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Retratos da cidade

Leilane Menezes - Colunista Publicação:22/01/2014 17:21Atualização:22/01/2014 18:43

Árvore da sabedoria

 (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)

Entre folhas e frutos, nasce o conhecimento, ao alcance de qualquer pessoa que deseje alimentar-se de literatura. A ideia de pendurar livros em galhos da vegetação, no Plano Piloto e fora dele, surgiu em 2010 e segue viva. O artista plástico Estephanio Souza, morador do Riacho Fundo, trabalhava em uma biblioteca quando o projeto começou. Recebia livros de doações, que eventualmente iam para o lixo ou ficavam guardados, por falta de espaço e de profissionais para catalogá-los. Estephanio observou uma árvore, a última sobrevivente do desmatamento na vizinhança onde ele mora, e pensou em como seria se dela brotassem livros. Juntou alguns exemplares e os amarrou no topo. A comunidade gostou do projeto e passou a ler mais. “Quero também chamar a atenção para o uso consciente do papel, para evitar desmatamento”, disse o artista. Atualmente, os “pés de livros”, como alguns conhecem a iniciativa, estão espalhados pelo DF. O mais chamativo fica no Parque da Cidade, em frente ao Quiosque do Atleta, aos sábados e domingos.

 

Reforma cinematográfica

 

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

Depois de passar quase uma década desativado, o Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, em Sobradinho, abriu as portas para filmagens, em agosto. As gravações do filme O Outro Lado do Paraíso, a produção mais cara já realizada em solo candango, com custo de R$ 7 milhões, movimentaram a cidade, com a contratação de figurantes brasilienses e a circulação de atores famosos. O polo, entretanto, será fechado novamente. Apesar de ter custado R$ 180 mil e de ter sido anunciado com festa pelo GDF, a primeira reforma foi apenas uma maquiagem. Serviu somente para evitar que as estruturas abandonadas ruíssem, de acordo com a Secretaria de Cultura. Um novo contrato, sem valor informado, prevê a construção de mais de 1,5 mil metros quadrados, instalação de refeitórios, alojamentos e de um estúdio. As obras começarão em março de 2014 e devem durar, no mínimo, dez meses.

 

Presente para Brasília

 

 (Arquivo/CB)

Restou pouco para se lembrar do primeiro colégio da nova capital, construído em 1957, a Escola Classe Julia Kubitschek. Sobraria menos ainda da memória dos ensinamentos e aprendizados da cidade se não fosse a iniciativa de professores da Universidade de Brasília (UnB), que lutaram pelo Museu da Educação, nascido de um projeto de pesquisa da faculdade, iniciado há 15 anos. A antiga escola de madeira será reconstruída, ganhará acervo e visitação. Os docentes buscaram recursos para construir o espaço interativo, que abrigará fotos, objetos e 300 depoimentos gravados de gente que ajudou a construir essa parte da história do DF. A promessa do governo é entregar o novo museu até julho de 2014. Quem quiser colaborar com o acervo deve entrar em contato pelo e-mail museu.educacao.df@gmail.com.

 

Sem preconceito

 

 (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)

Em datas comemorativas relacionadas à igualdade racial, a Rodoviária do Plano Piloto recebe o movimento batizado como Cabelaço. Homens e mulheres negros, com cabelos que vão do estilo black power ao rastafári, misturam-se aos passageiros e aos vendedores ambulantes no cenário cotidiano, para promover a valorização dessa identidade e protestar contra o racismo, de maneira pacífica e artística. Na última edição de 2013, em novembro, o grupo de ativistas Pretas candangas, organizador do evento, juntou-se a parceiros como o rapper GOG, a poetisa e atriz Roberta Estrela D’Alva e o Sarauê, mistura de show, recital e sarau, para levar cultura ao centro da cidade, com o slogan: “Meu cabelo é bom, ruim é o racismo”.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017