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PERFIL | Padre Moacir »

O homem de 1 milhão de fiéis

Ele rejeita o rótulo de celebridade e nega poderes milagrosos, mas é fato que o padre Moacir Anastácio tem força. Basta dizer que venceu uma queda de braço com a Fifa

Leilane Menezes - Colunista Publicação:12/05/2014 09:48Atualização:14/05/2014 12:29

Ainda nem são 17h e o público da missa de cura e libertação, sempre às quartas e quintas-feiras, na paróquia São Pedro, em Taguatinga Sul, começa a chegar. Quanto mais perto do altar, melhor. Alguns desejam sentir-se mais próximos de Deus, outros confiam mesmo é na presença do padre Moacir Anastácio, de 52 anos, responsável pela cerimônia com fama de milagrosa. Milhares de pessoas são atraídas pela promessa de que nada é invencível: câncer, Aids, depressão ou qualquer outro mal. A missa começa às 19h e termina depois das 22h. As cinco horas dedicadas entre a espera e a celebração parecem cansativas. Todo tempo é pouco, porém, quando se trata de conversas com Deus.


Vista aérea da festa católica de Petencostes, realizada 
no Taguaparque em 2013: 
no comando, padre Moacir (Ed Alves/CB/DA PRESS)
Vista aérea da festa católica de Petencostes, realizada no Taguaparque em 2013: no comando, padre Moacir
Ao microfone, a voz feminina pede aos fiéis orações pelo padre Moacir Anastácio, enquanto ele se prepara, nos bastidores, para mais uma celebração. A mulher reclama do barulho, sobe o tom de voz e, literalmente, dá sermão sobre como se comportar na presença do Senhor. O barulho diminui, mas não cessa. Vencida, a voluntária da paróquia puxa a oração. Devotos que aguardam o início da missa rezam uma Ave Maria pela saúde do homem capaz de prender a atenção de centenas de pessoas, católicas ou não, durante mais de 180 minutos diários de oratória. Mais do que nunca, é o padre quem precisa de reza.

O desafio do padre mais influente da cidade não se resumiu a reunir multidões, neste ano. Foi preciso travar quedas de braço com o governo e até com a Federação Internacional de Futebol (Fifa) para garantir a realização de um dos maiores eventos católicos do Brasil: a Festa de Pentecostes. Os três dias de duração reúnem 1 milhão de pessoas e encerra-se em 8 de junho. A Copa do Mundo começa dia 12 do mesmo mês. O Taguaparque, espaço onde a celebração ocorre tradicionalmente desde 2011, será cenário também da Fan fest da Fifa, festa oficial para assistir e transmitir jogos de futebol e para a realização de shows.

 

O padre Moacir Anastácio é adorado pelos  fiéis: 'Eu não tenho poder de curar ninguém.  Quem cura é Deus' (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
O padre Moacir Anastácio é adorado pelos
fiéis: "Eu não tenho poder de curar ninguém.
Quem cura é Deus"

Durante o mês de março, Anastácio reuniu-se com governador, secretários de Estado e representantes da Fifa. Houve pressão para que o Pentecostes não ocorresse ou fosse feito em outro lugar. O evento religioso atrapalharia a montagem do palco da Fifa. “Eu disse para eles montarem o palco depois de terminar Pentecostes, mas eles disseram: nosso palco vai levar um mês para ser montado. Porque ele é giratório, todo dentro da tecnologia, porque vamos gastar milhões só para montar o palco. Fiquei pensando: ‘Meu Jesus! Eu só preciso de 1 milhão e meio (de reais) para reunir 2 milhões de pessoas por noite no Taguaparque’”, disse, na homilia de 13 de março.

