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POLÍTICA | ELEIÇÕES »

Quem quer o Buriti?

Depois dos primeiros meses do ano de articulações entres partidos e os próprios políticos, o cenário eleitoral começa a se delinear: seis pré-candidatos ao governo já se apresentaram, mas ainda pode haver mudanças

Helena Mader - Redação Publicação:12/05/2014 15:51Atualização:12/05/2014 16:13

Palácio do Buriti, sede do governo do DF: até o próximo mês, os brasilienses saberão quem são os candidatos dispostos a ocupar esse espaço
Palácio do Buriti, sede do governo do DF: até o próximo mês, os brasilienses saberão quem são os candidatos dispostos a ocupar esse espaço

Nos bastidores da política brasiliense, os quatro primeiros meses de 2014 foram de muitas negociações, conversas e articulações entre as lideranças partidárias. O cenário, antes nebuloso, começa a ficar mais claro para o eleitor. Ao fim desse período de ajustes, pelo menos seis pré-candidatos despontaram para a corrida ao Palácio do Buriti. Até junho, quando serão realizadas as convenções dos partidos, esse número ainda pode mudar, com a fusão de candidaturas ou com o surgimento de novos interessados em chegar ao governo do Distrito Federal. Mas os principais nomes estão prontos para o duelo e, com muita discrição, já começaram a formar as equipes de campanha.

Candidato à reeleição, Agnelo Queiroz (PT) conseguiu manter a dobradinha com o PMDB, a exemplo do cenário nacional. Mas as negociações foram duras. O vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, cogitava romper a aliança e sair candidato. Mas, em setembro, a dupla anunciou a repetição da chapa. Agora, Agnelo Queiroz terá de enfrentar o desafio de manter os 17 partidos da base governista unidos.

O presidente regional do PT, Roberto Policarpo, afirma que a campanha será uma oportunidade para o governo mostrar realizações dos últimos três anos e quatro meses. “Temos muito o que apresentar à população. Na educação, o governo fez creches e escolas integrais. No setor de transporte, houve muitos avanços, como a inauguração do Expresso DF e a renovação da frota de ônibus”, exemplifica Policarpo. “Além disso, nunca a relação com o governo federal foi tão intensa e produtiva, o que permitiu investimentos na cidade. Também vamos mostrar que o governo investiu na relação com o serviço público, reestruturando carreiras, e na transparência, que virou modelo para todo o Brasil”, acrescenta o presidente  do PT.


Um dos grandes adversários de Agnelo deve ser o  ex-governador José Roberto Arruda. Ele ingressou no PR no ano passado, às vésperas do fim do prazo para filiações, decidido a disputar o governo. Pouco depois, reaproximou-se de Joaquim Roriz, depois de anos de rompimento. A dupla decidiu se juntar e formar uma chapa competitiva para as eleições deste ano. As tratativas culminaram com a indicação do nome da deputada distrital Liliane Roriz (PRTB) para ocupar o posto de vice-governadora na chapa encabeçada por Arruda.

Joaquim Roriz (PRTB) cogitou disputar ele mesmo o Buriti. O ex-governador liderava pesquisas de intenções de voto realizadas pelas equipes dos pré-candidatos. Contudo, além dos empecilhos jurídicos, já que renunciou ao Senado para escapar da cassação, Roriz está com a saúde fragilizada. Ele sofre de falência renal e precisa passar por sessões diárias de hemodiálise. Diante das dificuldades, a melhor alternativa para o cacique político foi indicar a filha caçula para a chapa. Depois de vitória recente na Justiça, passou a pensar em uma candidatura à Câmara Legislativa, como estratégia de puxar votos para o partido e conseguir eleger mais distritais.

