 1991.


Oscar Mendes Moren é parte da história da medicina em Brasília. Pioneiro, implantou a prática de incentivo ao desenvolvimento de subespecialidades na pediatria. Também reforçou o papel do Hospital de Base como espaço para a medicina terciária, aquela responsável pelas doenças crônicas e de alta complexidade. Ele enumera o que acredita ter sido necessário para o trabalho frutífero: as três décadas de gestão contínua, que permitiram implantar projetos de longo prazo, ênfase na qualidade e no compromisso dos profissionais, espírito de equipe, disciplina e, acima de tudo, a prática da pediatria como um todo, que engloba mente e corpo.

 (Fotos:  Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

JAIR EVANGELISTA ROCHA
Idade: 73 anos
Origem: Catalão (GO). Em Brasília desde 1967
Formação: Graduação na Universidade do Triângulo Mineiro, em 1967. Fez dois anos de residência no Hospital de Base, mais um ano de especialidade em endocrinologia pediátrica na Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto
Carreira: Foi servidor do Hospital de Base por 40 anos e chefe da Pediatra do Hospital entre 1991 e 2006. Continua atendendo em consultório particular
É casado e pai de três filhos
Ser pediatra: “Foi o passo mais acertado de minha vida. O pediatra deve entender
a importância da criança nos sentidos biológico e psicossocial. Não apenas trata, mas prepara o paciente infantil para seu papel como o futuro da sociedade”. Foi a disposição para enxergar o outro em sua totalidade que fez o radialista José Costa da Silva Filho, o Zinhão, de 38 anos, manter Oscar Moren como o pediatra de seus dois filhos, Gabriel, de 6 anos, e João do Espírito Santo, de 1 ano e 5 meses. Conhecimento e experiência são outras qualidades procuradas num especialista para acompanhar o desenvolvimento dos filhos. Atenção é mais uma. “Nas consultas, tenho tempo para sentar e conversar com o médico sobre questões de comportamento, de cunho psicológico. É uma grande ajuda”, diz José.

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Essa atenção deveria ser possível em toda consulta pediátrica, segundo Oscar Moren. Para ele, o que há de errado no sistema de saúde é a politicagem sobre esse serviço público essencial e a falta de compromisso de muitos dos servidores. “É preciso lembrar, porém, que o engajamento da sociedade, em conselhos e voluntariado, faz a diferença”, ressalta.


Durante as décadas dedicadas à chefia da ala pediátrica do Hospital de Base, não deixou de atender também os candangos e as primeiras gerações de brasilienses em seu consultório particular. Famílias inteiras contaram com a expertise do Dr. Moren. Entre elas, a da arquiteta Cristiana Mendes Garcia, de 43 anos.


Como um dos responsáveis por seu sucesso, o pediatra comenta orgulhoso o talento que viu Cristiana desenvolver. Ela também demonstra carinho ao falar do médico: “Uma vez reunimos a família, muitos são ex-pacientes do dr. Moren. Eram irmãos, primos, filhos. Não coube todo mundo na foto que tentamos tirar”. A tradição continua e o filho de Cristiana, João Gabriel, de 1 ano e 9 meses, também é cuidado pelo pediatra da mãe. Aos 84 anos, Oscar Moren ainda se dedica diariamente ao acompanhamento da saúde de pequenos brasilienses. “O pediatra precisa entender que o rigor tem de fazer parte de sua ética. Em um minuto, perde-se um paciente. E ele precisa estar atento ao fato de que pacientes têm alma e que ela pode dar sintomas”, aconselha.


Também não pensa em se aposentar outro pediatra pioneiro em Brasília. Antonio Marcio Lisboa, de 86 anos, mentor de inúmeros pediatras, esteve à frente da Faculdade de Medicina da UnB. Ainda atua em seu consultório. Pelas manhãs, atende. Às tardes, dedica-se à pesquisa e à escrita. O autor de mais de 16 livros deixou, em 1966, por opção, o cargo no Hospital de Servidores do Estado do Rio de Janeiro e a clínica renomada na capital fluminense para se aventurar na constituição da nova Faculdade de Ciências Médicas, dirigida pelos professores Luiz Carlos Lobo e José Roberto Ferreira.