O padre, amplamente conhecido pelo jeito severo, não cedeu. Moacir Anastácio tem mais de 1 milhão de seguidores. Não seria bom para o governo, especialmente em época de eleição, medir forças com um homem de Deus. Logo, vai ter Pentecostes. A Fifa perdeu. Em 5 de março, Anastácio pronunciou o nome de Satanás oito vezes durante a missa. Não é costume usá-lo tanto assim. Deus, por sua vez, foi invocado em 20 repetições nominais, em claro sinal de que seria uma árdua batalha. Naquela semana, o religioso havia tido um dos primeiros embates. “Hoje eu começo a campanha para Festa de Pentecostes. Eu sei do tamanho da dificuldade que vou enfrentar. Eu sei que Satanás vai se lançar contra, eu sei que ele vai vir e se colocar no caminho, eu sei que ele vai trazer o inferno inteiro, mas nós vamos passar por cima em nome de Jesus Cristo”, anunciou durante o sermão.

No mesmo dia, o padre deu uma triste notícia aos católicos: a festa de Corpus Christi não será realizada em 2014, na Esplanada, graças à Copa do Mundo. “Tem muita gente torcendo para que não aconteça Pentecostes. A festa de Corpus Christi já não vai ter. Viram tantas dificuldades diante deles que acharam melhor deixar para o ano que vem. Eu não vou deixar, vou insistir. Mas para isso, meu amigo, eu vou precisar de sua ajuda. Eu começo às três da manhã a ficar de joelhos diante do Santíssimo”, afirmou. A crença prega que às 3h é hora da visita de Satanás e que, para combatê-lo, é preciso estar em oração nesse momento, durante toda a semana de Pentecostes.

Senador José Sarney e a filha, governadora  do Maranhão, Roseana Sarney, em 2009:  presença na festa Renascidos em Pentecostes (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
Senador José Sarney e a filha, governadora
do Maranhão, Roseana Sarney, em 2009:
presença na festa Renascidos em Pentecostes
As homilias das missas seguintes trouxeram à tona o nome Fifa. Longe de qualquer semblante de paz e amor, o clima era de guerra. “Estava reunido essa semana com Agnelo Queiroz e todos os secretários para falar sobre Pentecostes. E eles disseram: ‘Nesse lugar não pode ter Pentecostes’ E eu disse: ‘Pois eu vou fazer Pentecostes!’, É verdade que eu preciso da licença do Agnelo. Ele já me deu a licença e nós vamos fazer Pentecostes. Quando eles disseram que gastariam milhões e milhões com uma estrutura maravilhosa para trazer 70 mil pessoas para o Taguaparque, eu pensava: nós vamos colocar 2 milhões de pessoas por noite, sem os milhões!”, afirmou.

Em 12 de março, o padre convocou religiosos à resistência e atacou a Copa do Mundo. “Vamos fazer, se Deus quiser, a maior semana de Pentecostes que aconteceu nestes 15 anos. Hoje, definitivamente, estou decidido a, no dia 8 de junho, encerrar a maior festa de Pentecostes que você vai ver em Brasília. E os gregos, gringos, os americanos, italianos, africanos e todos os continentes que vão estar voltados para Brasília, 3 mil canais de televisão que vão transmitir os jogos já vão estar aqui em Brasília e vão saber que nós acreditamos em Jesus Cristo. Só em Jesus Cristo”, disse.

Publicamente, Moacir Anastácio rejeita o rótulo de celebridade. Veio de Crateús (CE) para Brasília aos 17 anos, em busca de melhores condições de vida. A bagagem resumia-se a um par de chinelos, uma calça e duas camisas rasgadas, quando ele chegou a Taguatinga. O primeiro endereço foi um barraco no Setor M Norte, com aluguel fiado. Quando se mudou para Brasília, Anastácio não conhecia distâncias. Jamais havia saído do interior de Ceará. “Achava que Brasília era do lado do Ceará. Passei quatro dias num ônibus até chegar e perceber que não poderia voltar para casa assim que quisesse.”

