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CARREIRA | CONCURSOS »

Uma questão de estratégia

Pouco adianta devorar pilhas de livros sem conhecer o estilo de prova das bancas de concursos. Entenda a metodologia das três principais organizadoras: Cespe/UnB, Esaf e Cesgranrio

Larissa Domingues - Publicação:31/10/2013 14:52Atualização:31/10/2013 15:52

Passar horas em cima dos livros e nas salas de cursos preparatórios é essencial para aprovação em um concurso, mas não é o suficiente para que a tarefa seja bem-sucedida. Para garantir uma cadeira em algum órgão público, os candidatos devem ter um bom conhecimento sobre os métodos usados por cada banca organizadora e suas peculiaridades. Encontro Brasília traçou um perfil das três principais empresas responsáveis por seleções federais para que você possa direcionar os seus estudos e sair à frente na corrida por uma oportunidade no serviço público. São elas: Cespe/UnB, Esaf e Cesgranrio.


Considerado por muitos concurseiros o mais exigente, o Cespe já foi um grande desafio para Cleudson Gomes, que construiu uma relação de intimidade com as provas da banca. Hoje, ele é servidor do Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas já foi aprovado em vários outros concursos organizados pelo centro. Já fez mais de 20 deles e, como expert no assunto, tenta tranquilizar os colegas, mostrando que as provas não são um bicho de sete cabeças. Treinou tão bem para as seleções do Cespe que nas provas de outras organizadoras costumava ter um desempenho ruim.


Para ele, o segredo é estudar o conteúdo programático, mas também entender como ele será cobrado. “Pude perceber que as bancas realmente têm muitas peculiaridades, então é necessário que o candidato se prepare para o concurso desejado também de acordo com a banca que irá organizá-lo. Nas oportunidades em que tive de prestar concursos de outras organizadoras que não fosse o Cespe, fui mal nos resultados, justamente por não ter me preparado para o estilo de prova”, conta.


Para o funcionário público, quem quer se sair bem nas avaliações da instituição deve se dedicar intensivamente ao estudo de provas anteriormente aplicadas. “A resolução de centenas de questões vai, sem dúvida, permitir que se adquira intimidade com o estilo da organizadora e se saiba, mesmo na hora da dúvida, se é prudente marcar ou não uma questão como certa ou errada. Assim, logo o sucesso virá,” diz.

Cleudson Gomes, servidor do Tribunal Superior do Trabalho, fez mais de 20 concursos: 'As bancas têm muitas peculiaridades' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Cleudson Gomes, servidor do Tribunal Superior do Trabalho, fez mais de 20 concursos: "As bancas têm muitas peculiaridades"

Concentre-se para a Cesgranrio

 

Ana Carolina Letichevsky, superintendente do departamento acadêmico da Fundação Cesgranrio, afirma que as provas tendem a priorizar análise, solução de problemas, inferências e raciocínio lógico, que, em última instância, implica domínio de conhecimentos e capacidade interpretativa. “A maior preocupação é assegurar que a prova esteja adequada à sua finalidade”, diz.


Para ela, não importa o método de preparação do candidato, desde que ele assimile as disciplinas exigidas para aprovação. “O importante é estar preparado para realizar a prova, procurando estudar todos os conteúdos elencados no edital e usando os conhecimentos para responder às questões, que exigem diferentes capacidades e habilidades intelectuais.”


Assim como a Esaf, a Fundação Cesgranrio também costuma elaborar provas com textos longos e cansativos – nos enunciados, alternativas e referências. “O primeiro ponto é fazer uma leitura rápida no texto para saber se vai precisar usá-lo ou não para responder a questões. Os enunciados trazem muitas vezes situações hipotéticas e, nas alternativas, o candidato precisa saber qual conceito foi usado. É importante sempre ter muita atenção no enunciado, principalmente nas questões de língua portuguesa”, indica Marques. O profissional ressalta que, independentemente da prova que o candidato enfrentará, o essencial para garantir a vaga é o treinamento, que deve ser intensivo.

 

Concursos realizados pela Cesgranrio: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Petrobras, Banco Central, Caixa Econômica, Banco do Brasil, Casa da Moeda do Brasil, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outros

 

Alexandre Motta, diretor-geral da Esaf: 'Fazer as provas exige um conhecimento solidificado' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Alexandre Motta, diretor-geral da Esaf:
"Fazer as provas exige um conhecimento
solidificado"
No ringue com a Esaf

 

Já a Escola de Administração Fazendária (Esaf), que é vinculada ao Ministério da Fazenda, costuma dar “canseira” nos candidatos. “As provas são um teste de resistência, com textos longos e densos. As questões são sempre de múltipla escolha, nas quais o candidato deve marcar a alternativa correta ou incorreta. Muitas questões também exigem que o candidato, primeiro, julgue os itens como verdadeiro ou falso, para, depois, marcar a sequência correta; ou que faça uma relação entre duas colunas e escolha a alternativa certa”, alerta Marques.


