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Movido a ar

Sistema Hybrid Air desenvolvido pela francesa PSA é uma solução ao mesmo tempo avançada e simples, que pretende ser algo inovador na história dos motores híbridos para automóveis

Fábio Doyle - Publicação:19/11/2013 18:37Atualização:19/11/2013 18:43

Por fora, o Citroën C3 mantém a aparência dos modelos convencionais: por baixo, casamento de um motor a gasolina com um de ar comprimido (PSA/Divulgação)
Por fora, o Citroën C3 mantém a aparência dos modelos convencionais: por baixo, casamento de um motor a gasolina com um de ar comprimido
 

O maior desafio da engenharia automotiva na atualidade é a produção em série de um automóvel capaz de circular sem poluir com uma solução tecnológica que não custe um absurdo, como é o caso das atuais. A solução parece ter sido encontrada pela PSA, o grupo francês dono das marcas Peugeot e Citroën. O projeto, denominado Hybrid Air, apresentado pela primeira vez em Genebra (Suíça), em março deste ano, e em São Paulo, no fim de outubro, é caracterizado por seus autores como “um retorno à simplicidade”. É um carro movido a ar, que funciona em “parceria” com um motor convencional a combustão.


O Hybrid Air ainda é um protótipo que a PSA revelou em Genebra ter planos de produzir em série a partir de 2016. A solução une um motor a combustão com um sistema hidráulico acionado por ar comprimido. Trata-se de uma tecnologia limpa e eficiente, cujo objetivo é ser ainda o primeiro híbrido acessível à base da pirâmide dos consumidores. “Hoje, a maioria dos carros híbridos utiliza tecnologias caras e são destinados ao segmento premium e de luxo. O Hybrid Air é o contrário. O protótipo foi desenvolvido para carros do segmento compacto, de forma se atender um maior número de clientes”, observa Karim Mokaddem, chefe do projeto.


A tecnologia foi apresentada em um Citroën C3 e tem parceria com a alemã Bosch. Baixo consumo de combustível e de nível de emissões de poluentes são alguns dos benefícios do motor híbrido francês. O sistema proporciona uma economia de 45% em relação ao carro com motorização convencional, ou o mesmo que cerca de 34 km/l, garantiu o engenheiro. O visual do carro em nada difere do C3. A diferença aparece em uma imagem do veículo cortado ao meio, que ilustra a nova tecnologia. Bem no meio da parte inferior do chassi fica um tanque cilíndrico azul, com cerca de 1,5 m de comprimento; o acumulador do ar – que mais parece um daqueles tanques que os mergulhadores levam nas costas.


A PSA classifica o Hybrid Air como o “casamento de um motor a gasolina com um de ar comprimido graças à hidráulica”. Isso porque o sistema é baseado na associação de várias tecnologias já conhecidas e aprovadas, como o motor a gasolina, um sistema de armazenagem de energia sob a forma de ar comprimido, dois motores-bombas hidráulicas e uma transmissão automática.


O sistema utiliza alguns componentes novos no universo automotivo, mas já testados e aprovados em outros setores, como a aeronáutica, tais como reservatório de energia que contém ar comprimido, instalado sob a carroceria, no túnel central; um reservatório de baixa pressão, situado na altura da travessa da suspensão traseira e que serve de vaso de expansão; e um grupo hidráulico composto por um motor e uma bomba, instalado sob o capô, na transmissão. O protótipo original do Hybrid Air tomou emprestado partes hidráulicas de um jato Airbus.

 

Na fase final peças comumente usadas em elevadores foram adaptadas ao sistema. A manutenção é simples e barata, informa o projetista. Na Europa, ele poderá ter preço a partir do equivalente a R$ 60 mil, que representa R$ 17 mil a menos em relação ao preço do Toyota Prius naquele mercado.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017