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Tecnologia | Comportamento »

Quanto vale seu tempo?

Brasilienses descobrem que dedicar algumas horas para ensinar o que sabem a outros pode ser recompensador. Em troca, eles também ganham aulas gratuitas

Cecília Garcia - Redação Publicação:14/05/2014 13:50Atualização:14/05/2014 14:00

O fotógrafo Matheus Brito ofereceu em rede social aulas 
de arco e flecha, fotografia e slackline: quer aprender a velejar e a fazer hambúrgueres
O fotógrafo Matheus Brito ofereceu em rede social aulas de arco e flecha, fotografia e slackline: quer aprender a velejar e a fazer hambúrgueres
Em tempos de redes sociais, o termo compartilhamento ganhou força, sendo usado para disseminação de informações, artigos, notícias de jornais, piadas e, ultimamente, para coisas menos mensuráveis, como tempo, conhecimento e experiências. Esta é a ideia da rede social Bliive. Funciona de modo bem simples: a pessoa se cadastra no site e oferece um serviço, como aula de culinária, por exemplo, com uma hora de duração. Depois disso, ela pode buscar o serviço de outro usuário, que dê aula ou preste um serviço de qualquer natureza. E a troca de tempo é sempre gratuita.


Em Brasília são mais de 200 pessoas cadastradas e realizando trocas. Uma delas é o fotógrafo Matheus Brito, que conheceu a plataforma pelo Facebook, em um post publicado por uma amiga. “Tinha tudo a ver com o que eu já fazia, então foi amor à primeira vista.” O rapaz tinha esse hábito de trocar experiências. Usava sua casa para quem quisesse aprender a usar um arco e flecha. No mesmo lugar há um pequeno estúdio fotográfico onde ensinava fotografia. Além disso, marcava encontros regulares de slackline para quem nunca tinha praticado a modalidade, que consiste em uma fita elástica esticada entre dois pontos fixos por onde o praticante anda e faz manobras. “E é exatamente isso que eu ofereço no Bliive, a diferença é que agora ensino pessoas que não estão no meu círculo de amizade”, conta.


Bianca Moraes solicitou a aula de Matheus sobre slackline: em troca, oferece seus conhecimentos de amigurumi - técnica japonesa para fazer bichinhos de crochê
Bianca Moraes solicitou a aula de Matheus
sobre slackline: em troca, oferece seus
conhecimentos de amigurumi - técnica
japonesa para fazer bichinhos de crochê
As aulas foram dadas para dois conhecidos de Matheus. As outras três pessoas, conheceu por meio do site. A integração com os desconhecidos, para o jovem, foi interessante. “Graças a projetos assim fiz excelentes amigos no último ano”, comenta. “É extremamente desafiador, pois estamos ensinando algo, então precisamos estar afiados para dúvidas que surgirem.”


Antes dos encontros, um pouco de nervosismo é normal. O fato de não saber como será a pessoa é um fator que influencia nesse aspecto. “Não dá para saber o que esperar, se ela vai gostar ou não.” Agora, ele planeja as aulas que gostaria de fazer. Já listou algumas: velejar, costurar e fazer hambúrgueres, por exemplo.

 


A estudante Amanda Picchi aprendeu  a fazer os amigurumis com Bianca: agora, oferece na rede seus conhecimentos de shambala
A estudante Amanda Picchi aprendeu
a fazer os amigurumis com Bianca:
agora, oferece na rede seus
conhecimentos de shambala
A aula de slackline de Matheus foi solicitada por Bianca Moraes. Em troca, a estudante oferece seus conhecimentos sobre amigurumi – técnica japonesa para fazer bichinhos de crochê. Ela aprendeu o ponto gradualmente. Um pouco com uma tia de um amigo, um pouco com a mãe e um bocado pela internet.

Cadastrou-se no Bliive e ofereceu a aula. Logo apareceu gente interessada. Apesar de certo estranhamento, a experiência de conhecer uma pessoa desse modo compensa. “É muito legal. Vale a pena passar por esse desconcerto inicial.”


A estudante Amanda Picchi foi quem aprendeu a fazer os amigurumis com Bianca. Em troca, ofereceu na rede seus conhecimentos de shambala, um tipo de pulseira, que aprendeu com uma amiga há dois anos.


Extrovertida, para Amanda foi tranquilo pegar aula com uma pessoa desconhecida. “O compartilhamento vale a pena. É possível adquirir habilidades que por um acaso a pessoa não teve oportunidade de desenvolver, seja por que é caro, seja por não saber se vai gostar. É uma boa forma de fazer contato inicial com o que se quer aprender.” Agora, Amanda pretende pegar outras aulas, como corte e costura, ponto cruz e Photoshop.

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017