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Com bebês a tiracolo

Todo cuidado é pouco em viagens internacionais com crianças. Confira dicas que podem facilitar a programação e evitar contratempos, já que não é raro pais pagarem caro pela desatenção

Mariana Laboissirère - Redação Publicação:14/05/2014 09:46Atualização:14/05/2014 10:59

Viajar para o exterior não depende apenas de um assento no avião e um carimbo no passaporte. Exige um minucioso planejamento prévio. E, se a missão envolve crianças, as preocupações são ainda maiores. Mais complicado que isso, só cruzar oceanos com bebês a tiracolo. Caso os detalhes não forem bem ajustados, as tranquilas férias em família podem se transformar em uma prova de revezamento com barreiras.

Encontro Brasília esteve em Orlando, na Flórida (Estados Unidos), e entrevistou pais brasileiros que poderiam ganhar medalha de ouro em atletismo. Alguns com dois, três bebês, e uma infinidade de tralhas para carregar. Desde enormes carrinhos e cadeirinhas aos ínfimos lenços de boca e às chupetas. Além de dar dicas de equilibrismo, eles contaram à reportagem o que fazer – e o que não fazer – na companhia desses pequeninos.

Os candidatos a essa “modalidade esportiva” devem saber que a paciência é um ingrediente indispensável para o sucesso da empreitada, antes mesmo da chegada ao destino escolhido. E isso é um consenso na narrativa dos que já passaram por essa experiência. Afinal, até recém-nascidos necessitam de passaporte e visto para fazer o trânsito entre os países. E enganam-se aqueles que imaginam que o processo é menos burocrático por se tratar de bebês. Há formulários para responder, fotos para tirar e agendamentos para realizar, procedimentos que nem sempre são baratos. Logo, os pais devem avaliar a real necessidade da viagem.

Planejamento e atenção são indispensáveis na hora de comprar a passagem de avião, pois há encargos até para bebês transportados no colo dos pais. Algumas companhias aéreas cobram taxas e, dependendo da idade da criança, até uma porcentagem em cima do valor do bilhete. Viagens muito longas e com muitas conexões podem chatear toda a família, sem exceção. Portanto, conforto é um item de primeira categoria nesse caso. A dentista Jacqueline Bezerra Felix comprova tal afirmativa. A tranquilidade da viagem para Orlando e Miami ao lado dos filhos pequenos só foi quebrada durante o voo.

Segundo ela, o mais penoso foi acomodar os garotos: Felipe, de 1 ano e meio, e Arthur, de 5 anos. “O mais velho já tinha a poltrona dele. Mesmo assim, levei um travesseiro e ele dormiu em cima de mim e da minha mãe. Resultado: cheguei a Miami morta de cansaço. Para mim, isso foi o mais complicado”, conta.

A maioria dos aviões internacionais dispõe de uma espécie de bercinho. Ele se acopla à divisória da aeronave, que separa a primeira classe da classe econômica. Mas esse item se limita a bebês com 11 kg, o que não era o caso do filho mais novo de Jacqueline. Além disso, nem sempre é fácil conseguir a tal acomodação, por ela ser fornecida exclusivamente a pessoas alocadas nas cadeiras de frente a essa divisória.

Você pode dar sorte de seu filho ser o único bebê do voo. Mas o melhor é não contar com isso. A precaução pode evitar dores de cabeça, nas costas, nos pés – sintomas comuns em pais que viajam nove horas seguidas ou mais com seus pequenos no colo. Mesmo que o assento já esteja marcado, antes mesmo de sentar-se, fale com alguém da tripulação sobre a necessidade do bercinho. Assim, mesmo que haja vários baixinhos no voo, você poderá sair na frente nessa corrida.

Os passeios pelos parques valeram a viagem  em família de Jacqueline Bezerra Felix, já  que o cansaço maior foi durante o longo voo:  'O mais velho dormiu em cima de mim e eu  fiquei morta de cansaço', relata (arquivo pessoal)
Os passeios pelos parques valeram a viagem
em família de Jacqueline Bezerra Felix, já
que o cansaço maior foi durante o longo voo:
"O mais velho dormiu em cima de mim e eu
fiquei morta de cansaço", relata
É necessário ter ciência, ainda, de que os bebês vão chorar como de costume. No avião, então, a probabilidade de isso acontecer é grande, principalmente em função da pressão e do incômodo gerados nos ouvidos. Por esse e outros motivos, antes de embarcar, é aconselhável uma visita ao médico. Desse modo, o especialista vai avaliar a situação e receitar remédios à criança, se assim achar conveniente. Mamar durante o pouso e a decolagem ou chupar chupetas também pode ajudar.