Os pais de Anastácio, Sebastiana de Sousa Carvalho e Anastácio José de Carvalho, permaneceram no Nordeste. A família era numerosa e faltava comida em casa. Moacir cresceu diante da devoção dos pais por São Francisco de Assis. Aprendeu a confiar em Deus quando o alimento faltava. “Meu pai sempre dizia: ‘Deus dá’”, relata. Aos 5 anos, já trabalhava na roça. Em sua autobiografia, A Força que Vem da Cruz, ele relata o dia em que conheceu a figura de Jesus Cristo. “A primeira vez que me encontrei com Deus foi no meio do lixo. Talvez não tivesse nem 5 anos. Era apenas uma criança da roça, que nada conhecia da vida. (...) Foi quando os meus olhos de criança brilharam diante de folhas de papel jogadas ali. Uma das folhas chamou minha atenção: tinha um desenho de três homens crucificados.”

Três meses depois de chegar a Brasília, Anastácio conseguiu emprego em um hotel, onde lavava banheiros. Foi promovido a mensageiro anos mais tarde. Aos 23 anos, não sabia escrever nem o próprio nome. Estava a caminho do cinema, em uma tarde de domingo, quando sentiu o que chama de “uma força que o conduziu até a igreja”. Entrou no templo e lá ficou durante 45 minutos. “Meu corpo queimava inteiro. Uma voz me dizia: te quero padre, sempre padre, somente padre”, diz. Anastácio procurou o seminário, onde foi alfabetizado aos 24 anos, estudou filosofia, teologia e tornou-se padre, depois de 12 anos de estudo. No dia de sua ordenação, na Catedral Metropolitana de Brasília, em 1996, a mãe, Sebastiana, estava presente, e foi a primeira a receber a bênção do filho, agora sacerdote. Os irmãos de Anastácio também assistiram à cerimônia.

Pentecostes reúne políticos de diferentes  matizes: em 2009, estavam o então  governador 
José Roberto Arruda, e sua  mulher, Flávia, e Geraldo Magela (PT),  então deputado federal (Daniel Ferreira/CB/DA PRESS)
Pentecostes reúne políticos de diferentes
matizes: em 2009, estavam o então
governador José Roberto Arruda, e sua
mulher, Flávia, e Geraldo Magela (PT),
então deputado federal
Prestígio entre políticos: em 2011, a festa  de Pentecostes contou 
com a presença de  Gim Argelo, José Sarney e  Agnelo Queiroz (Paulo de Araújo/CB/DA Press)
Prestígio entre políticos: em 2011, a festa
de Pentecostes contou com a presença de
Gim Argelo, José Sarney e Agnelo Queiroz
Hoje, Anastácio tem uma dezena de livros religiosos publicados. Antes de ser pároco em Taguatinga Sul, atuou no Recanto das Emas e no Vale do Amanhecer. Já à frente da São Pedro, recebeu a ordem divina para permanecer em oração durante oito dias seguidos e celebrar Pentecostes. Nos últimos três dias, fiéis deveriam levar velas, enquanto rezavam. O pai de Moacir Anastácio morreu antes de vê-lo tornar-se padre. A mãe, uma irmã e a sobrinha são os familiares mais próximos. “Sempre achei a vida de padre muito solitária. Na hora da missa, tem aquele tanto de gente, 1 milhão de pessoas. Depois vai todo mundo para casa e o padre fica só”, afirma o coordenador da Semana de Pentecostes, coronel Flávio Lúcio de Camargo.

A rotina de Anastácio é cansativa. É normal dormir pouco antes da meia-noite e acordar às 5h ou 6h. Além das missas, ele recebe cartas e pedidos, pessoalmente, de ajuda e oração, especialmente para doenças graves. “Nunca vi uma delas acender a vela de Pentecostes e ficar sem resposta”, garante. “Um homem que de certa forma levava uma vida mundana e, de repente, existe um toque de Deus no coração dele, e ele vai para um seminário e se forma padre, é uma figura surpreendente. A maneira simples de ele pregar, ele fala a língua do povo, isso é o que mais atrai. O milagre vem da fé das pessoas. Se você parar para pensar, só o fato de ter 1 milhão de pessoas, de várias crenças, reunidas ali já é um milagre”, afirma o deputado distrital Chico Vigilante, frequentador de Pentecostes.

