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ESPECIAL ANIVERSÁRIO | NEGÓCIOS »

A capital na estampa

A arquitetura, os costumes e o modo de viver dos brasilienses influenciam jovens empreendedores a abrir novos negócios

Cecília Garcia - Redação Publicação:28/04/2014 11:19Atualização:28/04/2014 12:20
Thatiana Dunice viu na arquitetura e no urbanismo de Brasília um negócio inspirador: plaquinhas de endereço da cidade são um grande atrativo da BsB Memo (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Thatiana Dunice viu na arquitetura e no urbanismo de Brasília um negócio inspirador: plaquinhas de endereço da cidade são um grande atrativo da BsB Memo
Há 54 anos, Brasília foi fundada e, ao longo dessas pouco mais de cinco décadas, formou uma legião de admiradores. Inspiração não só para a música, a prosa e a poesia, a cidade, com seu jeito característico, formas arquitetônicas, costumes, modo de falar e de vestir, tornou-se a musa de negócios locais, que encontram nos brasilienses e visitantes consumidores fiéis.

Os nascidos aqui são os que mais movimentam a loja BsB Memo Memorabilia, localizada na Asa Norte. De acordo com Thatiana Dunice, sócia do local, os frequentadores são em maioria adultos com idades entre 30 e 40 anos. O estabelecimento vende camisetas, canecas e guarda-chuvas, todos eles estampados com iconografias que remetem à arquitetura e ao urbanismo de Brasília. Além desses, um produto que chama bastante atenção são as plaquinhas de MDF verdes que imitam as usadas para sinalizar os endereços da cidade.

A marca foi fruto de um curso de empreendedorismo que o marido e sócio de Thatiana fez. A ideia inicial era customizar camisetas de acordo com a demanda do cliente. Algumas mudanças foram feitas no projeto e resolveram então fazer da proposta um negócio. “Sentimos que havia uma carência de produtos que não fossem artesanais, mas que tivessem Brasília como inspiração, mais especificamente a arquitetura e o urbanismo daqui”, explica Thatiana. Com desenhos limpos e simples, deram início às vendas em 2009.

A criação dos desenhos é conjunta e tem nas camisetas o carro-chefe, sendo vendidas mais de 50 por mês. Por representar a cidade em seus produtos, o natural é pensar que o público consumidor é formado basicamente por turistas, mas não é o caso. “O estrangeiro gosta dos nossos produtos, mas o turista nacional, às vezes, não entende muito a nossa proposta, não se identifica, não acha muita graça. O brasiliense mesmo, aquele que nasceu aqui ou que mora faz um tempinho, acha muito bacana.”

O designer gráfico Henrique Eira ilustra as  camisetas 
da Quadradinho Ilustre: consumidor  maior é quem 'entende' Brasília (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
O designer gráfico Henrique Eira ilustra as
camisetas da Quadradinho Ilustre: consumidor
maior é quem "entende" Brasília

O Quadradinho Ilustre tem o mesmo perfil de consumidores. O mercado deles é local, basicamente composto por residentes da cidade. Para Henrique Eira, sócio e ilustrador da marca, os brasilienses em geral gostam muito daqui e isso influencia no apreço por produtos que a representam. “Pessoas de Brasília têm um carinho especial pela cidade, inclusive eu, e gostam de ver produtos daqui”, afirma.

Os quadradinhos são vendidos numa loja colaborativa da Asa Sul em que é possível alugar espaços dentro dela para venda de produtos diversos. Em 2012, a loja abriu sob o comando de um amigo de Henrique. Isso fez com que o profissional quisesse participar da nova proposta de alguma maneira. Designer gráfico por profissão, queria um projeto pessoal em que pudesse colocar em prática seu lado ilustrador. Assim começou a marca. “Tenho uma empresa onde cumpro o meu horário comercial. O Quadradinho é um projeto para as horas livres.”

Além do ponto fixo, os quadradinhos são vendidos em feiras de eventos ou por encomenda. A quantidade de objetos vendidos varia muito, dependendo do tempo disponível por Henrique e sua sócia para a produção dos quadros e se há participação em feiras. Nesses eventos, por exemplo, chegam a ser vendidas entre 20 e 30 peças. Nos quadradinhos de madeira compensada ilustrados à mão estão representações da Catedral, tótens de Superquadras e ônibus Zebrinha, que fazem parte da série Brasília quadradinha.
Valéria Cabral, secretária-executiva da  Fundação Athos Bulcão: 
obras do artista em  forma de camisetas, sandálias, colchas e  muito mais (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Valéria Cabral, secretária-executiva da
Fundação Athos Bulcão: obras do artista em
forma de camisetas, sandálias, colchas e
muito mais

Outra que faz sucesso e retrata a cidade é a Coleção Athos. Autorizada pela Fundação Athos Bulcão, os quadradinhos reproduzem obras do artista como as da Igrejinha e do Brasília Palace Hotel equipados com ganchinhos na parte de trás, para enfeitar alguma casa ou escritório por aí.

