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Um argentino na ataque

Quem é Sergio Hernández, o técnico que chegou para retomar a hegemonia do Uniceub/BRB no basquete brasileiro?

Gustavo Marcondes - Redação Publicação:08/11/2013 17:52Atualização:08/11/2013 17:16

Ao lado de Sergio Hernández, os craques do Uniceub, como Alex (dir.) são destaques na sexta edição do NBB (Minervino Junior/ Encontro/ DA Press)
Ao lado de Sergio Hernández, os craques do Uniceub, como Alex (dir.) são destaques na sexta edição do NBB
 

Cinco meses se passaram desde a dolorida eliminação do Uniceub/BRB para o São José, nas quartas de final do último NBB (Novo Basquete Brasil), em pleno Ginásio Nilson Nelson. Era a primeira vez que a equipe de Brasília, então tricampeã do torneio, sucumbia antes da decisão na versão moderna do campeonato brasileiro. Neste mês, os melhores times do país voltam às quadras para a disputa da sexta edição do NBB. E o Uniceub aposta no sotaque argentino para retomar a hegemonia.


Quem comanda a equipe nesta temporada é Sergio Hernández, multicampeão no país vizinho e bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 à frente da Argentina. Ele chega para substituir José Carlos Vidal, técnico de três dos quatro títulos nacionais do Brasília (2007, 2011 e 2012), que assumiu a posição de diretor da equipe após a última campanha.


A responsabilidade é grande. Brasília consolidou-se na última década como uma das principais cidades do basquete brasileiro e a torcida candanga acostumou-se a títulos – além dos quatro nacionais desde 2007, o time levou uma Liga das Américas (2009) e uma Liga Sul-Americana (2011). A pressão, contudo, não assusta o treinador argentino.


“O Uniceub fez um esforço grande para trazer um treinador de fora, que tem experiência e títulos. Por isso, a responsabilidade é grande, mas é uma coisa que pode ser usada para o bem do time”, afirma Hernández, que recebeu Encontro Brasília no hotel onde vive desde que assumiu a equipe, há dois meses.


Vestido de camisa polo laranja e bermuda branca, Hernández nem de longe apresenta a marra que alguns brasileiros creem ser inerente aos argentinos. Desculpou-se pelo pequeno atraso e, antes de convidar a reportagem para um café, ajudou o fotógrafo a se posicionar para fazer os cliques.


Diante do gravador, não se recusa a responder nenhuma pergunta, mas faz questão de nos lembrar, antes de opinar sobre questões mais polêmicas, que acabou de chegar ao país. Para Hernández, é uma “loucura” a final do NBB ser realizada em partida única: “Talvez falte alguém que explique à (rede de) televisão que uma decisão em cinco jogos, além de não deixar dúvidas sobre qual é a melhor equipe, cria um interesse muito maior pelo evento”.


Outra “dica” vai para a Secretaria de Esportes, quando afirma que o Nilson Nelson deveria ser o local dos jogos do Uniceub, enquanto o Ginásio das Asceb seria usado apenas para os treinos. “O Nilson Nelson deveria ficar disponível para eventos esportivos e mudar só em ocasiões especiais, como shows. Mas aqui é o contrário. Os estádios acabam se deteriorando quando não são usados constantemente.”


Com relação à polêmica dos pedidos de dispensa da Seleção Brasileira dos jogadores da NBA, acusados de serem os responsáveis pela perda da vaga no Mundial, ele fica do lado dos atletas. Lembra que “trabalham com o corpo”, precisam de 40 dias de descanso no ano e têm responsabilidades com seus clubes. “Quando era técnico da Argentina, joguei diversas vezes contra o Brasil e quase sempre estavam todos lá: Varejão, Splitter, Leandrinho… Não sei por que dizem que não são patriotas.”


Com um portunhol bem afiado, Hernández diz que gostaria de falar melhor o idioma local. Teve dez aulas de português quando chegou a Brasília, mas agora tem a rotina focada na equipe, com pouco tempo inclusive para conhecer a capital. “Já visitei os pontos turísticos. Contei com a ajuda de um amigo da Embaixada da Argentina. Mas o que mais gosto é conhecer como vivem os moradores. E isso em Brasília é complicado”, admite, citando a falta de contato pessoal nas ruas projetadas por Lucio Costa.


Mas enquanto não desvenda os caminhos do projeto urbanístico, o técnico imprime seu estilo ao jogo do Uniceub. Por sua indicação, chegaram a Brasília o armador uruguaio Martín Osimani, de 32 anos, e o pivô norte-americano Marcus Goree, de 36. Jogadores que vão compor o núcleo da equipe ao lado do quarteto intocável formado por Alex, Guilherme Giovanonni, Arthur e Nezinho.


Nos amistosos preparatórios para o NBB e na primeira fase da Liga Sul-americana, Goree assumiu o posto de titular, enquanto Osimani foi uma opção para jogar “no lugar ou ao lado de Nezinho”. “Nenhum jogador consegue atuar com a mesma intensidade todo o jogo”, justifica o argentino, que pretende deixar a equipe menos dependente do quarteto titular.


O contrato com o Uniceub é de um ano e Hernández prefere não especular sobre o futuro. Com mais de duas décadas na profissão – começou aos 26 anos, logo quando descartou a possibilidade de ser jogador –, só espera não adiar demais a aposentadoria. “Penso em quanto tempo mais vou ficar longe da família (ele tem mulher e filhos gêmeos de 19 anos) e dos amigos. Há uma etapa na vida que queremos ter nosso lugar no mundo. Mas, por enquanto, não posso.” O foco, agora, é fazer o Uniceub voltar a vencer. Os brasilienses agradecem.

 

Sergio Hernández é a aposta do time e diz que também confia no potencial dos jogadores: o foco, agora, é fazer o Uniceub voltar a vencer (Minervino Junior/ Encontro/ DA Press)
Sergio Hernández é a aposta do
time e diz que também confia no
potencial dos jogadores: o foco,
agora, é fazer o Uniceub voltar
a vencer
Apostas 

 

Sergio Hernández acredita que as seleções masculinas de basquete do Brasil e da Argentina vivem situações parecidas: envelhecimento das principais estrelas e falta de uma nova geração testada em grandes eventos. Por isso, ele crê que ambos terão dificuldades nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Mesmo assim, acredita que o Brasil – freguês dos argentinos na última década – leve vantagem por ter equipe um pouco mais jovem.


Com relação à Copa do Mundo de futebol de 2014, o torcedor do Boca Juniors elogia os últimos jogos de Messi e cia. com a camisa alviceleste, mas também aposta nos brasileiros como favoritos, “desde que saibam controlar a pressão”. “Mas isso não é pouca coisa”, alerta. “Aqui ainda se fala do Maracanazzo de 1950. Vocês ganharam cinco mundiais depois disso e ainda reclamam da derrota para o Uruguai!” 

 

Saiba mais

 

Sérgio Hernández
50 anos

Nascimento: Bahía Blanca, Buenos Aires

Equipes: Sport Club (ARG), Deportivo Roca (ARG), San Nicolás (ARG), Estudiantes de Olavarría (ARG), Cantabria Lobos (ESP), Boca Juniors (ARG), Peñarol de Mar del Plata (ARG) e Uniceub/BRB, além da Seleção Argentina.

Principais títulos: medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, 6 Ligas Nacionais Argentinas, 3 Copas da Argentina, 1 Campeonato Pan-americano, 2 Ligas Sul-americanas, 2 Ligas das Américas e 2 Torneios Interligas

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017