Sem qualquer cerimônia, o líder religioso comprova que delicadeza não é o seu forte. “Vir à missa só para me ver? Mandaria todas essas pessoas para o inferno”, disse, em entrevista a Encontro Brasília, pouco antes de celebrar a missa de cura. A preocupação do padre Moacir Anastácio é de que fiéis confundam o poder de Deus com o dele, que se diz “apenas um pecador, que também precisa de salvação”. “Eu não tenho poder de curar ninguém. Quem cura é Deus”, repete exaustivamente. O padre diz ter presenciado a ação de Deus diversas vezes, quando Ele curou cânceres, depressões e outros problemas.

A Festa de Pentecostes é realizada com dinheiro de doações. O padre diz nunca ter aceitado dinheiro público, apesar das fartas ofertas. Políticos de todos os credos, cores e partidos fazem questão de estar presentes. Sentam-se sempre na primeira fileira. Há rumores de que pagam até R$ 300 pelo assento, dinheiro que entraria no caixa da Igreja. A assessoria de imprensa da entidade religiosa diz não ter informações sobre a arrecadação. Dentro da igreja, há notícias de que a única paróquia fora do Plano Piloto a acumular tanto dinheiro quanto um templo do Lago Sul, região nobre, é a São Pedro. Padre Moacir Anastácio não fala sobre isso. “Não tenho como dizer quanto arrecadamos, porque varia muito. Você só precisa saber que passamos muita dificuldade. O católico do Lago Sul é o mesmo de Taguatinga e tem dificuldade para botar a mão no bolso”, diz. Apesar das supostas dificuldades, a sede da Fundação São Pedro está em construção, em Ceilândia, e será grandiosa. O terreno foi comprado com dinheiro da paróquia, sem ajuda do governo.

Padre Moacir é um homem influente, embora deteste essa afirmação. Se os fiéis não contribuem tanto assim, não se pode dizer o mesmo dos políticos, que esbanjam, no mínimo, boa vontade. Para serem vistos ao lado de padre Moacir Anastácio, não medem esforços. Afinal, a multidão que o segue tem inestimável valor eleitoral. Bastou uma ligação do senador Gim Argello para que o padre Moacir Anastácio pudesse dormir tranquilo, às vésperas de Pentecostes, em 2012, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que ameaçava multar a paróquia São Pedro porque a rede elétrica do parque apresentava riscos. Quem conta a história é o deputado distrital Washington Mesquita.

O senador Gim Argelo, durante a festa Renascidos em Pentecostes: proximidade com padre Moacir (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
O senador Gim Argelo, durante a festa Renascidos em Pentecostes: proximidade com padre Moacir
Argello, antigo morador de Taguatinga Norte, frequenta a paróquia São Pedro há mais de 15 anos. Em um vídeo no canal oficial do Renascidos em Pentecostes, comunidade fundada pelo padre, o político afirma se sentir lisonjeado por ser o “senador de Pentecostes” e “amigo pessoal” do padre Moacir Anastácio. A assessoria de imprensa de Argello não retornou as ligações da reportagem. “A igreja é mãe e está de braços abertos para todos”, diz Anastácio. Também filho de Taguatinga, Washington Mesquita elegeu-se em 2010 graças ao apoio de padre Moacir Anastácio e dos renascidos. Teve a terceira campanha mais cara, gastou R$ 676 mil, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). “Se a PM e o Corpo de Bombeiros têm representantes que defendem seus interesses, porque o Renascidos em Pentecostes não pode?”, questiona Mesquita.

O distrital diz receber em seu gabinete qualquer cidadão que deseje melhorias na cidade, mas assume interferir em questões relacionadas à igreja com atenção especial. “Uma pessoa comum tem mais dificuldade. Se eu peço de manhã para trocar uma lâmpada da rua, à tarde já resolveram. Se preciso de um documento para fazer Pentecostes e está demorando, eu posso adiantar”, afirma. O distrital diz nunca ter destinado recursos à igreja. “Já ofereci, mas o padre não aceita. Ele não gosta de misturar as coisas”, alega.

