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ESPECIAL KIDS | FOTOGRAFIA »

Sem carinhoa de joelho

É cada vez maior a procura por serviços de fotografia para recém-nascidos. Feito até os 20 dias de vida, o álbum capta feições e características que mudam quando o bebê cresce

Leilane Menezes - Colunista Publicação:11/10/2013 16:02Atualização:11/10/2013 17:36

Lucca foi fotografado em cenários que remetiam a referências pedidas pelos pais:  aqui, o rústico sobressai (Fábio Lacerda / Akemi Studio/Divulgação)
Lucca foi fotografado em cenários que remetiam a referências pedidas pelos pais: aqui, o rústico sobressai

O desejo de guardar a imagem do filho como era nos primeiros dias de vida leva pais e mães a procurar especialistas em fotos de recém-nascidos. Fora do Brasil, profissionais usam o termo new born, quando se referem a esse trabalho. É um dos segmentos em alta, atualmente, de acordo com fotógrafos ouvidos por Encontro Brasília. A sessão custa, em média, R$ 1 mil e rende cerca de 20 retratos. As composições mais inusitadas, em cenários pouco prováveis, são as favoritas dos clientes.


Pais de Bia, hoje com 3 meses, Rayssa Tomaz e Reinaldo Costa guardam como preciosidade o álbum de fotos montado quando a menina tinha apenas 9 dias de vida. Nas imagens, Bia cochila sossegada, aparece com laços e outros adereços. “Minha mãe fez fotos minhas desde muito cedo e eu sempre amei ver esses retratos. Adoro as fotos da Anne Gueddes (fotógrafa australiana, famosa referência nesse segmento). Fiquei apaixonada pelo resultado, porque capta as feições do bebê com muita delicadeza”, afirma Rayssa. A mãe decorou o quarto da filha com as imagens e enviou-as como presente para familiares que moram longe de Brasília.


O casal fez extensa pesquisa antes de escolher a fotógrafa contratada, Catarine Silveira, da Magneto Elenco. “Fizemos uma busca detalhada, porque é muito delicado receber uma pessoa estranha em casa, nove dias após o parto. Mas a equipe foi muito cuidadosa e carinhosa, isso é o mais importante quando se trata desse serviço”, explica Rayssa. Catarine especializou-se nesse ramo, há um ano. Trabalha em parceria com a produtora Anelise Pinto. Juntas, elas elaboram cenários criativos.

Com apenas 9 dias, Bia foi fotografada: 'Fiquei apaixonada pelo resultado', revela a mãe, Rayssa (Catarine Silveira/Magneto Elenco)
Com apenas 9 dias, Bia foi fotografada: "Fiquei apaixonada pelo resultado", revela a mãe, Rayssa

Anelise entrou em contato com pediatras, para ter recomendações que garantissem o bem-estar dos bebês. Elaborou uma lista de cuidados necessários, como cuidar da temperatura do local, questões de higiene e de manipulação dos recém-nascidos. Em seguida, a produtora fez viagens em busca das peças perfeitas para compor os ambientes. “Tudo que usamos é higienizado, as cobertas são hipoalergênicas. Montamos um estúdio na casa dos pais, com aquecedor, para deixar a temperatura adequada. É essencial ter calma, deixar o bebê e os pais confortáveis”, diz Anelise.


Caterine fotografou 15 crianças no último ano. Os pedidos são cada vez mais frequentes. A única limitação é o tempo de nascimento. O trabalho só é feito com crianças de, no máximo, 20 dias de vida. Após esse período, os bebês têm mais dificuldades para dormir e podem sentir cólicas, o que dificulta o trabalho. “Os pais querem registrar a cor dos olhos do filho, porque muda muito rápido. Eles desejam guardar essa fase. Em uma sessão de fotos comum, quem manda é o fotógrafo. Nessa, é o recém-nascido quem dita as regras. Tudo é no tempo dele, fazemos pausas para que ele mame, para limpá-lo, sem pressa”, afirma Catarine.


A empresária Bianca Puglia, mãe de Teo, não se identifica com a linguagem das fotos tradicionais dos books com gestantes ou recém-nascidos. Optou pela fotografia especializada, em busca de lembranças que pudessem ser guardadas para sempre. “No início, fiquei preocupada, porque ele é tão pequeno. Mas quando vieram, tinham toda a estrutura, como aquecedor e iluminação adequada. É importante contratar profissionais bem preparados”, avalia Bianca.

O sorriso de Teo Puglia: certos momentos dos recém-nascidos merecem ser eternizados (Catarine Silveira/Magneto Elenco)
O sorriso de Teo Puglia: certos momentos dos recém-nascidos merecem ser eternizados

Um dos primeiros a se interessar por essa área, em Brasília, o fotógrafo Fabio Lacerda atua há mais de cinco anos em contato direto com bebês que acabam de nascer. Ele e a mulher, Melissa Akemi, trabalham juntos para garantir a segurança dos bebês. É Melissa quem posiciona as crianças e ornamenta os cenários. Antes da fotografia, Melissa era funcionária de uma maternidade. Com certificado técnico de análises clínicas, ela era responsável por coletar sangue e outros materiais dos nenéns, para exames.


A experiência de Melissa no trato com bebês orienta as sessões de fotos. “O fotógrafo nunca deve ficar sozinho com a criança. Nós sempre temos a preocupação de ter os pais por perto, o tempo todo. Lidamos com um público muito sensível”, explica Fábio. Antes dos primeiros cliques, Fábio conversa com os pais, em busca de lembranças da infância do casal. “A fotografia é um modo de contar histórias e deve ter significado além da estética. Fotografamos em uma barraca do beijo, certa vez, porque remetia a memórias dos pais”, lembra.


A tal foto da barraca foi um pedido de Tico de Moraes, músico e pai de Lucca, hoje com 8 meses. O fotógrafo Fábio Lacerda usou, além da referência da barraca do beijo, instrumentos musicais para compor as imagens com o bebê. Fábio fotografou o casamento de Tico e Michelle de Moraes. Quando o casal teve o filho, Lucca, escolheu o mesmo profissional para registrar os primeiros dias de vida do garoto. “Lucca dormiu uma manhã inteira, só acordava para mamar, no estúdio do Fábio. Eles têm um som que imita o barulho do útero, músicas bem calmas e aquecedor. Tudo isso faz com que o bebê relaxe totalmente e permita essas imagens lindas e criativas”, diz Michelle, a mãe.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017