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Formação humana

Aulas e oficinas fora da escola também são importantes para o crescimento pessoal da criança. Conheça boas opções e saiba que cuidados devem ser tomados na escolha

Leilane Menezes - Colunista Publicação:21/11/2013 16:40Atualização:21/11/2013 17:04

Vera Demoliner colocou o filho, Carlos Kubota, em uma oficina de teatro: 'Das abilidades 
para se desenvolver fora da escola, foi a melhor opção. Será útil para toda a vida dele' (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Vera Demoliner colocou o filho, Carlos Kubota, em uma oficina de teatro: "Das abilidades para se desenvolver fora da escola, foi a melhor opção. Será útil para toda a vida dele"
 

Transformar crianças em adultos capazes de enxergar o que têm de melhor é um desafio. Pais e mães investem em atividades fora do currículo escolar para descobrir talentos dos filhos: querem estimular a criatividade, o prazer do esporte e o gosto pela arte. Valores que serão úteis não apenas na vida pessoal, mas também na profissão escolhida. As opções vão muito além das escolas de inglês e de futebol, duas modalidades necessárias e tradicionais, mas que não esgotam as alternativas de aprendizado.


A professora Vera Demoliner quis diversificar as atividades do filho, Carlos Kubota, de 10 anos. Escolheu oficinas de teatro para agregar conhecimento. “Analisei o perfil do meu filho e achei que tinha tudo a ver. Das habilidades que ele precisa desenvolver fora da escola, o teatro foi a melhor opção, porque será útil para toda a vida dele”, explica Vera. Entre os benefícios de estudar artes cênicas, Vera cita a melhora na dicção, na expressão corporal, melhores noções de espaço e mais segurança para interagir. Carlos também pratica natação e judô.


Especialistas podem ajudar famílias a fazer a melhor escolha. “O teatro ajuda na desinibição, no treino da memória, porque o aluno precisa memorizar textos. Temos indicado muito essa prática e vemos resultados no trabalho dessa relação com o corpo, em se expor em sociedade. Os pais, no entanto, não devem insistir em atividades pelas quais a criança não tem empatia”, avalia a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto.

Amanda Araújo frequenta oficinas de costura e estilo: 'Minha parte preferida é desenhar os modelos' (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Amanda Araújo frequenta oficinas de costura e estilo: "Minha parte preferida é desenhar os modelos"

Programação é essencial para o sucesso dessas escolhas. Vera optou por aulas próximas de casa, no Sudoeste, durante a semana, para facilitar o deslocamento. É ela quem transporta o filho, nos intervalos do trabalho, e assim aproveita mais tempo ao lado dele. “Levamos menos de 10 minutos para ir até a natação e ao judô. São aulas semanais, de menos de uma hora. Só o teatro acontece aos sábados, um pouco mais longe. É preciso distribuir bem os horários e planejar, para não cansar demais a criança”, avalia a mãe de Carlos.


Para ela, as crianças, hoje, dedicam muito tempo para videogame e computador e por isso ela faz questão de aulas ao ar livre. O pequeno Carlos valida as escolhas da mãe. É um dos alunos mais empolgados nas aulas do Teatro Mapati.


Um pouco mais velho que Carlos, Cleber Gontijo mantém uma agenda cheia de compromissos já aos 13 anos. As terças e quintas-feiras, são dias de futsal; segunda e quarta-feira são dedicadas ao aprendizado de espanhol; em dias variados, Cleber tem aulas de cinema. Às sextas-feiras, ele planeja um projeto de monitoria no colégio onde estuda, para ajudar amigos que não vão bem em matemática.

Com apenas 13 anos, Cleber Gontijo já tem uma agenda lotada: aulas de cinema (foto), futsal e espanhol entre as atividades extracurriculares (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Com apenas 13 anos, Cleber Gontijo já tem uma agenda lotada: aulas de cinema (foto), futsal e espanhol entre as atividades extracurriculares

No próximo ano, Cleber quer incluir lições de inglês entre os horários já apertados. “Quero ser juiz quando crescer. Mas gosto de muitas áreas, como cinema”, conta. A mãe dele, Rosane Soares, incentiva a variedade de interesses do garoto. “Ele tem um tempo muito corrido, só desacelera no fim de semana. Tudo por iniciativa dele mesmo. Apoio porque, se decidir mesmo ser juiz, ele precisará de conhecimento em diversos setores”, diz. Enquanto pensa sobre o futuro, o adolescente mergulha nas técnicas da sétima arte. Filma, edita e escreve roteiro. O projeto é comandado pelo cineasta Fernando Camargos, há sete anos. As aulas de cinema são gratuitas, pois Camargo recebe financiamento público, e atendem jovens de todas as classes sociais.


