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Esportes | Futevôlei »

Paixão nacional na areia

Ter sido escolhida como sede da primeira etapa do mundial de futevôlei 3 x 3, no próximo mês, comprova que Brasília é a nova meca da modalidade. Campeões mundiais treinam em quadras públicas da cidade e influenciam novos praticantes

Matheus Teixeira - Redação Publicação:11/03/2014 17:54Atualização:11/03/2014 18:33

Os irmãos Lana Miranda e Bebeça treinam no Parque da Cidade: eles são um reflexo da febre que vive o esporte na capital (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Os irmãos Lana Miranda
e Bebeça treinam no Parque da
Cidade: eles são um reflexo da
febre que vive o esporte na capital
Não tem areia fofa, muito menos praia. A secura e a terra vermelha predominam. O ambiente parece adverso, mas não é o suficiente para impedir a ascensão do futevôlei em Brasília. Com muitos praticantes e brasilienses fazendo sucesso mundo afora nos últimos anos, a capital se consolidou como segunda potência brasileira no futevôlei e caminha para roubar o posto do Rio de Janeiro de campeão no esporte.


Lana Miranda é um exemplo do sucesso candango. Nascida e criada no Plano Piloto, é no Parque da Cidade que ela treina diariamente para se manter no topo e conquistar o nono título mundial. Já ganhou o campeonato brasileiro 12 vezes e não deixa de dar prioridade aos treinos – hoje com sua principal parceira nas quadras, a carioca Patricinha. “Quem mora no litoral não entende como evoluímos tanto. Mas é só ter uma quadra com areia e imaginar que está na frente do mar. O vento é um pouco diferente, mas nos preparamos como as outras duplas e conseguimos vencê-las”, diz.


A campeã é apenas um reflexo da febre que vive o esporte na cidade. Chegar ao Parque de Águas Claras e encontrar uma quadra vazia é impossível, independentemente do horário. No Parque da Cidade, não é muito diferente. Todoss clubes privados têm estrutura para o futevôlei, mas também é difícil achar o local vazio em dia de sol. Das nossas areias já saíram diversos craques, entre eles, Marcelinho Ramiro, que se aposentou ano passado; e Tapioca, atual vice-campeão brasileiro.

Qualquer dia, qualquer hora: no Parque de Águas Claras, encontrar uma quadra vazia é praticamente impossível (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Qualquer dia, qualquer hora: no Parque de Águas Claras, encontrar uma quadra vazia é praticamente impossível

Segundo a Confederação Brasileira de Futevôlei, nos últimos cinco anos, o Distrito Federal saltou do 12º para o quarto lugar em número de praticantes, e, com isso, a modalidade está atrás apenas da corrida de rua como principal exercício do brasiliense. Não por acaso, Brasília vai sediar, entre os dias 14 e 16 de março, a primeira etapa do mundial de futevôlei 3x3, no Ginásio Nilson Nelson. São esperadas 16 delegações, entre elas, de países tradicionalmente rivais na modalidade, como Paraguai e Colômbia. Mas, claro, como no futebol – a grande paixão nacional –, o Brasil é favorito ao título.


Há muitas histórias de onde e como surgiu o esporte. O que se tem certeza, somente, é que nasceu no litoral tupiniquim. Uma das mais famosas é que as autoridades cariocas, nos anos 1960, proibiram o futebol na beira da praia porque oferecia risco aos banhistas que não estavam jogando. Assim, os jogadores decidiram usar as quadras com espaço já delimitado e jogar vôlei, mas com os pés. O futevôlei foi crescendo e nos anos 1990 expandiu-se para o mundo inteiro. Hoje, diversos países têm liga nacional e federação formada, e os fãs do esporte sonham vê-lo em breve em grandes competições. O deputado federal Romário (PSB-RJ), um dos praticantes mais famosos da modalidade, lidera inclusive campanha “Futevôlei nas Olimpíadas, o Brasil apoia”.

O consultor Ronan Frota encontrou no futevôlei um meio de se manter em forma: 'É o que há de mais saudável' (Fotos: Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
O consultor Ronan Frota encontrou no futevôlei um meio de se manter em forma: "É o que há de mais saudável"

O treinador João Gilberto Oliveira joga há quase 20 anos e lembra como era quando o futevôlei praticamente não existia na capital. “Muita gente nem sabia do que se tratava”, diz. Hoje, Oliveira dá aulas de futevôlei e fala do crescimento da atividade na cidade. “Achar um local público disponível não é fácil e até nos clubes está difícil. O número de alunos só cresce”, empolga-se. Ele acredita que a tendência é o esporte continuar em alta, pois todos podem jogar e não há diferença entre sexo ou idade. “Mulher, homem, um neto de 15 e o avô de 60 anos podem jogar juntos. Basta treinar e adquirir a técnica”, explica o treinador.


Adaptado a Brasília: em clubes (como o Iate, na foto) ou na própria casa, o craque Romário não deixou de praticar futevôlei mesmo longe das  praias do Riode Janeiro (Monique Renne/CB/DA Press)
Adaptado a Brasília: em clubes
(como o Iate, na foto) ou na própria
casa, o craque Romário não deixou
de praticar futevôlei mesmo longe das
praias do Riode Janeiro
Após se lesionar, o aposentado Ivonir Amaral trocou a grama pela areia. Explica que a modalidade é menos violenta que o futebol e tão cansativa quanto. “Faz bem da mesma forma, e não tem o contato físico que pode machucar”, diz. O baixo custo também agrada a Ivonir. “É só ter a bola e estender uma rede em qualquer local público. É democrático e muito barato”, analisa. Ele garante que é fácil de aprender: “Tive facilidade porque joguei bola a vida inteira, mas, mesmo para quem não tem esse passado, é fácil”, acredita. Diferentemente de Ivonir, o consultor Ronan Frota não tinha tanta habilidade com a bola nos pés, era mais acostumado com o vôlei. “Para defender, o futebolista leva vantagem. Já para atacar, tenho uma noção de posicionamento e da altura da rede muito melhor”, argumenta. Ele joga há 12 anos, no mínimo três vezes por semana, e já participou até de campeonato brasileiro. “É o que há de mais saudável.”


A campeã mundial Lana Miranda levou a família toda para o esporte. O irmão, Diego Miranda, mais conhecido como Bebeça, é vice-campeão brasileiro, bicampeão mundial e oito vezes campeão brasiliense. Frequentemente, eles são convidados a jogar com Romário na casa dele, à beira do lago Paranoá. O pai dos atletas, Odilon Miranda, é o presidente da Federação Metropolitana de Futevôlei do DF e está empolgado com a popularização do esporte por aqui. “Somos um celeiro de craques. E ter uma etapa do mundial na cidade é muito bom. O evento divulga o esporte em Brasília e divulga Brasília no exterior”.

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017