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PIONEIRISMO »

O nome da história

Quem são as pessoas que batizam espaços públicos de Brasília e, às vezes, são desconhecidas até por moradores da cidade

Fabíola Góis - Publicação:29/04/2014 14:28Atualização:30/04/2014 14:17

O turista que visitar Brasília durante os jogos da Copa do Mundo vai encontrar uma cidade com monumentos e espaços públicos cheios de nomes diferentes. Fora as personalidades nacionais que dão nome a pontos turísticos conhecidos, como JK (de Juscelino Kubitschek), Ulisses Guimarães e Tancredo Neves, também terá contato com locais como o Ginásio Nilson Nelson, Pavilhão Anísio Teixeira e Teatro Nacional Cláudio Santoro. Mas quem são esses ilustres desconhecidos de boa parte da população brasileira e, muitas vezes, dos próprios brasilienses?

São homens que tiveram uma participação efetiva e direta na construção da cidade e colaboraram para que ela se tornasse uma capital tão diferente e atraente. Neste aniversário, Encontro Brasília faz um pequenino glossário de algumas personalidades que batizam espaços importantes da cidade.


 (Breno Fortes/CB/DA Press )

Nilson Nelson

Batizou o antigo Ginásio de Esportes Presidente Médici, que fica no Eixo Monumental, próximo ao Estádio Mané Garrincha e ao Palácio do Buriti.

Quem foi:

Gaúcho, o jornalista esportivo Nilson Nelson veio para Brasília em 1963 e, logo depois, ingressou na Rádio Nacional de Brasília, de onde só saiu em 1987, ano
em que morreu. Em razão do trabalho que realizou pelo esporte amador na capital, o nome do jornalista, há mais de duas décadas, identifica o ginásio que abriga eventos esportivos e culturais do Distrito Federal.

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

Anísio Teixeira

Batiza um pavilhão da Universidade de Brasília (UnB), no campus, ao lado do ICC Norte.

Quem foi:

O educador baiano Anísio Teixeira é um dos fundadores da UnB, ao lado de Darcy Ribeiro. Foi o seu segundo reitor, em 1963, e fundador da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes). Foi secretário da Educação do Rio de Janeiro em 1931 e realizou uma ampla reforma na rede de ensino, integrando o ensino da escola primária à universidade. Em 1935, perseguido pelo governo de Getúlio Vargas, Anísio Teixeira mudou-se para seu estado natal, Bahia, onde viveu até 1945. Em fins dos anos 1950, Anísio Teixeira participou dos debates para a implantação da Lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educação, sempre como árduo defensor da educação pública. Morreu em 1971, em circunstâncias consideradas obscuras. Seu corpo foi encontrado num elevador na avenida Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Apesar do laudo de morte acidental, há suspeitas de que tenha sido vítima das forças de repressão do governo do General Emílio Garrastazu Médici.
 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

João Calmon

Batiza um pavilhão da UnB, no campus, também próximo ao ICC Norte. O Pavilhão João Calmon tem 29 salas de aula e dois auditórios, pode abrigar 1.716 estudantes.

Quem foi:

Apesar de não ter participado diretamente da história da UnB, o advogado e jornalista João Calmon foi o redator da emenda constitucional que destina 18% da receita total de impostos arrecadados pela União à educação. No caso de estados e municípios, essa porcentagem é de 25%. Ele nasceu em 1916 em Colatina (ES). Foi deputado federal por duas vezes (1963 e 1967), pela Arena, e elegeu-se três vezes senador pelo PDS e PMDB do Espírito Santo – em 1971, 1979 e 1987, neste último, como senador constituinte. Antes de
se dedicar à carreira política, criou os Diários Associados
com o amigo Assis Chateaubriand.

 (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)

Pedro Calmon

Batiza um teatro no Setor Militar Urbano. Criado por Oscar Niemeyer, com capacidade para 1.200 lugares, tem formato que representa uma barraca militar estilizada e foi inaugurado em 1973. Tem na antecâmara um pequeno museu de armaria que faz parte do espaço cultural do Quartel-General do Exército.

Quem foi:

Pedro Calmon nasceu em Amargosa (BA) em 23 de dezembro de 1902. Em 1927, foi eleito deputado estadual pela legenda do Partido Republicano da Bahia, cargo que ocupou até 1937. Durante a ditadura de Getúlio Vargas, voltou-se para as questões acadêmicas e culturais. Em 1966, Calmon foi nomeado vice-presidente do Conselho Federal de Cultura. No ano seguinte, deixou o cargo para se tornar presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília. morreu na cidade do Rio de Janeiro em 17 de junho de 1985.

 (Antonio Cunha/Esp.CB/D.A Press)
Cláudio Santoro

Batiza o Teatro Nacional, inaugurado em 1961, parte do conjunto arquitetônico concebido por Oscar Niemeyer.

Quem foi:

Cláudio Santoro nasceu em Manaus em 1919, começou a estudar violino e piano na infância, aperfeiçoou-se no Conservatório de Música do Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) e tornou-se professor assistente da instituição aos 18 anos. Fundou, em 1962, o Departamento de Música da UnB. Poucos anos depois, mudou-se para a Alemanha, onde foi professor titular de regência na Escola Estatal Superior de Música de Mannheim. Em 1979, inaugurou a Orquestra do Teatro Nacional de Brasília. Em 27 de março de 1989, após uma temporada de férias na Alemanha, Santoro morreu aqui na capital do Brasil. Em 1º de setembro do mesmo ano, o Teatro Nacional de Brasília passou a denominar-se Teatro Nacional Claudio Santoro.

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Darcy Ribeiro

Batiza o campus da Universidade de Brasília, na Asa Norte.

Quem foi:

O antropólogo e educador Darcy Ribeiro foi um dos idealizadores da UnB, prevista no projeto de Brasília. Ele sonhava com uma instituição moderna, que rompesse com os padrões estabelecidos para o ensino superior no Brasil até então. Depois de duras negociações, em 21 de abril de 1962, no aniversário de dois anos da nova capital, a UnB foi inaugurada. Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922 em Montes Claros (MG) e morreu em 17 de fevereiro de 1997. Sua trajetória sempre esteve próxima às lideranças dos governos, o que tornou inevitável seu ingresso na vida política, ocupando diversos cargos, de ministro-chefe da Casa Civil a secretário de Cultura, e vice-governador do Rio de Janeiro. A intensa produção de livros o transformou em um dos imortais da Academia Brasileira de Letras em 1993.

 (Breno Fortes/CB/DA Press)
Israel Pinheiro

Batiza o Espaço Israel Pinheiro, na Praça dos Três Poderes, a 200 metros do mastro do Pavilhão Nacional, ao lado do Espaço Oscar Niemeyer e do Bosque da Constituinte. Batiza também o Centro de Convenções Israel Pinheiro, à beira do Lago Paranoá, ao lado da Ermida Dom Bosco.

Quem foi:

O engenheiro Israel Pinheiro se dedicou à construção de Brasília, como diretor da Novacap, entre 1956 e 1960. Terminou sua carreira eleito governador de Minas Gerais, cargo que exerceu entre 1965 e 1970. Foi homenageado com esse espaço, concebido como um museu eletrônico interativo com acesso gratuito.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017