Aos 11 anos, Amanda Araújo adora desenhar. Não imaginava poder aliar esse gosto com outra paixão, a moda. Há seis meses, ela frequenta as oficinas de costura e estilo da Fashion Teen. O curso tem duração de um ano, com lições semanais. “Estávamos passeando no shopping e vimos exposição de vestidos de gala feitos com papel de bala. Eram lindos e tinham sido feitos pelas alunas do curso. Amanda gostou muito e achei interessante. Atividades extracurriculares devem ser prazerosas, por isso, respeito os interesses dela”, explica Alessandra Araujo, mãe de Amanda. A garota também praticava hipismo, mas desistiu. Agora, treina vôlei. “Esporte é muito importante, tem de fazer. A oficina de moda trabalha outro lado, a criatividade. Influencia muito na autoestima, porque as alunas desfilam suas criações”, relata Alessandra. A parte preferida da jovem é desenhar os modelos. Matricular a filha em um curso fora do colégio comum foi a maneira que Alessandra encontrou para sair do eixo família-escola. “Moramos em uma casa, temos pouco contato na vizinhança. Acho importante diversificar a convivência”, afirma.

Bruno Gagliardi leva a pequena Beatriz três vezes por semana no programa infantil 
da Unique: 'Quero é contribuir com o desenvolvimento da minha filha' (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
Bruno Gagliardi leva a pequena Beatriz três vezes por semana no programa infantil da Unique: "Quero é contribuir com o desenvolvimento da minha filha"

Academias de ginástica descobriram um mercado lucrativo nas atividades infantis fora da escola. Agora, além de atender os pais, oferecem serviços voltados às crianças de todas as idades. Cobram mensalidades de, em média, R$ 500 para receber os pequenos duas ou três vezes na semana. Engana-se quem pensa que esses lugares se limitam aos esportes.


Na Unique Palace, mães e pais podem montar a grade horária dos pequenos com quatro disciplinas variadas. A rede tem 800 alunos no departamento infantil, que funciona em área separada da academia dos adultos. O espaço especial não tem televisões nem videogames, mas possui casas na árvore de verdade, cozinhas infantis, aula de circo, horta e uma megaestrutura para educar e entreter.
Beatriz Gagliardi, de 3 anos, vai à escola desde o primeiro ano de vida. No contraturno, três vezes por semana, frequenta o programa infantil da academia. O pai dela, Bruno Gagliardi, prioriza a convivência com outras crianças e a qualidade do serviço oferecido. “Prestei muita atenção nas instalações, no cuidado deles com as crianças. Meu desejo é contribuir com o desenvolvimento dela”, explica.


A publicitária Ana Cristina Pereira, mãe de Alice, de 3 anos, também matriculou a filha em um desses programas, antes mesmo de mandá-la à escola convencional. Alice faz balé, acompanhamento de psicomotricidade, natação e aula de artes. Quanto mais jovem a criança, maior deve ser o cuidado ao escolher uma atividade. “Antes de fazer a matrícula, observei se os funcionários controlavam a entrada e saída e fiquei atenta aos monitores, que são bem qualificados”, explica. Nesses locais, as turmas são divididas por faixa etária.

 

A rede Unique Palace tem cerca de 800 alunos no departamento infantil: aulas de circo, casas na árvore de verdade, cozinhas infantis e horta conquistam a garotada (Minervino Júnior / Encontro / DA Press)
A rede Unique Palace tem
cerca de 800 alunos no departamento
infantil: aulas de circo,
casas na árvore de verdade, cozinhas
infantis e horta conquistam a
garotada
Dicas de especialista

 

Como escolher atividades extracurriculares?

 

Tenha olhar individualizado: o que serve para um filho às vezes não serve para o outro


Esporte é sempre necessário: libera serotonina e ajuda no aprendizado


Fique atento ao ritmo da criança: se ela precisa de mais tempo para lição de casa, diminua o número de atividades. Sobrecarga é motivo frequente para ficar em recuperação


O desejo da criança deve ser levado em consideração, e é importante estabelecer um período mínimo
de experiência

 

A média, em geral, é de duas atividades fora do colégio


Equilíbrio é fundamental: deixe tempo livre para a criança se divertir e para o adolescente fazer as próprias escolhas de lazer nas horas livres

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017