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Especial aniversário | Turismo »

O olhar forasteiro

Qual a principal impressão que visitantes têm da nossa capital? Em conversa com estrangeiros, a resposta é sempre parecida: Brasília é uma cidade única

Rodrigo Craveiro - Redação Publicação:29/04/2014 14:46Atualização:05/05/2014 10:27

Grupo de turistas europeus na Praça dos Três Poderes: alegria por conhecer um sonho real chamado Brasília (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Grupo de turistas europeus na Praça dos Três Poderes: alegria por conhecer um sonho real chamado Brasília

“Nós começávamos a imaginar quando é que Brasília iria surgir. De repente, aparecia uma mancha azul no horizonte. Ela ia crescendo. Depois, apareciam os contornos, e começávamos a dizer: ali é o teatro, lá é o Congresso, a Torre. Brasília surgia como num passe de mágica, um milagre.” Assim, o arquiteto Oscar Niemeyer descreveu a construção de sua maior obra, quatro anos antes da fundação de Brasília. Talvez nem ele imaginasse que o seu milagre seria reverenciado por pessoas de várias nacionalidades, culturas, gostos e amores.

Para muitos estrangeiros, a capital do Brasil desperta aquela sensação de paixão à primeira vista. Impossível ficar indiferente a tantas linhas modernas e intactas a meio século de progresso, a formas que transgridem a percepção e proporcionam leveza. Não é por acaso que a chegada deles é crescente – de acordo com o último Anuário Estatístico de Turismo, em 2012, 68.540 estrangeiros desembarcaram no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. Em 2011, recebemos 63.384 visitantes internacionais.

Encontro Brasília conversou com quem atravessou oceanos para conhecer e reverenciar o sonho de Niemeyer solidificado em sua cidade-monumento. Às vésperas da Copa do Mundo, eles relataram suas impressões.

'Amei estar em Brasília. Existe uma variação  na forma e no aspecto dos prédios, mas há  unidade arquitetônica', disse o  alemão Mirko Schaab  (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
"Amei estar em Brasília. Existe uma variação
na forma e no aspecto dos prédios, mas há
unidade arquitetônica", disse o
alemão Mirko Schaab
Morador de Düsseldorf, Alemanha, o arquiteto Mirko Schaab não escondeu o encantamento. “Foi a experiência mais incrível que tive”, comentou enquanto admirava o formato hiperboloide da Catedral, erguida com 16 colunas de concreto e vitrais. “Amei estar em Brasília. As partes que conheci, no Plano Piloto, possuem unidade arquitetônica. Existe uma variação na forma e no aspecto dos prédios”, comentou. A empatia com a capital começou a se manifestar ainda no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, o qual ele considerou “bem organizado”. Mirko também se surpreendeu com a disponibilidade dos brasilienses em lhe informar sobre como chegar ao centro. “A conexão entre os ônibus é boa”, elogiou.

De acordo com o alemão, todo arquiteto algum dia entra em contato com Niemeyer. “Ele foi muito famoso”, sublinha. “Brasília é uma cidade lendária, com uma arquitetura única.” Em tom de brincadeira, ele deixa escapar uma rara crítica à capital. “Na única chance de alcançar o outro lado da rua (Eixo Monumental), demorei cerca de uns dez minutos, com muita sorte”, disse.


O austríaco David Kotrba viajou pelo Brasil  por quatro semanas: 'Brasília pareceu-me  muito diferente de todas as outras cidades  que conheci', disse (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
O austríaco David Kotrba viajou pelo Brasil
por quatro semanas: "Brasília pareceu-me
muito diferente de todas as outras cidades
que conheci", disse
O austríaco David Kotrba, morador de Viena, caminhava pela Esplanada dos Ministérios a passos rápidos. “Viajei pelo Brasil durante quatro semanas. Numa primeira ótica, Brasília pareceu-me muito diferente de todas as outras cidades que conheci”, comentou, poucas horas depois de desembarcar no cerrado.

Kotrba procurou se informar antes da viagem. “Eu li que Brasília foi fundada na década de 1960 e que ela deveria ser um símbolo do modernismo”, afirmou o rapaz. “Sei que Oscar Niemeyer tem muito a ver com isso. Também soube que ela tem um formato de um avião ou de um pássaro.”




Martin Lammers é holandês e veio  visitar o irmão na 'interessante'  Brasília. Ele esteve também em  Goiânia e na Chapada dos Veadeiros (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Martin Lammers é holandês e veio
visitar o irmão na "interessante"
Brasília. Ele esteve também em
Goiânia e na Chapada dos Veadeiros
O agricultor holandês Martin Lammers aproveitou para tirar uns dias, visitar o irmão e, de quebra, conhecer o Planalto Central. “A capital do país parece passar uma impressão legal, mas, na realidade, guarda muitas disparidades. É diferente da realidade”, diz, fazendo questão de rotular a cidade como “interessante”. Além de Brasília, Lammers esteve em Goiânia e na Chapada dos Veadeiros.

O executivo Lee Chung-kuen, de Hong Kong, percebeu uma cidade “bem tranquila” e “bastante limpa”. “O povo daqui também é muito gentil”, disse. “Fiquei impressionado com a paisagem de Brasília, com o formato diferenciado dos prédios.” Moradores lhe explicaram como funciona a orientação espacial na cidade. “Disseram-me que os pedaços do avião representam diferentes zonas, por isso os endereços são fáceis de serem lembrados”, relatou. Ele considerou o tráfego especialmente desenhado para o transporte público. Na Praça dos Três Poderes, a webmanager francesa Magali Gatel passeava numa manhã de sexta-feira com um amigo e dois cães. Deixou Paris para curtir um festival de música eletrônica em Luziânia (GO) e decidiu conhecer a capital. “Brasília é bem legal, com muito verde e bastante espaçosa”, comentou. Ela logo notou uma característica que a diferencia de outras cidades. “Há muito horizonte por aqui”, sorri. “Eu realmente gostei dessa cidade. É estranha, na França não temos nada assim. É legal descobrir como Brasília foi construída.” Ela faz questão de declarar a admiração por Niemeyer. “Foi um arquiteto maravilhoso. Amo o que ele fez aqui. Mas sei que muitas pessoas dizem não gostar da cidade, por ser muito moderna e plana.”

Para a francesa Magali Gatel (na foto com  seu amigo Eduardo Silva e seus dois  cachorros), Brasília é encantadora:  'Há muito horizonte por aqui' (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
Para a francesa Magali Gatel (na foto com
seu amigo Eduardo Silva e seus dois
cachorros), Brasília é encantadora:
"Há muito horizonte por aqui"
De Zurique, a suíça Lucretia Stauffer tinha acabado de chegar a Brasília e já exibia certo grau de cumplicidade com a capital. “Estou muito impressionada. É uma cidade enorme. Achei os prédios bem interessantes e lindos. As pessoas são gentis”, declarou. Lucretia e um grande grupo de turistas europeus se reuniram diante do monumento Os Candangos. Com câmeras em mãos, eles exibiram a alegria por conhecer um sonho real.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017