 

 (Fotos: Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
ELISA CARVALHO
Idade: 53 anos
Origem: Araguari (MG). Está em Brasília desde 1962
Formação: Completou a graduação em medicina na Universidade de Brasília em 1982. Especializou-se em pediatria e em gastroenterologia pediátrica e endoscopia digestiva no Hospital de Base. Tem mestrado em pediatria pela Universidade de Brasília em 1999 e doutorado na Faculdade de Ciências da Saúde da UnB com pesquisa realizada no Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, nos Estados Unidos, em 2005
Carreira: É chefe da Unidade de Pediatria do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e coordenadora da residência médica em gastroenterologia pediátrica do HBDF. Também ocupa cargo de coordenadora clínica do Hospital da Criança de Brasília. É a atual presidente da Sociedade
de Pediatria do Distrito Federal
É casada, tem duas filhas médicas
Ser pediatra é: “É uma ação que não se inicia no nascimento, mas no período de gestação (assistência pré-natal) e até antes deste (aconselhamento genético). Suas repercussões não terminam na adolescência, mas refletem ao longo de toda a vida do indivíduo”

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O que o atraiu foi a oportunidade de aproveitar o espírito inovador da nova capital e lançar mão de proposições de ensino revolucionárias. A ideia era implantar o ensino holístico da medicina. “O médico precisa se preocupar com o bem-estar físico, mas também mental, emocional e social do paciente”, explica. Convicto, também alerta para as formas de violência que se originam de distúrbios já na primeira infância e como o pediatra pode auxiliar na prevenção desses problemas.


Outro membro importante da história da Universidade de Brasília e da Faculdade de Medicina, o professor aposentado e pediatra Dioclécio Campos Júnior, acredita que a falta de valor concedido ao trabalho do pediatra denota problema grave de reconhecimento não só do profissional, mas também de seu paciente. “Não valorizar o pediatra é consequência da pouca importância com que é vista a criança”, explica.


Este é um problema vivido no Brasil, segundo ele. As conclusões se embasam em décadas de trabalho por melhores políticas públicas voltadas para a saúde na primeira infância. Dioclécio foi secretário-executivo do Ministério da Saúde e secretário da Criança no GDF, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e ativista político desde os anos de estudo. Com os esforços, participou de importantes conquistas como o aumento do prazo da licença-maternidade de quatro para seis meses e as bem-sucedidas campanhas de conscientização sobre aleitamento materno.


Da sala do escritório da Sociedade Brasileira de Pediatra, à qual continua vinculado, tem-se visão direta do novo Estádio Nacional de Brasília. É para lá que Dioclécio aponta quando compara a edificação ao ainda inacabado prédio do Instituto da Criança e do Adolescente (ICA), do Hospital Universitário de Brasília. Em mais de 10 anos desde o início do projeto, não se conseguiu fazer funcionar o centro, que terá foco na prevenção e educação de pais e jovens.


“É preciso entender que não sou contra aquilo ali [o estádio]. Todo mundo gosta de futebol. Mas gostaria de ver a mesma paixão e esforço voltados para a construção do ICA”, pondera. A veemência no discurso – que só se compara com a alegria e empolgação com que fala das duas netas, “as mais bonitas da galáxia” – vem da convicção de que os potenciais para inovação e produção de conhecimento de um país só são atingidos se garantida a saúde na infância.

 (Fotos: Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)

OSCAR MENDES MOREN
Idade: 84 anos
Origem: Rio de Janeiro (RJ).
Está em Brasília desde 1960
Formação: Graduação na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em 1955. Fez residência em medicina no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Sua residência foi no The Long Island Jewish Hospital, em Nova York, Estados Unidos, em 1959. “Fellow” em neurologia pediátrica pelo Children’s Memorial Hospital em Chicago, nos Estados Unidos entre 1963 e 1964
Carreira: chefe da Unidade de Pediatria do Hospital de Base de Brasília entre 1961 e 1991. Criador da Pediatria Terciária em Brasília. Sempre atendeu em consultório particular
É casado, pai de duas filhas e tem três netos
Ser pediatra é: “Enxergar o ser humano em sua totalidade, mente e corpo, para melhor preparar a criança na importante fase do desenvolvimento”

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“A prioridade absoluta deve ser garantir a qualidade de vida presente e futura de cada cidadão. Reduzir a mortalidade infantil é importante, mas não basta a criança sobreviver. Ela tem é de viver”, ressalta. A tarefa é tão complexa quanto parece, porque cuidar da saúde da criança significa atendê-la também quando saudável. O intuito é evitar muitas doenças durante a fase adulta, que, hoje já se sabe, têm início nos primeiros anos de vida. Além disso, conhecer muito bem a fase em que o organismo é marcado por fenômenos físicos do crescimento, em que cada faixa etária é única, da gestação ao fim da adolescência, é trabalho árduo.