A Fundação Athos Bulcão é a detentora dos direitos autorais das obras do artista. Por isso, é a única que pode reproduzi-la ou autorizar a reprodução, em qualquer meio, desde que não a descaracterize. Com isso, por volta de 2006, a venda de múltiplos começou. “Ela serve para que as pessoas possam levar um pedaço do Athos e como complemento da nossa pequena galeria. O professor é a cara da identidade de Brasília”, explica Valéria Cabral, secretária executiva da entidade. Primeiro, foram as camisetas, fruto de uma parceria com uma marca de roupas femininas da cidade. Depois, de outras parcerias, surgiram novos objetos.

Há cerca de dois anos, trabalhos em conjunto com a fundação geraram produtos como camisas e lenços. Uma delas é realizada em parceria com o Senac-DF, em que alunos do curso de marketing e gestão comercial têm como trabalho criar um item para que a fundação comercialize. Os que são viáveis e adequados ao perfil da instituição entram para o catálogo de vendas, como foi o caso do baralho. Os produtos, que também são vendidos na loja virtual, variam de R$ 10, um mousepad, a R$ 3 mil, um painel.

Valéria não sabe ao certo quantos produtos são vendidos por mês, mas garante que o Natal é a época mais movimentada da loja. Os múltiplos, ainda de acordo com a secretária executiva, são comprados por pessoas de todos os lugares, do Brasil e do exterior. A obra do artista é muito importante no mundo, ele é estudado em cursos de arquitetura e, por isso, a loja sempre é visitada. “A população da cidade e de fora percebem que a obra de Athos é o que melhor representa a cidade.”

Helena Montiani criou produtos que são a  cara da cidade para 
a Brasília Conceito:  opções de artesanato mais contemporâneas (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Helena Montiani criou produtos que são a
cara da cidade para a Brasília Conceito:
opções de artesanato mais contemporâneas

Helena Montiani também teve a ideia de criar produtos que fossem a cara de Brasília, pensando nos turistas da região. Com esse conceito em mente criou, há cerca de quatro anos, a loja Brasília Conceito. “Parti da constatação de que a cidade tinha poucas opções de lembranças, de produtos da cidade que fossem mais contemporâneos, mais a cara de Brasília. O que se encontrava era muito artesanato, uma camiseta ou outra.”

Com o designer Rafaelo Rodrigues, começou a montar uma linha de produtos que representassem Brasília de forma mais moderna e decidiram instalar a marca no formato de quiosque em um shopping da Asa Norte. A escolha não foi ao acaso. “Foi pela localização, perto do Setor Hoteleiro, lugar de passagem para o turista e de compras do brasiliense.” Cada item do catálogo da marca é baseado em alguma característica dos brasilienses. A toalhinha de academia, por exemplo, é direcionada aos amantes de atividades físicas. O avental é para aqueles que têm churrasqueira em casa ou nos condomínios. “Mas não podemos fugir de coisas como canecas, que são muito ligadas a ideia do suvenir.” O fluxo de vendas é bastante variável. “Não sei explicar o motivo, mas tem época que a caneca sai mais, depois muda para as ecobags ou as camisetas.”

Felipe Souza, gerente da loja Verdurão,  vende mais de 500 camisetas 
por mês: a ideia  é fazer graça com o cotidiano da capital (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Felipe Souza, gerente da loja Verdurão,
vende mais de 500 camisetas por mês: a ideia
é fazer graça com o cotidiano da capital

Irreverente na produção de estampas de camisetas ligadas à cidade está a Verdurão. Fazendo graça com o cotidiano de Brasília e os costumes da região, a loja começou em 2003 com o nome de Desacato. Em 2005, mudou para Verdurão e, há dois anos, começou a produção de estampas inspiradas em Brasília, uma maneira que os donos da marca encontraram de homenagear a cidade.

Das 500 camisetas vendidas em média por mês, 70% contêm alguma referência a cidade. A linha “Eu falo brasiliês”, por exemplo, representa as gírias e vocabulário próprio da cidade. A imagem de Oscar Niemeyer é acompanhada da palavra “véi”, a Catedral tem o dizer “boto fé”. Essas duas, inclusive, estão entre as estampas mais vendidas, de acordo com o gerente da loja, Felipe Souza. O público que visita o estabelecimento varia bastante em idade e preferência. A estampa que traz consigo a palavra “camelo”, por exemplo, faz mais sucesso entre os adultos com um pouco mais de idade, que viveram a época em que as bicicletas eram assim chamadas.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017