“O movimento de sucção funciona como ‘despressurização’, amenizando eventual dor no canal auditivo. Para crianças maiores, movimentos de engolir também ajudam nesse mesmo processo”, esclarece a pediatra Fernanda Lopes. Segundo ela, a idade mínima para esse tipo de travessia é de um mês de vida. Antes disso, os recém-nascidos estão mais vulneráveis a infecções, principalmente em ambientes fechados como os da aeronave. Fernanda não sugere viagens com crianças com quadros de tosse, resfriado e dor de ouvido.

E quanto às bagagens? Algumas companhias definem uma espécie de cota para bebês, que varia bastante. Na maioria dos casos estão inclusos carrinhos, que podem ser deixados na porta do avião, e uma mala menor, geralmente levada na mão. Por isso, os pais que não procurarem informações nas respectivas empresas aéreas podem pagar caro pela desatenção.

Nayara Cerqueira Alvim viajou quando  estava grávida para Miami e Orlando, com  o marido 
e o filho de 4 anos: aliou compras  para o bebê e lazer para o mais velho (arquivo pessoal)
Nayara Cerqueira Alvim viajou quando
estava grávida para Miami e Orlando, com
o marido e o filho de 4 anos: aliou compras
para o bebê e lazer para o mais velho
Crianças muito pequenas são imprevisíveis. Além dos remédios, devem estar acessíveis trocadores, lencinhos, fraldas e sacos plásticos, além de mudas de roupas extras e leite em pó, mesmo se a criança mamar exclusivamente no peito. Caso o leite da mãe seque ou o bebê mame mais do que de costume, a fórmula artificial pode ser a salvação. Afinal, emergências podem ocorrer. Deixar tudo separadinho facilita o trabalho.

Por falar em facilidade, bons amigos, tanto dentro como fora do avião, são os cangurus, sling e similares. Segundo os pais entrevistados, eles diminuem sobremaneira o “monta e desmonta” de equipamentos ao longo de toda a viagem. No caso de Orlando, durante a visita aos parques temáticos, que, geralmente, são extensos, o mais indicado é fazer um revezamento entre eles e o carrinho.

Layla Zahra comprou um carrinho duplo  para as duas netas quando viajou pela pri-  meira vez para os Estados Unidos: 'Com tanta  coisa para carregar, o carrinho facilitou tudo' (arquivo pessoal)
Layla Zahra comprou um carrinho duplo
para as duas netas quando viajou pela pri-
meira vez para os Estados Unidos: "Com tanta
coisa para carregar, o carrinho facilitou tudo"
A propósito, quanto mais gente envolvida nos cuidados com as crianças, melhor. Tios e avós são uma ótima pedida. Até porque, menores de 1 ano, mesmo sob a responsabilidade dos pais, são vetados de entrar na maioria dos brinquedos nos parques de Orlando. Se você também pretende se divertir, é importante providenciar um suplente.

A empresária brasiliense Layla Zahra viajou pela primeira vez para os Estados Unidos ao lado das duas netas e da nora. A melhor aquisição da viagem, segundo ela, foi um carrinho para as pequenas. “As meninas são bebês e têm idades muito próximas, então, como éramos só nós duas no começo – pois meu filho só nos encontrou dois dias depois –, tínhamos certa dificuldade para transportá-las com tanta coisa. Quando compramos o carrinho duplo, tudo melhorou”, conta. Segundo ela, embora tenha passado por várias situações complicadas, como a perda dos passaportes e de um voo, a experiência foi muito boa. “Faria tudo de novo.”

 

No segundo semestre de gravidez e com um filho de 4 anos, a psicóloga Nayara Cerqueira Alvim analisou o momento como o mais adequado para viajar para Miami e Orlando. “Como estamos morando temporariamente em Manaus, mais próximos de Miami, achamos que seria ideal aliar compras para o bebê e lazer para o mais velho”, conta. Segundo ela, mesmo com uma lista em mãos das lojas que queria ir (o que é recomendável fazer antes de viajar), não foi difícil perder o foco. “Isso ocorre por conta da infinidade de opções que existem”, diz.

Não só em relação às compras, mas sobre restaurantes também é bom se programar. No caso das comidas, opções não faltam em Orlando, mas, geralmente, os pratos típicos são muito gordurosos. Mães que estão amamentando devem ter cuidado redobrado na hora de escolher o local onde comer, isso pensando na qualidade do leite materno e na saúde do filho. Pais entrevistados sugeriram, em maioria, restaurantes de comida japonesa e brasileira. Lojas com opções de salada também são favoritas.

“A alimentação foi a grande surpresa da viagem. Não contávamos que gastaríamos tanto. Como estou grávida e com filho pequeno, não cabia comer apenas lanches rápidos. Os restaurantes brasileiros, definitivamente, nos salvaram”, detalha Nayara. Para não gastar muito com as refeições dos parques, ela improvisou. Levou uma lancheira com frutas, biscoitos e sucos.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017