Parte do sucesso da pediatra Ísis Magalhães vem da dedicação a esse conhecimento técnico. Sempre boa nos estudos, a médica aproveitou a influência da mãe pediatra, o gosto pela biologia e a vontade de ser útil para se tornar onco-hematologista pediátrica. A diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar veio para a capital ainda na infância. Formou-se na UnB em 1979, fez residência no Hospital de Base, onde também se especializou em onco-hematologia. Essa subespecialidade trata principalmente de leucemia infantil, um mal pouco comum, mas dramático e fatal em 30% dos casos.


Não que a dureza da realidade da doença consiga afetar a médica. Ao falar sobre a doença, enumera as várias conquistas em prol da cura, cada vez mais possível e com menos sequelas. Atuando na rede pública e na privada, Ísis Magalhães confessa sempre ter acreditado no potencial do serviço público de saúde. Emociona-se ao lembrar o apoio que teve de pais das crianças com câncer que atendeu no Hospital de Base. Anos depois, alguns desses formaram a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadora de Câncer e Hemopatias (Abrace). Do trabalho da associação e de pediatras de Brasília, com o apoio do GDF, surgiu o Hospital da Criança. Ali, graças às parcerias com entidades da sociedade civil, é possível, conta Ísis, equacionar um grave problema para a saúde pública: o tempo da burocracia versus o tempo da doença. Outro pediatra participante do projeto, Jair Evangelista Rocha se mostra igualmente emocionado. Segundo ele, são anos de trabalho, esforço e paciência para ver resultados como esse.

 (Fotos: Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)

DIOCLÉCIO CAMPOS JÚNIOR
Idade: 70 anos
Origem: Uberaba (MG). Em Brasília desde 1967
Formação: Graduado pela Universidade do Triângulo Mineiro, em 1966. Fez último ano do curso no então Hospital Distrital, hoje Hospital de Base de Brasília, e residência no Instituto Fernandes Figueira. Fez mestrado e doutorado em pediatria na Université Libre de Bruxelles, na Bélgica
Carreira: Aposentado pela UnB, onde ingressou em 1987, ainda atua na pós-graduação. Foi secretário-executivo no Ministério da Saúde. Entre 2004 e 2009, foi presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Em 2011, foi nomeado secretário da Criança do GDF, cargo que ocupou por um ano e meio
Casado, teve dois filhos e é avô de duas meninas
Ser pediatra é: “Garantir os direitos da criança e do adolescente à melhor saúde, para que possam atingir seu potencial e se tornar cidadãos capazes, comprometidos”

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Vindo para Brasília da Universidade do Triângulo Mineiro em 1967 para completar os estudos no Hospital de Base, então chamado Distrital, Jair Rocha pretendia ser generalista. Encantava-o a ideia de ser médico de família, como os doutores que conheceu durante a infância no interior. Mas no caminho estavam a ala de pediatria e seu chefe, Oscar Moren, e a escolha por cuidar de crianças prevaleceu. Foi um dos primeiros do Brasil a se especializar em endocrinologia pediátrica. “O contato com crianças, tão frágeis, carentes de atenção, me transformou. Tornar-me médico pediatra foi o passo mais acertado da minha vida”, conclui. Aos 73 anos, aposentado do Hospital de Base, onde chefiou a ala de pediatria após a saída de Moren, entre 1991 e 2006, atende em consultório particular.