Mesquita e Chico Vigilante são autores do Projeto de Lei Distrital n° 954/2012, que sugere alterar o nome do Taguaparque para Taguaparque Renascidos em Pentecostes. Atualmente, a proposição encontra-se parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Distrital.

Polêmicas envolvem a relação de Washington, Moacir Anastácio e o ex-administrador de Taguatinga Carlos Jales, preso suspeito de burlar o processo de emissão de alvarás para beneficiar construtoras. Jales também é membro da paróquia São Pedro e ajudou a coordenar a semana de Pentecostes até 2013. Foi indicado ao cargo de administrador por Mesquita, que é chamado pelos corredores da regional de “dono da administração”.

Além disso, Anastácio foi acusado de dominar as indicações de funcionários para cargos na administração regional. “Nunca fiz isso, não indico ninguém. Não aceito dinheiro público, porque acho que os fiéis é que devem trabalhar e doar do próprio bolso. Dinheiro do governo deve ir para educação, saúde e etc. Não faz sentido dizer que indiquei ninguém, porque não é do meu feitio”, explica.

À época da gestão de Jales, em 2012, a Parada Gay de Taguatinga, que ocorre há quase dez anos, teve ameaças de ser cancelada. “Nunca falei com o padre e muitos homossexuais também vão para Pentecostes, mas naquela época ficou nítido que o administrador não queria a parada gay por motivos religiosos”, afirma o organizador da passeata, Fábio Dias Duarte. O GDF optou por manter a parada na comercial norte de Taguatinga, como sempre ocorreu, e não em um espaço fechado, como o administrador havia sugerido. Anastácio nega interferências da igreja.

A lista de políticos que frequenta Pentecostes é vasta. Chico Vigilante, Izalci Lucas, o ex-governador José Roberto Arruda, José Sarney, Agnelo Queiroz e tantos outros já prestigiaram a celebração. Todos eles carregam as três velas de pentecostes, uma a cada dia, capazes de realizar milagres, segundo a crença estabelecida por padre Moacir. A chama deve ser acesa em momento de necessidade. O líder espiritual afirma ter ouvido vozes e tido visões que o instruíram a rezar durante uma semana, até a chegada de Pentecostes, e abençoar as velas, para trazer as bênçãos. A revelação ocorreu em uma igreja de Taguatinga. “Eu não queria fazer nada disso, mas obedeci a Deus. Apenas respondi a um chamado e sou instrumento nas mãos de Deus”, diz.

 

Testemunho

 Eloadir Galvão, de 58 anos, médico, ex-dire-  tor do Hospital Regional de Sobradinho (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)

Eloadir Galvão, de 58 anos, médico, ex-dire-
tor do Hospital Regional de Sobradinho
“Nos meus 35 anos de medicina, nunca tive uma experiência como a Festa de Pentecostes. Em 2011, cheguei para o plantão e um colega médico me disse: você está com problemas no coração. Tinha andado muito e estava ofegante. Não comia direito e estava obeso. Fiz exames e descobri que as três artérias do meu coração estavam entupidas. Já fiquei internado para cirurgia. Quando só uma artéria entope, o paciente tem mais chances, porque o sangue procura outras vias para fluir. No meu caso, com todas entupidas, a chance de sobrevivência era mínima, é caso de morte súbita. Uma paciente acendeu as velas de Pentecostes para mim. A minha mulher também. Passei por 17 horas de cirurgia e sobrevivi. Padre Moacir Anastácio me deu unção dos enfermos. Soube como era ser paciente, sentir fome, frio, estar nu, com vergonha e vulnerável. Já operei 4 mil pessoas e nunca havia me colocado no lugar delas. No ano seguinte, subi ao altar, durante a Festa de Pentecostes, e pedi perdão aos meus pacientes e a Deus. Mudei totalmente de vida, emagreci 30 kg com força de vontade, para viver mais. Vou todos os anos a Pentecostes e atribuo a minha cura à fé em Deus”
 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017