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ESPORTE | BEM-ESTAR »

Parada obrigatória

A rotina de até 12 horas de trabalho não impede que executivos interrompam o expediente e dediquem essa pausa ao exercício físico. O corpo e a mente agradecem

Rodrigo Craveiro - Redação Publicação:13/05/2014 12:46Atualização:13/05/2014 13:35
Pelo menos três vezes por semana, o empresário Fabrício Garzon vai para o Lago Paranoá: compromisso com o windsurfe ou com o SUP (Minervino Sampaio/Encontro/DA Press)
Pelo menos três vezes por semana, o empresário Fabrício Garzon vai para o Lago Paranoá: compromisso com o windsurfe ou com o SUP
À beira do Lago Paranoá, no Parque da Cidade, na academia ou na aula de ioga, eles trocam o terno e a gravata pela sunga ou pelo conjunto bermuda e camiseta. Em poucas horas, estarão de volta a uma rotina estafante de ordens, inspeções em obras e reuniões intermináveis. É cada vez mais comum executivos de Brasília darem uma pausa no expediente para praticarem exercícios físicos. Motivações não faltam: alguns buscam o peso ideal, outros programam a participação em competições, mas todos reconhecem que os benefícios para a saúde são inegáveis.

O engenheiro Rogério Matos concilia a agen-  da com as pedaladas: prepara-se, agora,  para uma das competições mais radicais de  mountain bike (Minervino Sampaio/Encontro/DA Press)
O engenheiro Rogério Matos concilia a agen-
da com as pedaladas: prepara-se, agora,
para uma das competições mais radicais de
mountain bike
Dono de uma empresa de consultoria de  negócios, Giovane Pucci também é adepto  do windsurfe e do SUP, além dos treinos  funcionais: 'Melhora muito a concentração' (Minervino Sampaio/Encontro/DA Press)
Dono de uma empresa de consultoria de
negócios, Giovane Pucci também é adepto
do windsurfe e do SUP, além dos treinos
funcionais: "Melhora muito a concentração"
Pelo menos três vezes por semana, Fabrício Garzon, proprietário da MGarzon Empreendimentos Imobiliários e da Adventure Tech, encosta o carro no estacionamento do Clube Katanka, especializado em esportes náuticos, pega o equipamento de windsurfe já montado e a enorme prancha de stand up paddle – ou simplesmente SUP – e cai na água. “Hoje eu pratico mais windsurfe. Quando não há períodos propícios para velejar, ante a ausência dos ventos, eu recorro ao SUP”, conta Garzon, que frequenta o local desde 2009. “É muito bom. Às vezes, você está na correria do dia a dia, vem aqui, faz um esporte de meia hora e já dá uma quebrada nesse ritmo”, acrescenta.

Para Fabrício, o contato com a natureza e o ambiente tranquilo contribuem com uma limpeza mental. “Às vezes, não tem ninguém e você escuta o barulho da cidade lá atrás. É bom para dar uma relaxada.” Especialmente para quem trabalha, em média, entre 10 e 12 horas por dia e ainda precisa cumprir uma agenda social depois do expediente.  “Sempre que dá tempo venho para cá, tiro o terno e ponho o outro uniforme, que é bem mais agradável”, sorri.

Dono de uma empresa de consultoria de negócios, Giovane Pucci também é adepto do windsurfe e do SUP, além dos treinos funcionais. Depois que começou a praticar, viu a vida mudar. Há quatro anos, pesava 132 kg. Hoje, está com 87 kg e pretende perder mais. “Saio daqui e volto para o trabalho. Melhora muito a concentração. Você retorna com mais disposição para o serviço”, admite.

Proprietário do Clube Katanka, Marcelo Morrone admite que muitos executivos procuram o estabelecimento na hora do almoço, a fim de “recarregar as baterias”. De acordo com ele, os esportes náuticos são bastante prazerosos e ajudam na mudança do estilo de vida.  “Eu costumo dizer que o pessoal troca o almoço para vir comer vento”, diverte-se.

Jiu-jítsu de duas a três vezes por semana, ioga nos cinco dias úteis, sempre no meio do expediente. Assim é a rotina de Rodrigo Eduardo da Cunha Sena, executivo do ramo alimentício e de uma empresa de coaching e de treinamentos. Aos fins de semana, ele ainda encontra ânimo para caminhar e correr por uma hora e meia. “Foi a melhor forma de atender aos compromissos, mantendo o equilíbrio pessoal e profissional na agenda”, explica. Segundo ele, a prática de ioga melhora a disposição. “Quando retorno ao trabalho, estou mais relaxado e me sinto mais centrado para realizar minhas tarefas, além do fato de que os exercícios físicos aliviam o estresse”, comenta.

O assessor financeiro Paulo Henrique  Marinho Borges tem 
três turnos de traba-  lho: escapa do escritório para a musculação (Minervino Sampaio/Encontro/DA Press)
O assessor financeiro Paulo Henrique
Marinho Borges tem três turnos de traba-
lho: escapa do escritório para a musculação
Jiu-jitsu de duas a três vezes por semana,  ioga nos cinco dias úteis, sempre 
no meio  do expediente: rotina do executivo Rodrigo  Eduardo da Cunha Sena (Bruno Pimentel/Encontro/DA PRESS)
Jiu-jitsu de duas a três vezes por semana,
ioga nos cinco dias úteis, sempre no meio
do expediente: rotina do executivo Rodrigo
Eduardo da Cunha Sena
O assessor financeiro Paulo Henrique Marinho Borges admite que praticar exercícios no meio do expediente não foi uma questão de escolha. “Foi a única opção para que eu conseguisse me exercitar. Por seguir uma rotina bastante agitada e trabalhar em três turnos, procuro escapar do escritório antes do último período para fazer atividades físicas”, comenta. Pela manhã e à tarde, ele se reúne com clientes e planeja as  finanças. À noite, ministra cursos e palestras sobre investimentos.

Todos os dias, ele alterna uma hora e meia de musculação e corrida na esteira, na academia Body Tech. “Tenho o objetivo de correr a meia maratona do Rio de Janeiro este ano (em 27 de julho)”, afirma. Ele reconhece que o momento da prática de exercícios contribui para o relaxamento e o bem-estar. “Enquanto estou na academia, eu me esqueço dos problemas e busco aproveitar ao máximo a pausa na rotina. Isso me dá mais energia para concluir a última etapa do dia”, diz.

Entre 19 e 26 de outubro, o engenheiro Rogério Matos vai pedalar sua mountain bike em uma das competições mais radicais do planeta. Serão 600 km em seis etapas, além de 15 km de subida na Chapada Diamantina. A preparação para o torneio tem feito com que o dono da empresa Rotacon Construções busque conciliar a agenda tumultuada para pedalar entre 50 km e 60 km no Parque da Cidade ou deslizar no Lago Paranoá a bordo das pranchas de windsurfe ou de SUP.

“No horário de almoço, eu me programo para vir ao Parque da Cidade fazer meu treino de uma hora e meia ou duas horas. Fico sem almoçar, saio daqui, como qualquer coisa e volto para o escritório”, afirma.  Ele garante que a sensação de bem-estar supera o cansaço. “Fico até mais concentrado. Eu pedalo há sete anos. Meu objetivo maior é combater o estresse, pois no meu trabalho brigo o dia inteiro com burocracia, com problema de funcionários e obras. Isso é uma válvula de escape”, diz.
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017