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Artigo | Márcio Cotrim »

Pronto-socorro ao ar livre

Márcio Cotrim - Redação Publicação:23/04/2014 12:36Atualização:23/04/2014 14:13


Falávamos de coisas e loisas de nossa cidade, diante de pôr de sol espetacular, fantástica profusão cromática.

Do papo nasceu uma ideia, quer saber? É a criação de um pronto-socorro urbano que, sem burocracia, ao vivo e a cores, disponha de mini-equipes com tudo à mão para consertos imediatos.

Beneméritos veículos, pintados com criativa programação visual, logo cairão nas graças do povo, serão amigos bem-vistos e bem-vindos e vão gerar aplausos após a conclusão de cada servicinho.

Fazer o pequeno sim, mas com cidadania, eis a proposta – tão bem-sucedida em países desenvolvidos, conhecida por think small.

Mas que serviços serão esses? Já lhe digo.

Tapar buracos – alguns deles comemoram bodas! –, trocar meios-fios quebrados, aparar grama alta, podar galhos incômodos, consertar calçadas danificadas – e são tantas em Brasília! –, trocar lâmpadas de iluminação pública queimadas, etc. Enfim, dezenas, como diria o poeta...

Os funcionários escalados para esse serviço deverão, é claro, estar bem-humorados, transmitirem ao público contagiante imagem positiva.
A propósito, uma cereja no chantilly, a experiência que vivi em Nova York e que vale a pena contar.

Na minha rua, toda tarde de sábado, passava o sorveteiro. Vinha num simpático furgãozinho que, ao aproximar-se, fazia tocar delicada identificação sonora. Todo mundo curtia a boa expectativa, sobretudo as crianças, que vibravam ao escutar a musiquinha, promessa de alegria.

Por que não fazer o mesmo nesse pronto-socorro a céu aberto? O efeito será igualmente formidável, gente chegando para ver de perto a novidade – novo hábito pioneiro que, inclusive, promoverá a ação do governo local.

A medida pode ser mais eficaz que as ouvidorias hoje existentes. Elas escutam e transmitem os recados a quem de direito –, só que os raramente se mexem, emaranham-se no cipoal burocrático e acabam praticando a velha tramitação: ao senhor assistente, ao senhor subassistente, ao senhor encarregado, e assim por diante, árida e oca melopeia canina.

Com o novo pronto-socorro, isso não vai acontecer. Chefiando a equipe, estará um funcionário qualificado e credenciado para tomar decisões.

A iniciativa pode ser um belo gol do GDF, nova forma de administrar pequenas, mas sentidas demandas urbanas, hoje tratadas em ritmo quelônio.

É boa semente. E em terreno fértil, confiamos.

*Todo mês, Márcio Cotrim, diretor cultural da Fundação Assis Chateaubriand, apresenta uma sugestão de sua "Usina de Ideias"

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017