Apesar de ter uma subespecialidade, Jair Rocha destaca a importância do pediatra generalista para a classe. “Estudos se preocupam com esse assunto. Um generalista é capaz de detectar e resolver 80% dos problemas da criança se esse trabalho for benfeito”, diz. Da mesma forma, a pediatra Carmen Lívia, professora das Universidades de Brasília e Católica de Brasília, acredita na diferença que um bom médico generalista pode fazer na vida da criança e da família. Ela mesma atuou na área por muitos anos, mesmo tendo se subespecializado em pneumologia pediátrica. Isso até o gosto pelo ensino levá-la de volta à academia. Em Brasília desde 2001, vinda de Vila Velha, no Espírito Santo, trabalhou no Ministério da Educação, em comissão voltada para melhorar a residência médica no Brasil, fez mestrado e doutorado em pediatria na UnB. Parte do trabalho de uma professora de certa especialidade numa escola de medicina não deixa de ser a de atrair o estudante para sua área.

 (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)

ANTONIO MARCIO LISBOA
Idade: 86 anos
Origem: Leopoldina (MG). Está em Brasília desde 1967
Formação: Graduação pela Faculdade Nacional de Medicina, em 1950
Carreira: Foi médico da Aeronáutica e servidor do Hospital dos Servidores do Estado do Rio
de Janeiro. Em Brasília desde 1966, foi professor da Universidade de Brasília. Chefiou a pediatria
do Hospital Universitário. Coordenou os programas de residência médica da Fundação Hospitalar de Brasília. Um dos fundadores do Centro de Estudos Perinatais do Planalto Central (CEPPLANC)
e da Sociedade de Pediatria de Brasília

Viúvo, casado novamente, é pai de cinco filhos e avô de nove netos
Ser pediatra é: “Reconhecer a importância de cuidar da criança de forma holística como meio de torná-la um adulto saudável, equilibrado e feliz”

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Esse serviço vinha se mostrando árduo alguns anos atrás. No intervalo de 2003 a 2005, a procura pela especialidade entre estudantes de medicina declinou. A pouca popularidade se deveu em muito à escassa valorização desse profissional, o que tornava a carreira menos atrativa financeiramente. Mas os números hoje provam que a procura voltou a crescer. As vagas para residência são todas preenchidas, algumas com grande disputa. A Sociedade Brasileira de Pediatria concede título a uma média de 1.200 a 1.500 candidatos por ano no país. “Principalmente, nos últimos quatro anos, a escolha pela pediatria voltou a crescer porque há mercado de trabalho. Onde um pediatra abrir uma porta, ele atende”, explica Martins. À boa oferta de trabalho somam-se as características inerentes à pediatria, para muitos atraentes, e que sempre fizeram parte dessa atividade.

 

A chefe da pediatria do Hospital de Base, Elisa Carvalho, usa as palavras de Pedro de Alcântara para descrever esse outro lado, não financeiro, não mensurável: “A pediatria é ‘estado de espírito’, que assegura a permanência dos esforços a favor da criança e que tem como alicerce o amor a ela, não o amor que se exprime em prosa e verso, mas que se exterioriza em ação”. A rotina de trabalho de Elisa é prova desse amor em ação. Entre as atividades no Hospital de Base e no Hospital da Criança, onde tem cargo de coordenação, preside a Sociedade de Pediatria do Distrito Federal e leciona gastroenterologia pediátrica.

 

 ( Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
CARMEN LÍVIA MARTINS
Idade: 54 anos
Origem: Baixo Guandu (ES). Está em Brasília desde 2001
Formação: Concluiu a graduação e residência na Universidade Federal do Espírito Santo em 1982 e 1984. Fez mestrado e doutorado em pediatria pela Universidade de Brasília. Especialista em pneumologia pediátrica
Carreira: É pediatra do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória. Em iniciativa privada, montou o serviço de pediatria para os funcionários da Chocolates Garoto, em Vila Velha, e teve consultório na cidade. Na capital federal, trabalhou no Hospital Universitário de Brasília e na Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação. Atualmente, é coordenadora de pediatria da Secretaria
de Saúde do GDF, professora da UnB e da Universidade Católica de Brasília
É casada e mãe de dois filhos
Ser pediatra é: “Focar-se na prevenção e no acompanhamento de um ser humano nas primeiras duas décadas de vida, com foco na consulta.
Dedicação extraordinária do profissional”

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A alegria com que o pediatra Carlos Jansen atende os irmãos Lucas e Bárbara Araújo Carneiro é outra forma de presenciar a vocação pediátrica em sua melhor expressão. “Nunca devemos esquecer que a criança não é adulto pequeno, é ser em formação. Não há melhor sensação que ver uma criança crescendo bem, saudável”, diz.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017