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Na telas

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:28/02/2014 17:34Atualização:28/02/2014 17:37

Valiosos 180 minutos: O Lobo de Wall Street é uma imediata obra-prima, digna de todos os Oscars a que concorre (Divulgação)
Valiosos 180 minutos: O Lobo de Wall Street é uma imediata obra-prima, digna de todos os Oscars a que concorre
 

 

Oscar 2014: a disputa e o astro yuppie

Diferentemente do ano passado, quando Argo reinou em todos os sindicatos, a disputa pelo Oscar 2014 no prêmio de melhor filme promete doses generosas de incertezas até a véspera da festança. Os nove indicados atuais (equação teimosa e antipática, em não arredondar a dezena) refletem o perfil moderno e internacional que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tanto demorou a incorporar. Um excelente progresso, que permite espaço para produções mais independentes e menos pretensiosas. A ausência de um franco favorito, em certos aspectos, torna a corrida bem mais atraente.


A qualidade dos selecionados impressiona. Na realidade, com grandes chances, dois filmes muito diferentes têm a dianteira: o revolucionário e coeso Gravidade; e toda coragem necessária e bruta de 12 Anos de Escravidão. O empate inédito no Sindicato de Produtores demonstrou que pode acontecer uma equilibrada divisão, na escolha dos votantes dessa categoria. Prematuro e leviano, porém, seria o descarte de Trapaça, grande vencedor no Sindicato de Atores. Apesar de suas limitações, o filme é um grande sucesso de público, e isso conta bastante. Seu diretor, David O. Russell, acostumou-se a bater na trave nos últimos anos.


Os outros títulos escolhidos pelos “acadêmicos” ganharam projeção e força, sobretudo, pelas bem-sucedidas campanhas, nas semanas derradeiras. Nebraska, Philomena e Clube de Compras Dallas, surpresas, principalmente, por renegar o padrão pomposo, devem muito ao esforço dos produtores e agentes envolvidos.


Ela, do subversivo Spike Jonze, não poderia ficar de fora, por sua impressionante originalidade e beleza. E a nomeação de Capitão Phillips disfarça, em certo grau, as sentidas ausências de Tom Hanks e do diretor Paul Greengrass na competição.


O nono título indicado, o melhor de todos eles, é mesmo O Lobo de Wall Street, piração provocadora do mestre Martin Scorsese, em parceria com o seu ator-talismã Leonardo DiCaprio. O quinto longa-metragem da dupla explora a paranoia oitentista talhada por Martin, baseado na autobiografia do picareta-profissional Jordan Belfort, que junto a um bando de bem-treinados escroques aplica crimes do colarinho branco na Wall Street dos yuppies. O Lobo é uma imediata obra-prima, digna de todos os Oscars a que concorre, com duração de valiosíssimos 180 minutos.

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017