O presidente regional do PR, Salvador Bispo, explica que, durante a campanha, será comparada a atual gestão com a anterior. “Antes, havia 2 mil obras em andamento, o setor produtivo tinha segurança jurídica para movimentar a economia e havia um clima favorável ao desenvolvimento, ao contrário do que existe agora”, explica o dirigente do partido. Para ele, a violência e os problemas de trânsito são temas que não poderão ficar de fora dos debates.

Arruda e os aliados esperam agora aumentar a coligação. “O mais difícil foi juntar Roriz e Arruda. Agora, queremos unir todas as correntes contrárias ao PT”, acrescenta Salvador, que cita o PSDB, o PPS, o PSD e o DEM como partidos que eles tentarão atrair para a chapa.

Já o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) trará para a campanha a proposta de uma terceira via. Ele quer se apresentar aos eleitores como alternativa a Agnelo e Arruda. Em abril, Rollemberg conquistou um grande reforço para a sua campanha. O deputado federal pedetista José Antônio Reguffe, que era pré-candidato ao Palácio do Buriti, abriu mão de concorrer ao governo para apoiar a chapa encabeçada pelo senador. A aliança vinha sendo negociada desde o ano passado, mas Reguffe resistia em abrir mão da candidatura. Além disso, havia uma pressão do diretório nacional do PDT para que o partido apoiasse Agnelo. Mas Reguffe se antecipou e anunciou apoio a Rollemberg, o que pode ser confirmado na primeira quinzena de maio.

“Essa será a campanha da turma do bem, que representa a renovação. O PSB está há mais de um ano preparando o programa de governo. Fizemos cinco reuniões em várias cidades para discutir propostas. Normalmente, isso é feito às pressas, sem nenhum tipo de debate”, justifica o senador Rollemberg.

O candidato do PSB também está otimista com a presença de Marina Silva e Eduardo Campos em seu palanque. Em 2010, a ex-senadora terminou o primeiro turno como a presidenciável mais bem votada do Distrito Federal. Apesar de filiada ao PSB, ela havia declarado apoio à candidatura de Reguffe. Com a união dos dois, Marina ficará confortável para fazer campanha para a chapa.

Quem também espera contar com um presidenciável no palanque é o deputado federal Luiz Pitiman, candidato do PSDB ao governo. Ele conseguiu a indicação graças ao apoio do senador Aécio Neves, concorrente tucano ao Palácio do Planalto. Pitiman teve de enfrentar uma guerra interna, já que havia mais dois pré-candidatos: o deputado federal Izalci Lucas e o ex-secretário de Obras Márcio Machado. Ele minimiza as consequências do racha no partido e garante que, agora, o PSDB está unido. “Nossa principal preocupação é formar um grande palanque nacional para o Aécio. Entendemos que Brasília é de todos os brasileiros e todos se preocupam com o futuro da cidade”, explica.

A deputada distrital Eliana Pedrosa filiou-se ao PPS no ano passado e, logo depois, anunciou a pré-candidatura ao governo. Parlamentar em terceiro mandato, ela tem percorrido as cidades para consolidar a chapa. Mas, paralelamente, Eliana negocia com outros candidatos, como Arruda e Pitiman. Em março, participou de um almoço com o candidato do PSDB ao governo e com o presidente regional do DEM, Alberto Fraga. Desde então, é grande a expectativa de uma união entre as três legendas.

Pela terceira vez, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol, será candidato ao governo. Em 2006, ele conquistou 55 mil eleitores e, quatro anos depois, praticamente quadruplicou a votação: chegou a 199 mil votos. Com a popularidade, ele não abre mão de participar da corrida eleitoral.

Antes de confirmar a candidatura ao GDF, o PSol chegou a negociar a formação de um acordo com o PDT de Reguffe e Cristovam Buarque. Mas, com o anúncio do apoio de Reguffe a Rollemberg, Toninho se recusou a participar da chapa. O candidato afirma que levará para a campanha deste ano temas como saúde e educação. “Quero debater propostas socializantes. No caso da saúde, não tenho dúvidas de que é preciso fortalecer a presença do Estado na organização dos serviços e implantar o saúde em casa. Além disso, proponho a realização de uma auditoria rigorosa em todas as contas do governo e  a implantação de uma mudança do modelo de administração”, explica o representante do PSol. O partido ainda negocia a possibilidade de coligação com o PSTU e com o PCB, mas ainda depende de deliberações nacionais desses dois partidos de esquerda.

