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Artigo | Usina de ideias »

Som e luz na praça dos Três Poderes

Márcio Cotrim - Redação Publicação:13/06/2014 10:30Atualização:13/06/2014 10:41

Um dos eventos audiovisuais mais espetaculares do mundo é o Son et Lumière. Luzes projetadas sobre determinados pontos mudam de cores, a música alteia e uma voz se eleva para evocar, poeticamente, a passagem dos séculos no local.


No Egito, por exemplo, são momentos de fortíssimo aparato de som e luz em torno das pirâmides de Gizé: Queops, Quefrem e Mikerinos, além de templos de pedra e a misteriosa Esfinge, flagrante de 5 mil anos de história.


Sob o céu do deserto, estranha luz percorre a face da Esfinge, ao tempo em que sua voz declara, em alto e bom som: “A cada nova aurora, vejo erguer-se o sol na outra margem do Nilo”. De arrepiar.


Aí a voz se transfere para a pirâmide de Queops. Fala do incrível esforço dos cem mil operários que a edificaram, colocando, umas sobre as outras, 3 milhões de pedras de duas toneladas cada uma!


Ali esteve Heródoto, por ali passaram e se extasiaram Alexandre, César e Napoleão, e tudo o que conseguiram foi apenas levantar, por instantes, alguns grãos da poeira do deserto. Pouquíssimos são os lugares do planeta que reúnem tamanha carga emocional.


Único sítio contemporâneo considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasília possui todos os requisitos plásticos, arquitetônicos, institucionais, místicos, políticos e transcendentais para realizar o fantástico Son et Lumière.


Sua mágica esplanada lembra valores do presente e do porvir de uma nova civilização surgida não por mero acaso no Planalto Central do Brasil.


Na praça dos Três Poderes, uma deslumbrante reunião de formas arquitetônicas saídas da genial prancheta de Oscar Niemeyer traduz a maior epopeia de nosso tempo e permite ao atento visitante uma radiosa visão do futuro.


Eis a proposta deste mês: desenvolver gigantesco esforço financeiro – pois o projeto é caro – e montar ali o espetáculo, mensal ou trimestral, para milhares de turistas que terão diante de si a maior de sua perplexidade.


Em termos promocionais, é uma mina a ser explorada por audaciosas vocações empresariais que, em conjunto com o GDF, extrairão, como subprodutos, o orgulho de ser brasileiro e, sobretudo, de ser brasiliense.“Nunca penso no futuro. Ele chega logo.” (Albert Einstein)

 

 

*Todo mês, Márcio Cotrim, diretor cultural da Fundação Assis Chateaubriand, apresenta uma sugestão de sua "Usina de Ideias"

 

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017