Diferentemente do que faz o Cespe/UnB, a banca valoriza mais habilidades técnicas do que interpretativas, muito embora a última alternativa não possa ser descartada. “Para fazer as provas dessa banca, o conhecimento precisa estar solidificado, então o candidato deve sempre fazer muita revisão do conteúdo. A letra da lei sempre é cobrada”, diz.


Alexandre Motta, diretor-geral da Esaf, diz que a extensão das provas pretende apenas aferir o conhecimento dos candidatos. “Cargos de maior complexidade requerem maior capacidade de interpretação e maior preparação intelectual”, defende. O gestor da banca lembra ainda que as disciplinas cobradas nas provas são previamente combinadas com a instituição que vai contratar os servidores e que estão diretamente ligadas aos conhecimentos exigidos para o exercício do cargo pleiteado. “Os conteúdos exigidos nos editais são definidos em conjunto com os órgãos demandantes. Estes são os detentores dos conhecimentos sobre as exigências do cargo para o qual se está elaborando o certame, bem como acerca do perfil profissional desejado pela instituição.”

 

Concursos realizados pela Esaf: Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério da Fazenda (MF), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Ministério do Planejamento (MP), Controladoria-Geral da União (CGU), entre outros

 

Marcus Vinícius Soares, diretor acadêmico do Cespe/UnB: 'Pretendemos avaliar a capacidade de raciocínio, que vai muito além do conhecimento memorizado' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Marcus Vinícius Soares, diretor acadêmico
do Cespe/UnB: "Pretendemos avaliar a
capacidade de raciocínio, que vai muito
além do conhecimento memorizado"
Vossa Excelência, o Cespe/UnB

 

Não é exagero dizer que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília, também responsável pelos vestibulares da instituição, é a banca mais temida pelos concurseiros. E com motivos: ela é a única no país que usa o método de “certo” e “errado” com apenação. O que isso quer dizer? Se o candidato errar alguma questão, um item marcado de forma correta é anulado. De acordo com Marcus Vinícius Soares, diretor acadêmico do Cespe/UnB, a intenção é evitar o “chutômetro”.


“Em nossas provas, a probabilidade de acerto é de 50%. Ao inserir a apenação de um por um, alguém que acerta metade da prova e erra a outra metade tira zero”, diz. Esse modelo é o mais usado pela banca, mas em alguns concursos também são adotados os métodos de múltipla escolha, itens de resposta numérica e itens de resposta construída.


Entrar no rol de classificados de um concurso promovido pelo Cespe/UnB exige muito mais que a famosa “decoreba”. As provas elaboradas pela empresa são conhecidas por cobrar dos candidatos habilidade interpretativa. “Pretendemos avaliar a capacidade de raciocínio, que vai muito além do conhecimento memorizado”, revela Soares.


Para o professor Alessandro Marques, coach especializado em concursos, os estudantes que se preparam para as provas da organizadora também devem ficar atentos à interdisciplinaridade das questões. “Eles podem cobrar em um mesmo item conhecimentos de diversas disciplinas”.

 

Concursos realizados pelo Cespe/UnB: Polícia Federal (PF), Ministério Público da União (MPU), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Câmara dos Deputados, Ministério da Justiça (MJ), Instituto Rio Branco (IRBr), entre outros.

 

Para o psicólogo Fábio Caló, o nervosismo pré-prova pode colocar tudo a perder: 'A disputa é contra o tempo' (Fotos: Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Para o psicólogo Fábio Caló, o nervosismo
pré-prova pode colocar tudo a perder:
"A disputa é contra o tempo"
Você, seu maior adversário

 

E não são apenas as provas que costumam aterrorizar os candidatos. Um dos maiores inimigos dos concurseiros, que pode colocar em xeque os planos de bons salários e estabilidade, está fora dos livros e dentro da cabeça: o nervosismo pré-prova. “Muitos candidatos, embora estejam preparados por terem acumulado os conhecimentos necessários, não conseguem manter a tranquilidade e poder de concentração. Cabe ressaltar que, durante o concurso público, a disputa é contra o tempo, contra a dificuldade em compreender questões muito bem elaboradas por professores experientes e contra os concorrentes, alguns dos quais tão bem preparados ou mais bem preparados do que o concursando”, afirma o psicólogo Fábio Caló.


Para o profissional, pensamentos negativos durante os estudos ou na hora da prova devem ser suprimidos, pois só prejudicam o pleno desempenho das faculdades mentais do concurseiro. “O candidato deve tentar se manter focado no que fez, para ser aprovado no concurso, na premissa de que, como qualquer candidato, ele pode ser ou não aprovado e que outros editais compatíveis com o que ele deseja serão abertos.” Segundo Caló, buscar atividades relaxantes para o corpo e para mente antes da prova – como alongamentos, ioga, massagens e atividades físicas aeróbicas – é imprescindível para enfrentar a tarefa com tranquilidade e confiança.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017