 

 

QUEM É QUEM

Os possíveis candidatos ao governo do Distrito Federal

 

 

 

Agnelo Queiroz

Natural de Itapetinga (BA), tem 58 anos. Médico cirurgião, foi deputado distrital da primeira legislatura, em 1990. Em 1994, conquistou o cargo de deputado federal e se reelegeu duas vezes consecutivas. Foi ministro do Esporte no governo Lula e diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Em 2006, disputou sem sucesso uma vaga no Senado Federal. Em 2008, trocou o PCdoB pelo PT. Conquistou o governo do DF em 2010, no segundo turno, com 66,1% dos votos.

 

 

 

 

José Roberto Arruda
Natural de Itajubá (MG), tem 60 anos. Engenheiro elétrico, começou a carreira no serviço público na Novacap, em 1979. Foi diretor da Companhia Energética (CEB) e secretário de Obras do governo Roriz. Em 1994, foi eleito para o Senado e, quatro anos depois, disputou sem sucesso o governo. Renunciou ao posto de senador em 2001, depois do escândalo de violação do painel. No ano seguinte, voltou ao Congresso como deputado federal. Elegeu-se governador em 2006, mas acabou cassado pelo TRE por infidelidade partidária, depois de deixar o DEM em meio ao escândalo da Caixa de Pandora.

 

 

 

 

Toninho do PSol
Natural de Barão de Monte Alto (MG), tem 60 anos. Servidor público, psicólogo e cientista político. Foi um dos fundadores do PSol em 2004, ao lado de um grupo de parlamentares expulsos do PT por se oporem à reforma previdenciária. Ainda nos tempos do PT, Toninho foi secretário de Administração do governo de Cristovam Buarque. Já no PSol, concorreu ao GDF em 2006 e conquistou 55 mil votos. Quatro anos depois, tentou novamente e quadruplicou a votação, chegando a quase 200 mil votos, e conquistou a terceira colocação.

 

 

 

 

 

Luiz Pitiman
Natural de Toledo (PR), tem 52 anos. Empresário do setor da construção civil, começou na vida política como presidente da Novacap em 2009, no governo Arruda. No ano seguinte, concorreu pela primeira vez a um mandato eletivo e conquistou a vaga de deputado federal pelo PMDB. Em 2011, foi nomeado secretário de Obras do governo Agnelo Queiroz. Rompeu com o GDF no mesmo ano e passou a fazer oposição ao governo. Em setembro do ano passado, filiou-se ao PSDB.

 

 

 

 

 

 

Rodrigo Rollemberg
Natural do Rio de Janeiro (RJ), tem 54 anos. Formado em história pela Universidade de Brasília, foi deputado distrital e secretário de Turismo do governo de Cristovam Buarque. Candidato a governador em 2002, trabalhou como secretário de Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia no governo Lula. Conquistou um mandato de deputado federal em 2006 e, quatro anos depois, foi eleito para o Senado. É filiado ao PSB desde 1985.

 

 

 

 

 

 

Eliana Pedrosa
Natural de Bicas (MG), tem 61 anos. Formada em química  pela Universidade de Brasília, mora no Distrito Federal desde 2008. Foi eleita deputada distrital pelo PL em 2002 e conseguiu conquistar a reeleição quatro anos depois, dessa vez pelo PFL. Durante o governo de José Roberto Arruda, trabalhou como secretária de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda. Em 2010, conquistou o terceiro mandato na Câmara Legislativa. Migrou para o PSD e, posteriormente, para o PPS.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017